Masoquismo no Restelo
A próxima época está aí à porta, a equipa já trabalha e as esperanças são renovadas. Pelo menos parece que sim. No entanto há uma infeliz certeza para quem se deslocar ao Restelo. É que haverá sempre quem esteja descontente. E isso é errado?
Não estou a falar dos que são exigentes, sou um deles. Não estou a falar dos que ficam fulos até ao tutano cada vez que perdemos e perdem o ânimo, a vontade de bater palmas... sou também um deles.
Lembro-me por exemplo do último jogo com o Braga da época passada. Precisávamos de ganhar para garantir a manutenção mas ao invés disso cedemos uma derrota sem qualquer brilho, esperando pelo trabalho de terceiros (o Moreirense) para a salvação. Isso foi ultrapassar os limites, quanto a mim foi das maiores vergonhas a que assisti no Restelo. Assim sendo e no fim, assobiei, vaiei. Terão pago uns poucos justos por muitos pecadores, talvez, mas a equipa, o Clube, baixaram a um nível inaceitável.
Este artigo de hoje é dedicado a uma estranha espécie de sócios que se empenham jogo após jogo a vaiar, a assobiar, a dizer mal da equipa, técnico, apanha-bolas, roupeiro... seja qual fôr o resultado! Já na Mailing List se lhes deu nome, o de "mochos", embora no calor da discussão houvessem mal-entendidos, confundindo os "mochos" autênticos com os tais que são exigentes, com os que não suportam vergonhas bem para além dos limites razoáveis para um Clube como o nosso.
É verdade que alguns dos "mochos" viram um Belenenses de outros tempos, à luz do qual o de agora não merece grandes elogios? É verdade. Que há quem não aplauda um jogador nosso desde a saída do Matateu? É possível, bem como é verdade que não tivémos mais nenhum Matateu desde então. Que também eles querem um Belenenses maior? Por vezes não sei.
Causa-me muita confusão quem passe jogos inteiros a insultar um por um todos os jogadores (fazendo raras excepções). Quem só sorria e diga "eu não disse?!?!" quando as coisas correm mal, porque eles tinham razão e os outros, os patetas que puxam pela equipa e dizem "Boa! Força! 'Bora Belém!", não tinham. Quem nem se levante ou bata palmas quando são os nossos golos (que os há!). Quem quando sofremos golos venha outra vez com o "eu não disse!", mesmo que não tivesse dito ou afinal esteja sempre a dizer, logo quando se levanta de manhã. Quem acha sempre e faz questão de apregoar que as vacas da vizinha dão mais leite que as nossas, tantas vezes, que é de estranhar porque é que não vão para o estádio da vizinha puxar pelas ditas (nalguns casos vão, o que é lamentável). Quem NUNCA tenha gritado a plenos pulmões "Belém! Belém! Belém!" mas já tenha insultado a mãe de dezenas de jogadores mais alto que ninguém. Quem quando outro alguém bate palmas ou canta ao ritmo da claque olha com reprovação ou desdém (também há! tantos!), como se sentissem insultados. Quem quando o árbitro nos rouba acha sempre e só que a culpa é dos jogadores do Belenenses por se deixarem roubar (já vi um jogador nosso nem sequer fazer falta, levar cartão e ser recriminado por isso!).
Não estou a falar dos que são exigentes, sou um deles. Não estou a falar dos que ficam fulos até ao tutano cada vez que perdemos e perdem o ânimo, a vontade de bater palmas... sou também um deles.
Lembro-me por exemplo do último jogo com o Braga da época passada. Precisávamos de ganhar para garantir a manutenção mas ao invés disso cedemos uma derrota sem qualquer brilho, esperando pelo trabalho de terceiros (o Moreirense) para a salvação. Isso foi ultrapassar os limites, quanto a mim foi das maiores vergonhas a que assisti no Restelo. Assim sendo e no fim, assobiei, vaiei. Terão pago uns poucos justos por muitos pecadores, talvez, mas a equipa, o Clube, baixaram a um nível inaceitável.
Este artigo de hoje é dedicado a uma estranha espécie de sócios que se empenham jogo após jogo a vaiar, a assobiar, a dizer mal da equipa, técnico, apanha-bolas, roupeiro... seja qual fôr o resultado! Já na Mailing List se lhes deu nome, o de "mochos", embora no calor da discussão houvessem mal-entendidos, confundindo os "mochos" autênticos com os tais que são exigentes, com os que não suportam vergonhas bem para além dos limites razoáveis para um Clube como o nosso.
É verdade que alguns dos "mochos" viram um Belenenses de outros tempos, à luz do qual o de agora não merece grandes elogios? É verdade. Que há quem não aplauda um jogador nosso desde a saída do Matateu? É possível, bem como é verdade que não tivémos mais nenhum Matateu desde então. Que também eles querem um Belenenses maior? Por vezes não sei.
Causa-me muita confusão quem passe jogos inteiros a insultar um por um todos os jogadores (fazendo raras excepções). Quem só sorria e diga "eu não disse?!?!" quando as coisas correm mal, porque eles tinham razão e os outros, os patetas que puxam pela equipa e dizem "Boa! Força! 'Bora Belém!", não tinham. Quem nem se levante ou bata palmas quando são os nossos golos (que os há!). Quem quando sofremos golos venha outra vez com o "eu não disse!", mesmo que não tivesse dito ou afinal esteja sempre a dizer, logo quando se levanta de manhã. Quem acha sempre e faz questão de apregoar que as vacas da vizinha dão mais leite que as nossas, tantas vezes, que é de estranhar porque é que não vão para o estádio da vizinha puxar pelas ditas (nalguns casos vão, o que é lamentável). Quem NUNCA tenha gritado a plenos pulmões "Belém! Belém! Belém!" mas já tenha insultado a mãe de dezenas de jogadores mais alto que ninguém. Quem quando outro alguém bate palmas ou canta ao ritmo da claque olha com reprovação ou desdém (também há! tantos!), como se sentissem insultados. Quem quando o árbitro nos rouba acha sempre e só que a culpa é dos jogadores do Belenenses por se deixarem roubar (já vi um jogador nosso nem sequer fazer falta, levar cartão e ser recriminado por isso!).
E não sou só eu ou outros Belenenses a se depararem com estas evidências. Vários adeptos de outros clubes já mo afirmaram também, estranhando tais estranhos hábitos. Não me admira que até alguma claque adversária tenha corado de inveja.

Quantas vezes me lembro destes:
os mais marretas dos Marretas
No fundo constato que nas nossas bancadas há muita gente que parece culpar o Belenenses pelas suas infelicidades (considerando o Clube com a infelicidade principal), que vai lá descarregar frustrações.
Há quem conviva bem com este espírito... Há quem ache que enquanto o Belenenses não fôr de novo campeão não há motivos para quaisquer alegrias. Estão no seu direito, não vou ser eu a dizer que não devem ir ao Restelo. É com eles, embora perceba melhor os que não vão lá porque não querem sofrer. Agora ter prazer com esse mesmo sofrimento, isso é masoquismo.
Se temos que gramar com eles, só resta uma solução para quem ache que as grandes equipas também se fazem com um grande apoio da bancada. É sermos mais.
Não basta não insultar, é preciso um verdadeiro apoio.
Pode-se pensar que a maioria de nós ganha muito menos do que qualquer jogador e no seu dia-a-dia não tem nenhuma claque de apoio para fazer coisas que por certo julgamos serem mais úteis que uns chutos na bola. E fazêmo-las. Mas também é certo que em caso de fazermos asneiras - porventura mais graves que um chuto errado numa bola - não teremos um coro de centenas a insultar.
E faz parte do futebol, desde o seu início, que as equipas mais fortes tenham um "12º jogador" forte! Quem não viu e se impressionou esta última época com o autêntico "inferno" de Anfield Road, que levou uma equipa dada por derrotada e relativamente mal-classificada no campeonato nacional inglês... à final e conquista da Liga dos Campeões? Faltou ali um bom contingente de "mochos" para se assegurar que ficavam apenas com o 5º lugar na Premiership e prolongar o seu querido sofrimento. Tipo Belenenses...

Quantas vezes me lembro destes:
os mais marretas dos Marretas
No fundo constato que nas nossas bancadas há muita gente que parece culpar o Belenenses pelas suas infelicidades (considerando o Clube com a infelicidade principal), que vai lá descarregar frustrações.
Há quem conviva bem com este espírito... Há quem ache que enquanto o Belenenses não fôr de novo campeão não há motivos para quaisquer alegrias. Estão no seu direito, não vou ser eu a dizer que não devem ir ao Restelo. É com eles, embora perceba melhor os que não vão lá porque não querem sofrer. Agora ter prazer com esse mesmo sofrimento, isso é masoquismo.
Se temos que gramar com eles, só resta uma solução para quem ache que as grandes equipas também se fazem com um grande apoio da bancada. É sermos mais.
Não basta não insultar, é preciso um verdadeiro apoio.
Pode-se pensar que a maioria de nós ganha muito menos do que qualquer jogador e no seu dia-a-dia não tem nenhuma claque de apoio para fazer coisas que por certo julgamos serem mais úteis que uns chutos na bola. E fazêmo-las. Mas também é certo que em caso de fazermos asneiras - porventura mais graves que um chuto errado numa bola - não teremos um coro de centenas a insultar.
E faz parte do futebol, desde o seu início, que as equipas mais fortes tenham um "12º jogador" forte! Quem não viu e se impressionou esta última época com o autêntico "inferno" de Anfield Road, que levou uma equipa dada por derrotada e relativamente mal-classificada no campeonato nacional inglês... à final e conquista da Liga dos Campeões? Faltou ali um bom contingente de "mochos" para se assegurar que ficavam apenas com o 5º lugar na Premiership e prolongar o seu querido sofrimento. Tipo Belenenses...


12:00 a.m.


































