Via XVI, portagem no Restelo
O Sporting de Braga, não sendo tão velho como a Sé da cidade, é de facto um “histórico” do futebol português. E se tivermos em conta determinados critérios, é concerteza dos maiores clubes nacionais, representativo de uma das maiores – e antigas – cidades.
O futebol também “apareceu” bastante cedo em Braga, tendo sido formados alguns clubes logo no início do Séc. XX. A 1ª Guerra Mundial também ali teve os seus impactos e foi só em 1919 que uns quantos estudantes resolveram fundar o Sporting Clube de Braga, em espírito, nome e equipamento similar ao SCP. Curiosamente na mesma altura em que foi fundado o Belenenses! Porém a data oficial de fundação do Braga ficou em 1921, pois só nesse ano foram estabelecidos os estatutos e enfim “formalizada” a existência do Clube. Mais tarde e por sugestão de Joseph Szabo (treinador campeão pelo FCP e pelo próprio SCP) o Braga passou a ostentar um equipamento similar ao do Arsenal de Londres, já nessa altura uma das maiores referências do futebol mundial. Desta forma os bracarenses passaram a ser conhecidos também como os “Arsenalistas”.
A história da presença do Braga no escalão principal do nosso futebol foi marcada por muitos “altos” e “baixos”. Só em 29 de Janeiro de 1947 (já o Belenenses tinha sido campeão da 1ª Divisão) é que o Braga conquistou o direito de acesso à 1ª Divisão, vencendo os Onze Unidos no Montijo. Dentro dos maiores clubes teve portanto uma chegada algo tardia à ribalta (comparando por exemplo com o vizinho Guimarães).
Até meados da década de 50 o Braga teve classificações discretas (meio/fundo da tabela) embora em 1950/51 ficasse à frente (em 7º) de um Belenenses que pela primeira vez na sua história dava um “tropeção” para baixo do 4ª lugar (9º lugar, situação que só se repetiria em 60/61, com um 5º lugar!). Na época de 53/54 o Braga teve o primeiro “boom”, tendo alcançado o 5º lugar logo atrás do Belenenses. Em 54/55, repetiu o 5º lugar, enquanto o Belenenses ficou com o 2º. Aliás e curiosamente foi nessa época que o Braga conseguiu vencer pela primeira vez no reduto do Belenenses (2-3 nas Salésias), feito que só conseguiria repetir em 1977/78! Se tivermos em conta que o Belenenses perdeu esse campeonato no célebre jogo com o Sporting (na última jornada), poderemos também afirmar que aquela “estreia” do Braga veio mesmo... em má altura! Caso contrário...
Na época seguinte (55/56) consumou-se a primeira “queda” do Braga: acabando em 14º lugar foi despromovido, regressando em 57/58 (com mais um 5º lugar!). Em 60/61, nova despromoção, desta vez prolongada até 1964. Entre 64 e 1970 o Braga conseguiu apenas classificações muito discretas (meio da tabela), embora em 66/67 ficasse à frente (9º) de um Belenenses já algo “decadente” (11º!), para além da conquista da sua primeira Taça de Portugal em 65/66 (única até agora). Isto até voltar à 2ª Divisão...
Só já após o 25 de Abril é que o Braga regressou à primeira Divisão. Aliás é caso para dizer que a Revolução foi benéfica, pois desde então o Braga nunca mais desceu de divisão. As suas classificações, no entanto, têm sido algo irregulares (normalmente meio da tabela): assinala-se o 4º lugar por 5 vezes e um 5º lugar na época passada. Na época imediatamente anterior (2002/03), porém, lutou para não descer... Ao mesmo tempo o Braga viveu um período de grave instabilidade directiva (e financeira, creio eu), que não sei se já estará totalmente sanado.
Quanto à relação entre os dois Clubes, tem sido bastante discreta, seja pela positiva seja pela negativa, o que não deixa de ser relativamente... positivo. Registou-se a aquisição de Odaír aos bracarenses (em 2001, salvo erro), enquanto os jogadores “alvo” em cada pré-época são muitas vezes os mesmos. Foi o caso de Wender, que teria sido pretendido pelo Belenenses em 2001, ou Nordijn Wooter, que ausentou-se de um período experimental junto dos azuis em 2002 (por razões não totalmente esclarecidas) para em 2003 assinar pelo Braga (estranhamente também já se foi embora deste clube).
Olhando já para o histórico de resultados e tendo em conta as circunstâncias acima citadas, não é de estranhar que até 1975 o Braga só tivesse conseguido vencer em casa dos azuis por 1 vez (!), empatando 2 vezes e perdendo por 10 vezes. O saldo de golos foi impressionante: 58 para os azuis contra 17 dos Arsenalistas. Basta olhar para o resumo, é fácil encontrar grandes goleadas (7-0, 9-3, 7-2, 5-0):
47/48 - 4-0
48/49 - 5-0
49/50 - 2-1
50/51 - 4-0
51/52 - 1-0
52/53 - 2-1
53/54 - 2-1
54/55 - 2-3
55/56 - 7-2
56/57 - SCB despromovido-
57/58 - 9-3
58/59 - 7-0
59/60 - 4-4
60/61 - 2-1
61/62 - SCB despromovido
62/63 - SCB despromovido
63/64 - SCB despromovido
64/65 - 2-1
65/66 - 0-0
66/67 - 1-0
67/68 - 2-0
68/69 - 1-0
69/70 - 1-0
70/71 - SCB despromovido
71/72 - SCB despromovido
72/73 - SCB despromovido
73/74 - SCB despromovido
74/75 - SCB despromovido
75/76 - 0-0
76/77 - 2-0
77/78 - 0-1
78/79 - 7-1
79/80 - 2-0
80/81 - 2-2
81/82 - 0-0
82/83 - CFB despromovido
83/84 - CFB despromovido
84/85 - 1-1
85/86 - 3-0
86/87 - 4-2
87/88 - 1-0
88/89 - 1-1
89/90 - 2-1
90/91 - 1-1
91/92 - CFB despromovido
92/93 - 1-2
93/94 - 0-0
94/95 - 0-1
95/96 - 1-1
96/97 - 1-2
97/98 - 2-2
98/99 - CFB despromovido
99/00 - 0-3
00/01 - 2-1
01/02 - 1-1
02/03 - 3-2
03/04 - 0-2
No resumo total, foram já 44 jogos, com 25 vitórias azuis, 12 empates e 7 derrotas, com 95 golos marcados (mais de 2 por jogo!), contra 44 sofridos (1 por jogo).
De salientar ainda um período “negro” para os visitados... quase 10 anos sem vencer o Braga no Restelo, alternado derrotas e empates, com 2 despromoções pelo meio. Foi entre 1990/91 e 1999/2000.
Desde 2000/01 o equilíbrio manteve-se com certa vantagem para o Belenenses, excepto o atípico e mal-lembrado jogo da época passada. Com casa cheia, os Belenenses acorreram em massa para apoiar a salvação da equipa na última jornada, frente ao Braga. A resposta da equipa foi desastrosa – talvez uma das maiores desilusões da nossa história, num quase-insulto às bancadas repletas. Vitória relativamente fácil do Braga perante um Belenenses sem motivação (com o treinador e boa parte da equipa já praticamente dispensados). Como sabemos... valeu o Moreirense!
Hoje esta péssima imagem seguramente será limpa. A motivação e o desempenho nada têm a ver... resta saber como será a sorte do jogo – poderá ditar o resultado final.
Na equipa azul não estarão nem Cristiano nem Cabral no flanco esquerdo, as opções são Eliseu (provável, dada a sua entrada frente à Académica) ou Gonçalo Brandão (mais à-vontade no meio). Na frente regressa Antchouet (provável titular), idealmente para repôr a “ordem” na lista dos melhores marcadores! Lourenço também está de novo apto, mas creio que não será ainda opção. Quanto a Jorge Tavares, Carvalhal poderia continuar a “aposta” (em vez de Rodolfo Lima?), mas sinceramente considero prematuro e até prejudicial ao jogador (e se as coisas lhe corriam mal?). Tem muito tempo para se afirmar, ajudando entretanto os Juniores (como tem feito). No entanto, mantém-se na convocatória... é um dos "sete samurais" (velho filme de Akira Kurosawa) oriundos da "cantera" - embora Rolando e Eliseu já tenham vindo mais formados...
De resto será mais do mesmo... algo que até mais ver só não funcionou com o Boavista... e embora noutros jogos as exibições não fossem totalmente convincentes.
Como árbitro - e tal como referiu o Luís Oliveira – temos um senhor relativamente desconhecido da AF do Porto. Apesar de tudo e considerando as equipas envolvidas não espero grandes problemas. A menos que haja “campanha”, o que não seria nada de novo. Mas sinceramente não acredito. Acredito sim numa vitória do Belenenses!


1:00 a.m.


































