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Acácio Rosa não foi homenageado



A actual equipa de futebol do Belenenses a estagiar em Gouveia, sem embargo a homenagem prestada pela actual Direcção ao ex-dirigente, que tendo nascido em Belém, tem as suas raízes em Gouveia, que dá pelo de Acácio Rosa, lá teve a habilidade de conseguir perder mais outro troféu, troféu este que anos antes deste, poucos, disputámos contra a Académica e vencemos por 1-0.

É certo que o jogo era e foi a feijões, mas não é menos certo que lá em Gouveia, terra das raízes do velho Acácio, certamente que ele terá dado algumas voltas na tumba.

E a D. Ana Linheiro em poucos dias, menos de uma semana, viu voar do seu Museu dois troféus: um na Covilhã, contra o Sp da Covilhã, o Troféu Natura e agora, em Gouveia, o Troféu Serra da Estrela que bem podia ter ido fazer companhia o outro, porque afinal, até criaram estes troféus para nós os ganharmos.

Mas lá está, a Direcção anda cheia de nove horas na contratação do que falta contratar para consolidar a equipa, mas pior que isso foi o discurso que ouvi da boca do João Pereira na RTP 1 a prometer-nos um campeonato difícil, de fuga aos lugares de despromoção e que o ideal será, não uma festinha, mas um lugarzinho algo tranquilo.

Ou seja, este ano é só para andar por lá e tentar passar despercebidos.

Entretanto, vai faltando o defesa-central, o avançado centro matador e detectou-se, agora, segundo parece, a necessidade de um lateral-esquerdo.

Pois bem, apressem-se e dêem corda aos sapatos porque se há coisa que o tempo não permite é parar.

Entretanto, a verdadeira homenagem ao Acácio Rosa ficou no tinteiro, porque perdemos por 1-0 com o Leiria.

Acácio Rosa em meu entender foi dos belenenses que conheci em vivo como um homem que sabia exactamente o que queria para o Belenenses.

Aliás, a sua vida no Belenenses começou algo estranhamente, porque se iniciou no basquetebol e isto porque na sua escola havia um campo de basquetebol. Eis como ele caracterizou a sua entrada no Desporto:

No recreio do colégio onde entrei com 8 anos, havia um campo de basquetebol. Ao princípio, não tinha tabelas e a rapaziada chamava à modalidade que se praticava “basquetebol inglês”. Mais tarde, puseram lá tabelas e então a malta mudou o nome para pior, chamava-lhe “basquetebol de meninas”. O basquetebol que vi no colégio marcou-me bastante. Levei-o parao Liceu e aqui começa a minha carreira de jogador, árbitro e seccionista.

Cansado das mariquices do basquetebol de meninas, fixou-se, implementou e desenvolveu aquela que é a 2ª modalidade mais querida da massa associativa - o Andebol, aquela que nos leva a ir aos jornais desportivos na secção de andebol buscar algumas notícias do Belenenses, aquela modalidade que le quis dar visibilidade e que o coinseguiu quando uma vez pegou na equipa de andebol e foi fazer um torneio ao Brasil sem consentimento da direcção de então.

Dizia o nosso grande belenense, este sim, um grande belenense, que não é necessário pedir meças aos outros todos juntos, o seguinte corria o mês de Setembro de 1988:

Sei, por exemplo, que em 1982, quando era presidente do Belenenses, as despesas eram 72.000 contos. Hoje ultrapassam os 500.000, que julgo serem cobertos por receitas extra: bingo, totobola e totoloto, no valor aproximado de 310.000 contos. Mas de 1982 a 1988 o passivo aumentou cerca de 200.000 contos. Estes números afligem-me. E eu pergunto: E quando acabar o bingo? Respondendo directamente à sua pergunta, penso que os ordenados são inacreditáveis, pior, são inconcebiveis. Não temos futebol para estes gastos. Preparemo-nos todos para assistir a uma marcha atrás ou para o descalabro, cujas consequências serão imprevisíveis.

Termina a sua experiência no Desporto e no Belenenses com a seguinte frase:

O Belenenses será, até à morte , o meu Clube. O Clube da minha vida. Gostava de o servir como seccionista do andebol, mas entenderam que eu estava a mais. Depois, houve uma Assemblia por mim requerida e aconselharam-me a calçar as pantufas. Fui muito incompreendido e maltratado. Aceitei o conselho. Afastei-me.

Já agora, para nos situarmos no tempo e nas coisas dos dinheiros, vejamos as diferenças abissais do futebol de ntão (anos 80) e o futebol de hoje, quando ele nos diz esta verdade axiomática:

Sei, por exemplo, que em 1982, quando era presidente do Belenenses, as despesas eram 72.000 contos. Hoje ultrapassam os 500.000, que julgo serem cobertos por receitas extra: bingo, totobola e totoloto, no valor aproximado de 310.000 contos. Mas de 1982 a 1988 o passivo aumentou cerca de 200.000 contos. Estes números afligem-me. E eu pergunto: E quando acabar o bingo? Respondendo directamente à sua pergunta, penso que os ordenados são inacreditáveis, pior, são inconcebiveis. Não temos futebol para estes gastos. Preparemo-nos todos para assistir a uma marcha atrás ou para o descalabro, cujas consequências serão imprevisíveis.
Fonte: Jornal A Bola (texto)
Fotos: Blogue Belenenses Sempre (imagens)

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