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E depois da asneira



A canção “E depois do adeus” serviu de sinal radiofónico para o início da Revolução do 25 de Abril. A “fase da asneira” foi como o Presidente em exercício do Clube de Futebol “Os Belenenses” dedidiu caracterizar o período negro que a equipa de futebol viveu na época 2003/2004, querendo depois e também enviar um “sinal” ao declarar publicamente o fim da dita fase.
Dessas palavras nunca ficou muito claro de quem teria sido a asneira, nem mesmo que asneira teria sido. Talvez tenha sido uma genuína auto-crítica (louvável, nesse caso), pois a escolha de um treinador simpático e trabalhador mas forçosamente “páraquedista” (para mais sendo estrangeiro - estamos a falar de Bogicevic) e o leque de “reforços” prospeccionados para a sua avaliação demonstraram um estado entre o desespero e a desorientação. Esta última quanto a mim já patente em ocasiões anteriores.
A solução imediata para acabar com a “fase da asneira” foi a contratação de um técnico experiente e com provas dadas (Inácio). Isto independentemente da sua competência e da validade dessas mesmas provas, é algo que não discutirei agora. Não vale a pena.
O certo é que “choveram” reforços – desta vez pela mão do técnico, mas não só - mas a equipa não recuperou. E a poucas jornadas do fim foi novamente retirada a confiança ao técnico em funções, com contornos pouco amigáveis e também pouco claros. O certo é que a última e decisiva jornada foi agonizante e vergonhosa. Um Belenenses completamente naufragado entregou uma vitória fácil ao Braga e teve de ser o Moreirense, sabe-se lá porquê (não precisavam dos pontos sequer), a salvar-nos de nova descida de divisão. A “fase da asneira” teve assim um prolongamento indesejado... e talvez inesperado.
Nesse momento o Presidente Sequeira Nunes voltou atrás na sua intenção entretanto manifestada de abandonar a Direcção do Clube no fim da época. Caso contrário neste momento estaríamos a falar de “depois do adeus”... de Sequeira Nunes. Mas assim não foi.
Sequeira Nunes e Carlos Carvalhal na assinatura
do contrato: decretado o fim da "fase da asneira"?
Para a época de 2004/2005 fez-se uma revolução, discreta em alardes, mas significativa na prática. Espera-se finalmente que agora venha o “depois da asneira”.
O início de época foi promissor, embora o último resultado no Estoril tenha desiludido muitos. Foi a primeira derrota, é certo, mas não é nem de perto nem de longe o “fim do Mundo”. Outros lamentaram o facto de termos perdido uma oportunidade de superar o Sport Lisboa e Benfica na liderança da classificação. Mas atenção, classificação... à 4ª jornada! Não sejamos como certas capas de jornais, que pretendem fechar o campeonato à 4ª jornada...
Como qualquer um Belenense que se preze, ganhar e chegar ao topo é uma ambição natural. Assim como perder é triste (e deverá ser sempre), embora permita evidenciar erros por corrigir. E eu ponho o ênfase neste último aspecto, renovando da minha parte a confiança na equipa e no técnico. E onde está confiança leia-se apoio para continuar de cabeça erguida e recuperar os pontos perdidos. Não é nenhuma carta branca, espero retorno concerteza. Isto porque a vontade e a garra que vejo, sinceramente já não via há muito tempo. Falta talvez sorte, algum talento (é o plantel que temos) e algum discernimento.
Quanto aos adeptos e sócios, devemos ter os pés bem assentes na terra. Só nós é que nos lembramos das grandes glórias do passado, quem cá chega para trabalhar não tem a obrigação de milagrosamente repôr aquilo que temos perdido há décadas... tendo passado dezenas de técnicos pela nossa “casa”. Do passado queremos a luta pelos títulos, algo que se tem que construir, não se consegue pela reverberação ou ressureição “sebastiânica” de valores, meios e filosofias passadas ou obsoletas. Ainda que mesmo aqui se tenha registado uma desqualificação, pois a questão do “4º grande” chegou a ser assunto de importância, a um nível maior que o desejável (quanto a mim). Como se ser o maior dos pequeninos ou o mais pequeno dos grandes (atrás destes, portanto) já fosse glória suficiente.
Lutemos para ganhar o próximo jogo. E para ganhar o jogo seguinte. E o outro a seguir. E para o ano melhorar a classificação. E no seguinte melhorar ainda mais. Até ao dia em que um 4º lugar ou um 5º seja de novo motivo de... preocupação. Estou a falar nas classificações finais, claro!
Depois da asneira talvez não venha a glória... já. O caminho pelo meio é comprido, maior que 4 jornadas. Isso de certeza.



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