Belenenses 0 - Standard Liège 1: Fogo sem artifício
Para começar Carvalhal apostou num onze que porventura não fugirá muito ao que será titular: Marco Aurélio na baliza, Amaral, Pelé, Rolando e Vasco Faísca foram o quarteto defensivo; com Rui Ferreira à frente da área; Pinheiro (mais para o lado esquerdo), Silas (no meio) e Djurdjevic (lado direito) a fazerem o resto da linha média; Meyong e Paulo Sérgio a dupla avançada.
Como breves apreciações individuais e resumo da 1ª parte:
Marco Aurélio, Pelé e Rui Ferreira: iguais a si mesmos, bons. Para mim os indiscutíveis;
Rolando: foi a escolha em vez de Gaspar. Alguns momentos de hesitação, mas contribuiu para uma primeira parte em que o Belenenses demonstrou maior segurança defensiva;
Vasco Faísca: cumpriu bem, ajudando à acima referida solidez defensiva;
Pinheiro: teve uma boa primeira parte, contribuindo por sua vez para um meio campo combativo. Depois já veremos a 2ª parte...
Amaral: boa exibição ao seu nível, incluindo disparo potente que foi a melhor e mais bonita oportunidade de golo da noite... infelizmente não deu.
Silas: exibição "mista", quanto a mim. No ataque e nos momentos de último passe as coisas poderiam ter corrido melhor, sobretudo em matéria de entendimento. Não foi só sua culpa, mas o ataque foi o "elo mais fraco", com pouca presença e clarividência na hora de fazer mossa na área adversária;
Djurdjevic: boa exibição, a dar garantias também nos lances de bola parada (pé esquerdo). Vai ser um duelo interessante pela titularidade com o Zé Pedro, a quem já vou daqui a pouco;
Paulo Sérgio: não a 100%, não só porque a diferença de estatura para os centrais belgas era por demais evidente, mas porque não conseguiu tornar eficazes os seus rasgos. Contra equipas contra o Standard um toque a mais pode ser... a mais;
Meyong: apagado, cedendo com protestos constantes de falta (embora algumas incorrectamente não assinaladas) à implacável marcação adversária. Tem bons pés, bom passe, mas na hora de ir fazer estragos para a área pouco ou nada se viu;
Em suma, na primeira parte constatei um bom desempenho na defesa e meio-campo, mas uma eficácia quase nula no ataque. Não se aproveitou o forte vento de Norte, como habitual. O Standard, por sua vez, também não brilhava muito, com muitos passes errados.
Para a segunda parte Carvalhal arriscou uma demonstração de que tinha outra equipa na manga, fazendo várias substituições: Gaspar substituíu Pelé na defesa; Sousa substituíu Amaral no lado direito; Sandro Gaúcho substituiu Rui Ferreira no meio campo defensivo; José Pedro e Fábio Januário substituiram Djurdjevic e Silas, ficando o Fábio claramente enconstado ao flanco esquerdo; Romeu e Ahamada passaram a ser a dupla avançada, substituindo Meyong e Paulo Sérgio. Na baliza fiquei com dúvidas, pensei que era o Pedro Alves, mas o "speaker" referiu o Marco Pinto. Mais uma "gaffe"?
Ficaram Rolando, Vasco Faísca e Pinheiro, quiçá para mais observações.
Pareceu-me que esta 2ª equipa entrou mal no jogo, enquanto o adversário curiosamente assumiu logo nos primeiro minutos uma acutilância e acerto que até aí não tinha demostrado.
Mas vejamos a apreciação do 2ª "onze":
Pedro Alves: exibição razoável, embora com trabalho moderado. Quanto a mim não teve culpas no golo, salvo se tiver visto mal o lance;
Gaspar e Rolando: não sei se será por Gaspar estar melhor de entendimento com Pelé, o facto é que a segurança defensiva da 1ª parte deu lugar a situações de aflição e, enfim, um golo consentido; com o tempo a dupla corrigiu, embora já sem grandes hipóteses de brilhar;
Sousa: exibição normal, com um ou outro susto com um belga mais acelerado e também a pouca entreajuda (sobretudo no início da segunda parte) na zona;
Vasco Faísca: manteve o nível da primeira parte; o seu carácter misto (lateral/central) notou-se, no entanto e considerando os antecessores, quanto a mim ocupa bem o lugar;
Sandro Gaúcho: sinceramente não consegui fazer um juízo consistente. Na posição gostei mais do Rui Ferreira, mais rotinado com os restantes;
Pinheiro: foi-se apagando na 2ª parte, com menos recuperações e passes bem sucedidos; Foi pena...
Fábio Januário: deparou-se inicialmente com um flanco direito do Standard disposto a fazer valer tudo menos arrancar olhos; Para um jogador de habilidade como ele foi um choque difícil; Não fugiu à luta e melhorou com o tempo; No entanto e apesar de nos últimos momentos se aventurar pelo meio, não conseguiu a eficácia desejada;
José Pedro: exibição de menos a mais; bem numa ou outra bola parada, bem nas movimentações atacantes, no geral e para mim um "satisfaz +"
Romeu e Ahamada: para mim a lufada no ataque que me pareceu faltar na 1ª parte. Romeu lutou também com o intratável flanco direito do Standard, levando das "boas" mas não fugindo à luta. Quanto a mim conseguiu o que Meyong não conseguiu. Não descansou enquanto não ganhou os lances ou arrancou as faltas; Ahamada, para mim, foi a mais agradável revelação de todas. Bons pés, rápido, voluntarioso (chegou a fazer de defesa direito num lance perigoso), inteligente. Se a Amaral havia cabido a mais bonita oportunidade, Ahamada construiu a melhor da segunda parte, obrigando o guarda-redes adversário a mostrar qualidades;
Em suma, a equipa entrou atordoada, talvez pelo menor entrosamento dos jogadores em campo mas também porque o Standard entrou bastante melhor. Pagou-se com o golo. Depois de alguns momentos de bastante rudeza dos belgas, o árbitro lá resolveu expulsar o piorzinho, brindado com apupos da bancada. Até ao fim fomos gradualmente recuperando a força em contra-ataque, mas o golo do empate acabou por não surgir.
No fim, o empate teria sido mais justo, mas levou o Standard o prémio por ter aparecido com o "abre-latas"...
Quanto a Carvalhal, creio que as alterações em massa não beneficiaram a equipa como um todo. Poderá dizer que o que mais importa é o desempenho (sobretudo o individual), pouco interessando o resultado. Porém nestas coisas sou mais conservador, uma derrota como apresentação não é agradável de lembrar. Espero que ele e a equipa continuem a trabalhar, mantendo o empenho, ambição e cabeça erguida. A equipa como um todo tem ainda muita margem para melhorar, bem como os jogadores que porventura tiveram uma noite menos feliz.
Quanto ao público, desolador ver todas as bancadas praticamente desertas excepto a dos sócios, razoavelmente povoada. É certo que há muita gente de férias, mas a convicção para ir ao Restelo não foi suficientemente fortalecida. Trabalhinho para a Direcção. Estranho ver a Fúria no Topo Norte, sinceramente prefiro tê-los junto aos outros sócios e mais junto ao relvado.
No final houve mesmo fogo de artifício, sem dúvida o momento mais agradável da noite. Como disse na altura o meu prezado consócio Vítor Ferreira: se é assim quando perdemos, o que será quando ganharmos?
Palavra ainda para os equipamentos, continuam a parecer bem, bem bonitos. Os que estiveram - já - à venda na Loja Azul creio que "desapareceram" rapidamente. Bonitas também as palmas para o "banco" quando se levantou para aquecer a poucos minutos do fim da 1ª parte; e para o Imperador, quando ocupou o lugar no banco depois do início da 2ª parte. De resto, as bancadas continuaram com o apoio hesitante e pouco sonoro que infelizmente é habitual.
Repito, é hora de trabalhar e continuar a carregar baterias. O caminho é longo e todos esperamos por alegrias. FORÇA BELENENSES!

Fome de Belenenses
Faço assim um apelo de última hora, para que a família azul acorra em peso ao Restelo para que entremos todos com o pé direito na época 2005/06.
Ainda sobre a apresentação dos equipamentos, tenho a dizer que me pareceram todos bem bonitos (excepto o tal "rosa pálida" que não fica nada bem ao Imperador). O tal "ovo estrelado" lá desapareceu. Há 1 ano diziam-nos que não havia alternativa, sendo a contrapartida financeira mais atractiva. Ora, uma bela camisola como a deste ano, desde que bem explorada em termos de vendas, compensará concerteza muito mais. Para além de ser mais Belenenses, mais azul pois claro! Resta... ter as ditas para a venda na Loja e noutras superfícies! O novo contrato assim o prevê, a ver vamos.
Já sabem, às 20:30 temos Belenenses-Standard de Liège, não sem esquecer a esplêndida iniciativa da Fúria Azul, um dia cheio de Belém logo a partir das 10 da manhã. Já aqui publicámos também o programa deste Dia do Adepto Azul, também se podem ver informações completas no site oficial (ver coluna de links à direita).
02/07/2005 Lorrain Arlon - 0 : Standard Liège - 6
09/07/2005 RUS Andenne Seilles - 0: Standard Liège - 4
13/07/2005 Maastricht VV - 1: Standard Liège - 2
16/07/2005 SK Ronsse - 1: Standard Liège - 4
21/07/2005 Standard Liège - 0: Fenerbahce - 0
23/07/2005 Juventus de Turim - 1: Standard Liège - 0
27/07/2005 FC Colónia - 0: Standard Liège - 2
Por fim um agradecimento especial aos azulões que andaram a colar cartazes para chamar pessoas ao Restelo. Aqui onde moro já os vi, como aqui há uns tempos tinha visto nos arredores (nesse caso tinha sido obra de um consócio da ML apenas). Como também já comentei na ML, há que levar o Belém para a rua, atrás das pessoas. É que mesmo nos arredores mais ou menos próximos de Belém há muita gente que nem sabe que tem um Grande do Futebol Português ao virar da esquina!

Assembleia Geral da SAD
Em matéria de resultados registou-se um prejuízo de cerca de meio milhão de Euros que, sendo negativo, terá sido menos mau comparativamente a épocas anteriores (menos cerca de 100 mil Euros em relação ao execício anterior). É visível a continuação da política de rigor, sendo assim desfeitas as dúvidas em relação a uma eventual derrapagem devida à "fase da asneira".
Foram aprovadas a administração e fiscalização da SAD bem como a aplicação de resultados do exercício, sendo notório o agrado dos presentes face ao trabalho desenvolvido e ao rigor e profundidade das apresentações feitas.
Quanto aos novos orgãos sociais e após a vitória de Cabral Ferreira nas últimas eleições, os nomes apontados e aprovados por unanimidade foram os que se esperavam. Barros Rodrigues, Vítor Godinho e Jaime Monteiro, propostos pelos accionistas maioritários (Belém Invest SGPS e Clube de Futebol "Os Belenenses"), formarão o Conselho de Administração, assumindo o primeiro a Presidência, em substituição de Sequeira Nunes, agora Vice-Presidente da AG do Clube (também esteve presente).
Foi ainda submetida a aprovação uma proposta para a remuneração dos elementos da SAD, que no entanto não gerou consenso e foi rejeitada. Sequeira Nunes reiterou uma vez mais a sua firme oposição a tal medida.
Foram transmitidas também algumas novidades sobre o "caso Antchouet", sabendo-se que o Belenenses e o Alavés já estarão em contacto directo com vista à obtenção de um acordo. Perante a possibilidade de termos de enveredar por um penoso processo judicial, abre-se uma porta... ainda que eventualmente com contrapartidas inferiores ao valor da cláusula de rescisão, o que será natural. Se cobrisse o prejuízo de 2004/05 já seria bom. Mais importante, o Clube manteve a sua inflexibilidade face às disparatadas reivindicações do jogador.

Um Padrão de um Bom Treinador
É-se bom profissional, seja ou não do ramo ramo universitário, se se aliar os ensinamentos colhidos na escola ao bom senso e equilíbrio das decisões.
Tal princípio é aplicável a uma qualquer profissão e por defeito a um qualquer treinador de futebol.
Não basta ser-se treinador encartado e afirmar que que é bom porque teve o mestre A, B ou C, porque se não souber gerir um plantel não vai a lado algum. Pior que isso, conduz ao desastre os clubes por onde passa.
Estou e não a estou a falar do actual treinador do Clube, nem ele vem muito ao caso, mas sim os superiores interesses do Clube, porque para mim sempre foi um dado adquirido que não podemos, nem devemos estar dependentes ou reféns de uma qualquer "personalidade" que sendo treinador não dê estabilidade ao plantel que lhe é posto à disposição, principalmente se ele teve acções decisivas da selecção de atletas.
O meu padrão de excelente treinador para o Clube está nos exemplos que tivemos com o Otto Gloria, com o Helénio Herrera ou com o Fernando Riera.
Esses sim, enchiam-me as medidas para gerir com eficácia garantida o plantel e a época desportiva do Clube.
Não havendo esses treinadores, tivemos, no entanto, num passado não muito distante outros treinadores que foram decisivos para a estratificação dum plantel.
Foi o caso dum Jimmy Melia que nos fez regressar à 1ª Divisão no Campo D. Amália, mediante um futebol acutilante e virado para o atque:
Gostei do futebol que ele nos deu e ainda hoje o senhor é vivo, ao que parece vivendo na Suíça e até nem sei se ele estará ainda no activo.
Sejamos sérios e justos para connosco próprios: a SAD dá jogadores que nunca antes deu a Marinho Peres ou a Jimmy Melia.
Dépireux foi um senhor treinador e não admitiria muita malandragem ou tentativas de lhe darem jogadores que ele não queria.
Se um treinador se dispõe treinar uma equipa sujeita a contenções orçamentais e se todas as equipas estão, à sua escala, nas mesmas condições, então não sobram desculpas para que este ano vamos jogar fora com a certeza de perder. Mais do mesmo, não quero.
Saudações Azuis.

A simpatia de Pelé pelo Belenenses
Ora vejamos a revelação:
"A fotografia que hoje publicamos tem uma história que se reveste de um aspecto muito especial. É que não se trata de uma evocação de uma proeza individual brilhante ou de uma vitória colectiva de excepcional repercussão.
Reproduz apenas o encontro, aliás fortuito, entre esse genial futebolista que é o brasileiro Pelé e o excelente atleta que foi Joaquim Branco e é hoje árbitro de futebol.
O corredor belenense relatou assim a sua história da fotografia:
- O acidental encontro com o "rei" dos futebolistas tem nesta foto do meu album curioso significado:
Cuidava de minha preparação física, como é hábito, nas piscinas do Estádio Nacional, na véspera do encontro Portugal-Brasil, quando os campeões do mundo surgiram naquele túnel por onde têm passado tantas celebridades.
Pelé com o seu feitio folgazão, vendo-me treinar, fez uma prova comigo - uns 400 metros - venci o "rei", que me perguntou se era praticante de atletismo e em que clube.
Esclareci que, de facto, tinha sido atleta do Belenenses e que me dedicava actualmente à arbitragem.
A minha explicação teve duplo efeito em Pelé que me disse então: - "Simpatizo muito com o seu clube, não podendo esquecer-me que foi o Belenenses o meu adversário como jogador do Santos e que é também nele que alinha Vicente, que muito admiro e francamente satisfaz-me o facto dos árbitros portugueses cuidarem tão a sério da sua preparação".
E desta conversa nasceu a foto que, como disse, tem para mim uma grata recordação.

Desporto radical para férias
Comprem umas caneleiras que bem protejam aquela zona que percorre a cabeça aos pés, dirijam-se ao local onde Jaime Pacheco habitualmente prepara os jogadores que treina e vejam a adrenalina a subir em flecha.
Se conseguirem sair vivos desta etapa, vistam o equipamento e lembre-se de todos os truques que aprendeu no visionamento dos filmes do Karate Kid.
Todos menos aquele do equilíbrio em cima de um pedaço de madeira, a não ser que vão jogar à defesa contra os lagartos.
Se quiserem tornar as férias ainda mais empolgantes, pergunte ao treinador se pode fazer uma finta antes de cruzar a bola para a grande área.
Se sairem vivos, digam qualquer coisinha, porque não vos quero mal algum.
Portem-se....mal!
Saudações Azuis.

Que riscos corre o Belenenses?
Começo pelas boas notícias, isto é, quais os perigos que da época anterior para esta eu entendo que foram significativamente reduzidos ou evitados:
Falta de ambição - Os objectivos fixados dizem muito. E o da época passada (até ao 10º lugar) contribuiu bastante para que a ambição tivesse ficado em "terra". A má classificação da época anterior (2003/2004) e talvez a falta de confiança no plantel poderão ter ditado a fixação de tão pálida meta, mas é difícil aliciar e motivar os jogadores (e os adeptos!) se o desafio apresentado mal o é.
Desta vez o objectivo é bem mais aliciante, tal como o próprio discurso dos nossos "reforços" o atesta. Resta esperar que até ao último minuto do último jogo da época nunca o percamos de vista, mantendo a exigência, a motivação e a ambição.
A própria pré-época é também prova das diferenças. Há um ano fomos "campeões" da dita mas face a adversários raramente difíceis. Ganhámos, o que é sempre bom... e motiva, mas quando o valor das vitórias é relativo, depressa a motivação se pode tornar em acomodação. Agora com o "cheirinho" a Europa propiciado pela viagens além-Alpes e além-Pirinéus, creio que os jogadores terão incorporado o desafio de forma pessoal e mais entusiástica.
Falta de planeamento e... de tempo - Não se pode dizer que Carvalhal tivesse tido assim tão pouco tempo para preparar a época anterior. No entanto o planeamento é algo que tem de ser feito com antecedência, sob o risco de não ser planeamento mas sim improviso. Para 2004/2005 houve reforço da equipa mas não foi muito clara qual a orientação e o rigor empregues. Os empréstimos foram um sinal evidente, sendo apontados como uma solução de recurso (e como se viu uma vez mais, mal se pode dizer que sejam "solução").
Desta vez Carvalhal teve toda uma época para avaliar os recursos à disposição e quais as principais carências. Optou-se por "mais qualidade e menos quantidade", sendo até agora mais ou menos evidente que a aposta na qualidade parece confirmada (assim também o dizem os jornais).
Falta de homogeneidade, polivalência e entrosamento do plantel - Tudo isto está interligado. Se é verdade que para 2004/2005 os objectivos foram pouco exigentes, é também verdade que a realidade do balneário talvez permitisse pouco mais. Foram soluções de recurso, um planeamento de recurso (como referi acima), fazendo conviver no plantel jogadores em patamares muito distintos das respectivas carreiras mas também com perfis pouco homogéneos (alguns em fim de carreira, outros habituados a um Belenenses que lutava por não descer, os emprestados etc). De outra forma, creio que Carvalhal não tinha equipa para o seu "modelo". É discutível saber se deve ser o modelo a adaptar-se à equipa ou o inverso. Na minha opinião sou relativamente favorável ao estabelecimento de um modelo de jogo e que os jogadores se adaptem ao mesmo. Caso contrário, isto é, querendo fazer um modelo à imagem da equipa, corre-se o risco de não encontrar modelo nenhum. Mas depois é também discutível... qual o modelo a empregar. Honestamente ainda não me convenci totalmente da eficácia do modelo de Carvalhal (4-4-3, 4-[1-2-1]-2, 4-[1-3]-2), avesso a extremos puros e de vida complicada para pontas-de-lança puros de área.
Nos matrecos a malta até dá-se bem com um modelo fixo! Quanto ao entrosamento, parecem haver melhorias também evidentes, para os quais também contribui - lá está - a união em torno e a aceitação colectiva dos objectivos estabelecidos.
Indisciplina no "balneário" - Este risco está directamente ligado com a parte final do ponto anterior. Pelo vistos até agora não se vislumbram como prováveis casos "Brasília" (indisciplina "táctica"?), "Juninho" (noitadas) ou até "Antchouet" (borrifar-se para o Clube).
Agora vamos à parte menos "côr-de-rosa", os riscos que permanecem ou até se tornam muito mais relevantes esta época:
Plantel curto - Este é para mim sem dúvida o maior risco que corremos esta época. Como já se referiu, a aposta é "mais qualidade e menos quantidade". Entendo perfeitamente a sua razão de ser, sobretudo se tivermos em conta que o orçamento não sofreu alteração. Ainda que tendo sido mantida a política de aquisições a custo zero, acredito que as contrapartidas para os jogadores (salários, prémios) poderão ter tido algum incremento e dessa forma limitado eventuais "poupanças". De resto e sendo tão apregoada a melhoria qualitativa, seria para desconfiar (não tanto como o outro que falou em petróleo no Restelo, mas...). Dessa forma ficámos com um plantel bem "magro", sendo as áreas mais frágeis o eixo da defesa e o ataque.
Assim sendo, a "sombra" da enfermaria é uma realidade. É certo que já na pré-época temos tido alguns contra-tempos (Romeu, Zé Pedro, Ruben Amorim, com mais alguns jogadores a terem problemas menores) mas, aparentemente, a polivalência do plantel está a dar mostras de ser suficiente. Esperemos que assim seja, pois por exemplo ausências em simultâneo de duplas como Meyong-Romeu ou Pelé-Rolando/Gaspar poderão forçar Carvalhal a puxar muito pela imaginação e improviso. Confiemos na preparação física (que Lourenços à parte creio que já foi boa na época passada) e que a tão desejada "agressividade" (no bom sentido) não nos dê desgostos.
Abritragens - Por falar em "agressividade", ainda que sendo no bom sentido, costuma ser boa desculpa para que certos homens de preto (daqueles que não largam o apito da boca) nos mandem jogadores para o duche mais cedo. Juntando a isso a simples tradição de prejudicar o Belenenses sempre que se ergue mais que o permitido, as arbitragens podem ser, uma vez mais, um adversário a temer. Quem não se lembra da autêntica campanha anti-Belenenses em 2002/03?
Os Elmanos, os Lúcílios, Mários Mendes, Olegários, Paixões, Xistras e Cia.:um verdadeiro Clube de Amigos do Belém
É certo que na SAD, por estes dias, estão elementos que já demonstaram que não gostam de ficar calados. E por exemplo Rui Casaca, na minha opinião, já tem uma "bagagem" no meio que poderá ser útil. No entanto bem sabemos que a luta contra o(s) sistema(s) não passa só pelo banco, conferências de imprensa ou inflamados comunicados. Aliás no comunicado de Carvalhal aos sócios foi com muita curiosidade que li o seguinte: "Temos também a noção que o nosso clube é ainda muito desprotegido (não temos ninguém! nas estruturas de cúpula do futebol português)." Seria isto uma "boca" a quem de direito (os nossos dirigentes, por assim não fazerem o seu trabalho) ou apenas um queixume antecipado contra o sistema? Passou muito despercebida, mas é uma afirmação importante.
O certo é que as movimentações de Sequeira Nunes em certos grupos de "regeneração" (?) não parecem ter produzido resultados visíveis. Alinhando com "degenerados", será de esperar alguma coisa? E a propalada hipótese de se candidatar à Liga? Não para nos favorecer, claro, mas pelo menos para impedir mais prejuízos? E agora que o Presidente é Cabral Ferreira? Quem anda agora nesses "corredores"?
Feios, Porcos e Maus: outros que querem o Belenensescomo à mãezinha deles. Está tudo explicado, não é?
"Predação" do plantel - Este é um risco tanto maior quanto melhor o desempenho e a classificação da equipa. Ou seja, é bom sinal... É um risco natural, como é maior o risco de falhar quando se estabelecem objectivos mais ambiciosos. A concorrência existe e disputará quer a classificação quer os nossos bons jogadores. Em bom rigor, estes são riscos obrigatórios sempre que se quer elevar a fasquia enquanto as finanças não são folgadas. Resta esperar que a SAD, como tem demonstrado, seja inflexível e "habilidosa". E quando não se consiga evitar a saída de um jogador, devemos estar preparados para suprir lacunas com novos jogadores, reduzindo ao mínimo quaisquer transtornos. Assim terá de ser se o Pelé sair, por exemplo.
Quanto a possíveis "Antchouets" convém assegurar que não foi aberto um perigoso precedente. Os nossos contratos são ou não suficientes? E sendo suficientes, podemos evitar morosas "telenovelas" nos tribunais?
Para além de todos estes riscos - mas relacionados com os mesmos - existem dois tipos de intervenientes fundamentais, que não sendo propriamente "riscos", implicam condicionantes significativos: a comunicação social e os adeptos.
Para conseguir campanhas de sucesso e enfim recuperar o estatuto do Clube, muito contribui a imagem que se consegue transmitir através da Comunicação Social. Embora ainda com muita "desinformação", a imprensa escrita parece estar neste momento mais "cooperante", distribuindo elogios sobre o plantel e augurando uma boa época. Mas mais do que esperar passivamente pela benevolência dos articulistas, deve competir aos nossos responsáveis a transmissão em permanência de uma boa imagem. Se os jornais não têm boas notícias, que as arranjemos nós.
E claro, há que estar muito atentos a eventuais ataques. Por muito que alguns digam (incluindo consócios profissionais do ramo), para mim tem sido óbvio ao longo dos anos que o Belenenses conta com "inimigos" também na Comunicação Social. Não só os que nos ignoram ou fazem por que sejamos ignorados (muitas vezes devido à sua própria e inadmissível ignorância em relação ao que existe para além dos "três" - deveras insólito, haverem jornalistas mal informados!), mas também os que activamente desvalorizam ou até mesmo tentam deliberadamente prejudicar a nossa imagem (mas sobretudo a estabilidade da equipa). Normalmente juntam o útil ao agradável, como os que dão jogadores nossos como certos nos seus clubes do coração, para onde supostamente querem ir já desde o ventre materno (por norma antes dos jogos entre o Belenenses e esses clubes, de preferência). Mas há mais, há uma grande variedade de discursos (como o branqueamento de roubos arbitrais, relembro de novo 2002/03), por conta dos concorrentes mas também de empresários (lá está o risco de "predação" dos nossos jogadores).
Se os jornalistas dizem cumprir o seu papel, compete-nos cumprir o nosso.
Quanto aos adeptos, o risco em causa traduz-se perfeitamente naquilo que Barros Rodrigues oportunamente referiu: a gestão das expectativas. Ter o Restelo quase vazio e consequentemente ter um fraco apoio dos adeptos infelizmente já não é um risco. É uma realidade que vem-se instalando há décadas. O risco é precisamente o de falhar na inversão desse estado de coisas, precisamente porque podem ser inspiradas expectativas demasiado altas. Não se trata tanto de um problema de calibração das mesmas expectativas. Ou seja, o problema não devem ser as expectativas em si. Desde que tenham fundamento (como parece ser o caso) e sejam assim minimamente credíveis, não devemos hesitar em elevá-las. É certo que, como referi acima, é em teoria maior o risco de falhar quando o objectivo é mais difícil. Mas lá está, são consequências obrigatórias de uma maior ambição. São riscos desejáveis. Em simultâneo a equipa tem de aceitar como natural um maior grau de exigência, pois faz parte dessa mesma ambição, para que ela cresça e dê frutos.
Desta forma o risco em causa é em boa medida algo de muito particular à massa adepta Belenense. Devido ao passado recente (e ao acentuado contraste com o passado mais longínquo) os adeptos azuis têm-se tornado em autênticos campeões do cepticismo. Como referi aqui há dias em artigo deste blogues, alguns há que até aguardam com satisfação a oportunidade para dizer mal e fazer crer que o Belenenses não sai da mesma. Quanto a esses, não haverá muito a fazer. No entanto e se queremos chamar mais gente (temos de chamar mais e nova gente!) é importante, uma vez mais, transmitir em pemanência uma boa imagem da equipa e do Clube. Ainda que surjam maus resultados (convém que não sejam muitos), é preciso que a equipa demonstre sempre o mesmo e elevado empenho, para além de dar o devido reconhecimento, de uma vez por todas, a quem os apoia (empatia essa que se perdeu). Das afirmações de Manuel José como treinador do Belenenses apreciei esta em particular: os jogadores do Belenenses têm de ter mau perder. Isto é, se os adeptos têm de estar com a equipa nos bons e nos maus momentos, é também verdade que os jogadores têm de sentir os maus momentos como os sentem os adeptos. Acima de tudo, com vontade de dar a volta por cima.
Continuarão a haver críticas injustas, por certo, momentos de desânimo para os jogadores, mas também estes têm de entender que a conquista das bancadas é mais uma que têm de ambicionar. As nossas são difíceis (as bancadas, entenda-se), encarem a coisa como mais um grande desafio. Quanto aos responsáveis, não bastará denunciar ou criticar quem assobia ou não apoia. De pouco ou nada serve senão para acentuar clivagens e o divórcio de certos adeptos com o Clube (e os incorrigíveis "marretas", mais vale não dar-lhes ouvidos). Têm de demonstrar que estão atentos ao que de mau ou menos bom levou a este ou aquele desaire e que as medidas correctivas existem e são postas em prática. No fundo, que não estão de braços cruzados à espera que a equipa puxe a carroça.
Quanto às medidas de "marketing" para chamar o público, havendo tanto para fazer nesta matéria, não se podem ignorar aqueles aspectos. Por vezes basta um só resultado, acompanhado de uma exibição paupérrima, para afastar um adepto que, por azar, tinha escolhido voltar ao Restelo naquela tarde. Ainda que a classificação não seja má e as exibições até esse momento fossem razoáveis.
Por outro lado e sobre medidas tomadas no passado recente, algumas foram descartadas argumentando-se que a sua eficácia era limitada, ao constatar que nem mesmo assim (ex.: com entradas de borla) se conseguiam encher em permanência as bancadas. O problema será mesmo dos adeptos? Não creio deva ser assim. Aliás, numa época em que lutámos para não descer e uma outra em que "lutámos" por um 9º lugar... seria esse o Belenenses que os adeptos (alguns de longuíssima data) queriam ver e rever?
Desta feita a confiança parece maior, o próprio comunicado de Carvalhal deixa entender que a vontade de (re)aproximação aos adeptos é também maior. Muito bem, se há essa vontade, há que recuperar medidas, implementar novas. Agora é que é altura. É altura de dizer "venham, não se vão arrepender", fazendo o esforço máximo para que os adeptos efectivamente... não se arrependam! Se perdermos um jogo, não faz mal, ainda por cima não merecíamos, demos tudo por tudo, o ambiente foi fantástico à mesma, no próximo o Restelo em uníssono irá vingar os pontos perdidos. Cumplicidade e compromisso entre jogadores e adeptos...

Apresentação dos equipamentos
Esperemos que seja desta que o mais comum e mortal consócio consiga encontrar camisolas oficiais à venda com facilidade!

Visitante Desagradável
Assim sendo, para hoje reservo uma tentativa de mini-balanço da mini-digressão a França. Mas também ainda antes de passar ao que diz respeito ao Belenenses gostaria de deixar uma palavra de apreço para Lance Amstrong, o autêntico Rei da Volta à França. Por acaso até confesso que como espectador acho que os Amstrongs e os Schumachers deste mundo têm tirado muita da piada do Tour e da Fórmula 1, respectivamente. No último caso passei de fanático a não ligar quase nada (mesmo com o Schumacher a "amargar" agora). No caso do ciclismo, sou como muitos, gosto de ver o Tour e pouco mais (nem vou agora aproveitar a ocasião para discutir o futuro do ciclismo... no Belenenses). No entanto é difícil contornar o magnífico exemplo de Lance, um homem que venceu o cancro... mais 7 voltas à França. Demonstrou não só que a força mas também a vontade humana podem fazer autênticos milagres. Talvez agora o Tour passe a ser menos monótono (pelo menos em matéria de detentores da "amarela"), mas fica sem um atleta excepcional, no mais estrito sentido do termo.
Passando finalmente ao Belenenses, pareceu bem positivo o saldo da digressão "francesa". A brilhante vitória sobre o Mónaco mais um empate com o Toulouse (quase vitória mas não foi, estas coisas também servem para aprender), sendo estes os dois nossos primeiros jogos de preparação, logo contra duas equipas bem mais adiantadas nessa mesma preparação (começam o campeonato para a semana!?!?!?). A imprensa continua bem impressionada, desta vez já não só com o grupo formado mas com o desempenho e rápido entrosamento que vai demonstrando. Tudo parece no rumo certo.
Carvalhal ainda quererá experimentar muito, ainda muito faltará para melhor afinar a equipa. De notar, também aqui, a diferença para a época anterior. Se então fomos autênticos campeões da pré-época, era óbvio que o nível dos adversários não era propriamente muito elevado. Desta vez houve mais coragem, mais ousadia, significando a meu ver que a exigência é de facto maior e, esperemos, a ambição.
Entretanto vai-se aproximando o dia de apresentação aos sócios, quer se queira quer não, é uma ocasião de importância fundamental para que muitos sócios decidam na sua cabeça se valerá a pena comparecer mais vezes no Restelo ou não. Isso acontece... e na maior parte da vezes não bastam vitórias (umas mais fortuitas que outras). Os sócios querem ver... garantias. Como por vezes refere o Luís Oliveira, querem poder ter a confiança que quando vão ao Restelo é para ver o Belenenses ganhar, sem reservas.
Nesse aspecto a época anterior até nem foi má (os jogos no Restelo), não fossem os resultados fora estragar muitos dos pontos amealhados em casa, nem sempre de forma convincente.
Estes jogos em França, não só porque foram bem fora, mas atendendo ao que se comenta nos jornais, deixam-me pensar (e esperar) que o desempenho do Belenenses fora do Restelo poderá melhorar e muito. Para o efeito destaco esta frase d'A Bola: "A avaliar pelo encontro de estreia, ontem, em França, o Belenenses promete ser capaz de se adaptar, com inteligência, às surpresas que cada jogo revelar".
Pela lógica é claro que para uma melhor classificação teremos de amealhar mais pontos, sendo óbvio que a maior diferença terá de vir dos jogos fora. Temos de passar a ser... um visitante bem desagradável! Para os visitados, claro!
Para finalizar, realço uma vez mais a importância de jogar com boas equipas de bons campeonatos europeus. Enquanto não vamos "à Europa", já provámos um pouco da coisa. E para que uma eventual ida à Europa não seja viagem de regresso rápido e sem brilho. Olhai para cima, rapazes!
Aqui fica o "link" que referi ao início:
http://www.haloscan.com/comments/onaikul/112195757859393078/

Ecos de Timor
Aqui há pouco mais de um mês, contou-nos o autor daquele espaço (Alfredo Azinheira) que a nossa filial por terras timorenses - Clube de futebol Cruz de Cristo, de Oé Cusse - corre risco sério de não poder participar no campeonato de Timor Leste por ausência de 2000 US$ - são menos de quatrocentos contos, caramba! - que paguem a inscrição na prova. Para mais, terá o clube que fazer face às despesas inerentes a transportes, visto que os jogos se realizarão todos em Dili. Como por lá é dito, os nossos jogadores, terão de sair de Oé Cusse, às quintas-feiras e regressar nas Terças, fazendo uma viagem de 14 horas para cada lado de barco e perdendo 6 dias em cada deslocação...
Começo eu a imaginar: será impossível que o Montepio Geral abra os cordões à bolsa em valores que lhe serão tão irrisórios? Não faço a menor ideia. Mas imagino que não seria impossível conseguir quarenta cabeças que dessem cada uma dez contos. Estava o assunto resolvido. Se ainda for preciso, pensem nisso. Ora alistem-se aí na caixinha dos comentários.

Eram assim os Belenenses!
“Já no referimos aos pombos que a rapaziada de Belém larga em pleno azul, após as suas vitórias. Hoje, fazemos mais. Apresentamos o pitoresco duma fotografia em que se vê o popular Azevedo, findo o jogo com o Benfica, abrir as mãos e atirar para a imensidade a boa nova dum pombo correio, que levava o amável segredo da vitória.
Bilhete curto, de caligrafia comovida e nervosa, ele aí vai pelos ares fora, sobre o coração da ave – pronto a tornar-se em foguetes e vivas…
Ganhámos! Uma palavra apenas, a saber a lágrimas e a risos. A gente de Belém, à maneira antiga e desprezando os telefones – contenta-se assim, lá de longe, a olhar o céu atenciosamente…
- Lá vem! Lá vem!
Mas não é ainda. As desilusões sucedem-se. Às vezes são gaivotas vadias que vêm em raids por terra e iludem os que esperam… Pombos correios, isso sim…
Entardecera já. Ficara combinado largarem um pombo ao primeiro goal e à hora de acabarem os noventa minutos – ainda o céu estava virgem das asas brancas da boa nova.
Belém desesperava. O desafio estava dado como perdido – e todos se olhavam com tristeza. E quando finalmente, com sua fidelidade, generosa – o pombo surgiu, ninguém queria acreditar…
- Ganhámos! Ganhámos!
São assim os entusiastas do grupo da praia. Querem ao seu club, como se quer a uma pessoa de família. Amam-no e comovem-se, com os seus triunfos. Choram e afligem-se com as suas derrotas.
Belém é assim um club - que vive das almas.

O artigo original, devidamente ilustrado
Explicam-se assim os seus triunfos – a fé já não abala montanhas mas ainda mete bolas nas redes adversárias. Pépe é na linha avançada – o resto da vontade de Azevedo. Pépe realiza o sonho. Azevedo encarrega-se a todo o custo de o manter.
A vida rola indiferente. A cidade bate-se nos seus conflitos íntimos. Cada casa é uma ambição. Por toda a parte lutas desiguais, sonhos, quimeras – e indiferença. Uns dormitam, as mulheres à janela olham a vida, com placidez. Os gaiatos brincam nas ruas. Toda a aparência é calma. Mas no azul a asa branca esconde o frémito, o esforço enorme e lá vai velozmente a transportar a notícia ansiosamente esperada.
- Ganhámos! Ganhámos!
Quando Belém acaba um jogo, há sempre lágrimas.
É o club popular por excelência – o Belenenses. O seu entusiasmo sincero e comovedor cheio de ingenuidade talvez – é assim, enorme como um gigante de alma primitiva…
Sorri quando vence, define-se por expressões plebeias… Larga aos céus e com entusiasmo, pombos correios quando vence – como se quisesse mandar a notícia ao mundo inteiro e confia sempre na vitória nesta frase risonha e popular – isto está como há-de ir…
São assim os Belenenses!”
A respeito desse primeiro campeonato ganho, recomendo vivamente a compra do livro "Belenenses - O Primeiro Campeonato de Portugal (1926-27)", publicação do Clube (já de 2002) e da autoria do nosso actual administrador da SAD, Barros Rodrigues. Bem haja!
É riquíssimo em informação e imagens, as quais evito reproduzir aqui, para que todos possam satisfazer a sua curiosidade... comprando o livro!

Ser Belenenses no estrangeiro (II) - Sabiam que…
Dividirei a análise em duas partes, a dos espectadores e a de quem proporciona o espectáculo. Começarei por falar nas diferenças dos adeptos em si. O espectáculo que é viver um jogo de futebol é em si diferente pela cultura associada ao próprio país e às pessoas que fazem desse país aquilo que ele é. Mas a emoção... essa é a mesma. E só é elevada pelo espectáculo em si e por um estádio cheio.
Episódios como aqueles que normalmente se vêem nos nossos estádios onde as claques criam distúrbios arremeçando objectos para dentro do campo são raros e quase impossíveis na Alemanha pois tal significaria que tal pessoa ficaria com cadastro criminal e impossibilitada de assistir a eventos desportivos durantes um período de tempo variáveis. Para além disso atitudes como aquelas que normalmente vemos no nosso campeonato em que o marcador de um pontapé de baliza é brindado com mimos à sua mãe, claques a insultarem um clube adversário ou os adeptos desse clube (por vezes nem sequer o adversário desse jogo) ou comentários racistas durante um jogo são punidos...criminalmente. E há câmaras que ajudam o clube e a polícia a efectuar detenções.
Mas o que é que isto tem a ver com o futebol perguntam vocês. Bem tem a ver pois este bom clima só favorece o clube em si. O bom ambiente criado leva a que milhares de famílias se desloquem aos estádios para assistir a um espectáculo desportivo onde se sentem seguras e onde as pessoas (e a sua família) não têm que levar com os impropérios de quem se senta atrás ou ao seu lado. Há emoção, respeito e educação que é aquilo que a nós portugueses tanto nos falta. Convido-vos a irem quando tiverem oportunidade a assistir a um jogo na Alemanha a assistirem às “guerras” de adeptos para ver qual canta mais alto músicas de apoio às suas cores. Num aparte, e fica aqui uma dica às nossas claques, tais músicas são apenas e só adaptações de grandes músicas clássicas mundialmente conhecidas.
Por tudo isto estão a ver como os clubes obtém grande parte do seu dinheiro: estádios cheios, maior consumo nos bares e restaurantes do estádio e na sua loja física. Imaginem 30 000 espectadores a 10€ cada um ao longo de 17 jogos em casa... Pois daria a módica quantia de 5 100 000€ ou seja mais do que o nosso orçamento para o ano que começa. E isto com bilhetes mais baratos que aqueles a que nós portugueses dispomos. Curioso não?
Por outro lado os clubes na Alemanha são especilizados num determinado desporto não dispendendo energias, espaço e capital com outras modalidades. Para isso existem outros clubes especializados. Isto não me categoriza como um anti-amadoras mas sim um adepto de várias modalidades que quer que estas tenham o máximo de apoios que podem ter. Mas isso ficará para outro texto...
Vou então falar dos clubes em si. Mais uma vez estamos a falar de dois mundos opostos e que cada vez me parecem a mim mais afastados um do outro. Em clubes de topo (e não só de futebol...) toda a estrutura é profissional. E como em tudo na vida os melhores profissionais são pagos a peso de ouro e demonstram os resultados. Nada é deixado ao acaso. Não se perde uma boa oportunidade de negócio. E as pessoas são responsabilizadas pelos erros cometidos e muito bem compensadas pelos ganhos. Como em qualquer outro negócio.
Vou-lhes falar mais concretamente em dois exemplos da cidade onde vivi (o Hamburgo e o FC St. Pauli). O Hamburgo (HSV) é o maior clube da cidade com o mesmo nome. O seu estádio (antes conhecido como Volksparkstadium hoje chamado AOL Arena para rentabilizar mais o espaço como alguém cá por Portugal quer agora fazer) está quase sempre cheio são cerca de 60 000 espectadores a assistir a futebol de 15 em 15 dias. É um clube que disputa a primeira divisão alemã e apurou-se para a Taça Intertoto onde está neste momento a defrontar o União de Leiria.
O AOL Arena – estádio do HSV
Por outro lado temos o St. Pauli que é um clube que normalmente joga no equivalente português à 2ª Liga ou 2ªB Divisão B com ocasionais subidas à primeira liga. Tem um estádio pequenino mas contem com cerca de 15 000 espectadores por jogo. Na 2ª Divisão B!!!
O Millerntor Stadium – o estádio do FC St. Pauli
Como será muito difícil explicar-vos como estas empresas funcionam tentarei dar-vos antes exemplos do que se passa por lá. Darei exemplos e histórias isoladas e deixarei ao vosso critério a pesquisa ou não mais em profundidade destes temas. Vamos então começar:
• Sabiam que no HSV existem lugares no estádio para a família? E para empresas?
• Sabiam que a loja do HSV tem mais de 200 produtos para venda?
• Sabiam que o HSV tem uma equipa B e várias equipas de juniores?
• Sabiam que o HSV tem uma agência de viagens e que todos os anos vai fazer a pré-época e no intervalo de Inverno para um local diferente para onde se deslocam vários dos seus adeptos?
• Sabiam que podem reservar estas mesmas viagens no site oficial do clube?
• Sabiam que se podem comprar os bilhetes para um jogo de futebol em vários pontos da cidade e pela internet?
• Sabiam que até o plano de treinos está à disposição na página do clube?
• Sabiam que podem ter acesso a entrevistas com os jogadores e treinadores do clube na página oficial?
• Sabiam que estas entrevistas não estão apenas e só disponíveis para leitura mas sim em vídeo também?
• Sabiam que um dos dois dos produtos que mais vendem na loja oficial é um pequeno livro com as fotos e dados dos elementos do plantel e com espaço para recolha de um autógrafo?
• Sabiam que o outro produto é apenas e só uma caderneta de cromos do clube?
• Sabiam que o clube edita uma revista?
• Sabiam que na AOL Arena existem 120 lugares para deficientes?
• Sabiam que na AOL Arena existem nos dias de jogo 20 pequenos bares abertos?
• Sabiam que por 99€ podem ter um bilhete para a época 2005/06 mesmo sem serem sócios?
• Se quiserem saber mais... http://www.hsv.de
Dir-me-ão vocês que são efectivamente dois mundos diferentes e que não se podem comparar o Belenenses com o HSV. Eu direi que por enquanto não. Mas que é para estes exemplos que temos de olhar e não para outros exemplos falhados de gestão. Mas... para não dizerem que estou a ser utópico irei agora dedicar-me ao meu St. Pauli.
• Sabiam que no St.Pauli existem lugares no estádio para empresas? E que os 20000 lugares estão quase sempre cheios?
• Sabiam que a loja do St.Pauli tem mais de 100 produtos para venda?
• Sabiam que o St.Pauli tem uma equipa B e várias equipas de juniores?
• Sabiam que se podem comprar os bilhetes para um jogo de futebol em vários pontos da cidade e pela internet?
• Sabiam que até o plano de treinos está à disposição na página do clube?
• Sabiam que podem ter acesso a entrevistas com os jogadores e treinadores do clube na página oficial?
• Sabiam que um dos maiores sucessos de vendas da loja do clube foram umas T-Shirts que diziam “Vencedores dos Vencedores da Liga dos Campeões” numa alusão à vitória do clube perante o Bayern München? Foram 20 000 numa semana...
• Sabiam que outro produto muitos vendido foram uma T-Shirts a imitarem o equipamento do clube (com vários remendos de várias cores a imitarem os equipamentos dos adversários) e que diziam “Este ano comeremos mais do que a relva”? Foram 30 000 num mês...
• Sabiam que por 103€ podem ter um bilhete para a época 2005/06 mesmo sem serem sócios?
• Sabiam que na pausa de Inverno o St.Pauli e centenas de adeptos se dirigem até Cuba em viagens organizadas pelo clube.
• Se quiserem saber mais... http://www.fcstpauli.de
Como vêem também aqui há muitas diferenças. Quem não tem cão caça com gato e o St.Pauli com muito humor, imaginação e boa disposição lá vai fazendo pela vida. E com muito profissionalismo e competência.
Muito mais poderia aqui escrever mas penso que por agora referi vários aspectos que ilustram bem como os clubes são administrados e que o nosso clube e os clubes do nosso futebol estão cada vez mais longe do futebol de topo europeu.
Só para compararmos no Belenenses se quisermos assistir aos 17 jogos na época temos de desembolsar 17x6€ mais as quotas 13x8,5€ e quem quiser ter um lugar garantido ainda paga mais uma quantia. Mesmo sem este lugar cativo são 212,5€!!! Ou seja com esse dinheiro vou ver todos os jogos do HSV e do St.Pauli e ainda me sobra dinheiro. Não seria é claro na bancada central mas...
Por esta e por outras é que temos estádios desertos e os adeptos são chulados por más gestões e administrações, tendo de ser sócios, pagantes de bilhetes e ainda accionistas das SADs...
Para além de tudo isto devo ainda explicar que todos os clubes precisam de uma licença desportiva no início da época e que quem não cumprir é automáticamente despromovido. E olhem que o fisco alemão não faz favores a ninguém. Para além disso, outras dívidas podem acarretar medidas mais ou menos severas como aquela que há poucos anos calhou ao Kaiserslautern que começou o campeonato da Bundesliga com ... -6 pontos.
Vamos ter confiança nesta Direcção e vamos esperar que continuam a olhar para cima e para os bons exemplos.
Para terminar uma boa notícia. Ganhámos ao Mónaco por 2-1.
Um abraço azul a todos.

Apreciação individual dos reforços após Coverciano
Pela estatura, dá a sensação de ser lento, mas é puro engano. Poderá ser importante devido à experiência, designadamente nas dobras em situações de defesa subida. Tem vocação para fazer golos de bola parada, sinónimos, tantas vezes, de pontos.
VASCO FAÍSCA, Defesa
Tem grande qualidade técnica para um defesa, sobretudo com o pé esquerdo. Inteligente a ocupar os espaços e forte a defender, tem à vontade suficiente para progredir pelo flanco esquerdo e cruzar com mestria apesar de ser lateral de raiz.
SANDRO GAÙCHO, Médio
Jogador com bom sentido posicional e disciplinado tacticamente. Não complica e sabe jogar para a equipa. É o verdadeiro "cabeça de área", capaz de ler o jogo e marcar o ritmo ao sabor das necessidades do conjunto.
RICARDO ARAÙJO, Médio
Equilibrado nos duelos de um contra um tanto em situação de defesa como de ataque. Ainda procura ganhar confiança, mas tem predicados inaptos: processos simples, boa movimentação e capacidade para chegar à baliza.
DJURDJEVIC, Médio
Abnegado, voluntarioso, e sempre em jogo. É daqueles jogadores que todos os treinadores gostam de ter. Muito competitivo e com grande capacidade de trabalho, apresenta como mais-valia a panóplia de funções que pode desempenhar.
PINHEIRO, Médio
Mais um elemento que parece saber fazer tudo no futebol. No meio-campo, podem pô-lo onde quiserem, a defender ou a atacar. Apresenta boa visão de jogo, a curta ou longa distância, e não se atrapalha na hora de visar as redes.
SILAS, Médio
Talvez o mais virtuoso dos reforços. Desequilibrador nato, capaz de colocar a bola onde quiser, parece talhado para ser o "motor" ofensivo da equipa. Só precisa de tirar as medidas aos adversários para começar a fazer estragos.
FÁBIO JANUÁRIO, Médio
Pé esquerdo de bom nível, capaz de surpreender de meia-distância e com versatilidade suficiente para jogar tanto a extremo como a médio interior. Mais um daqueles que não pode ser rotulado de egoísta.
AHAMADA, Avançado
A gazua do plantel. Desgasta as defesas, "inventa" espaços, e tem bom índice de aproveitamento das situações de golo apesar de não ser essa a sua tarefa principal. Faz qualquer posição no ataque sem oscilar de rendimento. Falta a confirmação em competição.
MEYONG, Avançado
É exímio a jogar de costas para a baliza, sabe prender a bola e entregá-la no momento certo. Movimenta-se a preceito pelo ataque, sem preferência por um lugar fixo. É intuitivo a adivinhar os lances e desmarca-se com facilidade.
ROMEU, Avançado
Mostrou-se menos do que os outros devido à lesão nas costas, mas deixou um cartão de visita no balneário: parece jogar no Belenenses há anos, tal a empatia com os colegas. Colectivista, procura fugir aos centrais, e pode ser muito útil no 4-4-2.
Nesta apreciação elaborada por um jornalista do jornal "O Jogo" resulta claro que para ele, 6 reforços quase nem necessitam de grande trabalho de integração, sendo certo que para os restantes há que efectuar um trabalho de adapatação mais profícuo. Falta aqui referir o jovem guada-redes, o nosso 3º keeper, que veio das escolas de Alcochete (lá está uma das utilidades dum Centro de Estágios: a produção de novos talentos em condições óptimas de trabalho), mas pelo que li, paraece que o miúdo tem pinta.

CF Belenenses, 2 - AS Mónaco, 1

O calendário da "festa"

Um Futebol mais profissionalizado

Centro de Estágio
Já aqui se falou nas equipas B (referindo também a alternativa que, ao que parece, irá tomar corpo a curto prazo - equipa(s) satélite), na optimização da estrutura organizativa, no papel que a formação deve assumir dentro dessa mesma estrutura, por exemplo. No fundo, em diversas formas de gerir o "capital humano" (jovens jogadores).
Também já aqui se falou em algumas alternativas para a obtenção de mais receitas, na necessidade de investir mais no futebol juvenil com vista à valorização e possível transferência de jogadores, como referi acima. No fundo, o capital financeiro que é necessário para desenvolver a formação, cativando as melhores promessas face às ofertas da feroz concorrência.
Vistos esses requisitos resta ponderar sobre mais um elemento fundamental: as infra-estruturas. Daí vem o título deste artigo, tendo em mente tudo o que a acima mencionada "feroz concorrência" tem feito nessa matéria.
Já todos conhecemos a "Academia" do Sporting em Alcochete, o "Centro de Treinos e Formação Desportiva PortoGaia" do Porto em Crestuma-Gaia bem como o centro que o Benfica ainda está a construir no Seixal. No entanto há mais tipos de centros em actividade, nem sempre fora dos principais complexos desportivos. É que se repararmos, tanto Porto, Benfica como Sporting prescindiram de contar com grandes instalações de treino junto aos seus novos Euro-Estádios, não só pelas necessidades implícitas de espaço mas também para rentabilizar os terrenos como forma de financiamento.
Assim sendo e já pensando no Belenenses coloca-se a seguinte questão: fará sentido ter um centro de estágio considerando as estruturas do actual complexo de que dispomos? Olhando para os centros alheios e considerando as notórias insuficiências das actuais instalações, a resposta deveria ser sim. No entanto estaremos a partir de alguns pressupostos que merecem ser discutidos.
Em primeiro lugar porque essa insuficiência se deve em boa medida ao facto de mantermos no nosso complexo a prática e a competição em diversas modalidades, com prejuízo para todas elas (não apenas o futebol).
Seria possível estabelecer parcerias com outros agentes desportivos da zona por forma a permitir uma "descentralização" de algumas dessas modalidades? É uma hipótese que considero interessante, embora concerteza não seja do agrado de todos. No entanto deve-se salientar que em algumas modalidades os atletas já são obrigados a requisitar espaços alheios, muitas vezes de forma precária, nem sempre nos mesmos sítios e custeando as deslocações do seu próprio bolso. Com a solução que mencionei, devidamente contratualizada e evitando a deambulação por vários recintos, resolver-se-iam aqueles problemas.
Outra alternativa será a sempre polémica suspensão de certas modalidades, algo que por sinal os "três" têm feito. Mas enquanto não exisitir consenso, esta é uma hipótese descartada.
Mas atenção, não podemos ter tudo o que os outros têm sem prescindir de pelo menos uma parte do que os outros também têm prescindido. Não há milagres. Até porque não contamos com os apoios e as possibilidades de financiamento que eles têm. Assim sendo, teremos capacidade para sustentar tudo?
Em segundo lugar há a questão do projecto imobiliário, precisamente aquilo que os "três" resolveram "abraçar" ao abdicar dos espaços circundantes para finalidades desportivas. Mas não só eles. Também é conhecido o caso do Real Madrid, ainda mais extremo, pois vendeu por "gordos" valores a sua primeira "ciudad deportiva" (ali do outro lado da "Castellana") bem antes de sequer se iniciar a construção da nova, no mais distante Parque de Valdebebas.

Olhe, pode ser uma coisa destas!
(maqueta da nova "ciudad" do Madrid)
Ao que parece o projecto imobiliário do Belenenses já não irá seguir o plano inicial, depois dos obstáculos do IPPAR e da sugestão da Câmara Municipal. Assim sendo os espaços que inicialmente iriam ser sacrificados poderão em princípio continuar disponíveis para o desporto. Posto isto e perante a possibilidade de aproveitar esses espaços para o alargamento do complexo (nomeadamente o "Maracanãzinho", cujas condições podem ser ainda mais beneficiadas), continuará a fazer sentido a existência de um centro de estágio? Financeiramente falando e porque se tratam de terrenos que já são nossos, eu diria que não.
Resumindo, as minhas reservas quanto a um centro de estágio prendem-se sobretudo com a manutenção das actuais instalações tal como estão. Creio que algo teria de ser alterado. Até porque o valor dos terrenos que ocupamos é o que é. É um custo de oportunidade que normalmente não é considerado quando se analisa a viabilidade do complexo e das modalidades.
Caso sejam analisadas e resolvidas todas estas questões, a idéia do centro de estágio é de facto apelativa. E aí voltamos aos exemplos dos outros. É muito interessante o poder dispôr de amplas e modernas instalações, com vários campos de treino (até um com cobertura), com piscina, ginásios e "enfermaria" bem apetrechados, de suficientes e minimamente aprazíveis condições de alojamento (bem para além do nosso actual "Lar") ou até de instalações para a formação escolar e académica. Com tais condições não só se poderão melhor formar os atletas como eles próprios mais depressa quererão ingressar no nosso Clube.
Mais, o centro de estágio poderia ser aproveitado também por outras modalidades (substituindo então as actuais instalações), desde que não se cedesse à tentação de um ecletismo desenfreado que congestione também os novos espaços. Também poderá ser alugado a terceiros, algo financeiramente interessante.
Resta uma questão também fundamental: onde? Isso depende em muito da utilização que o centro venha a ter, tal como novamente tem de ser considerada a utilização do actual complexo. Assumindo que o centro de estágio se destinaria a substituir o actual complexo para a utilização exclusiva das equipas de futebol, desde logo parece-me razoável pensar numa localização que favoreça a captação e deslocação dos jovens. Benfica e Sporting passaram à margem-sul, que a meu ver seria uma alternativa também válida para o Belenenses, mas no nosso caso tentando aproveitar a proximidade de locais onde abundam os "azulões". Por outro lado a região a ocidente de Lisboa também terá vantagens. Por um lado porque será mais acessível em relação ao Restelo, por outro porque tentaríamos aproveitar "nichos" de potenciais jogadores onde seríamos o principal "recrutador" (considerando precisamente que Benfica e Sporting não estão lá).
No entanto toda esta questão do "onde" tem uma condicionante ainda maior, que passa pela disponibilidade das autarquias em colaborar com o projecto. Essa colaboração terá de ter duas vias. Serão as autarquias a disponibilizar os terrenos e, de preferência, também contribuir para a construção. Por seu lado o clube deverá compromoter-se com a disponibilização do centro quando e para o que a dita autarquia solicitar, mas também demonstrar que está a prestar um serviço em prol do desporto local.
Por fim e pormenor importante, é sabido que o Belenenses já tentou junto da Câmara Municipal de Oeiras a viabilização de um centro de estágio. Ao que sei as conversações desembocaram num impasse. Sendo certo que os terrenos em causa até há bem pouco tempo eram uma indesejável lixeira, no fim talvez seja maior a vontade de construir prédios do que um centro de estágio. Embora gostasse da alternativa - como morador desse concelho - não me parece que no futuro próximo tenhamos possibilidades. Assim sendo voltamos às alternativas. Na região ocidental teríamos Sintra e Cascais, que não vejo como muito favoráveis a tal projecto (sobretudo a primeira), estando em permanente e crescente pressão urbanísitica. Também não ajudam nada as côres clubísticas de certos autarcas. Assim sendo a alternativa "margem-sul" revela-se novamente como a que é aparentemente mais viável.
Ficam estas idéias, para pensar. Se as alternativas são várias, uma coisa é certa, o Belenenses precisa de mais e melhores instalações, sem as quais dificilmente poderá desenvolver aquilo que suscitou este meu artigo e a que dou primazia, a formação no futebol. Estando o centro de estágio entre as alternativas plausíveis, terá de ser sempre uma das cartas na mesa.

Assim dá gosto
Ora, os ecos que nos foram chegando de Florença deram conta de entrega ao trabalho com bom ambiente no grupo, muita organização e ainda mais ambição. Foi frequente ler nos jornais declarações de jogadores em estilo distinto do de outros tempos, valorizando sobretudo as excelentes condições de trabalho que lhes foram proporcionadas pelo Belenenses. Tudo isto, se comparado ao trabalho feito sobre o joelho que tantos criticávamos, só nos pode dar margem de manobra para alimentar a esperança de voltar aos palcos europeus a curto prazo. Digamos que estando terminada a fase primeira (boa integração dos novos profissionais e um primeiro trabalho realizado em condições ideais ), partimos agora para um segundo nível: colocar em campo nos particulares de preparação (também eles com uma agenda ambiciosa), não necessariamente vitórias mas boa troca de bola, golos, enfim... "automatismos" - como é vulgar dizer-se em futebolês.
Correndo bem essa fase, estou convencido que no início da competição a sério os lagartos bem podem tirar o cavalinho da chuva e (re)começar as contas a exigir a cabeça do Peseiro...

As Dívidas ao Fisco
O futebol ficou de novo na mira do Fisco. Acusado de uma dívida de 20 milhões de euros —quatro milhões de contos—por quebra de receitas do Totobola, que o Estado, para pagamento dos montantes que se reportam a anos anteriores a 1996, aceitou em dação.

O "ANO 1"
Queria salientar, alguns aspectos que me parecem a mim, repito, parecem a mim, estar de facto a funcionar bem:
- Os jogadores são contratados depois de uma criteriosa escolha, e depois de observados por diversas vezes. Acabou-se o tempo das observações por “cassete” !!!;
- Os jogadores são escolhidos durante o campeonato anterior e contratados a tempo e horas, e não durante a pré-época numa altura onde quase só há “restos”;
- Os jogadores são contratados de acordo com as necessidades reais do plantel, e não porque lá aparece um empresário com um jogador “jeitoso” pela mão e então “deixa cá ver onde o vamos encaixar”;
- Dá ideia de que a equipe de trabalho funciona de forma bastante profissional. Administração da SAD, Director-geral e equipe técnica.... e mais ninguém. Acabou-se o tempo de que até o porteiro do estádio (com o devido respeito pela profissão) sabia quais eram os reforços a contratar e quanto iam ganhar;
- Transparece uma coordenação quase perfeita entre a equipe de trabalho. Não há jogadores contratados “pela SAD” ou “pelo treinador”;
- Não existem declarações precipitadas, nem o “estamos em negociações”. Ou está contratado ou não está. Noutros tempos a contratação do Vasco Faísca tinha dado uma interessante novela de verão, vide “novela Rincón”;
- Existe uma sintonia de discurso. Todos sabem e assumem claramente os objectivos.
- A “cartilha” está estudada e decorada pelos nossos profissionais, não se ouve o discurso do “salto”, nem do “quero chegar a um grande”. Todos assumem que estão num grande clube;
- O critério de contratação ultrapassa agora o limite das quatro linhas. Ao que parece foram também avaliados quer o carácter quer a vida extra-futebol dos profissionais que contratamos para vestir a nossa camisola;
- O plantel transpira ambição.
Por tudo isto, estão reunidas as condições para rentabilizarmos cada recurso humano ao máximo, criando uma mentalidade profissional e ambiciosa, com um bom espírito de grupo, fazendo com que o “todo” seja superior à “soma das partes”.
O mérito maior disto tudo, lá está, terá que ser dado ao nosso Presidente Cabral Ferreira, que percebeu claramente que liderar um estrutura não significa ter que tomar todas as decisões e mandar em tudo. Significa outrossim, saber ouvir e pensar no que ouve, saber rodear-se das pessoas certas nos lugares certos, definindo claramente as ideias de base e grandes linhas de orientação, e permanecer numa atitude vigilante, e isso tudo ele sabe faze-lo como ninguém.
Contudo se tivermos em conta que há 3 ou 4 anos ficar em 5º lugar era quase como ganhar um campeonato.....

Masoquismo no Restelo
Não estou a falar dos que são exigentes, sou um deles. Não estou a falar dos que ficam fulos até ao tutano cada vez que perdemos e perdem o ânimo, a vontade de bater palmas... sou também um deles.
Lembro-me por exemplo do último jogo com o Braga da época passada. Precisávamos de ganhar para garantir a manutenção mas ao invés disso cedemos uma derrota sem qualquer brilho, esperando pelo trabalho de terceiros (o Moreirense) para a salvação. Isso foi ultrapassar os limites, quanto a mim foi das maiores vergonhas a que assisti no Restelo. Assim sendo e no fim, assobiei, vaiei. Terão pago uns poucos justos por muitos pecadores, talvez, mas a equipa, o Clube, baixaram a um nível inaceitável.
Este artigo de hoje é dedicado a uma estranha espécie de sócios que se empenham jogo após jogo a vaiar, a assobiar, a dizer mal da equipa, técnico, apanha-bolas, roupeiro... seja qual fôr o resultado! Já na Mailing List se lhes deu nome, o de "mochos", embora no calor da discussão houvessem mal-entendidos, confundindo os "mochos" autênticos com os tais que são exigentes, com os que não suportam vergonhas bem para além dos limites razoáveis para um Clube como o nosso.
É verdade que alguns dos "mochos" viram um Belenenses de outros tempos, à luz do qual o de agora não merece grandes elogios? É verdade. Que há quem não aplauda um jogador nosso desde a saída do Matateu? É possível, bem como é verdade que não tivémos mais nenhum Matateu desde então. Que também eles querem um Belenenses maior? Por vezes não sei.
Causa-me muita confusão quem passe jogos inteiros a insultar um por um todos os jogadores (fazendo raras excepções). Quem só sorria e diga "eu não disse?!?!" quando as coisas correm mal, porque eles tinham razão e os outros, os patetas que puxam pela equipa e dizem "Boa! Força! 'Bora Belém!", não tinham. Quem nem se levante ou bata palmas quando são os nossos golos (que os há!). Quem quando sofremos golos venha outra vez com o "eu não disse!", mesmo que não tivesse dito ou afinal esteja sempre a dizer, logo quando se levanta de manhã. Quem acha sempre e faz questão de apregoar que as vacas da vizinha dão mais leite que as nossas, tantas vezes, que é de estranhar porque é que não vão para o estádio da vizinha puxar pelas ditas (nalguns casos vão, o que é lamentável). Quem NUNCA tenha gritado a plenos pulmões "Belém! Belém! Belém!" mas já tenha insultado a mãe de dezenas de jogadores mais alto que ninguém. Quem quando outro alguém bate palmas ou canta ao ritmo da claque olha com reprovação ou desdém (também há! tantos!), como se sentissem insultados. Quem quando o árbitro nos rouba acha sempre e só que a culpa é dos jogadores do Belenenses por se deixarem roubar (já vi um jogador nosso nem sequer fazer falta, levar cartão e ser recriminado por isso!).

Quantas vezes me lembro destes:
os mais marretas dos Marretas
No fundo constato que nas nossas bancadas há muita gente que parece culpar o Belenenses pelas suas infelicidades (considerando o Clube com a infelicidade principal), que vai lá descarregar frustrações.
Há quem conviva bem com este espírito... Há quem ache que enquanto o Belenenses não fôr de novo campeão não há motivos para quaisquer alegrias. Estão no seu direito, não vou ser eu a dizer que não devem ir ao Restelo. É com eles, embora perceba melhor os que não vão lá porque não querem sofrer. Agora ter prazer com esse mesmo sofrimento, isso é masoquismo.
Se temos que gramar com eles, só resta uma solução para quem ache que as grandes equipas também se fazem com um grande apoio da bancada. É sermos mais.
Não basta não insultar, é preciso um verdadeiro apoio.
Pode-se pensar que a maioria de nós ganha muito menos do que qualquer jogador e no seu dia-a-dia não tem nenhuma claque de apoio para fazer coisas que por certo julgamos serem mais úteis que uns chutos na bola. E fazêmo-las. Mas também é certo que em caso de fazermos asneiras - porventura mais graves que um chuto errado numa bola - não teremos um coro de centenas a insultar.
E faz parte do futebol, desde o seu início, que as equipas mais fortes tenham um "12º jogador" forte! Quem não viu e se impressionou esta última época com o autêntico "inferno" de Anfield Road, que levou uma equipa dada por derrotada e relativamente mal-classificada no campeonato nacional inglês... à final e conquista da Liga dos Campeões? Faltou ali um bom contingente de "mochos" para se assegurar que ficavam apenas com o 5º lugar na Premiership e prolongar o seu querido sofrimento. Tipo Belenenses...


1:24 da manhã





































