A águia ofendida
Vem este artigo a propósito do próximo jogo do Belenenses, artigo este da autoria de Homero Serpa, do qual extraí apenas a parte que a nós diz respeito, deixando a 2ª parte do mesmo ao cuidado do seu autor, dado que não me revejo na defesa de clubes nortenhos.
E vem, igualmente, a propósito pelo facto de haver uma estranha aliança entre a o presidente em exercício da Liga e os dirigentes do nosso adversário (agora até já nem sei se a pouca vergonha deste futebol indígena vai aceitar a teoria dos bons costumes portugueses no regresso do major).
Mais vem a propósito, porque no Restelo ganhámos por 4-1 e nada melhor que ganhar para confirmar o número, já que me parece que deixámos 2 golitos ao cuidado da 2ª volta.
E, finalmente, vem ainda a propósito porque me dará um especial gozo ajudar a retirar o campeonato aos fulanos com quem vamos jogar. Fulanos estes que no dia-a-dia andam meio arrogantes da forma como se exprimem e tratam os simpatizantes dos restantes dos clubes.
E vem, igualmente, a propósito pelo facto de haver uma estranha aliança entre a o presidente em exercício da Liga e os dirigentes do nosso adversário (agora até já nem sei se a pouca vergonha deste futebol indígena vai aceitar a teoria dos bons costumes portugueses no regresso do major).
Mais vem a propósito, porque no Restelo ganhámos por 4-1 e nada melhor que ganhar para confirmar o número, já que me parece que deixámos 2 golitos ao cuidado da 2ª volta.
E, finalmente, vem ainda a propósito porque me dará um especial gozo ajudar a retirar o campeonato aos fulanos com quem vamos jogar. Fulanos estes que no dia-a-dia andam meio arrogantes da forma como se exprimem e tratam os simpatizantes dos restantes dos clubes.
Eu que o diga, no meu ambiente de trabalho.
Vale isto por dizer que se eles forem campeões, está o País meio tramado, tanto mais que não conheço um único líder partidário que não seja deles.
Nós lá vamos ao lanche da ordem, pelo que espero bem que seja indigesto a quem o oferece, graças à hipervalorização accionista feita pelo ex-secretário de estado Vasco Valdez e sansionada pela ex-ministra Dra. Manuela F. Leite à conta dos impostos do comum do cidadão (foram ao meu bolso!).
Para não falar já no "mestre-de-obras" do estádio (o presidente da CML) onde vamos jogar, o qual mais não foi que uma recompensa por um apoio partidário num célebre repasto de Rio Maior.
Lembram-se daqueles adeptos furiosos que nos debates televisivos diziam que se o Benfica acabasse, havia uma revolução neste País?
Só por isto valia a pena que deixasse de existir.
Vamos, então, e já chega de divagações, ao excerto do artigo:
"Quando o Belenenses venceu o Benfica, por 4-1, muitos adeptos do grande jogo, afora os que no peito ostentam a águia, rainha das alturas, exultaram com o desfecho singular do desafio, qualificando-o como uma vitória do futebol, e desta filosofia, provavelmente farisaica, nós retiramos a ideia de que a derrota, mais a mais expressiva, de um dos clubes chamados grandes, candidato aos títulos nacionais e internacionais, aos pés dos menos mediáticos, tem direito a festa e aos maiores elogios por significar a pedrada no charco da mesmisse que tem caracterizado a luta sempiterna entre os poderosos e os que vivem num socalco menos florescente da vida futebolística obviamente filha legítima da nossa sociedade.
Matrucou-se o triunfo dos belenenses mais como escarmenta ao Benfica do que como elogio a quem o merecia, ainda mais por não ter sido a única vez no historial dos dois clubes nascidos em bairros propínquos da velha Lisboa, que resultados anormais se destacaram do lógico.
Mas, neste aspecto doloroso para quem ama emblemas de menos amplitude e, até, em relação aos jornalistas menos influenciáveis pelas grandezas refulgentes, a diferença de perspectivas tem uma justificação e uma intenção, pretende-se transmitir ou extrapolar notícias, feitos e factos à medida das audiências.
Afinal de contas, respeita-se a população das grandes audiências, tentando servir, embora sem a mesma generosidade, os restantes leitores.
É a lei do mais forte a influenciar noticiários e crónicas? É a lei do mais forte, é um exemplo darwinista?
Provavelmente, será, mas é um logicismo compreensível do ponto de vista desportivo, não o sendo, evidentemente, na política porque no futebol são simples pontos que estão em causa e, na política, deveria contar o respeito pelas forças partidárias insuladas do nepotismo nacional."
Nota: Este artigo, da autoria de Homero Serpa, publicado em "A Bola", em versão papel, tem como título "Dragão Ofendido", servindo o exemplo do Belenenses para justificar coisas à volta do emblema do norte, que para nós tem nulo efeito ou interesse.


1:00 da manhã


































