Que riscos corre o Belenenses?
Esta época o vento parece soprar generosamente nas velas da "nau azul". Se chegaremos a bom porto, é coisa que se verá (como o outro, prognósticos só no fim). Mesmo com as aparentes melhorias que se observam, isto é, parecendo que o rumo é bom, há que estar atentos às dificuldades. Barros Rodrigues e Carvalhal lá vão fazendo alguns avisos à navegação ("Gestão das expectativas", "Pés assentes na terra", etc), não vá a nau ter de ir ao estaleiro ou haver motim a bordo. Não é que a ambição precise de baldes de água fria... mas este mar tem ondas, ainda que não levem ninguém borda fora. Teremos de estar atentos a escolhos e cabos de tormentas. Quais?
Começo pelas boas notícias, isto é, quais os perigos que da época anterior para esta eu entendo que foram significativamente reduzidos ou evitados:
Falta de ambição - Os objectivos fixados dizem muito. E o da época passada (até ao 10º lugar) contribuiu bastante para que a ambição tivesse ficado em "terra". A má classificação da época anterior (2003/2004) e talvez a falta de confiança no plantel poderão ter ditado a fixação de tão pálida meta, mas é difícil aliciar e motivar os jogadores (e os adeptos!) se o desafio apresentado mal o é.
Desta vez o objectivo é bem mais aliciante, tal como o próprio discurso dos nossos "reforços" o atesta. Resta esperar que até ao último minuto do último jogo da época nunca o percamos de vista, mantendo a exigência, a motivação e a ambição.
A própria pré-época é também prova das diferenças. Há um ano fomos "campeões" da dita mas face a adversários raramente difíceis. Ganhámos, o que é sempre bom... e motiva, mas quando o valor das vitórias é relativo, depressa a motivação se pode tornar em acomodação. Agora com o "cheirinho" a Europa propiciado pela viagens além-Alpes e além-Pirinéus, creio que os jogadores terão incorporado o desafio de forma pessoal e mais entusiástica.
Falta de planeamento e... de tempo - Não se pode dizer que Carvalhal tivesse tido assim tão pouco tempo para preparar a época anterior. No entanto o planeamento é algo que tem de ser feito com antecedência, sob o risco de não ser planeamento mas sim improviso. Para 2004/2005 houve reforço da equipa mas não foi muito clara qual a orientação e o rigor empregues. Os empréstimos foram um sinal evidente, sendo apontados como uma solução de recurso (e como se viu uma vez mais, mal se pode dizer que sejam "solução").
Desta vez Carvalhal teve toda uma época para avaliar os recursos à disposição e quais as principais carências. Optou-se por "mais qualidade e menos quantidade", sendo até agora mais ou menos evidente que a aposta na qualidade parece confirmada (assim também o dizem os jornais).
Falta de homogeneidade, polivalência e entrosamento do plantel - Tudo isto está interligado. Se é verdade que para 2004/2005 os objectivos foram pouco exigentes, é também verdade que a realidade do balneário talvez permitisse pouco mais. Foram soluções de recurso, um planeamento de recurso (como referi acima), fazendo conviver no plantel jogadores em patamares muito distintos das respectivas carreiras mas também com perfis pouco homogéneos (alguns em fim de carreira, outros habituados a um Belenenses que lutava por não descer, os emprestados etc). De outra forma, creio que Carvalhal não tinha equipa para o seu "modelo". É discutível saber se deve ser o modelo a adaptar-se à equipa ou o inverso. Na minha opinião sou relativamente favorável ao estabelecimento de um modelo de jogo e que os jogadores se adaptem ao mesmo. Caso contrário, isto é, querendo fazer um modelo à imagem da equipa, corre-se o risco de não encontrar modelo nenhum. Mas depois é também discutível... qual o modelo a empregar. Honestamente ainda não me convenci totalmente da eficácia do modelo de Carvalhal (4-4-3, 4-[1-2-1]-2, 4-[1-3]-2), avesso a extremos puros e de vida complicada para pontas-de-lança puros de área.
Começo pelas boas notícias, isto é, quais os perigos que da época anterior para esta eu entendo que foram significativamente reduzidos ou evitados:
Falta de ambição - Os objectivos fixados dizem muito. E o da época passada (até ao 10º lugar) contribuiu bastante para que a ambição tivesse ficado em "terra". A má classificação da época anterior (2003/2004) e talvez a falta de confiança no plantel poderão ter ditado a fixação de tão pálida meta, mas é difícil aliciar e motivar os jogadores (e os adeptos!) se o desafio apresentado mal o é.
Desta vez o objectivo é bem mais aliciante, tal como o próprio discurso dos nossos "reforços" o atesta. Resta esperar que até ao último minuto do último jogo da época nunca o percamos de vista, mantendo a exigência, a motivação e a ambição.
A própria pré-época é também prova das diferenças. Há um ano fomos "campeões" da dita mas face a adversários raramente difíceis. Ganhámos, o que é sempre bom... e motiva, mas quando o valor das vitórias é relativo, depressa a motivação se pode tornar em acomodação. Agora com o "cheirinho" a Europa propiciado pela viagens além-Alpes e além-Pirinéus, creio que os jogadores terão incorporado o desafio de forma pessoal e mais entusiástica.
Falta de planeamento e... de tempo - Não se pode dizer que Carvalhal tivesse tido assim tão pouco tempo para preparar a época anterior. No entanto o planeamento é algo que tem de ser feito com antecedência, sob o risco de não ser planeamento mas sim improviso. Para 2004/2005 houve reforço da equipa mas não foi muito clara qual a orientação e o rigor empregues. Os empréstimos foram um sinal evidente, sendo apontados como uma solução de recurso (e como se viu uma vez mais, mal se pode dizer que sejam "solução").
Desta vez Carvalhal teve toda uma época para avaliar os recursos à disposição e quais as principais carências. Optou-se por "mais qualidade e menos quantidade", sendo até agora mais ou menos evidente que a aposta na qualidade parece confirmada (assim também o dizem os jornais).
Falta de homogeneidade, polivalência e entrosamento do plantel - Tudo isto está interligado. Se é verdade que para 2004/2005 os objectivos foram pouco exigentes, é também verdade que a realidade do balneário talvez permitisse pouco mais. Foram soluções de recurso, um planeamento de recurso (como referi acima), fazendo conviver no plantel jogadores em patamares muito distintos das respectivas carreiras mas também com perfis pouco homogéneos (alguns em fim de carreira, outros habituados a um Belenenses que lutava por não descer, os emprestados etc). De outra forma, creio que Carvalhal não tinha equipa para o seu "modelo". É discutível saber se deve ser o modelo a adaptar-se à equipa ou o inverso. Na minha opinião sou relativamente favorável ao estabelecimento de um modelo de jogo e que os jogadores se adaptem ao mesmo. Caso contrário, isto é, querendo fazer um modelo à imagem da equipa, corre-se o risco de não encontrar modelo nenhum. Mas depois é também discutível... qual o modelo a empregar. Honestamente ainda não me convenci totalmente da eficácia do modelo de Carvalhal (4-4-3, 4-[1-2-1]-2, 4-[1-3]-2), avesso a extremos puros e de vida complicada para pontas-de-lança puros de área.
Nos matrecos a malta até dá-se bem com um modelo fixo! No entanto e se na hora de fazer as contratações, ao que parece, houve mais cuidado na escolha dos perfis, é possível esperar melhorias. Como aqui referi ontem, é impressão generalizada que desta vez temos mais e práticas soluções. Com um meio campo mais combativo (capaz de "meter o pé") mas ao mesmo tempo criativo (mas falhava sobretudo na "agressividade", creio) talvez possamos colmatar muitas das falhas da época transacta. Quiçá fazendo com que a bendita "transposição defesa-ataque" deixe de ser apenas penosas e mastigadas tentativas de iniciar lances bem lá de trás, dando azo a frequentes perdas de bola e pressão constante sobre os centrais (custou a Rolando a ida para o banco e a Wilson um fim de passagen pelo Belenenses um pouco aflito), ou até "charutos" lá para a frente. Como muitos apregoam sobre o futebol "moderno", não deve caber apenas à defesa a tarefa de defender, nem tão pouco ao ataque a de atacar. No meio está o segredo (e, logica e obviamente, a zona de "transição"), daí a quantidade de reforços para esse sector.
Quanto ao entrosamento, parecem haver melhorias também evidentes, para os quais também contribui - lá está - a união em torno e a aceitação colectiva dos objectivos estabelecidos.
Indisciplina no "balneário" - Este risco está directamente ligado com a parte final do ponto anterior. Pelo vistos até agora não se vislumbram como prováveis casos "Brasília" (indisciplina "táctica"?), "Juninho" (noitadas) ou até "Antchouet" (borrifar-se para o Clube).
Agora vamos à parte menos "côr-de-rosa", os riscos que permanecem ou até se tornam muito mais relevantes esta época:
Plantel curto - Este é para mim sem dúvida o maior risco que corremos esta época. Como já se referiu, a aposta é "mais qualidade e menos quantidade". Entendo perfeitamente a sua razão de ser, sobretudo se tivermos em conta que o orçamento não sofreu alteração. Ainda que tendo sido mantida a política de aquisições a custo zero, acredito que as contrapartidas para os jogadores (salários, prémios) poderão ter tido algum incremento e dessa forma limitado eventuais "poupanças". De resto e sendo tão apregoada a melhoria qualitativa, seria para desconfiar (não tanto como o outro que falou em petróleo no Restelo, mas...). Dessa forma ficámos com um plantel bem "magro", sendo as áreas mais frágeis o eixo da defesa e o ataque.
Assim sendo, a "sombra" da enfermaria é uma realidade. É certo que já na pré-época temos tido alguns contra-tempos (Romeu, Zé Pedro, Ruben Amorim, com mais alguns jogadores a terem problemas menores) mas, aparentemente, a polivalência do plantel está a dar mostras de ser suficiente. Esperemos que assim seja, pois por exemplo ausências em simultâneo de duplas como Meyong-Romeu ou Pelé-Rolando/Gaspar poderão forçar Carvalhal a puxar muito pela imaginação e improviso. Confiemos na preparação física (que Lourenços à parte creio que já foi boa na época passada) e que a tão desejada "agressividade" (no bom sentido) não nos dê desgostos.
Abritragens - Por falar em "agressividade", ainda que sendo no bom sentido, costuma ser boa desculpa para que certos homens de preto (daqueles que não largam o apito da boca) nos mandem jogadores para o duche mais cedo. Juntando a isso a simples tradição de prejudicar o Belenenses sempre que se ergue mais que o permitido, as arbitragens podem ser, uma vez mais, um adversário a temer. Quem não se lembra da autêntica campanha anti-Belenenses em 2002/03?
Quanto ao entrosamento, parecem haver melhorias também evidentes, para os quais também contribui - lá está - a união em torno e a aceitação colectiva dos objectivos estabelecidos.
Indisciplina no "balneário" - Este risco está directamente ligado com a parte final do ponto anterior. Pelo vistos até agora não se vislumbram como prováveis casos "Brasília" (indisciplina "táctica"?), "Juninho" (noitadas) ou até "Antchouet" (borrifar-se para o Clube).
Agora vamos à parte menos "côr-de-rosa", os riscos que permanecem ou até se tornam muito mais relevantes esta época:
Plantel curto - Este é para mim sem dúvida o maior risco que corremos esta época. Como já se referiu, a aposta é "mais qualidade e menos quantidade". Entendo perfeitamente a sua razão de ser, sobretudo se tivermos em conta que o orçamento não sofreu alteração. Ainda que tendo sido mantida a política de aquisições a custo zero, acredito que as contrapartidas para os jogadores (salários, prémios) poderão ter tido algum incremento e dessa forma limitado eventuais "poupanças". De resto e sendo tão apregoada a melhoria qualitativa, seria para desconfiar (não tanto como o outro que falou em petróleo no Restelo, mas...). Dessa forma ficámos com um plantel bem "magro", sendo as áreas mais frágeis o eixo da defesa e o ataque.
Assim sendo, a "sombra" da enfermaria é uma realidade. É certo que já na pré-época temos tido alguns contra-tempos (Romeu, Zé Pedro, Ruben Amorim, com mais alguns jogadores a terem problemas menores) mas, aparentemente, a polivalência do plantel está a dar mostras de ser suficiente. Esperemos que assim seja, pois por exemplo ausências em simultâneo de duplas como Meyong-Romeu ou Pelé-Rolando/Gaspar poderão forçar Carvalhal a puxar muito pela imaginação e improviso. Confiemos na preparação física (que Lourenços à parte creio que já foi boa na época passada) e que a tão desejada "agressividade" (no bom sentido) não nos dê desgostos.
Abritragens - Por falar em "agressividade", ainda que sendo no bom sentido, costuma ser boa desculpa para que certos homens de preto (daqueles que não largam o apito da boca) nos mandem jogadores para o duche mais cedo. Juntando a isso a simples tradição de prejudicar o Belenenses sempre que se ergue mais que o permitido, as arbitragens podem ser, uma vez mais, um adversário a temer. Quem não se lembra da autêntica campanha anti-Belenenses em 2002/03?
Os Elmanos, os Lúcílios, Mários Mendes, Olegários, Paixões, Xistras e Cia.:um verdadeiro Clube de Amigos do Belém
É certo que na SAD, por estes dias, estão elementos que já demonstaram que não gostam de ficar calados. E por exemplo Rui Casaca, na minha opinião, já tem uma "bagagem" no meio que poderá ser útil. No entanto bem sabemos que a luta contra o(s) sistema(s) não passa só pelo banco, conferências de imprensa ou inflamados comunicados. Aliás no comunicado de Carvalhal aos sócios foi com muita curiosidade que li o seguinte: "Temos também a noção que o nosso clube é ainda muito desprotegido (não temos ninguém! nas estruturas de cúpula do futebol português)." Seria isto uma "boca" a quem de direito (os nossos dirigentes, por assim não fazerem o seu trabalho) ou apenas um queixume antecipado contra o sistema? Passou muito despercebida, mas é uma afirmação importante.
O certo é que as movimentações de Sequeira Nunes em certos grupos de "regeneração" (?) não parecem ter produzido resultados visíveis. Alinhando com "degenerados", será de esperar alguma coisa? E a propalada hipótese de se candidatar à Liga? Não para nos favorecer, claro, mas pelo menos para impedir mais prejuízos? E agora que o Presidente é Cabral Ferreira? Quem anda agora nesses "corredores"?
Feios, Porcos e Maus: outros que querem o Belenensescomo à mãezinha deles. Está tudo explicado, não é?
"Predação" do plantel - Este é um risco tanto maior quanto melhor o desempenho e a classificação da equipa. Ou seja, é bom sinal... É um risco natural, como é maior o risco de falhar quando se estabelecem objectivos mais ambiciosos. A concorrência existe e disputará quer a classificação quer os nossos bons jogadores. Em bom rigor, estes são riscos obrigatórios sempre que se quer elevar a fasquia enquanto as finanças não são folgadas. Resta esperar que a SAD, como tem demonstrado, seja inflexível e "habilidosa". E quando não se consiga evitar a saída de um jogador, devemos estar preparados para suprir lacunas com novos jogadores, reduzindo ao mínimo quaisquer transtornos. Assim terá de ser se o Pelé sair, por exemplo.
Quanto a possíveis "Antchouets" convém assegurar que não foi aberto um perigoso precedente. Os nossos contratos são ou não suficientes? E sendo suficientes, podemos evitar morosas "telenovelas" nos tribunais?
Para além de todos estes riscos - mas relacionados com os mesmos - existem dois tipos de intervenientes fundamentais, que não sendo propriamente "riscos", implicam condicionantes significativos: a comunicação social e os adeptos.
Para conseguir campanhas de sucesso e enfim recuperar o estatuto do Clube, muito contribui a imagem que se consegue transmitir através da Comunicação Social. Embora ainda com muita "desinformação", a imprensa escrita parece estar neste momento mais "cooperante", distribuindo elogios sobre o plantel e augurando uma boa época. Mas mais do que esperar passivamente pela benevolência dos articulistas, deve competir aos nossos responsáveis a transmissão em permanência de uma boa imagem. Se os jornais não têm boas notícias, que as arranjemos nós.
E claro, há que estar muito atentos a eventuais ataques. Por muito que alguns digam (incluindo consócios profissionais do ramo), para mim tem sido óbvio ao longo dos anos que o Belenenses conta com "inimigos" também na Comunicação Social. Não só os que nos ignoram ou fazem por que sejamos ignorados (muitas vezes devido à sua própria e inadmissível ignorância em relação ao que existe para além dos "três" - deveras insólito, haverem jornalistas mal informados!), mas também os que activamente desvalorizam ou até mesmo tentam deliberadamente prejudicar a nossa imagem (mas sobretudo a estabilidade da equipa). Normalmente juntam o útil ao agradável, como os que dão jogadores nossos como certos nos seus clubes do coração, para onde supostamente querem ir já desde o ventre materno (por norma antes dos jogos entre o Belenenses e esses clubes, de preferência). Mas há mais, há uma grande variedade de discursos (como o branqueamento de roubos arbitrais, relembro de novo 2002/03), por conta dos concorrentes mas também de empresários (lá está o risco de "predação" dos nossos jogadores).
Se os jornalistas dizem cumprir o seu papel, compete-nos cumprir o nosso.
Quanto aos adeptos, o risco em causa traduz-se perfeitamente naquilo que Barros Rodrigues oportunamente referiu: a gestão das expectativas. Ter o Restelo quase vazio e consequentemente ter um fraco apoio dos adeptos infelizmente já não é um risco. É uma realidade que vem-se instalando há décadas. O risco é precisamente o de falhar na inversão desse estado de coisas, precisamente porque podem ser inspiradas expectativas demasiado altas. Não se trata tanto de um problema de calibração das mesmas expectativas. Ou seja, o problema não devem ser as expectativas em si. Desde que tenham fundamento (como parece ser o caso) e sejam assim minimamente credíveis, não devemos hesitar em elevá-las. É certo que, como referi acima, é em teoria maior o risco de falhar quando o objectivo é mais difícil. Mas lá está, são consequências obrigatórias de uma maior ambição. São riscos desejáveis. Em simultâneo a equipa tem de aceitar como natural um maior grau de exigência, pois faz parte dessa mesma ambição, para que ela cresça e dê frutos.
Desta forma o risco em causa é em boa medida algo de muito particular à massa adepta Belenense. Devido ao passado recente (e ao acentuado contraste com o passado mais longínquo) os adeptos azuis têm-se tornado em autênticos campeões do cepticismo. Como referi aqui há dias em artigo deste blogues, alguns há que até aguardam com satisfação a oportunidade para dizer mal e fazer crer que o Belenenses não sai da mesma. Quanto a esses, não haverá muito a fazer. No entanto e se queremos chamar mais gente (temos de chamar mais e nova gente!) é importante, uma vez mais, transmitir em pemanência uma boa imagem da equipa e do Clube. Ainda que surjam maus resultados (convém que não sejam muitos), é preciso que a equipa demonstre sempre o mesmo e elevado empenho, para além de dar o devido reconhecimento, de uma vez por todas, a quem os apoia (empatia essa que se perdeu). Das afirmações de Manuel José como treinador do Belenenses apreciei esta em particular: os jogadores do Belenenses têm de ter mau perder. Isto é, se os adeptos têm de estar com a equipa nos bons e nos maus momentos, é também verdade que os jogadores têm de sentir os maus momentos como os sentem os adeptos. Acima de tudo, com vontade de dar a volta por cima.
Continuarão a haver críticas injustas, por certo, momentos de desânimo para os jogadores, mas também estes têm de entender que a conquista das bancadas é mais uma que têm de ambicionar. As nossas são difíceis (as bancadas, entenda-se), encarem a coisa como mais um grande desafio. Quanto aos responsáveis, não bastará denunciar ou criticar quem assobia ou não apoia. De pouco ou nada serve senão para acentuar clivagens e o divórcio de certos adeptos com o Clube (e os incorrigíveis "marretas", mais vale não dar-lhes ouvidos). Têm de demonstrar que estão atentos ao que de mau ou menos bom levou a este ou aquele desaire e que as medidas correctivas existem e são postas em prática. No fundo, que não estão de braços cruzados à espera que a equipa puxe a carroça.
Quanto às medidas de "marketing" para chamar o público, havendo tanto para fazer nesta matéria, não se podem ignorar aqueles aspectos. Por vezes basta um só resultado, acompanhado de uma exibição paupérrima, para afastar um adepto que, por azar, tinha escolhido voltar ao Restelo naquela tarde. Ainda que a classificação não seja má e as exibições até esse momento fossem razoáveis.
Por outro lado e sobre medidas tomadas no passado recente, algumas foram descartadas argumentando-se que a sua eficácia era limitada, ao constatar que nem mesmo assim (ex.: com entradas de borla) se conseguiam encher em permanência as bancadas. O problema será mesmo dos adeptos? Não creio deva ser assim. Aliás, numa época em que lutámos para não descer e uma outra em que "lutámos" por um 9º lugar... seria esse o Belenenses que os adeptos (alguns de longuíssima data) queriam ver e rever?
Desta feita a confiança parece maior, o próprio comunicado de Carvalhal deixa entender que a vontade de (re)aproximação aos adeptos é também maior. Muito bem, se há essa vontade, há que recuperar medidas, implementar novas. Agora é que é altura. É altura de dizer "venham, não se vão arrepender", fazendo o esforço máximo para que os adeptos efectivamente... não se arrependam! Se perdermos um jogo, não faz mal, ainda por cima não merecíamos, demos tudo por tudo, o ambiente foi fantástico à mesma, no próximo o Restelo em uníssono irá vingar os pontos perdidos. Cumplicidade e compromisso entre jogadores e adeptos...


12:00 a.m.


































