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Centro de Estágio



Neste blogue (como em outros) temos vindo a salientar a importância da formação como pilar fundamental para o fortalecimento da equipa principal, não só no plano desportivo mas também no plano financeiro. No fundo a realidade é a mesma, sabendo fazer corresponder a formação de atletas com grande valor técnico com a possibilidade de realizar - com certa frequência - interessantes mais-valias e assim subir o patamar dos orçamentos vindouros (e dos objectivos).
Já aqui se falou nas equipas B (referindo também a alternativa que, ao que parece, irá tomar corpo a curto prazo - equipa(s) satélite), na optimização da estrutura organizativa, no papel que a formação deve assumir dentro dessa mesma estrutura, por exemplo. No fundo, em diversas formas de gerir o "capital humano" (jovens jogadores).
Também já aqui se falou em algumas alternativas para a obtenção de mais receitas, na necessidade de investir mais no futebol juvenil com vista à valorização e possível transferência de jogadores, como referi acima. No fundo, o capital financeiro que é necessário para desenvolver a formação, cativando as melhores promessas face às ofertas da feroz concorrência.

Vistos esses requisitos resta ponderar sobre mais um elemento fundamental: as infra-estruturas. Daí vem o título deste artigo, tendo em mente tudo o que a acima mencionada "feroz concorrência" tem feito nessa matéria.

Já todos conhecemos a "Academia" do Sporting em Alcochete, o "Centro de Treinos e Formação Desportiva PortoGaia" do Porto em Crestuma-Gaia bem como o centro que o Benfica ainda está a construir no Seixal. No entanto há mais tipos de centros em actividade, nem sempre fora dos principais complexos desportivos. É que se repararmos, tanto Porto, Benfica como Sporting prescindiram de contar com grandes instalações de treino junto aos seus novos Euro-Estádios, não só pelas necessidades implícitas de espaço mas também para rentabilizar os terrenos como forma de financiamento.
Assim sendo e já pensando no Belenenses coloca-se a seguinte questão: fará sentido ter um centro de estágio considerando as estruturas do actual complexo de que dispomos? Olhando para os centros alheios e considerando as notórias insuficiências das actuais instalações, a resposta deveria ser sim. No entanto estaremos a partir de alguns pressupostos que merecem ser discutidos.

Em primeiro lugar porque essa insuficiência se deve em boa medida ao facto de mantermos no nosso complexo a prática e a competição em diversas modalidades, com prejuízo para todas elas (não apenas o futebol).
Seria possível estabelecer parcerias com outros agentes desportivos da zona por forma a permitir uma "descentralização" de algumas dessas modalidades? É uma hipótese que considero interessante, embora concerteza não seja do agrado de todos. No entanto deve-se salientar que em algumas modalidades os atletas já são obrigados a requisitar espaços alheios, muitas vezes de forma precária, nem sempre nos mesmos sítios e custeando as deslocações do seu próprio bolso. Com a solução que mencionei, devidamente contratualizada e evitando a deambulação por vários recintos, resolver-se-iam aqueles problemas.
Outra alternativa será a sempre polémica suspensão de certas modalidades, algo que por sinal os "três" têm feito. Mas enquanto não exisitir consenso, esta é uma hipótese descartada.
Mas atenção, não podemos ter tudo o que os outros têm sem prescindir de pelo menos uma parte do que os outros também têm prescindido. Não há milagres. Até porque não contamos com os apoios e as possibilidades de financiamento que eles têm. Assim sendo, teremos capacidade para sustentar tudo?

Em segundo lugar há a questão do projecto imobiliário, precisamente aquilo que os "três" resolveram "abraçar" ao abdicar dos espaços circundantes para finalidades desportivas. Mas não só eles. Também é conhecido o caso do Real Madrid, ainda mais extremo, pois vendeu por "gordos" valores a sua primeira "ciudad deportiva" (ali do outro lado da "Castellana") bem antes de sequer se iniciar a construção da nova, no mais distante Parque de Valdebebas.

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Olhe, pode ser uma coisa destas!
(maqueta da nova "ciudad" do Madrid)

Ao que parece o projecto imobiliário do Belenenses já não irá seguir o plano inicial, depois dos obstáculos do IPPAR e da sugestão da Câmara Municipal. Assim sendo os espaços que inicialmente iriam ser sacrificados poderão em princípio continuar disponíveis para o desporto. Posto isto e perante a possibilidade de aproveitar esses espaços para o alargamento do complexo (nomeadamente o "Maracanãzinho", cujas condições podem ser ainda mais beneficiadas), continuará a fazer sentido a existência de um centro de estágio? Financeiramente falando e porque se tratam de terrenos que já são nossos, eu diria que não.

Resumindo, as minhas reservas quanto a um centro de estágio prendem-se sobretudo com a manutenção das actuais instalações tal como estão. Creio que algo teria de ser alterado. Até porque o valor dos terrenos que ocupamos é o que é. É um custo de oportunidade que normalmente não é considerado quando se analisa a viabilidade do complexo e das modalidades.

Caso sejam analisadas e resolvidas todas estas questões, a idéia do centro de estágio é de facto apelativa. E aí voltamos aos exemplos dos outros. É muito interessante o poder dispôr de amplas e modernas instalações, com vários campos de treino (até um com cobertura), com piscina, ginásios e "enfermaria" bem apetrechados, de suficientes e minimamente aprazíveis condições de alojamento (bem para além do nosso actual "Lar") ou até de instalações para a formação escolar e académica. Com tais condições não só se poderão melhor formar os atletas como eles próprios mais depressa quererão ingressar no nosso Clube.
Mais, o centro de estágio poderia ser aproveitado também por outras modalidades (substituindo então as actuais instalações), desde que não se cedesse à tentação de um ecletismo desenfreado que congestione também os novos espaços. Também poderá ser alugado a terceiros, algo financeiramente interessante.

Resta uma questão também fundamental: onde? Isso depende em muito da utilização que o centro venha a ter, tal como novamente tem de ser considerada a utilização do actual complexo. Assumindo que o centro de estágio se destinaria a substituir o actual complexo para a utilização exclusiva das equipas de futebol, desde logo parece-me razoável pensar numa localização que favoreça a captação e deslocação dos jovens. Benfica e Sporting passaram à margem-sul, que a meu ver seria uma alternativa também válida para o Belenenses, mas no nosso caso tentando aproveitar a proximidade de locais onde abundam os "azulões". Por outro lado a região a ocidente de Lisboa também terá vantagens. Por um lado porque será mais acessível em relação ao Restelo, por outro porque tentaríamos aproveitar "nichos" de potenciais jogadores onde seríamos o principal "recrutador" (considerando precisamente que Benfica e Sporting não estão lá).
No entanto toda esta questão do "onde" tem uma condicionante ainda maior, que passa pela disponibilidade das autarquias em colaborar com o projecto. Essa colaboração terá de ter duas vias. Serão as autarquias a disponibilizar os terrenos e, de preferência, também contribuir para a construção. Por seu lado o clube deverá compromoter-se com a disponibilização do centro quando e para o que a dita autarquia solicitar, mas também demonstrar que está a prestar um serviço em prol do desporto local.

Por fim e pormenor importante, é sabido que o Belenenses já tentou junto da Câmara Municipal de Oeiras a viabilização de um centro de estágio. Ao que sei as conversações desembocaram num impasse. Sendo certo que os terrenos em causa até há bem pouco tempo eram uma indesejável lixeira, no fim talvez seja maior a vontade de construir prédios do que um centro de estágio. Embora gostasse da alternativa - como morador desse concelho - não me parece que no futuro próximo tenhamos possibilidades. Assim sendo voltamos às alternativas. Na região ocidental teríamos Sintra e Cascais, que não vejo como muito favoráveis a tal projecto (sobretudo a primeira), estando em permanente e crescente pressão urbanísitica. Também não ajudam nada as côres clubísticas de certos autarcas. Assim sendo a alternativa "margem-sul" revela-se novamente como a que é aparentemente mais viável.

Ficam estas idéias, para pensar. Se as alternativas são várias, uma coisa é certa, o Belenenses precisa de mais e melhores instalações, sem as quais dificilmente poderá desenvolver aquilo que suscitou este meu artigo e a que dou primazia, a formação no futebol. Estando o centro de estágio entre as alternativas plausíveis, terá de ser sempre uma das cartas na mesa.
E porque não, com um bom centro de estágio, abdicar das deslocações da equipa principal e fazer os estágios de pré-época lá? Desta vez tivémos acesso privilegiado a Coverciano. E depois? Ou será sempre boa uma "mudança de ares"?



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