Miséria franciscana

As tormentas a que assistimos no Restelo desde Fevereiro de 2008 revelaram a pior face das lutas internas e demonstraram a irresponsabilidade que grassa no clube por parte de muitos que se dizem Belenenses.
Com o decréscimo da massa associativa o universo de opções no que se refere ao futebol que se quer profissional é reduzido e a apetência para o amadorismo versus asneira é alarmante. Inconscientes do facto e sem experiência de gestão desportiva, surgem as habituais personagens alegadamente entendidos na matéria, a dar palpite sobre tudo e mais alguma coisa, sem que lhe seja pedido e intrometendo-se no quotidiano do clube contra os estatutos, à revelia do bom senso e sem suporte legal. À espécie é chamado conselho geral que de conselho tem pouco e atrevimento muito. Reside neste órgão diabólico as maiores culpas do sucedido antes de Fevereiro de 2008, sendo especialmente agravada a responsabilidade após aquela data.
Com a justificada demissão do engº Cabral Ferreira, por motivos de saúde conhecido, os quais foram determinantes no seu falecimento, fígura ímpar cujo empenho e esforço nunca foi reconhecido internamente por quem de direito, dedicou-se o dito CG a controlar o clube a seu belo prazer, ao arrepio da sua função conselheira, produzindo arrepiantes candidaturas e impedindo outras.
O resultado não podia ser mais catastrófico com as inevitáveis repercurssões na época agora finda.
Fernando Sequeira, incompetente e reformado por triste passado serviu os interesses canhestros do CG ganhando sem oposição um lugar que nunca teria conseguido em condições normais. De uma situação financeira herdada, em vias de estabilização, optou pela mentira e pelo endividamento fácil, apostando no esbanjamento em “pernas de pau” a que chamou de profissionais de futebol. Contas não as apresentou nem antes, nem depois e o único mérito que se lhe reconhece é a fuga porque teria sido muito pior se fugisse e não entregasse a tal cartinha de demissão. Pelo meio o CG meteu no Conselho Fiscal e Disciplinar um sócio incapaz por força da idade e da saúde, com a função de nada fazer por inaptidão, reconhecida pelo próprio.
Com a fuga da direcção esperava-se eleições como chegaram a ser anunciadas, mas mais uma vez o tal CG resolveu patrocinar uma Comissão de Gestão contra a vontade do presidente da AG que bateu com a porta e se demitiu, vindo à posteriori declarar que era apenas impedimento por motivos de saúde e conveniência. Comissão de Gestão elaborada desnecessariamente por imposição injustificada, ao arrepio dos estatutos e da lei geral. Visava o órgão “equilibrar o clube” com transparência para criar condições para uma nova direcção. Nada disto fez e depois de chorrilhos de mentiras, conseguiu a proeza de se candidatar e fugir antes dos resultados serem conhecidos. Curiosamente o seu coordenador até fugiu demitindo-se por SMS da SAD para não ter ou não saber redigir a missiva.
No intervalo uma revisão estatutária insatisfatória mas a possível onde o Conselho Geral esteve por cordéis e a quem os membros da lista ora vencedora meteram a mão por baixo, esperemos que não se arrependam ou que não se tenham já arrependido por já lhe terem mordido a mão com a manipulação de votos para a lista derrotada.
Com a nova direcção liderada por Viana de Carvalho e Miguel Ferreira coube a reacção antes do cair do pano no campeonato, sem grande margem de manobra.
Os resultados destas façanhas têm responsáveis a vários níveis, desde a geração, ao patrocínio da situação, com o abandono do futebol a favor das modalidades, etc., etc.
Claro que a instabilidade e as más escolhas incluíram jogadores e treinadores e nem duas “chicotadas psicológicas” conseguiram o mal menor.
Ficam os resultados elucidativos de uma época que ainda vai dar que falar:




12:00 a.m.


































