Brandos Costumes
Hoje vou fazer um exercício difícil e delicado. Este blogue é sobre o Belenenses, claro está. Como tal há determinados assuntos que não devem aqui ser abordados com profundidade, sob risco de nos desviarmos do objectivo principal. Um desses assuntos, de carácter geral, é a política. Outro, já mais relacionado com o futebol, é a vida de outros clubes.
Porém esta "fronteira" é muitas vezes ténue (senão mesmo irreal) dadas as relações - quando não promiscuidade - entre a política e o futebol. Certas decisões ou atitudes "políticas" influenciam o meio onde o Clube de Futebol "Os Belenenses" se movimenta. E pelos vistos não nos podemos cingir à dicussão da obtenção de apoios monetários ou similares, como veremos adiante (se bem que por aí também haverá muito a dizer).
Que o nosso é um país de "brandos costumes", costuma-se dizer desde há muito. A "nossa" ditadura era "branda" (por não invadir meia Europa ou promover genocídios), tal como a nossa Democracia parece também branda (é Democracia mas não muito). Onde existia o "corporativismo" agora existem os "lóbis", embora também sejam brandos e não assumidos como um verdadeiro "lóbi" deveria ser (à americana, direi eu). Em resumo, isto no nosso jardim está bem quando não há "confusões" e a coisa está nas mãos de uns poucos. Soa a popularucho, mas infelizmente até tem uma razão de ser. Pelo menos enquanto formos um país de uns "poucos" 10 Milhões, ainda por cima dos mais pobres da Europa Ocidental...
Daí até verificar que um Ministro de Estado recebeu os representantes de um certo clube de futebol por causa de uma arbitragem... Bingo! Já viram onde quero chegar.
Porém esta "fronteira" é muitas vezes ténue (senão mesmo irreal) dadas as relações - quando não promiscuidade - entre a política e o futebol. Certas decisões ou atitudes "políticas" influenciam o meio onde o Clube de Futebol "Os Belenenses" se movimenta. E pelos vistos não nos podemos cingir à dicussão da obtenção de apoios monetários ou similares, como veremos adiante (se bem que por aí também haverá muito a dizer).
Que o nosso é um país de "brandos costumes", costuma-se dizer desde há muito. A "nossa" ditadura era "branda" (por não invadir meia Europa ou promover genocídios), tal como a nossa Democracia parece também branda (é Democracia mas não muito). Onde existia o "corporativismo" agora existem os "lóbis", embora também sejam brandos e não assumidos como um verdadeiro "lóbi" deveria ser (à americana, direi eu). Em resumo, isto no nosso jardim está bem quando não há "confusões" e a coisa está nas mãos de uns poucos. Soa a popularucho, mas infelizmente até tem uma razão de ser. Pelo menos enquanto formos um país de uns "poucos" 10 Milhões, ainda por cima dos mais pobres da Europa Ocidental...
Daí até verificar que um Ministro de Estado recebeu os representantes de um certo clube de futebol por causa de uma arbitragem... Bingo! Já viram onde quero chegar.
Para que não tenham idéias erradas, falarei de política, mas é fácil manter a neutralidade. Estas coisas não são de agora nem são atribuíveis a algum partido em especial. Aliás, já têm quase 100 anos...
Confesso, não quero acreditar no que tenho lido. Alguns jornais referem as entrevistas do Benfica com o Governo como sendo justificadas pela arbitragem do Sr. Olegário Benquerença (Bem Fica, Bem Querença, que engraçado). Pior, dão conta do assunto de uma forma séria, quando não mesmo mostrando empatia (embora não seja de estranhar esta empatia). Pior ainda, esperam profundas mudanças na arbitragem e no futebol português, imparcial e desinteressadamente lideradas pelo Sr. Luís Filipe Vieira e Cia.
Eu pergunto: isto é normal num Estado de Direito "moderno"? Um golo não assinalado mais "não sei quê" (como diz o outro)... é assunto de Estado? Perante uma grave situação de incidentes entre adeptos, exclusiva e desastradamente alimentada pelos dirigentes envolvidos (quer do Benfica quer do Porto), é preciso que sejam alguns desses dirigentes a dizer o que se tem de fazer?
E como é que isto afecta o nosso Clube? Pois... Quantos "Benquerenças" já nos espoliaram, inúmeras e incontáveis vezes? (incluindo o próprio Benquerença, claro está). E quantas dessas vezes contra este mesmo outro clube que aqui se refere? Quantas vezes é o Belenenses multado pelo comportamento "violento" de um ou dois adeptos?
E como referi no início, esta desigualdade tremenda e institucionalizada não se fica pelas audiências com o Governo ou pelos incentivos dos "papparazzi" do futebol. É integral. Nós somos a "paisagem", um daqueles clubes que integram um campeonato que só existe para levar os mesmos de sempre aos lugares de topo (senão não era campeonato!).
Por exemplo, a construção da Nova Luz foi um desígnio "nacional"... a devolução do terreno abusivamente expropriado das Salésias é um grande e especial favor (por cumprir, claro). O ecletismo do Belenenses, que se substitui assim à eterna (repito, eterna) falta de políticas autárquicas e governamentais para a prática de desporto, de que serve? De nada, um assunto de "Estado" não é isso. É pão e circo. E quando não há pão, arranje-se mais circo. E depois lá está, há os palhaços ricos (embora devam dinheiro a meio mundo) e nós, os palhaços pobres.
Não é que goste um pouco que seja de um dos intervenientes destas manobras, o Sr. Pinto da Costa. Mas ele referiu o Putin... que por acaso até ficou hoje (ontem, dia 23) hospedado a alguns metros do meu emprego. E eu estive quase a concretizar a coisa: "Ó Sr. Putin, veja lá esta última do Sr. Bruno Paixão! Isto não há direito...". Mas não, nada fiz... se calhar também sou "brando". Tenho, tal como todos os meus compatriotas... o que mereço. Ou o que "merecem" os Belenenses!


1:01 da manhã


































