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E o Canto Azul ao Sul continua a norte




Aqui em baixo, na entrada imediatamente anterior, diz o Henrique Amaral que não conhece gente da Causa por terras do Minho, pedindo que lhe seja apontado o erro em caso contrário. Pois é o que farei. Por razões familiares - sobretudo - mas também de bom gosto, costumo passar uns fins de semana (quando o tempo não dá para mais) ali para os lados do Moledo, uma das mais belas praias de Portugal a dois passos de Caminha. Aqui há uma boa dezena de anos, por alturas de uma passagem de ano na zona, instalei-me uns dias na recomendável Hospedaria São Pedro em Seixas do Minho, onde, por alturas do "check-in", deparei com um galhardete do Belém pendurado em local estratégico, bem à vista de quantos por lá passassem. Logo após parabenizar o funcionário (que, coitado do pobre, era lagarto), fui informado que "há gente do Belenenses por aqui"...
Os dias festivos passaram entre comes e bebes, e por alturas de acordar, sempre "A Bola" já havia esgotado nas redondezas. Já entrado em novo ano e pouco antes do regresso a Lisboa, resolvi com amigos fazer uma visita às lojas "de estrada" que em Seixas do Minho vendem artigos de decoração, sobretudo em cobre. Imediatamente após entrar no principal desses estabelecimentos, reparei que "A Bola" lá estava, a deitar-me os olhos, por debaixo do balcão. Pedi então a quem estava do outro lado (que por acaso era o dono do estabelecimento) que me deixasse dar uma vista de olhos no jornal. Pretensão concedida, ficou o bom do senhor Carlos espantado com o facto de apenas me interessar pela página do Belenenses que, recordo-me, estava em vésperas de receber o Marítimo. Daí a constatarmos o amor comum ao mesmo emblema foi um passo e a conversa já não mudou de assunto. Que se lixassem os cobres...
Garantiu-me que estaria dias depois em Lisboa para ver o jogo seguinte e, desta vez para meu (relativo) espanto, lá estava ele, com cativo muito perto do meu, quatrocentos e picos quilómetros para cada lado, de quinze em quinze dias, faça chuva ou faça sol. Em anos seguintes, sempre que volto ao Moledo visito-lhe o estabelecimento, e já depois disso encontrei galhardetes, posters e até recortes de quotas do Belém em inúmeros locais da zona, recomendando-se uma visita ao café da Pensão do Moledo. Através do senhor Carlos, vim depois a saber que não é ele "O" militante; o único militante. Embora seja um caso exemplar, outros há que fazem por garantir a transmissão de pais para filhos dos valores do nosso emblema, em terras de além-Minho. Aqui há uns anos, quando dei uma ajuda a Salema Garção e Ricardo Schedel no Boletim Informativo do Belenenses, verifiquei mais uma vez a prontidão com que a publicidade aos cobres apareceu, em sendo necessária. A dado passo, numa das minhas incursões minhotas, cheguei mesmo a encomendar umas cadeiras de varanda ao senhor Carlos, entrega que foi feita, como é evidente, no Estádio do Restelo, junto às piscinas, findos os 90 minutos de mais uma qualquer vitória do Belenenses...
E agora para surpreender (ou não) o Henrique, sempre direi que todas as segundas-feiras dois galegos se deslocavam religiosamente à tal Casa dos Cobres de Seixas do Minho para conhecer detalhadamente as incidências do Belém na jornada passada. Queriam saber tudo: quem jogou, quem marcou, porque razão tinha o X ficado no banco ou o Y entrado de início. Também sofriam como nós. Que ninguém tenha dúvidas: "isto" é muito maior do que às vezes pensamos.



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