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Ah, estou a falar de futebol, é claro



Que o nosso Belenenses por vezes é capaz de tirar a paciência a um santo, é facto provado. Que o diga o Sto. Ambrósio do Luís Oliveira, desgraçadamente feito padroeiro dos votos azuis e que agora já mal pode ouvir falar no Clube. Eu próprio já penso duas vezes antes de me ralar, é que ainda por cima não sou nenhum santo. Ah, estou a falar de futebol, é claro.

Valerá a pena analisar - uma vez mais - porque é que - uma vez mais - sofremos um derrota fora de casa, algo já quase tão natural como a água matar a sede (sem publicidades)? Valerá a pena tentar descobrir que equipa é que está a ser construída nesta espécie de pré-primária da era Carvalhal, se quando entrar para a primeira-classe já está mal habituada? Hoje, lamento, não tenho pachorra para tudo isto. E porque hei-de ter? Será que os nossos candidatos a têm? Será que afinal de contas para o ano – próxima época - é que é? Será que, angustiados como nós, vão fazer bom uso do seu poder para devolver o Belenenses à sua verdadeira grandeza? Ah, estou a falar de futebol, é claro.

Como já aqui referi, não gostaria de elaborar para já “veredictos” sobre as listas concorrentes, nem afirmar peremptoriamente o meu sentido de voto (embora não tenha mudado). Mas esta época de “tábua rasa” (mais uma) mais as declarações e intenções que vêm à luz, quase que me tiram do sério. E estarei à vontade, pois tanto uma como outra lista, ainda que por motivos diversos (é certo), merecem reparos da minha parte. Ah, estou a falar de futebol, é claro.

Por ordem alfabética começo pela lista A. O que diz sobre o futuro do nosso futebol? Que levará o Belenenses aos lugares cimeiros. Muito certo, mal estaríamos se assim não fosse, seguinte. Que mantém a confiança em Rui Casaca e Carlos Carvalhal, com ligeiras reservas face ao último. Hum... Afirmou ainda Mendes Palitos que já tem cinco reforços na calha, supostamente para avaliação e aval do técnico (o que diz muito sobre o “gabinete de prospecção” e as competências atribuídas). Para além disso também já recorreu a esta promessa igualmente nebulosa: “Poremos à disposição do clube, o recursos financeiros necessários à renovação do plantel”. Que me desculpe o candidato, mas isto é conversa tão gasta, tão gasta... Quando eu era miúdo ainda ouvia muitos dizerem “aquele é bom, tem dinheiro para meter no clube e ainda por cima vai meter jogadores” (como se o dinheiro fosse a fundo perdido. E se o fosse duvidaria da sua origem...). Hoje em dia não quero acreditar que a maioria da nossa massa associativa ainda pense assim. Espero que não!
É coerente afirmar que se aposta no profissionalismo e na competência dos profissionais, reiterando para tal a confiança nos actuais responsáveis (Director Geral e Treinador), quando por outro lado se lhes impinge à cabeça - e tão só! - quase meia-equipa titular (5 reforços) por critérios sei lá de quem (espero que não sejam do candidato, não lhe reconheço talento para tal, nem de empresários, claro está)? E a cruzada contra os brasileiros de qualidade duvidosa (o Juninho e o Amaral, serão?), será em contraposição aos brasileiros que o mesmo candidato angariou por conta própria e queria impôr contra a vontade do técnico de então? Qual será a sorte de Carvalhal se recusar os 5 reforços, sendo que não tem o suporte que Marinho Peres tinha? E os tais recursos financeiros, serão dívida a quem? Onde estão as idéias para novas receitas?
Considerando tudo o que tenho vindo a escrever neste blogue (ver “Mudar as Mudanças”), só posso “chumbar” taxativamente o que a lista A defende para o futebol. Não sem me sentir algo desiludido com Mendes Palitos, pois na minha idéia poderia ser um “homem do futebol”, dada a sua passagem pela AFL e a sua apreciável exuberância para protestar energicamente contra adversários e inimigos, o que tantas vezes faz falta a certos nossos dirigentes “mumificados”. Mas para isso, primeiro é preciso ter razão e a casa arrumada. Assim não. Pelo contrário.

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Eh pá, enganei-me, este não é do Belenenses. Mas quem sabe?!?!?
Por outro lado podia vir inaugurar a secção de corfebol ou coisa assim.

Quanto à lista B e a não ser que me tenha escapado algo, pouco ou nada sei sobre o que pretende fazer no futebol. Nem sequer se, à semelhança do adversário (dito adversário da “continuidade”), dará voto de confiança a Casaca e Carvalhal (embora eu presuma que sim). Ou será que se trata de uma confiança implícita na continuidade do actual elenco da SAD (algo que com Mendes Palitos não se deve verificar), cujo mandato continua em curso e não quer perturbar? Talvez, mas como accionista maioritário da SAD, o que se passar no Clube reflectir-se-á na SAD. Para já, falta saber quem será o presidente desta (Cabral Ferreira, Barros Rodrigues - que é próximo desta lista mas não "aparece" nela para o Clube?).
Por conhecer pessoalmente alguns dos seus elementos sei que existem idéias (e boas), mas campanha é campanha e as prioridades, ainda que definidas vagamente, têm de estar arrumadas. Quais são? Vejamos este excerto da entrevista de Cabral Ferreira a Hélio Nascimento (Record):

“- Em termos mais concretos quais serão as áreas prioritárias?
– O clube é tão grande que as áreas são inúmeras, mas poderei enunciar algumas que são fortes apostas: as filiais e os núcleos, que representam o Belenenses no mundo e que justificam novo congresso internacional; a juventude, já que 45% dos sócios tem menos de 25 anos e além destes há um sem-número de adeptos que precisam de ser motivados a empenharem-se mais; a comunicação e imagem, que será tema de uma vice-presidência exclusiva, porque vamos modernizar a imagem do clube; e as modalidades, uma das razões de ser da existência do Belenenses, onde provaremos que somos provavelmente os mais eclécticos do país.”

Conseguem ver onde está o futebol? Pois... Ai, ai, meu amigo Cabral Ferreira. Mas isso foi algo que intrigou o entrevistador, pois em seguida questionou:

“– E o futebol?
– A minha Direcção vai pugnar para que o Belenenses lute pelos lugares cimeiros, mas com consistência, sem investimentos exorbitantes. O objectivo passará sempre pela correcta política de aquisições e da formação e será atingido quer pela criação de equipas competitivas em todos os escalões, quer motivando o regresso em massa dos adeptos ao estádio. Os dias de jogos terão de voltar a ser de autênticas romarias ao Restelo.”


Lugares cimeiros (pois), com consistência (vago, mas interessante) e sem investimentos exorbitantes. Do pouco que se possa concluir, o que questonaria mais é a definição de “exorbitante”. Será que o futebol vai continuar a viver com os orçamentos actuais? E se se conseguir aumentar “exorbitantemente”as receitas, porque não canalizá-las para o futebol? Se elas já existem, porque não estudar as formas de canalizá-las para o futebol?
À partida e por não prometer “massa”, Cabral Ferreira parece-me mais sensato. Mas dizer o contrário de Mendes Palitos não basta. Não estou a ver o nosso futebol a crescer sem que se consiga expandir o orçamento, sem que se procurem as vias razoáveis para tal (não estou a falar de dívidas, é claro). Quais são? Pois, é o que gostaria que os candidatos dissessem!
Quanto à “correcta política de aquisições e da formação”, sem muitos reparos, embora por ser vaga a declaração. Aqui também Cabral Ferreira ganha vantagem por não dizer “para começar compro eu”. Mas fica por dizer quais são as correcções estruturais e orgânicas que forçosamente têm de ser feitas (parece-me a mim).
Por outro lado não me parece mal o objectivo de ter equipas competitivas em todos os escalões. Mas que seja para fornecer sistematicamente à equipa principal jogadores e homens bem formados, capazes de competir com sucesso ao mais alto nível. Que não seja, à semelhança de certas amadoras, para servir de prémio de consolação (“a equipa principal de futebol não ganha nada mas fomos campeões em infantis e nos séniores de pelota basca”).
Quanto ao regresso dos adeptos e “romarias”, estranho - uma vez mais - que este apareça como um objectivo para o futebol quase completamente dissociado da ferramenta fundamental para que tal aconteça: os resultados desportivos. É certo que mesmo sem estes há muita coisa que se pode fazer (olhai Senhor, o preço dos bilhetes!), mas para as “romarias” de outrora não bastou o marketing (aliás ninguém sabia o que era). Por outro lado, com mais gente, a equipa terá mais apoio, podendo iniciar-se uma espiral “positiva” (mais gente, mais apoio, mais resultados, ainda mais gente e por ai fora), mas acredito que muito mais faltará. Foram muitas ocasiões em que o apoio não faltou e faltaram... os resultados.
Diz bem Cabral Ferreira que não quer nem deve estar ao sabor dos últimos resultados. Concordo, porque não é o último resultado com o Boavista, por exemplo, que deve fazer a diferença. Não é por morrer uma andorinha, nem duas, nem três (por acaso já são 11 esta época, contra 9 vitórias). Mas é e deve ser porque todos os anos as ditas andorinhas caem que nem tordos. O sabor amargo de todo o nosso passado recente... é obrigatório que seja tido em conta.
Chamar a juventude, dinamizar as filiais e núcleos, melhorar a nossa imagem, como se consegue de forma cabal e notória se formos um clube do meio da tabela (bem bom, dirão!) no futebol? Porque vamos provar que somos o clube mais eclético que há (superando assim o Ginásio Clube e o CIF)?

E é assim. Uma lista já disse em boa medida o que quer, que é o que eu não quero. A outra pouco ou nada disse (embora diga muito mas em relação a outros objectivos), que é também o que eu não quero. No meio disto tudo parece assegurada a continuidade do Casaca, num caso (a meu ver) já com umas quantas facadas nas costas (como o outro), noutro caso sem se saber muito bem o que irá fazer (não sendo de excluir umas facadinhas também).
Qual o futuro que antevejo para o nosso futebol? Talvez seja o mesmo que nos reserva já o próximo jogo. Pode ser que ganhemos, mas se não fôr assim também não faz mal a ninguém. Até porque ninguém se livra desse fenómeno inexplicável da natureza que são as “fases da asneira”. Só acontece a quem lá anda.
No fim e quando esta minha espécie fôr finalmente derrotada é enfiar o garruço e assistir resignadamente aos jogos da Champions, escolhendo um dos clubezecos de meia-tigela que por lá andam. Ah, estou a falar de futebol, é claro.



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