Passatempo "Fórmula Belém": Regras e Objectivo
Em cada "GP" são colocadas 2 ou mais questões, sendo que uma delas é identificada como sendo a "principal" (por regra, o nome de quem é retratado).
Classificações nos “Grandes Prémios”: Em cada “GP” serão atribuídos pontos apenas aos primeiros 6 classificados (6 pontos para o primeiro, 1 ponto para o 6º). Ficarão à frente aqueles que forem os primeiros a enviar mensagens com todas as respostas certas. Em seguida serão classificados os que tenham enviado mensagens com resposta certa apenas para a pergunta principal, de acordo com a ordem de chegada dos respectivos e-mails (sempre depois dos que tenham acertado em todas as questões). Quem não conseguir responder à pergunta principal, naturalmente, não terá direito a quaisquer pontos. Quem tiver acertado em todas as questões ou na pergunta principal poderá não obter qualquer ponto se não tiver enviado as suas respostas atempadamente (antes dos restantes ou da conclusão do “GP”).
Quem e Como: Este passatempo é aberto a todos, sejam sócios ou não do Clube. As respostas para cada “GP” deverão ser enviadas dentro dos horários estabelecidos para o endereço de e-mail cha@netc.pt. Quaisquer respostas recebidas depois da conclusão de cada "GP" não serão consideradas. Será considerada como hora de envio de cada resposta a hora indicada no sistema de e-mail onde são recebidas as mensagens.
Cada concorrente poderá enviar mais que uma mensagem de tentativa de resposta, desde que o faça sempre a partir do mesmo endereço de e-mail e tendo em conta que para quaisquer mensagens posteriores poderá ser aplicada uma penalização de tempo variável por forma a que a respectiva hora de envio a considerar nunca seja anterior à hora de envio da resposta precedente adicionada de 5 horas (um “stop-and-go” nas “boxes”). A penalização não será aplicada caso o intervalo temporal entre mensagens ultrapasse as 5 horas.
É permitida a participação de concorrentes com endereços e/ou nomes que não correspondam ao seu nome verdadeiro. No entanto e para a atribuição (e entrega) dos prémios será indispensável a verificação do nome verdadeiro através do endereço utilizado (sem divulgação do mesmo a terceiros, se assim entenderem), caso contrário os referidos prémios serão atribuídos ao seguinte classificado que se tenha identificado de forma correcta. De igual forma não será possível agregar as pontuações parciais ou finais de concorrentes que tenham utilizado endereços e identificações diferentes.
Duração dos “GP”: A duração de cada “GP” será variável, nunca excedendo porém o espaço temporal de um dia. O início de um “GP” será assinalado com a publicação do respectivo artigo no Canto Azul ao Sul, tendencialmentemente entre as 0 e as 11 horas do dia. A conclusão de um “GP” será assinalada com a publicação de outro artigo, tendencialmente entre as 17 e as 24 horas do dia. Se à hora final de cada “GP” não tiverem sido classificados 6 concorrentes, será atribuída pontuação na mesma, ainda que seja a um número mais reduzido de classificados (ou nenhuma pontuação, caso não haja nenhum classificado).
Cada “GP” poderá ser terminado antecipadamente apenas se os primeiros 6 lugares forem apurados antes da hora final, isto é, se forem recebidas mensagens de 6 concorrentes que acertem em todas as questões colocadas. Assim sendo e por outro lado é possível uma classificação nos primeiros 6 lugares em qualquer momento até à hora final caso não se tenham apurado ainda 6 “totalistas”.
O “Campeonato” e quem serão os vencedores do Passatempo: A decisão do 1º “Campeonato de Fórmula Belém”, que constitui o resultado final deste passatempo, resultará da disputa de 20 “Grandes Prémios”. Ainda que a calendarização das 20 “provas” não seja fixa, o “Campeonato” será sempre concluído antes do final da época desportiva em curso.
Uma vez disputados todos os 20 "Grandes Prémios" será sagrado Campeão e vencedor do Passatempo o(a) adepto(a) que reunir maior pontuação. No entanto também os segundos e terceiros classificados terão direito a prémio, em virtude da honrosa presença no “podium” final.
Em caso de igualdade pontual entre participantes o desempate será feito considerando as classificações máximas obtidas no conjunto de todos os “Grandes Prémios”. Caso algum concorrente tenha obtido em qualquer “GP” uma classificação superior às classificações máximas dos restantes, terá vantagem. De outra forma será apurado o número de vezes em que cada concorrente obteve uma classificação máxima comum, sendo atribuída vantagem a quem a tenha alcançado por um maior número de vezes.
Prémios: Ainda não estão fechadas todas as possibilidades de prémios (e aceitam-se sugestões). No entanto podemos adiantar que t-shirts e tapetes de rato com desenho exclusivo deste blogue e alusivos ao Clube estarão certamente na lista. Outras hipóteses, como produtos da Loja Azul ou recordações autografadas pelo plantel principal, serão sujeitas ainda à confirmação da sua viabilidade.

Fórmula Belém - 1º Grande Prémio: Classificação Final
Entre champanhe e vivas ganharam então um lugar no "pódio" os seguintes consócios:
1º lugar: Alexandre Trindade2º lugar: Victor Alegria
3º lugar: José Anunciação
4º lugar: Miguel Amaral
5º lugar: Rui Antão
6º lugar: João Santos
A classificação no campeonato é então a seguinte:
1º Alexandre Trindade - 6 pontos
2º Victor Alegria - 5 pontos
3º José Anunciação - 4 pontos
4º Miguel Amaral - 3 pontos
5º Rui Antão - 2 pontos
6º João Santos - 1 ponto
Aos que não conseguiram chegar aos pontos (porque "acabaram" mais tarde) e aos que não conseguiram acabar a "corrida" (não acertaram em pelo menos a 1ª resposta), não desanimem. Obrigado pela vossa participação e esperem para se vingar no próximo "Grande Prémio". Estejam atentos ao anúncio do mesmo aqui no Canto, onde para além de melhor sistematizar as regras espero também ter dados mais concretos sobre os prémios finais.
Por fim, claro, falta fornecer as respostas à perguntas feitas. Como referi num comentário (no post anterior) a caderneta de 1982/83 de onde foi retirado o cromo tinha uma "rasteira" (ou um prego na pista!). É que, por razões que desconheço, em vez das 16 equipas pertencentes à primeira Divisão, havia mais uma no álbum. Uma equipa que havia sido campeã da IIIª Divisão logo na época anterior (81/82) mas que só viria a chegar à primeira Divisão na mesma altura que o Belenenses regressou (1984). Assim sendo, quem pelo equipamento procurasse o respectivo clube na Iª Divisão ficou sujeito à "rasteira". O clube em causa é o Vizela.
Quanto ao jogador, pergunta ligeiramente mais fácil, poderia começar por referir o nome que aparece na caderneta: "J. Peixoto". Nesta altura alguns dos melhores classificados poderão perguntar "quem?!?!?". O seu nome completo (indicado por alguns) é José Alberto Peixoto da Silva. Ficaram na mesma? Pois não é senão o nosso Juanico!
Depois de participar na meteórica ascensão do Vizela da IIIª à Iª Divisão, Juanico destacou-se ao serviço do Rio Ave, clube onde o Belenenses o foi buscar em 1987 (junto com outro craque de boa memória). Como seu grande momento no Clube basta lembrar aquele "tiro de canhão" que desferiu na final da Taça em 1989, garantindo assim a vitória por 2-1 sobre o Benfica e a conquista do 3ª "caneco".

Estrela de Belém
Mas o que mais me entusiasma é a possibilidade de criar uma verdadeira "vaga de fundo" para melhorar o nosso futebol. E este melhora quando agradar a mais e mais adeptos, quando encher de cor e emoções os estádios. Sim, porque há países que mesmo com TV conseguem encher os estádios, saberão isto alguns responsáveis? Quererão saber?
Ao longo destes anos, os adeptos e claques têm falhado nas suas reclamações (é ou não verdade?). Não os ouvem. E que tal se vierem os técnicos e jogadores a ajudar? Muito, muito interessante. Exorto Carvalhal para que continue esta corajosa "cruzada" (mas também oportuna), desejando que o bom espírito em torno da equipa e as expectativas de bons resultados se mantenham. Porquê? Para lhe facilitar a tarefa... melhor, até permiti-la!
Só um recado, no meio daquelas entrevistas não dá para falar na QSU, nos preços? Como referia acima, o nosso mister está na berlinda, aparece na TV, tem tarjas de claques com dedicatórias. Aproveite a 100%... para proveito do Belenenses.
E hoje, Estrela
Confesso que não tenho muito para escrever sobre este jogo. Tenho sim, como talvez terão todos vós, vontade de acabar o dia com uma vitória categórica. E já está.
Perdemos com o Porto, reconhecendo inferioridade. Seria, digo eu? Não poderíamos ter sido um Artmedia? Já passou, já foi. Num desabafo de meio da semana e como costumo dizer, se ganhássemos todos os jogos e só perdêssemos com os "três", éramos campeões. Obviamente que isto é um extremo. Mas é que no Belenenses já vivemos muito próximo... do extremo oposto. Técnicos e dirigentes que se deleitavam com 6ºs lugares e afins... mas tínhamos ganho 2-0 a lagartos, lampiões ou morcões. Bem, ainda há um outro extremo, que seriam os que se deleitavam com vitórias sobre uns, mas as derrotas com os outros digeriam-se muito bem. Moral da história: sempre que não ganhamos... não ganhamos (remarkable!) e alguém tem que pagar a factura a seguir. Leiria, Penafiel e Guimarães pagaram bem a factura de Alvalade. Venham mais três para pagar a factura do dragom. De preferência com 3 golos em cada um, era giro. Ai se era...
Aqui fica o curto histórico de resultados:
1988/89: 1-0 (V)
1989/90: 2-1 (V)
1990/91: 2-1 (V)
1993/94: 2-1 (V)
1994/95: 0-0 (E)
1995/96: 4-1 (V)
1996/97: 0-0 (E)
1997/98: 0-2 (D)
1999/00: 1-1 (E)
2000/01: 0-3 (D)
2003/04: 4-0 (V)
Em 11 jogos, 6 vitórias, 3 empates e 2 derrotas, com 16 golos marcados e 10 sofridos. São poucos jogos, temos vantagem, mas não é saldo lá muito apresentável. A derrota por 0-3 em 2000/01 foi especialmente humilhante (saí antes do fim desse jogo). Mas curiosamente e com o Estrela em casa o melhor resultado foi o último, com uns agradáveis 4-0 a abrir a época de 2003/04. A abrir? Sim, foi a primeira jornada... mas não foi o primeiro jogo... Lembram-se?
De resto o resultado mais frequente, salta à vista, foi a sequência de 3 vitórias por 2-1 entre 1989 e 1994 (com presenças na 2ª divisão pelo meio). A diferença de golos mais frequente (4 vezes) traduz uma vitória por 1 golo.
Não esquecer, porém, que há também contas da Taça por ajustar. E que mesmo hoje ganhando, essas não ficam fechadas (e matam-se saudades de certa "invasão" à Reboleira).
Outra coisa, ontem por um assunto pessoal "tive" que ir ao Restelo de manhã. Se lesse mais os jornais se calhar sabia, mas quando estava já a "afiambrar-me" para ver a sessão das 10:30, disse-me o senhor que o treino era à porta fechada. Melão, claro, mas no fim até fiquei contente. Este jogo é tão sério e importante como qualquer outro. Vale 3 pontos, vamos apanhá-los!
Por fim, passatempo
Para vos entreter um pouco, fui de novo buscar a minha caderneta de 1982/83. Só que desta vez o "cromo" não traz nome nem clube.
Escrevam para o meu e-mail (cha@netc.pt) com o vosso palpite sobre quem é o jogador, em que clube jogava, e... que tal um campeonato do Canto, ao estilo Fórmula 1? Os primeiros 6 levam pontos (6 para o 1º, 1 para o último pontuável) e considerem portanto que esta é uma primeira "corrida". No fim do "campeonato" (fim da 1ª volta, porventura) haverá prémio para o campeão, a definir entretanto (aceitam-se sugestões - excluindo automóveis, casas, etc). Mas prometo que haverá!
A meio da tarde de hoje divulgarei o nome do primeiro a acertar (vencedor da 1ª "prova") e dos restantes lugares "pontuados".
Ora aqui vai o "cromo":

Noutro dia repito a gracinha (nova "corrida"), enquanto mantenho as buscas a outros álbums. O de 1979/80 acho que não anda muito longe... Entretanto o passatempo poderá incluir outras imagens, com outras questões (sim, porque podem não chegar os cromos!). Agradeço ao Luís Gomes, nosso consócio na Suíça, porque foi ele que há tempos "inventou" um passatempo parecido, que circulava pelos nossos e-mails. Daí a inspiração.
Divirtam-se.

Andebol - calendário e expectativas
Recebi do Vítor Ferreira, Vice para as amadoras onde se insere o Andebol, a modalidade que mais gosto de ver no Belenenses e aquela que mais pratiquei nos meus tempos de estudante e, também, aquela cujo título nacional vi conquistado no Retelo já sob o domínio do ABC, pelo que é com todo o gosto que este blogue irá dar as informações possíveis sobre a modalidade e publicarei tudo quanto a Secção de Andebol Profissional me fizer chegar ás mãos.
Pela análise sucinta do calendário e já que temos 3 jogos seguidos em casa no meio do campeonato , é de esperar, face a uma melhoria qualitativa do plantel melhor desempenho que no ano transacto.
Para já, vem o calendário da LPA:

O Futebol de 1955: O campeonato Nacional e a Taça Latina foram os dois momentos mais altos da 1ª categoria
"Se a sorte não nos tem desamparado, a quatro minutos do encontro decisivo, 1955 teria sido um ano triunfal do futebol belenense.
O título nacional teria sido o prémio justo e merecido de uma época brilhante, durante a qual a categoria principal revelou uma capacidade que já algum tempo não era atingida por equipas do Clube.
A sua segunda volta do Campeonato, sem derrotas e com uma série de exibições do melhor nível, que mereceram unãnimes louvores ad Crítica, cosntitui uma apaixonante surpresa, que merecia ter sido coroada com o título, perdido fortuitamente num golpe de infleicidade, a quatro minutos da meta final.
Deste modo, a "grande equipa de 1954/55", como justamente foi cognominada, teve de contentar-se com o segundo lugar, em igualdade de pontos com o vencedor.
Esa classificação foi a melhor de quantas se têm obtido nos últimos Campeonatos.
A capacidade revelada no "Nacional" sofreu um ligeiro eclipse na disputa da "taça de Portugal", reflexo lógico da quebra psíquica que a perda do título, em condições dramáticas, ocasionou numa e1uipa formada com base em jogadores extremamente jovens e, portanto, demasiadamente impressionáveis.
Depois de dois triunfos em condições normais e relatiavmente fáceis, nos 1/16 e 1/4, surgiu a eliminação, contra a Associação Académica de Coimbra, numa partida em Torres Vedras, em que a infelicidade voltou a estar contra nós.
De notar, como atenuante, que todos os jogos da "Taça" foram disputados fora de Lisboa, por interdição do "Estádio José Manuel Soares".
Se a eliminação da "Taça de Portugal", antes do que seria normal esperar, em face da categoria da equipa, foi um forte contratempo, tanto no aspecto desportivo como no financeiro, pois privou o Clube de consideráveis receitas, o certo é que, em contrapartida, ela permitiu que a equipa se submetesse a preparação cuidada e especial, com vista à disputa na "Taça Latina" na primeira participação oficial do Belenenses em torneios internacionais.


Navegadores - I
Recebi este pequeno poema de Luís Vaz, nosso consócio e entendo, por bem, publicá-lo, já que ele é aderente à tese de Navegadores como símbolo do Clube, eventualmente para produtos da Loja Azul e da própria associação da Imagem do Clube à casta de Decobridores que o Infante Dom Henrique soube aproveitar, daqui podendo resultar não só que a figura dos Descobrimentos, como a dos seus exímios representantes, podem de facto ser melhor alternativa que a associação à figura do sempre domesticado golfinho: 
Olhai sempre além
Ei-los, Navegadores
Precedem-nos glórias
De eternas vitórias
Ecoam clamores
À gente de Belém
Nosso é o Mar
Espelho do Céu
O vento fenece
E Azul aparece
Qual perene troféu
Havemos de ganhar
A nós pertences
Vastidão admirável
Porque em ti nos alenta
A Cruz, que sustenta
Um orgulho infindável
De ser Belenenses
abraços e
Viva o Belenenses

Loja Azul Online
Muito aqui já se falou na Loja Azul Online ou na falta dela.Finalmente, esta Direcção começa a dar os primeiros passos na criação de produtos a a vender via internet.
Confesso que a minha idade já não me permite andar por aí equipado à Belém, mas aguardarei por momentos de lazer para fazer vincar ainda mais publicamente o meu associativismo desportivo, o qual, em temos profiossionais, desculpem o desabafo, até já me custou uma particiapação dos lagartos locais por pensarem que eu no serviço andava a quere proteger mais os interesses do meu Belém e furar os "esquemas" deles.
Com todo o gosto andarei fardado da cintura para cima, quando as ocasiões se proporcionarem, tanto mais que por aqui já só falta usar mesmo uma chapa na testa para toda afente me identificar com o Clube.
Para já, e consultado o site oficial, são ainda parcos os produtos à disposição dos associados ou simples adeptos, não só do Belenenses, mas do Desporto em geral, nomeadamente para coleccionadores.
E se os há.Vejo por lá três equipamentos:
1. azul marino, o mais lindo a seguir ao da Umbro
2. azul bébé, ou à Pepe, que sinceramente não gosto
3. azul escuro, que também se enquadra num azul que se quer luminoso para as nosas cores, mas não tão bonito como o azul marinho e
4. o branco.
Pois bem, apenas peço aos responsáveis para solicitarem à MPH que mantenha em actividade o azul marinho, julgo ser o nome do equipamento que trajámos no Sábado passado (corrijam-me se enganado estou), assim como equipamento branco. Sou candidado aos dois equipamentos, apenas nos pólos(camisola) e agora, atenta vista de olhos que dei pelo plantel no Jornal do Belenenses, ficarei à esper que me ponham o pólo da SAD à venda.
Mas há ainda muito para pedalar, por forma a fazer dinheiro na venda de variadade de produtos com o símbolo do Belenenses gravado.
E caramba, com Jerónimos, Torre de Belém, Padrão dos Descobrimentos por perto a imaginação até nem é preciso muita, basta atacar a coisa.

Cromos
Temos "cromo"!
Para começar gostava de referir algo que vi no outro dia e que me leva escrever este artigo, embora já tenha estado para referir o assunto "colecções" por várias vezes. Ora estava eu numa banca de revistas e jornais quando, por entre diversos fascículos coleccionáveis e afins (que hoje há de todos os tipos e feitios), vislumbrei um azul intenso com uma Cruz de Cristo estampada. "Olá", pensei eu. Resolvi levantar a "ponta do véu" e deparei-me com isto:

Trata-se da que é porventura (e actualmente) a mais afamada colecção de cromos do nosso futebol, publicada pela italiana Panini. Como primeira reacção, creio só ser possível a satisfação. Ali, ao lado dos três estarolas, alguém - e bem - resolveu escolher o outro grande (e único Enorme), o nosso Belenenses. Porque seria? Por haver dedinho de algum "pastel"? Duvido... e passo a explicar, mesmo tendo em mente que na época anterior ficámos em 9º lugar. Como o meu sobrinho é quem agora "domina" as cadernetas, fui ver qual era a capa em 2004/05... e vi que lá estavam os 3 e o Boavista (com o João Pinto), que na época anterior tinha sido 8º (e nós 15º). Ou seja, parece-me que se trata de uma atribuição efectiva e deliberada do estatuto de "grande" (para além dos 3), a que talvez não sejam alheias as expectativas criadas na imprensa em relação à nossa equipa. E com muito bom gosto!
Aproveitei também para constatar que a Panini adoptou essa idéia (de pôr os 3 mais um) precisamente para 2004/05, já que na época de 2003/04 a capa tinha uma foto bastante "neutral", de um jogador do Moreirense a disputar uma bola com um jogador do Leiria. Antes dessa (de 2003 para trás) as capas não fugiam à triste regra de só lá ter jogadores dos 3, regra essa infeliz e continuamente adoptada por outras instituições e organizações até de maior reputação e responsabilidade (começando pelos jornais e passando por empresas como a PT, com os seus repulsivos anúncios a 3).
Ainda assim aquela capa pode gerar alguma "celeuma" nas hostes, pois se repararem, o nosso jogador contemplado foi o Paulo Sérgio. "Pois, tinham que ir buscar um dos 3!", pensarão alguns, acrescentando mais um ponto à subalternização e descaracterização do Belenenses por via dos empréstimos. Também eu acharia muito mais adequado se lá estivesse o Marco Aurélio, indubitavelmente o jogador mais carismático e emblemático do Belenenses neste momento. No entanto e mesmo sem conhecer o autor de lado algum, sem muita dificuldade consigo encontrar razões que justifiquem a escolha. Reparem que os eleitos dos 4 clubes são todos jogadores nacionais e relativamente jovens, com preferência pelos que atacam e/ou marcam golos. Ficariam assim de fora as referências do meio-campo defensivo. E porque não o Silas ou o Meyong? Parece-me que a montagem da capa terá sido feita com bastante antecedência, tanto mais que o equipamento ainda é o da época anterior (com o "ovo estrelado"). Sendo assim e entre a saída do Antchouet e a confirmação dos "novos", resolveram eles e de forma eleger o Paulo Sérgio. E é nosso, de facto!
Há 20 ou 30 anos atrás não haviam ou eram raríssimas as transmissões de jogos pela TV, para além de serem a preto e branco (só em 1980 se iniciaram as transmissões a cores, de que bem me lembro como se fosse hoje); os jornais eram bissemanais e não diários, para além de serem também raras as imagens a cores; e não havia, é claro, Internet (nem sequer computadores "caseiros"!). Ou seja, para quem quisesse ter à mão todas as equipas e conhecer de cor (e a cores) todos os jogadores, as cadernetas eram "bíblias".
No entanto o "coleccionismo" mantém ainda quase todos ou muitos dos seus encantos. Quer lhes chamem agora "trading cards" ou lá o que seja, a tara pelas figuras dos craques rivaliza agora com os mais variados e sofisticados bonecos de animação, alguns dos quais meros pretextos para toda uma indústria... de coleccionismo.
Prova é que as cadernetas ainda se fazem e vendem (e o meu sobrinho não perde uma).
Maldita caderneta
Em seguida gostaria de passar ao outro ponto relacionado, que demonstra, uma vez mais, a "força" que as cadernetas podiam ter na cabeça dos miúdos. O exemplo que trago hoje é a caderneta que mais me custou comprar e fazer em toda a minha infância e vida. De cada vez que olhava para o álbum, com os meus 9 anitos, sentia uma imensa tristeza. Chamava-se "Os Futebolistas - e os seus autógrafos" e era publicada por uma empresa que creio que já não existe, a "F. Más, Lda." (faziam colecções giríssimas, creio que haverá pouca gente da minha idade que não tivesse uma). O problema é que o número em causa diz respeito à época de 1982/83... ou seja, a primeira vez na história em que quem procurasse o Belenenses na caderneta... não encontrava. Tínhamos descido de divisão pela primeira vez.
Então porque é que comprei a caderneta e boa parte dos cromos (não cheguei a completá-la nem fiz questão)? Ora, pelo hábito, pelo gosto de coleccionar e conhecer os jogadores (ainda que dos "outros") e porque... todos os outros também a tinham. Trocar, ter "cromos da bola" para a troca ainda era um belo passatempo. E mesmo assim, digo-vos, valeu a pena. Hoje folheio o álbum e encontro muitos jogadores que já tinham sido ou ainda viriam a ser do Belenenses, jogadores que entretanto vieram a ser treinadores, adjuntos, directores e até seleccionadores. Quais? Para já, aqui fica a fotografia de um jogador que infelizmente já nos deixa tantas e tantas saudades. Isto foi há 23 anos, por um lado já é algum tempo, mas nunca o suficiente para explicar porque é que ele - estupidamente - já não está entre nós:

O nosso José António ainda no Estoril (1982)
Na altura e com o Belenenses na segunda divisão, obviamente não mudei de clube. Dessa forma não "torcia" verdadeiramente por nenhuma das equipas que estavam naquela caderneta. Tinha no entanto alguma simpatia por um clube que equipava quase tal qual como nós. Ainda que apenas simbolicamente, para mim o melhor de todos naquela caderneta era... o Amora. É certo que os pontos de contacto entre o Belenenses e o Amora não se ficavam pelas cores do equipamento e similitude do emblema, mas na altura não fazia idéia de nada disso. Como não imaginava que pelo menos um dos seus jogadores de então viria a ser nosso - e já não era o primeiro. Aqui fica ele, aliás companheiro do anterior em posteriores jornadas de alegria:

O nosso Jaime ainda no Amora (1982)
Infelizmente para o Amora, calhou-lhe nessa época descer de divisão (lá fiquei sem clube de referência na caderneta seguinte).
Pese esta "simpatia" acessória e noutra perspectiva, o facto de o Amora estar na primeira e o Belenenses não estar... agudizava ainda mais a minha permanente melancolia. Mais - e sem desrespeito para com os emblemas em causa - não concebia como é que para além do Amora, clubes como o Portimonense, o Alcobaça (também azul, mas celeste), o Estoril (apesar de então ser mais forte do que é agora) ou um Rio Ave (também mais forte então, acreditem) estavam na 1ª Divisão e nós, um Grande, tínhamos ido parar à segunda.
O caso do Portimonense ainda era o mais "amargo" de todos, pois tinha sido o "refúgio" de Artur Jorge depois de "abandonar o barco" no Belenenses em 1981 (e assim descemos), sendo que a equipa de Portimão ficou também com jogadores nossos, no meio de uma debandada geral. Aliás não foi assunto nada pacífico e deu polémica quanto baste o chamado "caso Carlinhos" (não confundir com o caso Carlitos, sucedido quase 20 anos antes). Tratou-se de uma rocambolesca história, fazendo lembrar que "paulos madeiras" já houve muitos. O jogador em causa, o brasileiro Carlos Alberto de Almeida, estava integrado no nosso plantel que estagiava em S. Pedro de Moel até que um dia resolveu literalmente fugir para mais tarde aparecer com contrato assinado com o Portimonense. Ao que se soube o jogador havia fugido para a casa do ex-treinador Artur Jorge (então já treinador do Portimonense). Perante esta história de autêntica "bandidagem" foi então que se celebrou uma concorrida reunião da Assembleia Geral em que os sócios aprovaram não só o corte imediato de relações com o Portimonense mas também a proibição de Artur Jorge e Amílcar (também ex-jogador nosso no Portimonense) entrarem no Restelo e a expulsão do sócio Luís Horta. Era já então Presidente Mário Rosa Freire enquanto Alberto Regueira dirigia a A.G., secretariado por Ramos Lopes, Morais Cascalho e Humberto Capote. Nomes conhecidos, não é?
Com isto para sempre fiquei a odiar Artur Jorge, mesmo que não fosse só dele a culpa (ainda hoje não sei bem). Do que me lembro, como miúdo, ficou-me gravada a imagem de um cobarde trapaceiro. Mas já só me lembro pelos livros, por exemplo, que os responsáveis do Departamento de Futebol da altura também pediram a demissão (entre os quais o Dr. Jaime Monteiro). Fosse de quem fosse a culpa a equipa havia ficado totalmente à deriva, despojada de tantos bons jogadores que fomos desbaratando por pratos de lentilhas... e assim passou-se o primeiro grande desastre da nossa história desportiva, só equiparável a épocas que se seguiram. Ainda assim e quando regressámos, em 1984, no meio daquela inesquecível e grande festa, nunca imaginei (nem os restantes Belenenses, creio) que não era o fim de um pesadelo, que não era um ponto de viragem, que afinal era apenas o início da mais negra era do Belenenses, que considero perdurar até hoje (ainda que com excepções pelo meio, como as idas às competições europeias e a Taça de 1989).
Para terminar, aqui ficam os cromos (também de 1982) de dois actuais companheiros de banco de Carvalhal, ora vejam lá:

PS: Por razões óbvias e apesar de ter os cromos do Carlinhos e do Amílcar, não os publico... Outros cromos da mesma caderneta têm mais interesse, ficam para outro dia...

Que enjoo de pasquim-mor
Ao que parece a coisa meteu alguma celeuma nas paredes internas do pasquim-mor e o Director do dito salomonicamente deu 4 a cada guarda-redes, dando a Baía o mesmo valor que foi dado na "secretaria" do jornal a Marco Aurélio que andou por lá a defender tudo o que tinha defesa e só não defendeu as azelhices dos nossos centrais papados no 1º golo e da arbitragem que nos papou no 2º golo.
De todo o modo, e atenta a usual falta de reacção quando somos prejudicados nos jogos com o Porto, fico sempre com a sensação que é um jogo que admitimos ser prejudicados a priori.
E ainda me está na retina o simples facto duma das raras vezes que um presidente do Belenenses nos últimos anos ter ido ao "Jogo Falado" e tendo levado os relatórios dos árbitros dos 6 a 7 jogos que fomos espoliados, esqueceu-se de pedir o relatório do jogo com o Porto no Restelo, tendo um dos presentes lembrado que aí também fomos prejudicados.

No site da UEFA: "Belenenses Sáuda o Imperador"
Quando o Belenenses defrontar o FC Porto na Liga portuguesa, no próximo fim-de-semana, o guarda-redes Marco Aurélio fará a 200ª partida consecutiva no campeonato - um recorde impressionante para o guardião brasileiro, de 35 anos de idade, que não falhou um único jogo em cinco temporadas consecutivas.Graças a Deus
O Belenenses desde há muito que demonstra um enorme respeito pelo seu guarda-redes, mas Marco Aurélio realça que não há qualquer segredo neste registo. "Não há segredos", revelou ao uefa.com. "Agradeço a Deus nunca ter sofrido uma lesão grave ao longo da minha carreira, o que significa que pude trabalhar sempre ao meu melhor nível".
Guarda-redes confiante
Ao passo que vários treinadores passaram pelo Belenenses, a posição de Marco Aurélio entre os titulares nunca esteve em dúvida, graças ao seu profissionalismo e à confiança que revela em todas as situações. Ainda assim, o guardião confessa que trocaria o seu impressionante registo de presenças a bem dos resultados da equipa.
A equipa primeiro
"Se tivesse de cometer uma grande penalidade e ser expulso por uma falta, não hesitaria um segundo, porque nenhum recorde pessoal é mais importante do que os resultados da equipa", disse. "O mais importante é ajudar o clube o melhor que posso. Sinto-me com sorte pelo facto de os sucessivos treinadores do Belenenses terem confiado em mim".
Momento raro
O guarda-redes chegou a Portugal na temporada de 1996/97 para alinhar no Rio Ave, antes de rumar ao Algarve para representar o Farense, na época seguinte. Em 1998/99 assinou pelo Belenenses e - num momento raro - recebeu o seu único cartão vermelho no futebol português, num jogo em Paços de Ferreira, na II Divisão.
Nas lesões, tenho tido sorte e devo agradecer a Deus por ter-me mantido afastado de problemasMarco Aurélio
Evitar os cartões
No entanto, tem conseguido evitar aborrecer os árbitros - ou dar trabalho aos médicos do clube - desde então. "Não é difícil evitar os cartões amarelos, porque não sou um jogador de campo", disse. "Os últimos que vi foram por demorar mais algum tempo nas reposições de bola, estando a ganhar. Nas lesões, tenho tido sorte e devo agradecer a Deus por ter-me mantido afastado de problemas".
Os suplentes
Os guarda-redes suplentes do Belenenses deverão ter momentos em que desejam que o anjo da guarda de Marco Aurélio o abandone, de tal forma tem sido absoluto o domínio do nº1. No seu papel como capitão de equipa, Marco Aurélio sabe bem que muito tempo no banco de suplentes pode afectar o moral.
Ficar alerta
"Não faço mais do que dar o meu melhor", referiu. "Reconheço que pode ser difícil [para os guarda-redes suplentes] lidar com isto, mas eles devem perceber que só Deus sabe o que vai acontecer a seguir. Qualquer um pode ser chamado para jogar a qualquer momento e tem de estar no seu melhor, estar concentrado e pronto para jogar".
Estabilidade fundamental
Tendo estado no Belenenses ao longo destes 199 jogos, a estabilidade pode ter tido um papel importante no feito de Marco Aurélio. "Possivelmente, ajudou, uma vez que, se tivesse mudado de clube, ninguém sabe se seria titular. Provavelmente, sim, mas nunca se sabe", afirmou.
Luta constante
Mas aconteceu assim e ter ficado no Belenenses ajudou o homem que tem o mesmo nome de um imperador romano a construir uma enorme reputação no Estádio do Restelo. "Não me considero um maratonista ou um homem de ferro", concluiu. "Apenas trabalho todos os dias para ser melhor do que no dia anterior".

O costume
Diga-se que o Belenenses entrou bem no Dragão, por certo em homenagem ao holandês que nos considera defensivos, e em menos de três minutos criou outras tantas oportunidades claras de golo, sendo que uma delas - a de Paulo Sérgio -, a concretizar-se, se arriscava a ser a batata do ano - quando não mesmo do século. Ultrapassada essa entrada-surpresa, chegou o costume, com o golo do McCarthy que não facturava vai para quatro meses. Galo nosso, que o rapaz não se tenha portado mal no estágio, como é aliás costume. De resto, saltou-me à vista uma exibição menos conseguida do José Pedro, que me parece ter cada vez mais influência na nossa posse de bola: dia de menos José Pedro é dia de menos Belenenses...
Ultrapassado o intervalo da nossa esperança, reapareceu o costume: segundo golo do Porto em excente triangulação entre o Paixão, o Jorginho e o bandeirinha. Um golo de se lhe tirar o chapéu, minutos depois de uma agressão a Amaral que não dava jeito ver. O costume ainda se fez sentir aos 89 minutos, quando a Paixão pelos da casa também não deixou ver - antes pelo contrário - uma falta evidente cometida sobre Romeu dentro da área portista. Enfim, a arbitragem do costume. Ainda assim, não pensem os que não viram o jogo e que vão deitando os olhos por estas linhas que com excepção do Paixão foi tudo um mar de rosas; nada disso. Julgo mesmo que Carvalhal deve começar a pensar seriamente na questão das substituições, posto que à semelhança de Alvalade e com excepção de Fábio Januário, foram duas substituições, dois enterranços. E se é certo que estava bem dentro das nossas possibilidades dar a volta ao resultado, foi com a entrada de Ahamada e de Romeu que, no campo, deitámos por terra as legítimas aspirações a um resultado favorável.
Para rematar, mais três pontos positivos e um de sentido inverso:
1. O costume: grande exibição de Marco Aurélio, no dia em que o Imperador cumpre a impressionante marca de duzentos jogos consecutivos na primeira divisão. É obra!
2. A presença, junto dos adeptos do Belém, da Alma Salgueirista - que isto dos amigos é para as ocasiões.
3. O Belenenses vestiu um equipamento diferente - de algum modo uma variante do tradicional - que, a meu ver, é dos mais bonitos que já apresentámos. Será leiloado, à semelhança do do ano anterior...?
4. Pela negativa, Manuel Queirós, comentador da TVI que por certo deve ser sócio de mérito do FCP. Que grande besta, carago, me saiu aquele 'murcom'...!
E agora sim, terminemos. Resta ganhar ao Estrela para a semana, para apresentarmos contas muito agradáveis à passagem da sexta jornada: quatro vitórias e doze pontos, regados, provavelmente, com o melhor ataque da prova. Pelo meio, já despachámos duas saídas difíceis - Antas e Alvalade - que outros ainda terão que fazer. Resumindo: estamos no bom caminho, assim as paixões do Paixão não mais se nos atravessem nesta estrada.

Parabéns Grande Vicente!
O presente artigo não é uma grande homenagem nem sequer uma biografia minimamente exaustiva da vida do grande jogador. Noutra ocasião, com mais tempo (o tempo que merece), a farei.
Lenda imortal, coração grande
Ao escrever sobre Vicente (recuso o vulgarizante artigo definido) os maiores louvores e elogios que se lhe possam fazer… obrigatoriamente pecam por defeito. Nunca o vi jogar (salvo pelas imagens do Mundial de 66), mas os livros e os testemunhos de outros não deixam margem para dúvidas. Vicente é o arquétipo do ideal Belenenses.

Possuidor de capacidades técnicas ímpares e de uma inteligência táctica notabilíssima, se pudesse jogar hoje Vicente desmentiria com facilidade a idéia de que os jogadores de outrora não teriam lugar no futebol actual. Com extrema facilidade. Com uma concentração invulgar, sabia posicionar-se, manter a vista na bola, adivinhar os pensamentos do adversário e fazer os "tackles" no momento exacto, naquela fracção de milésimos de segundo tão difícil de calcular até mesmo para os melhores físicos que se possam reunir (ainda menos outros jogadores de hoje em dia). Assim "cortava" bolas com eficácia de pasmar, quando o adversário ainda mal tinha dado conta da sua presença. Tornou-se mesmo popular a expressão "Corta, Vicente!"
Mas se as qualidades técnicas elevaram Vicente à galeria dos melhores de sempre do Mundo (sim, uma vez mais, nada de exagerado), as qualidades humanas em nada ficavam atrás. Antes, as duas eram complemento evidente, que se traduzia no próprio comportamento em campo. Acanhado, humilde, discreto, Vicente era e é de uma bonomia desconcertante, de uma quase ternura pelo próximo. E com os adversários, em campo, não fazia excepção. Ao falar do Vicente uma das primeiras coisas que o meu Pai se recorda (ele sim, viu-o jogar) era a forma como este jogava sempre, mas sempre sem maldade. E não era apenas a intenção, Vicente nunca ou raramente magoou algum opositor. Mesmo quando pensasse que o tinha feito, era o primeiro a confortar o jogador caído, como se de um irmão de sangue se tratasse. Vejam só, tentem conceber para os dias de hoje um jogador que seja por si só uma autêntica e intransponível muralha defensiva (agora chamam-lhes "trincos", "ferrolhos" ou sei lá o quê) sem nunca recorrer à violência física. Só mesmo algum "craque" de outro mundo, só mesmo alguém com talento infinito. Só mesmo um Vicente, como não os há.
Num passado jantar de aniversário do Clube também tive o privilégio de escutar mais um impressionante depoimento de quem viu o Vicente em campo. Foi da parte do grande fadista e Belenenses dos sete costados, Carlos do Carmo (pouco mais velho, vizinho de bairro e aluno da mesma escola que o meu Pai), que contou perante uma embevecida plateia azul como Vicente lhe proporcionava uma peculiar forma de apreciar um jogo de futebol. Confessou Carlos do Carmo que numa daquelas tardes de Domingo decidiu seguir com a vista apenas e só Vicente, abstraindo-se de tudo o resto, do que faziam todos os outros jogadores e a própria bola. Não surpreendentemente, valeu a pena, disse. Valia a pena só ver Vicente jogar. Por tudo o que já referi acima, porque a sua visão e inteligência faziam com que o decurso de um jogo inteiro se concentrasse e palpitasse naquele cérebro, naqueles músculos… como um Deus que se passeia por entre mundanos e impotentes mortais.
A carreira e breve história de um campeão
Não, o Belenenses não teve a alegria de ver Vicente integrar uma equipa vencedora do título máximo do futebol nacional. Mas como veremos, é pormenor de somenos. Porque nem valeria afirmar que Vicente merecia um Campeonato Nacional. Um qualquer Campeonato Nacional é que deveria estar à altura de merecer Vicente!
Vicente Lucas nasceu em Lourenço Marques (hoje Maputo, capital de Moçambique), no bairro pobre do Alto Mahé, a 24 de Setembro de 1935. Filho de Lucas Matambo, tipógrafo, e de Margarida Heliodoro, era o mais novo de uma numerosa prole (tinha 4 irmãos). Entre os irmãos mais velhos, claro, outra incontornável referência do futebol: o nosso Matateu (Sebastião Lucas da Fonseca).
É difícil falar de Vicente sem falar de Matateu, eram do mesmíssimo sangue e foi por influência deste último que o irmão seguiu na mesma profissão e o seguiu até ao Belenenses. E ambos foram futebolistas excepcionais. No entanto Matateu chegou primeiro, vingou, tornou-se goleador de sonho e era um homem extrovertido e idolatrado pelas multidões com a maior naturalidade. Vicente em boa medida era o oposto. Jogador defensivo, introvertido e pouco ou nada ocupado com a sua fama. Por tudo isto e desde a época em que jogaram no Belenenses existe uma injusta tendência para colocar Vicente sob a "sombra" do irmão. Não, as glórias de um e outro são absolutas.
Vicente, tal como o irmão, também tinha alcunha no bairro. Só que enquanto "Ma' Tateu" (que em landim significa crosta de pele, talvez por se esfolar frequentemente nos pelados da “bola”) vingou junto das gentes da Metrópole, "Ma' Ndjombo" (que em landim significa muita sorte), a de Vicente, já não.
Vicente começou por jogar num clube de bairro, até ingressar como júnior no mesmo clube por onde passara o irmão Matateu, o 1º de Maio, já então filial do Belenenses (ainda é hoje). Havia sido João Belo (Campeão de Portugal pelo Belenenses em 1933) a descobrir o "filão" daquela família.
Foi quando já Matateu levava ao delírio as bancadas das Salésias que o nome do seu irmão começou a ser falado. Dizia o irmão mais velho que Vicente ainda era melhor que ele! Começaram então os esforços para juntar os dois em Belém, algo que apesar da maior resistência de Vicente (e da sua mãe), acabou por acontecer.
O Belenenses, Lisboa e Portugal rebentavam de ansiedade. Falava-se da vinda de um "Matateu II". Quando Vicente finalmente desembarcou no Cais da Rocha do Conde de Óbidos, a 30 de Junho de 1954, tinha à sua espera uma numerosa comitiva, que incluía não só dirigentes do Clube, o irmão Matateu, mas todo um ajuntamento de associados e curiosos. Foi reportagem de jornal! Ao saber que o estampavam já com o epíteto de "Matateu II", a forte personalidade e o orgulho de Vicente logo o levaram a exclamar: "Matateu II não! Eu sou o Vicente." Uma vez mais, um génio do mesmo sangue, mas outro génio.
A partir da estreia - com tão só 19 anos – foi questão de pouco tempo até Vicente encantar os Belenenses, o País e o Mundo. No Belenenses destaca-se a vitória na Taça de Portugal, em 1960. Anos como grande capitão.
após vitória sobre o Sporting (2-1)
Pela Selecção imortalizou-se também como um dos melhores de sempre. É o 3º jogador do Belenenses com mais internacionalizações (20), atrás apenas do irmão (27) e do igualmente enorme Augusto Silva (21). Mas talvez o feito maior e mais conhecido de todos foi a presença no Mundial de 1966, onde tratou de "secar"… o "Rei", o brasileiro Pelé. Deixo para outra ocasião um relato sobre a brilhante saga de Vicente em Inglaterra, mas aproveito para fazer referência a um artigo que o Luís Oliveira aqui deixou, que traduz bem a grandeza de Vicente e a ajuda a esclarecer certo equívoco quanto à sua responsabilidade por certa lesão do "Rei" nesse Mundial: A simpatia de Pelé pelo Belenenses.
A título de curiosidade, Portugal acabou por ser eliminado pela Inglaterra num desafio em que Vicente… não jogou, alegadamente por não estar em condições físicas. Em surdina, timidamente, houve e há quem assegure que, tivesse Vicente jogado, não teríamos perdido esse jogo e quiçá o Mundial teria sido português. Talvez se Vicente fosse de outro clube esta história fosse diferente…
Mas hoje por aqui fico em detalhes sobre a sua carreira, terminada de forma triste… que nos faz pensar na justiça que há neste mundo. Uma daquelas estúpidas e desleais rasteiras da vida… logo a um dos mais leais e bons dos homens.
Vicente hoje
Vicente costuma ser presença assídua no Restelo e em efemérides do Clube (em boa-hora este o elege como símbolo máximo). Tive o privilégio de me cruzar com ele algumas vezes, causando-me sempre uma estranha sensação… de arrepios, de rendição absoluta e paralisante. Novamente, como um mortal que se atreve a aproximar de uma divindade. E o bom Vicente sempre tão afável, tão simpático, como se eu e todos os outros afinal fôssemos menos que ele!
A primeira vez que estive a seu lado foi num treino de captação, ainda Vicente era responsável nas nossas camadas jovens (fui lá mais por curiosidade, pois nunca na vida me senti talhado para jogador). Hoje em dia e merecidamente as Escolas do Clube têm o seu nome. Mas nessa tarde constatei como Vicente, apesar da sua generosidade e simpatia, não deixava de ser um mestre rigoroso e disciplinador. Fruto da escola de muitos e excelentes treinadores, logo com o mítico Riera à cabeça, não esquecer...
Noutra vez e em almoço da Mailing List da Trafaria, novo encontro. Sobre este, o Pedro Guedes melhor escreverá que eu. Por agora só uma nota: ao desembarcarmos do cacilheiro, vindos de Belém, os homens que estavam no cais (completamente alheios ao evento) não evitaram comentar entre si: "Olha, é aquele, o irmão do Matateu...".
Por fim, a última vez que estive com Vicente foi no âmbito da "Volta Azul a Portugal" pela filiais do Belenenses. Em Elvas, uma vez mais, Vicente a fazer as vezes de embaixador do Clube. E que Senhor Embaixador!
Costumamos dizer, por rigor, que nenhum técnico ou jogador alguma vez estará acima do Belenenses. Pela lógica, nem faz sentido. Mas Vicente é Enorme como o Belenenses. Hoje e para mim é como se fôsse um 2ª Aniversário do Clube.
70 anos é uma bonita idade, mas cá estaremos por muitos mais ainda para juntos festejar novas vitórias!
Parabéns! Obrigado por tudo! Obrigado!

A Nau no Porto
Quer isto dizer que se exige uma vitória? No sentido em que qualquer outro resultado possa levar a uma recriminição pura e simples da equipa, não. Sabemos que o nosso orçamento é quase ínfimo quando comparado com o do Porto, sabemos que a atmosfera no seu estádio, infelizmente, é bem mais calorosa no apoio à equipa do que por exemplo a nossa (por enquanto, amigos e amigas, por enquanto). Sabemos também pela história que outros factores podem ditar derrotas (não é preciso recuar muito, recorde-se a época passada, com o Juninho "marcado" para sair cedo).
O que não é admissível é o espírito vigente em épocas recentes, derrotista, preparados para esgrimir os argumentos que referi imediatamente acima para justificar derrotas. Isto é, entrarmos em jogo já meio derrotados.
Podemos não ganhar, mas temos de jogar sempre para ganhar.
A força mental e a atitude da nossa equipa estão a dar frutos. Três vitórias seguidas com "chapa 3" é motivante para o conjunto, aliciante para os adeptos. Aqui há uns dias, depois do jogo com o Penafiel, discutia-se na Mailing List - e uma vez mais - os preços como factor de afastamento e esvaziamento das bancadas do Restelo. Porque a "tabela" já é bem mais atractiva, mas o Restelo continua sem estar cheio ou perto disso. Lá voltei eu com a história dos resultados. Pensei eu, se ganharmos ao Guimarães e depois nas Antas, tenho a certeza que as pessoas vão aparecer. Ora bem, já no jogo com o Guimarães, e a uma 2ª feira (e a más horas), notaram-se melhorias ligeiras.
Porque isto de argumentar que os resultados são importantíssimos para chamar as pessoas não pode ser interpretado no sentido estrito. Não se trata de ganhar um jogo e esperar por enchentes de seguida. Mais, nem se trata de fazer uma boa época e esperar enchentes na seguinte. O que move as pessoas, o que as tira do sofá, é uma confiança sólida de que no Restelo se joga para ganhar, e bem, que se luta por posições cimeiras e que só por azar ou árbitro não o conseguimos.
Claro que mais haverá por fazer, tudo isto não dispensa a atenção da Direcção para mais e novas medidas. Porque não basta quase encher o estádio em certos jogos. O que se quer é uma massa adepta como tal, uma MASSA.
Quanto ao jogo em si, não sei... estou com uma "fézada".
Enquanto fico a "ruminar" este "feeling", aqui fica o histórico de resultados:
1934/35: 1-0 (D)
1935/36: 9-1 (D)
1936/37: 1-2 (V)
1937/38: 5-2 (D)
1938/39: 5-2 (D)
1939/40: 3-2 (D)
1940/41: 2-2 (E)
1941/42: 2-3 (V)
1942/43: 3-1 (D)
1943/44: 1-0 (D)
1944/45: 2-6 (V)
1945/46: 0-1 (V)
1946/47: 0-0 (E)
1947/48: 0-2 (V)
1948/49: 2-0 (D)
1949/50: 2-0 (D)
1950/51: 2-0 (D)
1951/52: 1-1 (E)
1952/53: 1-1 (E)
1953/54: 0-2 (V)
1954/55: 0-1 (V)
1955/56: 1-1 (E)
1956/57: 5-0 (D)
1957/58: 4-1 (D)
1958/59: 7-0 (D)
1959/60: 2-3 (V)
1960/61: 1-0 (D)
1961/62: 5-0 (D)
1962/63: 5-1 (D)
1963/64: 3-2 (D)
1964/65: 2-0 (D)
1965/66: 1-0 (D)
1966/67: 2-0 (D)
1967/68: 4-0 (D)
1968/69: 1-0 (D)
1969/70: 0-0 (E)
1970/71: 1-0 (D)
1971/72: 3-2 (D)
1972/73: 1-1 (E)
1973/74: 2-0 (D)
1974/75: 0-4 (V)
1975/76: 3-1 (D)
1976/77: 8-0 (D)
1977/78: 6-0 (D)
1978/79: 4-0 (D)
1979/80: 3-0 (D)
1980/81: 3-1 (D)
1981/82: 3-0 (D)
1984/85: 5-1 (D)
1985/86: 5-0 (D)
1986/87: 1-0 (D)
1987/88: 7-1 (D)
1988/89: 1-0 (D)
1989/90: 3-0 (D)
1990/91: 0-0 (E)
1992/93: 3-0 (D)
1993/94: 1-0 (D)
1994/95: 1-0 (D)
1995/96: 1-0 (D)
1996/97: 2-1 (D)
1997/98: 2-0 (D)
1999/00: 2-1 (D)
2000/01: 0-0 (E)
2001/02: 1-2 (V)
2002/03: 2-2 (E)
2003/04: 4-1 (D)
2004/05: 3-0 (D)
Destes resultados destacam-se as vitórias por 2-6 em 1944/45 e os memoráveis 0-4 em 1974/75, resultado que os portistas só viriam a sofrer de novo em casa... na época passada, com o Nacional.
Quanto aos "saldos", em 67 jogos, o Belenenses venceu apenas 10 vezes, empatou 10 e perdeu... 47. Mas não se deixem impressionar: o Benfica só venceu em casa dos portistas por 11 vezes (com 17 empates), enquanto o Sporting também só o conseguiu por 12 vezes (com 22 empates). E os restantes, bem atrás...
Em matéria de golos, vamos com 55 marcados e 166 sofridos. De resto, o resultado mais frequente é a vitória portista por 1-0, o que indicaria sempre algum equilíbrio não se tratassem de 11 exemplos apenas (em 67). Há resultados variadísimos (25 desfechos diferentes em 67 jogos!). A diferença de golos mais frequente é a vantagem portista por um golo, que ocorreu 16 vezes.
Passados os números e porque estes, tal como o peixe, não "puxam carroça", volto a reflectir sobre o jogo de hoje. Temos mais um árbitro da "escola" de Setúbal, o terceiro seguido em 3 jornadas. Desde logo fico desconfiado. No entanto... e embora não me agradassem totalmente as duas anteriores arbitragens, confesso que os meus piores receios revelaram-se em boa medida injustificados. Só no último tivémos Lucílio Baptista (o chefe daquelas bandas e "apito dourado") e de nada ou quase nada me pude queixar. Poderia então esperar que Bruno Paixão, o que se segue, continuasse a linha de "bom comportamento".
Só que há duas coisas mais. Uma é a pressão do adversário, que não é a mesma de um Penafiel ou um Guimarães. E Bruno Paixão, que já prejudicou os portistas no passado (reconheço) pode, como alguns outros, querer amealhar simpatia. A outra é... o conceito que tenho de Paixão como árbitro. De tal forma que nem considero que possa ser um juiz corrupto, mas apenas um péssimo árbitro. Já assisti a jogos seus em que assinalou dezenas de faltas que não o eram... e ficaram por marcar dezenas que o eram. Sem desiquilíbrio claro para qualquer uma das equipas, mas assim passam "penaltis", cartões vermelhos, etc. Mas também confesso, da última ou das duas últimas vezes que apitou jogos nossos, achei que tinha melhorado. Ainda com o tique irritante de marcar faltas por nada, mas sem grandes erros de juízo.
Pois que se exceda amanhã, porque se não é ele estou mesmo com fé que ninguém nos pára. Vamos lá! Força Belenenses!

RUMO AO FUTURO
O grande Clube de Futebol “Os Belenenses” comemora hoje o 86º aniversário de uma vida exemplar, com particularidades únicas quando comparado com os vários intervenientes do desporto português.O Belém ainda hoje é, porque nunca o deixou de ser, um dos maiores clubes cá do burgo, com verdadeira implantação nacional, facto que o torna detentor de um capital tremendamente invejável.
Viveiro de campeões em várias modalidades, actor activo em prol de um melhor desporto lusitano, passou por fases de grandes sucessos, mas também por alguns períodos negros. Como é nesses momentos que se revela o carácter e a fibra dos grandes campeões, também aí o BELÉM daria prova cabal de ser único.
A superação de três dramáticas descidas de divisão, levam-me aliás a perguntar: quantos dos apelidados "grandes" seriam capazes de contornar tamanho infortúnio e ter capacidade de se reerguerem?
Passados 86 anos, a verdade é que este clube vive um claro e inegável ponto de viragem, fruto de uma estabilidade directiva, assente em eixos de rigor e de clarividência, rumo a um futuro esplendoroso, alicerçado numa família belenense generosamente ÚNICA.
Ninguém parará a caravela azul!

Parabéns Clube de Futebol "Os Belenenses"
Parabéns a todos os Belenenses
86 anos não são 86 dias, pelo que relatar aqui num artigo este marco histórico com o rigor e a fluidez que se impõem seria de um aventureirismo tremendo, dada a densidade histórica do nosso Clube.
O Clube de Futebol "Os Belenenses" orgulha-se de ser um Clube Histórico do Desporto em Portugal.
De facto, hoje faz 86 anos que os nossos fundadores puseram em marcha o projecto desportivo do Clube (ver o artigo de ontem, em baixo), assente numa grande equipa de futebol e algumas modalidades que complementarmente se foram instalando dentro do quadro desportivo então vigente.

No entanto, alguma (imensa!) essência justifica o estarmos aqui. Algo que todos comungamos e que nos irmana. Indissociável da vida e do palmarés do Clube, porventura, mas que os transcende.
Numa peculiar mescla de lamento e orgulho de penitentes alguns Belenenses afirmam que os de Azul e da Cruz de Cristo nasceram e vivem para sofrer. E a nossa história aparentemente não os desmente: foi marcada por trágicos episódios, perseguições e contrariedades aparentemente inexpugnáveis - o Belenenses nasceu, cresceu e vive ainda contra a vontade de muitos. Sofremos, tal como sofreram muitos dos nossos antecessores, é certo.
Mas mais que essas agruras, estes 86 anos trouxeram-nos provas irrefutáveis de que a férrea vontade e o querer Belenense nunca, nunca se deram por vencidos, que não houve sofrimento que pudesse abater esta força sem par. Não sobrevivemos? Não. Vivemos. Vivemos orgulhosa e intensamente de corpo e alma, amparados por um rol quase interminável de campeões, pela obra e dedicação de sócios devotos, por um património invejável e de singular beleza. Por mais que “doutas” sapiências do desporto “nacional” tentem condenar e reduzir ao olvido o brilho áureo das vitórias do nosso Clube, nós aqui estamos.
Aliás o que os outros de nós dizem ou pensam, aquilo em que os outros de nós são diferentes, não deveria importar. Basta-nos a consciência e convicção sempre renovada de que os valores absolutos em se baptizou o nosso emblema são imensos e inamovíveis. Tenhamos pois a tenaz persistência dos nossos fundadores para os fazer vingar, para que a glória do Belenenses seja incontornável e eterna.

Saudemos o aniversário do Clube de Futebol “Os Belenenses” com os merecidos parabéns a todos aqueles que de alguma forma sintam a Cruz de Cristo no ideário desportivo português, sem, no entanto, deixarmos de considerar que o Belenenses é um gigante algo adormecido, que a todo o momento pode dar o salto para o galarim absoluto do Desporto Nacional, se bem que alguns dos nossos atletas já o façam, embora em modalidades de menor nomeada ou sonoridade pública.
Estamos a 14 anos do centenário e entendemos que temos esse limite temporal para sermos outra vez campeões nacionais em Futebol Sénior.
Este sim o verdadeiro trampolim para novos voos. É nesta secreta esperança que depositamos os votos hoje aqui deixados nesta data histórica. Uma breve palavra para as outras modalidades: este blogue é constituído por sócios predominantemente “futeboleiros”, mas se até ao Centenário formos de novo campeão nacional de futebol, é legítimo pedir outros títulos noutras áreas, tal como se observou na homenagem pública aos campeões na passada 2ª Feira, mas com mais expressão.
Viva o Clube de Futebol "Os Belenenses"!
Parabéns a todos nós e ao Clube em especial.
Porque os "galões" são para ser vistos, aqui ficam alguns dos títulos maiores que os atletas deste Clube conquistaram em modalidades ditas "colectivas":
Futebol
Campeões Nacionais (1 vez)
Campeões de Portugal (3 vezes)
Taças de Portugal (3 vezes)
Campeões de Lisboa (6 vezes)
Campeões Nacionais 2ª Divisão (1 vez)
Taças de Honra da AFL (6)
Campeões Nacionais de Juniores (1 vez)
Campeões Nacionais de Iniciados (1 vez)
40 jogos em competições europeias
Mais de 200 jogadores internacionais
Bolas de Prata (2)
Andebol
Campeões Nacionais (5 vezes)
Campeões Nacionais - variante de 11 (1 vez)
Taças de Portugal (4 vezes)
Campeões de Lisboa - variante de 11 (5 vezes)
Supertaça (1 vez)
Campeonato Metropolitano (1 vez)
Campeões Nacionais Femininos (1 vez)
Taças de Portugal Femininos (1 vez)
Campeões Nacionais Juniores (5 vezes)
Campeões Nacionais Juniores - variante de 11 (2 vezes)
Campeões de Lisboa (2 vezes)
Campeões de Lisboa Juniores (9 vezes)
Campeões de Lisboa Juniores - variante de 11 (3 vezes)
Campeões de Lisboa Femininos (1 vez)
Campeões de Lisboa 2ªs categorias - variante de 11 (3 vezes)
Campeões Nacionais Juvenis 2ª Divisão (1 vez)
Campeões de Lisboa Juvenis (2 vezes)
Taça Nacional Juvenis (1 vez)
Campeonato Regional Juvenis (2 vezes)
Rugby
Campeões Nacionais (5 vezes)
Campeões Nacionais Sevens (1 vez)
Taças de Portugal (4 vezes)
Campeões de Portugal (1 vez)
Taça Ibérica (1)
Supertaça (1 vez)
Taças de Honra (3 vezes)
Campeões de Lisboa (6 vezes)
Campeões Nacionais Juniores (5 vezes)
Taça de Honra Juniores (1 vez)
Campeões Nacionais Juvenis (4 vezes)
Taça de Portugal Juvenis (1 vez)
Torneio Nacional Juvenis (1 vez)
Campeões Nacionais Iniciados (2 vezes)
Torneio Nacional Iniciados (1 vez)
Basquetebol
Campeões Nacionais (2 vezes)
Campeões Nacionais Femininos (1 vez)
Campeões de Portugal (1 vez)
Campeões de Portugal Femininos (1 vez)
Taças de Portugal (2 vezes)
Campeões de Lisboa (4 vezes)
Campeões de Lisboa Femininos (5 vezes)
Campeões Nacionais 2ª Divisão (6 vezes)
Taça Federação (1 vez)
Campeões Nacionais Juniores (3 vezes)
Taça Nacional Juniores (1 vez)
Campeões Nacionais Juvenis (3 vezes)
Campeões Nacionais Infantis (1 vez)
Futsal
Campeões Nacionais IIª Div. (1 vez)
Campeões Nacionais IIIª Div. (1 vez)
Voleibol
Campeões Nacionais de Juniores (1 vez)
Hóquei em Patins
Campeões Nacionais Juniores (1 vez)
Campeões Nacionais IIª Div. (3 vezes)
Quanto às modalidades "não colectivas", vemo-nos forçados a omitir o devido, isto é, os nomes dos briosos e briosas atletas. Aqui ficam porém referências às modalidades mais importantes, bem como uma lista das que se praticam ou já praticaram no Belenenses, entre as quais se contam também campeões:
Natação
Vários campeões e recordes nacionais, masculinos e femininos
Triatlo
Vários títulos nacionais, Campeões da Europa e do Mundo
Pentatlo
Vários títulos nacionais
Atletismo
Vários campeões e recordes nacionais, atletas olímpicos e mundiais, nas várias modalidades
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Em praticamente todas as modalidades existem campeões e atletas internacionais Belenenses!
Não esquecer também a presença de Belenenses por todo o Mundo (como o nosso Jorge Braz na Alemanha) e as quase 60 filiais, cerca de 17 delas fora das nossas fronteiras (Europa, América e África).

Inevitável Impulso
"Digamos que o Belenenses, parecendo uma inevitabilidade, nasceu de um impulso. Mas, mais do que ter vindo ao mundo numa maternidade ao ar livre, surpreendeu pela robustez e, sobretudo, pela determinação dos seus fundadores que enfrentaram o dédalo formado por más vontades, intrigas e ausência total de desportivismo de várias forças. Chegou ao desporto português à revelia dos interesses bizantinos de muitas e boas almas."
Isto escreveu quem à sua maneira e a seu tempo tem já o seu lugar merecida e perenemente incrustado na "memória azul": Homero Serpa.
Escrever neste dia de hoje (véspera) sobre a fundação não se destina obviamente a felicitar desde já o Clube e os Belenenses. A "sabedoria popular", que também no Belenenses sempre teve curioso papel, diz-nos que tal "dá azar". Não, não é essa a minha intenção. Antes sim pretendo relembrar uma vez mais e precisamente as "vésperas" da fundação. Algo que se depreende das palavras de Homero Serpa e que, como a maioria de nós sabe, não se esgota no célebre e veranesco encontro no banco de jardim da Praça Afonso de Albuquerque.
No passado dia 6 de Setembro e em memória da morte do grande fundador, Artur José Pereira, publiquei aqui um artigo onde já muito se revelava sobre a génese do Belenenses. É inegável a afirmação de que a vida de Artur José Pereira e o nascimento do nosso Clube praticamente se confundem. Foi dele o sonho, foi dele o impulso de que fala Homero Serpa, o impulso que tornou uma aparente inevitabilidade – a existência de um grande clube em Belém, terra dos melhores jogadores – numa realidade insofismável. E, como alegremente poderemos constatar (de novo) amanhã, projecção de uma vontade inamovível, destinada a perdurar pelos séculos.
Não deixando de recomendar uma leitura desse mesmo artigo e ainda que sob risco de incorrer em alguma repetição, hoje gostaria de trazer à luz alguns dos outros pormenores sobre a fundação, desta vez recordando também e justamente com especial atenção os companheiros de caminhada de Artur José Pereira.
Como já o afirmámos e é conclusão avalizada por bastas e qualificadas opiniões, Belém foi um dos primeiros "berços" do futebol em Portugal, mas aquele que foi verdadeiramente o primeiro com a condição de "popular". No areal de Belém, na Casa Pia, nos terrenos circundantes, nasceram os primeiros grandes génios do futebol nacional. Tantos deles humildes - dignos de compaixão até - mas de corações e talento imensos.
Até que certo dia nasceu o Sport Lisboa (em 1904), primeira manifestação do inevitável... mas desde logo alvo de severos e perturbados olhares. Naquele mesmo dia na Farmácia Franco (na então Rua Direita de Belém), estava entre outros o Engº Francisco dos Reis Gonçalves, proeminente e saudosa figura que adiante encontraremos de novo nesta súmula e em lugar de destaque na História do Belenenses.
Sport Lisboa nas Salésias (do lado da "Terras do Desembargador") ainda em 1904
Nas equipas do Sport Lisboa viriam a ingressar grandes jogadores de Belém, mesmo quando este clube se viu forçado a abandonar a "terra-mãe" para ter de jogar noutros locais. A título de exemplo e logo no primeiro Campeonato de Lisboa de sempre (disputado em 1906/07) chegou à primeira equipa Henrique Costa, que como veremos viria a ter um papel fundamental na fundação do Belenenses.
Com tudo isso não chegaram a prosperar outros clubes da zona, como o Ajudense ou o União Sport Belenense - os mais destacados - mas também outros clubes, mais pequenos, como o Belém Football Clube (antigo grupo dos "Catataus"), Vasco da Gama F.C. ou o Restelo F. C. Este último clube foi fundado por um jovem estudante de medicina que haveria de ser chamado por Cosme Damião para integrar a equipa principal do Sport Lisboa: Virgílio Lopes de Paula. Também ele elemento preponderante no futuro Belenenses.
No momento em que Artur José Pereira chegou ao Sport Lisboa (que pouco depois passaria a ser Sport Lisboa e Benfica) já este clube tentava ultrapassar a sua primeira grande "crise", com a debandada de muitos jogadores oriundos de Belém para outras paragens, com destaque para o Sporting. Henrique Costa, um dos mais emblemáticos jogadores de Belém (sendo já reconhecido pelas suas notáveis e elevadas qualidades humanas) acabou por ser um caso especial. Foi também ele nessa altura tentado pelo Sporting e chegou a ter tudo acertado. No entanto o que de Belém restava no Sport Lisboa e os seus inabaláveis sentidos de correcção e companheirismo levaram-no a regressar, chegando a devolver um valioso presente dos "leões" que lhe havia sido dado (um relógio em ouro).
Desta forma e apesar de algumas outras figuras terem depois saído discretamente de "cena" (como Virgílio Paula, com quem Artur José Pereira ainda chegou a jogar), foi possível continuar a encontrar na mesma equipa do Sport Lisboa e Benfica nomes como os de Henrique Costa, Luis Vieira (outro grande Belenense, futuro Presidente) e Artur José Pereira.
Poucos anos depois emergiram no SLB outros grandes nomes da futura "família" Belenenses. Como os casos de Francisco Pereira (que assim se juntou ao irmão Artur), Carlos Sobral e Alberto Rio.
para o Sporting (da esquerda para a direita e de pé): Henrique Costa (3º), Alberto Rio (6º, ainda bem
jovem), Francisco Pereira (8º, igualmente jovem), Artur José Pereira (9º) e Francisco Belas (10º)
Sobre Carlos Sobral cumpre assinalar algo de muito especial: se com propriedade se pode dizer que o Belenenses veio a ser o genuíno "herdeiro" de uma tradição de futebol de Belém (e do Sport Lisboa), é também correcto atribuir a Carlos Sobral a introdução das modalidades aquáticas de competição em Belém, também elas "herdadas" pelo Belenenses por intermédio da sua própria pessoa. Foi ele que fundou as secções de natação e pólo-aquático do Sport Lisboa e Benfica, cuja prática iniciou-se, como não poderia deixar de ser… em Belém (na doca do Bom Sucesso).
Sobre Alberto Rio bastaria recordar que era o melhor jogador português de então... a seguir a Artur José Pereira, um dos melhores de todos os tempos.
Quando Artur José Pereira, desagradado por certo incidente com um dirigente do SLB (ver o artigo de 6 de Setembro), decidiu passar a jogar pelo Sporting, o "contingente" de Belém provocou novo e ainda mais sério "abalo" num clube que progressivamente era cada mais "Benfica" e só de Benfica. No entanto o ataque ainda era originado, uma vez mais, pela cobiça dos rivais do Sporting. O irmão de Artur, Francisco Pereira, deixou de aparecer durante algum tempo, suspeitando-se que seguiria os passos do irmão. Regressou ao SLB, porém...
Apesar de parcialmente contido (apenas se consumaria a saída de Artur José Pereira), este segundo "abalo" demonstrou a crescente intensidade das reivindicações e anseios dos jogadores de Belém no SLB. O seu jogador de referência (e melhor de todos), a maior referência de Belém, havia dissipado as dúvidas sobre a legitimidade da "herança" do Sport Lisboa.
Finalmente em 1918 deu-se um episódio fulcral, o terceiro "abalo" (lá dizem que à terceira é de vez) que iria propiciar o grande "impulso" Belenense. O melhor jogador de então no SLB, Alberto Rio, decidiu também deixar o clube. Em Fevereiro desse ano e depois de uma primeira "ameaça" alguns meses antes, deixou de aparecer sem dar satisfações aos dirigentes "encarnados". Em Junho o SLB deliberou a sua suspensão por 6 meses. Até que nesse mesmo mês Alberto Rio apareceu... junto a Artur José Pereira no alinhamento inicial do Sporting! (note-se uma vez mais a influência dos "leões" no aliciamento de jogadores de Belém).
Acontece porém que - e apesar de outros casos precedentes (como o do próprio Artur José Pereira) – parecia vigorar uma espécie de código que deveria impedir o aliciamento e recrutamento de jogadores entre os grandes clubes sem que houvesse consulta ou até mesmo acordo prévio entre emblemas. Assim sendo e em primeiro lugar parece que Alberto Rio terá sido recebido com desagrado até por alguns sectores do Sporting. E no jogo acima referido, que deveria ser o de estreia pelos "leões", os benfiquistas conseguiram impedir a sua utilização, argumentando que se havia tratado de uma suspensão e não de uma dispensa.
Sucederam-se turbulências e afrontas dentro e entre os dois clubes (talvez das maiores das respectivas histórias). Alberto Rio chegou mesmo a alinhar pelo Sporting (noutro jogo que se seguiu), mas ao que parece e no final de contas acabou por ser rejeitado do seu "novo" clube, ficando então na "mera" condição de jogador suspenso do SLB.
Revoltaram-se então os jogadores de Belém que ainda permaneciam no clube "encarnado", solicitando a imediata readmissão do jogador. Do outro lado, no Sporting, Artur José Pereira assistia a tudo com desalento e tristeza. Sem querer entrar em conflito com as figuras máximas dos "leões", a quem estava grato desde a sua admissão, terá sido esta a ocasião em que sentiu mais forte do que nunca o desejo de finalmente "libertar" todos os grandes jogadores de Belém das tricas e caprichos de Benfica e Sporting... e procurar o regresso ao seu bairro, a um clube que pudessem considerar verdadeiramente seu. Um clube que honraria gerações de grandes jogadores que após anos de "exílio" poderiam regressar à "terra prometida".
O episódio sucedido com Alberto Rio foi um dos que algo vagamente se referem na História do Belenenses como os incidentes de "jogadores castigados" pelo SLB que conduziram à fundação do Belenenses. Outro desses episódios, também bem conhecido, sucedeu-se com Carlos Sobral. Desentendimentos vários com os dirigentes "encarnados" - não directamente associados ao "caso" Alberto Rio mas não totalmente alheios ao movimento de "fundo" de Belém - levaram a que também este fosse castigado pelo Benfica em 1919.
Poderemos hoje pensar sobre qual teria sido o destino dos jogadores e do futebol de Belém caso Artur José Pereira não tivesse levado a sua avante. Com efeito já haviam passado quase duas décadas e o que parecia "inevitável" ainda não tinha acontecido. Ou será que o tempo, por muito ou pouco que tenha sido, acabaria sempre por permitir... o que tinha de ser? E teve de ser!
Já todos ou quase todos conhecemos o que nos contou Acácio Rosa sobre a fundação, sem dúvida e fielmente baseado nos depoimentos dos pioneiros (já que o próprio foi admitido como sócio anos mais tarde). Mas hoje e para "variar" um pouco escolhi um excerto de uma entrevista a um dos principais intervenientes na fundação, aquele que era o decano dos jogadores que acabaram por se juntar sob a Cruz de Cristo: Henrique Costa. A entrevista, originalmente publicada no Jornal "Record" de 30 de Setembro de 1950 (no seguimento do 31º aniversário do Clube), foi depois reproduzida no Jornal do Belenenses a 3 de Setembro de 1954 (desta feita já Henrique Costa havia falecido - aproximadamente um ano antes):
"(...) O Artur era o defensor acérrimo da fundação de um grande grupo em Belém. Dois anos antes do aparecimento dos 'Belenenses' havia acabado o 'União Sport Belenense', pequeno agrupamento onde jogavam [jogaram], além do Artur, Francisco Belas, Amadeu Cruz e outros que não me recordo. Porém, o Artur não desistia e, uma noite em fins de Agosto de 1919, num banco do jardim Afonso de Albuquerque aproveitou a presença de um numeroso grupo de amigos para debater a sua idéia de sempre. Estavam presentes Joaquim Dias, Júlio Teixeira Gomes e os futebolistas Francisco Pereira, Manuel Veloso, Romualdo Bogalho, Artur José Pereira e eu. O seu pretexto que, aliás, veio a vingar era o de responder à atitude do Benfica que castigava Alberto Rio, formando um grupo que reunisse todos os jogadores do bairro espalhados pelos principais clubes da cidade. Eu fui o único que se opôs à fundação do grupo, mas por unanimidade fui designado para me avistar com a Direcção do Benfica, fazendo-lhe sentir a mágoa provocada pela saída do Alberto Rio que no caso de não ser readmitido levaria os rapazes de Belém a constituírem um grupo de futebol. A Direcção do Benfica não fez caso e eu, a partir desse momento, emparceirei com os restantes."
aqui trajado a preceito, figura de admirável porte como primeiro treinador
da equipa (1ª visita do Belenenses à Aveiro-natal de Mário Duarte, 1921)
Neste relato e dos elementos que teriam estado presentes naquela "noite de verão", Henrique Costa apenas se parece ter esquecido de Carlos Sobral, quem por sinal viria a assumir o cargo de "capitão-geral" do Clube, que Henrique Costa declinaria. De notar por outro lado que Alberto Rio, que afinal dera azo a toda aquela situação, não terá estado presente. Quiçá para não gerar alguma polémica desnecessária ou até contra-producente.
Como já em 1914 (saída de Artur José Pereira), o benfiquista Cosme Damião ainda tentou conter a revolta com o estabelecimento de uma sucursal em Belém. Debalde.
E Henrique Costa, que talvez por carácter e prudência havia sido dos mais renitentes, veio mais tarde a ser considerado por alguns dos companheiros de fundação como a "metade" que faltava para que o Belenenses fosse realidade. A outra "metade" era naturalmente Artur José Pereira. Este último mais impulsivo (lá está) e dinâmico, o primeiro mais ponderado e prudente, mas igualmente tenaz e corajoso. Ambos afáveis, de grande coração, seriam exemplos máximos e únicos para as gerações seguintes (se neste espaço já escrevi muito sobre Artur José Pereira, noutra ocasião será Henrique Costa a merecer especial atenção). Se o sonho de Artur cativou desde logo os amigos de Belém, terá sido a posterior e convicta persuasão de Henrique Costa (por admirável modéstia nunca a refere) a "arrastar" definitivamente os restantes, a conduzir os últimos mas determinantes passos do sonho para a realidade.
Como também sabemos o Dr. Virgílio Paula (já médico em exercício - e seria o médico do Clube durante largas décadas) e o Engº Reis Gonçalves foram entretanto consultados, eles que eram já unanimemente considerados como sendo verdadeiras autoridades do futebol nacional (ambos viriam a integrar altos cargos, como os de Seleccionadores Nacionais, Presidentes da Associação de Futebol de Lisboa ou responsáveis pela arbitragem de primeiro nível).
e mais tarde, já emérito Belenense (à direita)
Reis Gonçalves (em baixo) recebe do Presidente da República
a Cruz de Ouro em Janeiro de 1944
Com o seu beneplácito e a 23 de Setembro de 1919 - que amanhã celebramos - nasceu finalmente o nosso Belenenses.
Na primeira Assembleia Geral do Clube, celebrada a 2 de Outubro e presidida pelo Dr. Virgílio Paula, ficou Henrique Costa como sócio nº1 por proposta de Artur José Pereira, que rejeitou tal honra em favor do velho e bom amigo. Carlos Sobral, como já referimos, ficou como "capitão-geral".
Foi eleito o Eng. º Reis Gonçalves para primeiro Presidente da Junta Directiva do Belenenses, enquanto o Dr. Virgílio Paula, Hermenegildo Candeias, Carlos Sobral, Joaquim Dias e Júlio Teixeira Gomes ficaram como vogais.
A escolha dos equipamentos foi algo mais acalorada, mas sempre cordial. Na mesa surgiram as propostas de Henrique Costa (camisola azul, vivos em branco, a Cruz de Cristo como emblema e calções pretos) e de Carlos Sobral (camisola branca, vivos em preto, a Cruz de Malta como emblema e calções pretos). Como sabemos, bem conhecemos e adoramos, vingou a idéia de Henrique Costa.
De registo, nessa primeira Assembleia Geral foram estes os Belenenses presentes: Henrique Costa, Artur José Pereira, Carlos Sobral, Francisco Pereira, Henrique Costa, Júlio Teixeira Gomes, Joaquim Dias (todos estes pertencentes ao "grupo de Agosto"), Virgílio Paula, Mário Domingos da Fonseca, Luis Madeira, António Bernardino Costa, António Martins, Marciano Santos, José Nunes da Silva Sanches, Vitor Ribeiro Bogalho, Vitor Limas, António Lopes dos Santos, Manuel Martins (seria o "barbinhas", amigo de Artur José Pereira?), Artur Ribeiro, Cristovão Ribeiro Salreta, Francisco Nunes, José Pinho, José Armando Candeias, Edmundo M. Campos, Hermenegildo Candeias, José Henrique Salreta, António Franco, Alfredo dos Santos e Joubert Dinis Pereira.
Os primeiros treinos realizaram-se ainda nas "Terras do Desembargador", frente ao antigo convento das Salésias (correspondendo aproximadamente ao antigo campo do Sport Lisboa). Pouco depois os Belenenses passaram a jogar num espaço junto ao jardim Afonso de Albuquerque, "deslocando" progressivamente o seu "recinto" até coincidir com o antigo campo da F.N.A.T., já no meio da Rua Vieira Portuense. Era esse o primeiro campo, o do "Pau do Fio" (por ter um poste telegráfico junto à linha de meio-campo!).
anos antes da sua "reconversão" em primeiro campo azul
Os jogadores equipavam-se então na casa da família de Artur José Pereira, na Rua do Embaixador. As reuniões da Direcção, essas - e até à instalação da sede na mesma rua - realizaram-se em casa do sócio Joaquim Dias (na Travessa das Linheiras), no seu próprio quarto...
vislumbra-se a nossa bela bandeira na varanda da 1ª sede
1 - Casa dos Pereira (R. do Embaixador, 69-1º)
2 - Casa de Joaquim Dias, 1ª "sede", improvisada (Trav. das Linheiras)
3 - Jardim Afonso de Albuquerque - local da fundação
4 - Segundo campo de treinos
5 - "Terras do Desembargador" - Primeiro campo de treinos
6 - Campo do Pau do Fio - Primeiro campo de jogos
7 - Primeira Sede (R. Vieira Portuense, 48-1º)
8 - Teatro Belém Clube, local da 1ª Assembleia Geral (Cç. da Ajuda, 76)
A 30 de Novembro estreou-se a primeira equipa do Clube, alinhando com: Mário Duarte, Romualdo Bogalho, Arnaldo Cruz, Carlos Sobral, Artur José Pereira, Francisco Pereira, Aníbal Santos, Edmundo Campos, Manuel Veloso, Joaquim Rio e Alberto Rio.
O aveirense Mário Duarte, o primeiro guarda-redes do Clube, fora convidado pelo seu amigo Artur José Pereira depois de terem treinado juntos no Sporting alguns anos antes. Os restantes eram todos de Belém. Entre os que naquela altura haviam deixado a primeira equipa do SLB destacavam-se Carlos Sobral, Francisco Pereira, Alberto Rio e o seu irmão Joaquim Rio (este já grande promessa das camadas jovens do clube "encarnado").
Henrique Costa, por sua vez, assumiu também o papel de primeiro treinador do Clube, pondo um ponto final na sua carreira de jogador (salvo em jogos amigáveis). Apesar disso foi por pouco que não teve de alinhar no primeiro jogo oficial, quando faltava um jogador para fazer o 11... afinal foi um dos companheiros que acabou por chegar atrasado.
Quanto a Alberto Rio, vale a pena recordar o vatícinio dos dirigentes do Benfica aquando da sua tentativa de passar para o Sporting. Disseram eles na altura que Alberto Rio acabava ali e assim da pior forma uma carreira que poderia ter continuado em grande. Também aqui se enganaram. Alberto Rio prosseguiu com invulgar brilho a sua carreira, mas no seu Clube, no seu Belenenses... no qual viria a ser o seu primeiro jogador internacional (a 17 de Dezembro de 1922).
Aníbal dos Santos, Manuel Veloso, Mário Duarte, Arnaldo Cruz, Alberto Rio,
Edmundo Campos, Romualdo Bogalho e Artur José Pereira
Apesar de imediatas e sucessivas adversidades, aquele grupo de jogadores garantiu efectivamente que o Belenenses nascesse já com uma grande equipa, como um Grande Clube. Nos tempos seguintes tornariam familiares e temidas as camisolas azuis com a Cruz ao peito, até que novas e igualmente talentosas gerações tomaram o seu lugar. Seria salvo erro Joaquim Rio o último dos "pioneiros" a ceder o seu lugar na equipa principal (ainda realizou um jogo para o Campeonato de Lisboa de 1926/27), quando já outros grandes "monstros" não só do futebol mas da própria "mística" Belenenses se afirmavam. Como Eduardo Azevedo (pai daquele que é actualmente o sócio mais antigo do Clube, Humberto Azevedo), Mário Monteiro (que substituía Mário Duarte na baliza aquando das deslocações deste a Aveiro ou quando tinha que cumprir deveres académicos) Fernando António, Júlio Morais, Francisco Ferreira e Joaquim de Almeida, exemplos de jogadores que já nos primeiros tempos do Clube se afirmaram ao seu serviço, dentro e fora de campo. Com rigor e justiça também eles devem ser considerados "pioneiros".
No entanto e se quisermos traçar uma linha de "fronteira" entre a equipa e o tempo dos "pioneiros" e uma segunda etapa da História do Belenenses, essa coincidirá sem dúvida entre o último jogo oficial de Artur José Pereira (a 16 de Março de 1922) e o primeiro jogo oficial do seu discípulo dilecto na primeira equipa, Augusto Silva. Havia sido o próprio Artur José Pereira que com o seu "olho" aquilino (de verdadeiro Mestre, como viria a ficar conhecido) descobriu o digno sucessor nas fileiras do clube Império. Rapaz da Calçada da Ajuda, havia jogado antes pelo Ajuda, em 1917, ingressando então no Belenenses já em 1921. Augusto Silva seria o novo "comandante" em campo de uma equipa do Belenenses que se aninhou com brio e celebridade nos píncaros do futebol nacional.
que albergou a primeira sede e a placa alusiva que lá se encontra hoje em dia
Já em 23 de Setembro de 1944, por ocasião do primeiro grande marco da longevidade do Belenenses - as "Bodas de Prata", 25 anos - foi descerrada com pompa na sede do Clube a fotografia da 1ª equipa, tendo o Belenenses juntado para a ocasião alguns dos primeiros jogadores (ver fotografia): Francisco Pereira, Romualdo Bogalho, Alberto Rio, Joaquim Rio, Aníbal dos Santos, Manuel Veloso e, salvo erro, também Edmundo Campos e Arnaldo Cruz.
Aníbal dos Santos, Edmundo Campos (?), Francisco Pereira, Joaquim Rio,
Manuel Veloso, Alberto Rio e Romualdo Bogalho (?)
Artur José Pereira havia falecido um ano antes, o que talvez justifique o ar pesaroso e consternado dos jogadores na fotografia. A saudade seria também por Carlos Sobral, também já falecido (alguns anos antes - ainda nos anos 30, salvo erro) num trágico acidente em África.
Quanto ao outro único ausente, Mário Duarte, estava nessa altura em Berlim, como Cônsul de Portugal e "Encarregado da defesa dos interesses dos cidadãos brasileiros na Alemanha, Áustria e Polónia", em plena 2ª Guerra Mundial. Desta forma não pôde estar presente nas "Bodas de Prata" mas... como viria a recordar mais tarde, diante de uma platéia de Belenenses (na sua brilhante palestra por ocasião das "Bodas de Ouro", em 1969):
"Num momento de terrível emoção, após um grande bombardeamento sobre Berlim, na noite de 1 de Outubro de 1944, em que cerca de mil aviões deixaram cair toneladas de bombas de fósforos, provocando inúmeros incêndios, o deflagrar das bombas e o ruído dos canhões da defesa anti-aérea era de tal maneira que arrasavam os nervos de todo o ser humano. Quando tocou a 'sereia', avisando o fim do perigo, senti uma nostalgia enorme dos meus, de Portugal e dos bons amigos.
Debaixo ainda dessa emoção vieram entregar-me um telegrama, que conservei, pois guardo-o em recordação do conforto moral que nesse momento tão valioso me foi. Deixei Berlim em 1945, quando as tropas russas começaram a cercar aquela capital em ruínas. Das coisas que salvei (bem poucas foram) trouxe comigo este telegrama. Peço a fineza da vossa atenção para o telegrama que vou ler:
' Ao comemorarmos as bodas de prata do Clube que Vossa Excelência ajudou a fundar e não esquecendo valiosos serviços prestados, rogamos aceite com protestos de gratidão os nossos cumprimentos - Direcção Belenenses'.
No dia seguinte fui para o Consulado e mandei expedir este telegrama:
' Club Foot-Ball Belenenses. Belém. Lisboa. Recordo sempre com saudades tempo estudante intimamente ligado fundação Club Belenenses. Por isso me sensibilizou vosso telegrama sabendo que não sou esquecido daqueles que nunca esqueci. Desejo excelentíssima Direcção maiores felicidades agradecendo-lhes também tudo quanto fizeram pelo engrandecimento nosso querido Clube. Aos companheiros de há vinte e cinco anos um abraço ou uma saudade e a Vossas Excelências retribuo melhores cumprimentos. Mário Duarte.'
São passados 25 anos [em 1969] sobre a data deste telegrama. Se tivesse de voltar a redigir agora nova mensagem aos Belenenses, creio que me serviria do mesmo texto, pois continuam firmes os sentimentos de amizade pelo Clube, pelos dirigentes e pelos consócios, principalmente pelos antigos companheiros. Era só mudar 25 anos para 50 anos (...)"
Avançando novamente para 1950 retorno à entrevista a Henrique Costa que já acima citei. Naquele momento e na mente daquele que foi um dos principais fundadores percorriam já 30 anos de uma história riquíssima e invejável. Talvez mesmo para além do que ele próprio poderia ter imaginado. Ele que acompanhou e participou de alma e coração naquela "aventura", naquela "excentricidade" que muitos condenavam à efemeridade e ao fracasso. E tal como a um orgulhoso pai que recorda a imagem da sua criança ao vê-la crescida, bela e altiva, a emoção quase embargava as palavras finais de Henrique Costa naquela entrevista, lembrando também com imensa saudade alguém, um grande amigo, que entretanto já havia partido:
"O sonho do grande Mestre Artur José Pereira tornou-se realidade para glória de todos os Belenenses e do Desporto Português"
Em seguida publico uma lista com alguns dos primeiros sócios, com base na atribuição do galardão de "Sócios de Mérito" em 1927:
Henrique Costa - 1 (primeiro treinador, segundo "capitão-geral", Sócio Honorário nº 30, faleceu em 1953)
Artur José Pereira - 2 (jogador da 1ª equipa, Sócio Honorário nº 17, o grande fundador, faleceu em 1943)
Francisco Pereira - 3 (jogador da 1ª equipa, chegaria a completar 50 anos de sócio, tendo sido um dos homenageados nas "Bodas de Ouro")
Romualdo Bogalho - 4 (jogador da 1ª equipa)
Manuel Veloso - 5 (jogador da 1ª equipa)
Carlos Sobral - 6 (jogador da 1ª equipa, primeiro "capitão-geral")
Alberto Rio - 7 (jogador da 1ª equipa)
Mário Duarte - 8 (jogador da 1ª equipa)
Joaquim Rio - 9 (jogador da 1ª equipa, serviu muito e bem o Clube no caminho para as Salésias, Sócio Honorário nº 24)
Joaquim de Almeida - 41 (cedo integrou a primeira equipa de futebol, eclético atleta, grande obreiro das Salésias, também ele homenageado em 1969, Sócio Honorário nº 23, Medalha de "Bons Serviços e Valor Clubista")
Eduardo Azevedo - 79 (cedo integrou a primeira equipa de futebol, figura querida e emblemática de Belém e do Belenenses)
Arnaldo Cruz - 80 (jogador da 1ª equipa)
Francisco Ferreira - 88
A partir da lista dos que em 1944 completaram 25 anos de filiação (após pelo menos uma renumeração - por exemplo Alberto Rio passou a ser o sócio nº6, pelo falecimento de Carlos Sobral; o nº2 de Artur José Pereira, no entanto, ainda era seu, mesmo postumamente), encontramos também os seguintes "pioneiros":
Mário Monteiro - 9 (primeiro "substituto" de Mário Duarte)
Joaquim Dias - 10 (do grupo fundador, primeiro tesoureiro do Clube, cuja casa fez as vezes de 1ª sede)
Carlos José Sales - 11
Henrique Peters - 12
Artur Santareno - 13
António Maria de Oliveira - 14
Júlio Dias Duarte - 15
Artur Pereira - 16
Joaquim de Almeida - 17 (já referido na lista de acima, inicialmente era o sócio nº 41)
José Pinto - 18
Américo Neves - 19 (Presidente da Assembleia Geral em 1924-25)
Francisco dos Santos - 20
[sócio nº 21 - já falecido em 1944?]
Ramiro Monteiro - 22
Manuel Augusto Florêncio - 23 (outra figura "histórica" do nosso dirigismo, Sócio Honorário nº 15)
Vital Jorge de Sousa - 24
Ramisio dos Santos - 25
Francisco Belas - 26 ("histórico" já dos tempos do Sport Lisboa, onde jogou ao lado de Artur José Pereira e Alberto Rio)
Carlos Pereira - 27
Artur Queiroz - 28 (Sócio Honorário nº 18, Presidente da Assembleia Geral de 1925 a 1934)
Eduardo Azevedo - 29 (já referido na lista de acima, inicialmente era o sócio nº 79)
Arnaldo Cruz - 30 (já referido na lista de acima, inicialmente era o sócio nº 80)
João Pedro Gaspar - 31
Francisco Ferreira - 32 (já referido na lista de acima, inicialmente era o sócio nº 88)
Basílio dos Santos - 33
Nestas listas nota-se a ausência de certas figuras ímpares de que já falámos e que foram fundamentais para o nascimento do Clube: Luis Vieira, Reis Gonçalves e Virgílio Paula. Luis Vieira viria a ser o Presidente da Direcção entre 1922 e 1924. O Engº Reis Gonçalves viria a ser o Presidente da Direcção entre 1920 e 1922, Presidente da Assembleia Geral em 1934-48 e 1950-55, recebeu o mais alto galardão do Clube, a Cruz de Ouro. Virgílio Paula, para além de ter sido o primeiro Presidente da Assembleia Geral, para além de ser o médico do Clube por largos anos, recebeu a distinção de Sócio Honorário (nº 12) em 1937 (terá falecido por volta de 1950).
Aqui fica então esta recordação de todos os sobressaltos, lutas, sonhos e emoções de cuja amálgama um grupo de corajosos homens fez nascer o Belenenses.
E fica também uma palavra de alerta. Dos fundadores de 1919, já todos faleceram. A inexorável marcha do tempo e as caprichosas leis da vida e da morte vão-nos afastando homens cujos testemunhos de viva voz são autênticos tesouros do património do Belenenses. Se sobre 1919 já nos temos que limitar aos livros e jornais da época, urge acompanhar, reavivar e registar a memória de todos aqueles que presenciaram tantos outros momentos de glória do nosso Clube que se sucederam. Não os esqueçamos, até porque também eles merecem também a nossa homenagem. Porque ao longo de décadas e décadas transportaram a chama viva do grande sonho.
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