Viana de Carvalho: «A história deu-me razão»
Notas Prévias:Nesta entrevista dada por Viana de Carvalho ao Record e Antena 1, ficámos a saber diversas coisas, entre elas que:
1. seja qual for o destino imediato da equipa de futebol, as parcerias anunciadas por Viana de Carvalho em sede eleitoral manter-se-ão;
2. não era preciso ser dito que João Barbosa cometeu a delicadez do seu costume: não cumpimentar quem venceu as eleições e aí não sei se não terá batido aos pontos o Fernando Sequeira;
3. que precisamos urgentemente de 3. 000.000 de euros, sob pena talvez de nos ser complicado satisfazer todos os compromisso assumidos e, até, de questionar a nossa inscrição na Liga no próximo ano e isto é válido quer para I Liga, quer para a II Liga. Tal situação faz-me questionar com maioria de razão a elegibilidade e a competência da defunta CG;
4. o Kabuscorp ainda não nos pagou os tais € 450.000 euros relativos aos 9% das acções prometidas pagar no acto da nossa deslocação a Angola, inferindo-se daqui a inutilidade de tal deslocação, só esperando, agora, que esses 9% não sejam vendidos da forma como foram negociados pela CG, o mesmo é dizer, arrecadar sem poroveitos futuros a referida verba sem qualquer rendibilização, excepção feita no interesse do Kabuscorp, além do que a negociar a venda desta franja de acções só é admissível no quadro de uma parceria frutuosa para o Belenenses e o kabuscorp não enquadra tal cenário;
5. havendo a garantia da não alienação de património, deve, no entanto, Viana de Carvalho e seus pares analisar a melhor forma de pagar o empréstimo de 5 milhões de euros, sendo certo que, a título excepcional, e para livrar o Belenenses de dificuldade de tesouria, não me escandalizaria se a Direcção euquacionasse a re-outorga do contrato de superfície sobre uma das bombas de combustíveis, tanto mais que os respectivos terrenos não são nossos, sendo apenas objecto de créditos reais o contrato de superfície celebrado com o município:
6. as eleições realizaram-se tarde demais, e deviam, tal como eu aqui sempre defendi, terem ocorido logo que se observou a queda da direcção, em vez de andarmos a tapar o Sol com a peneira e fazer adiar o futuro imediato do Clube, com as consequências que estão à vista.
RECORD - A Liga Vitalis é um cenário terrível para o Belenenses do ponto de vista desportivo. E financeiro?
VIANA DE CARVALHO - Naturalmente também, pois o nível de receitas decresce substancialmente. De qualquer maneira, apresentámos aos sócios durante a campanha eleitoral um plano estratégico e as parcerias são independentes dos resultados desportivos.
R - Não vão desaparecer com o clube na II liga?
VC - Não, vai ser mais difícil, mas as parcerias mantêm-se válidas e a aposta no futuro continua. Vamos criar condições para o Belenenses se desenvolver.
R - Depois da noite de pesadelo de 2ª feira (0-5 com o Braga), não se arrependeu de se ter candidatado e ganho as eleições?
VC - Não, não. Não esmoreço facilmente. Nem eu nem a minha equipa. Todos nós nos sentimos mais motivados e sentimos que o nosso trabalho e esforço é mais importante para resolver a situação e dar continuidade ao clube.
R - É um presidente que fica na história do Belenenses: foi o primeiro a derrotar uma Comissão de Gestão, foi o único a virar o resultado das eleições nas mesas 2 e 3 (sócios mais jovens) e despediu um treinador menos de 24 horas depois de ser eleito...
VC - Foram dois dias muito especiais, é verdade. Não é normal isto acontecer. Nas eleições, os sócios demonstraram através do seu voto que alguma coisa era preciso ser feita, era preciso mudar. Fico muito contente, independentemente de ter tido apoiantes em todas as mesas, por os mais novos votarem maioritariamente no nosso projeto e equipa.
R - O que é que isso representa para si?
VC - Uma clara vontade de mudança. Não que o passado esteja mal, mas é uma aposta no futuro, num projeto claro, estratégico que representa uma viragem em relação aos tempos mais recentes.
R - Não o incomoda ter ganho por uma diferença tão pequena?
VC - É natural que tenha havido equilíbrio. Sou um profundo democrata -- por um voto se ganha e por um voto se perde - e agora é altura de todos darmos as mãos - e aproveito para fazer esse apelo aos sócios - para o Belenenses evoluir. Temos um mandato de pouco mais de 2 anos e conto com todos os sócios.
R - Foi a promessa de não vender património que contribuiu de forma decisiva para a sua vitória?
VC - Penso que foi um dos principais fatores. Estou plenamente convicto que se vendermos património, o clube acabará a prazo (5 a 10 anos) por sofrer graves consequências, como outros têm sofrido. Se vendermos património, bem ou mal gerido o dinheiro gasta-se e depois não há nada, não há suporte. Eu quero que o Belenenses tenha uma retaguarda e ela é o seu património, o seu complexo desportivo. Essa mensagem passou, os sócios ficaram agradados com ela e até outras listas acabaram por inverter o discurso e na fase final da campanha seguiram a mesma lógica de raciocínio e os mesmos projetos que neste âmbito apresentámos aos sócios.
R - Admite que o incidente com João Barbosa no debate televisivo também teve peso na sua eleição?
VC - Não sei. Para mim, esse episódio já passou. Foi um assunto de campanha que já esqueci.
R - Como está a ser feita a transição da Comissão de Gestão para a sua Direção?
VC - Gostava de realçar que o senhor José Nóbrega telefonou-me a desejar felicidades e mais do que isso manifestou-se disponível para colaborar na construção do Belenenses. Foi uma atitude extremamente simpática.
R - E o dr. João Barbosa?
VC - Ainda não me contatou, mas alguns membros da comissão de gestão, que ficaram até à contagem do último voto, felicitaram-me. Sempre disse que havia elementos na CG que muito prezo enquanto pessoas e belenenses e apraz-me registar que quase todos me saudaram. Tivemos já uma reunião para a passagem de testemunho das pastas mais sensíveis.
R - Consegue explicar o que se passou esta temporada no Belenenses?
VC - Todos nós teremos as nossas opiniões que serão válidas. Acho que foi um equívoco, desde logo, a eleição da direção de eng. Fernando Sequeira.
R - Foi ele o grande responsável pela atual estado de coisas?
VC - É o primeiro culpado. Apresentou um projeto que não cumpriu e ao fim de seis meses abandonou. Em Setembro, em declarações que fiz ao Record, manifestei a opinião que deveríamos ir para eleições. Infelizmente, a história deu-me razão.
R - Se lhe tivessem dado ouvidos, o Belenenses não teria chegado a este ponto?
VC - Exatamente. Essa é a principal conclusão que devemos chegar: soluções transitórias hipotecam o futuro. Se a mesa da AG tivesse dito "vamos para eleições" seguramente haveria candidatos. O que se passou nos últimos 9 meses foi uma liderança fraca, pois não estava legitimada pelas urnas, e que atendendo à expetativa de um ato eleitoral futuro acabou por não tomar as medidas necessárias. Quando se gere o curto prazo não conseguimos por no terreno as medidas necessárias para assegurar o futuro.
R - Quer dizer que o segundo culpado é Jorge Coroado, o presidente da AG?
VC - Não, não. A decisão envolveu vários órgãos. Apesar de tudo, neste processo, Jorge Coroado foi uma pessoa que conseguiu em momentos muito difíceis levar a nau a bom porto.
R - Pensa responsabilizar criminalmente Fernando Sequeira?
VC - Essa questão tem sido levantada por muitos sócios. Enquanto presidente Fernando Sequeira não cometeu qualquer ilegalidade Cometeu atos de gestão para os quais foi mandatado pelos sócios. Gostaria que um dia, se ele quiser, viesse junto dos sócios esclarecer algumas questões. Seria saudável.
R - Ir para tribunal está fora de questão?
VC - Não há razões objetivas para isso. Diria que é demagogia. A nossa forma de estar não essa.


12:00 a.m.


































