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Nem que seja ao berlinde...



Não é meu costume meter foice em seara alheia, nem sequer tal é hoje minha intenção. Serve esta frase para tentar justificar o tema da minha contribuição desta semana para este fórum, que surje na sequência de um artigo aqui publicado recentemente pelo meu amigo e colega de “ofício”, Pedro Guedes, sobre o ecletismo no Belenenses. Sem pretender intrometer-me na linha de pensamento que o Pedro iniciou sobre este assunto, e que promete continuar (e ainda bem), quero apenas corresponder à solicitação feita e dar o meu contributo para a discussão de um tema que, também a meu ver, é fundamental na vida do Clube, pelo que merece ser analisado profundamente e com seriedade. Desde já, as minhas felicitações a quem, em boa hora, decidiu despoletar a sua discussão.

Não tenho uma posição extremada sobre o ecletismo no Belenenses. Também não sou, nem nunca fui, defensor da “máxima” portuguesinha de que no meio é que está a virtude. Quero com isto dizer que não tenho uma opinião formada sobre o assunto? Opinião tenho, não me ajuda é muito a decidir entre um Belenenses eclético e um Belenenses exclusivamente dedicado ao futebol profissional. Até porque vejo vantagens e inconvenientes em ambos estes modelos limite, sem deixar de reconhecer, ao mesmo tempo, algumas virtudes numa solução mais “intermédia” que, naturalmente, também terá os seus pontos fracos. Significa isto, antes de mais, que consigo perceber (e respeitar, obviamente) as razões de quem defende, mesmo de uma forma radical, um ou outro dos extremos, o que talvez seja uma vantagem para quem quer participar numa discussão deste tipo. Não corro o risco de discordar frontalmente de ninguém...

De facto, percebo sem dificuldade os argumentos de quem defende a extinção das modadlidades amadoras (e/ou ditas “amadoras”), em nome de uma concentração de recursos que pudesse levar o futebol profissional do Clube a atingir os níveis que todos nós gostaríamos. Não estou é completamente convicto que essa via, por si só, leve ao objectivo pretendido. Se alguém o conseguir demonstrar, não serei eu a impedir que se adopte essa solução...

Se é bem verdade que o meu coração azul se encheria de orgulho ao ver o meu Belém campeão de futebol, não é menos verdade que ele se tem enchido de orgulho quando somos campeões de outras modadlidades. E isto, tem efectivamente acontecido, mesmo na história recente do Clube! Estou a referir-me em particular, como não será difícli adivinhar, a modalidades não completamente amadoras como o andebol e o rugby que, para além de terem contribuído ao longo da vida do Clube para prestigiar a sua imagem, nos têm permitido mitigar o jejum de títulos a que o futebol, há mais de meio século, nos condenou...

Cabe aqui também uma palavra de apoio ao futsal, uma das nossas mais jovens modalidades, que nos deu já uma pequena alegria e se prepara, quiçá, para nos dar outras maiores. Quanto a outras modalidades, em particular as de menor tradição no Clube, não defendo a sua proliferação, muitos menos se tenderam a profissionalizar-se com elevados custos e fraco retorno. Neste caso, em minha opinião, o Belenenses deverá limitar-se a mantê-las, ao nível da formação e de modo sustentado, como prestação de serviços, fazendo jus (e exigindo as contrapartidas inerentes) ao seu estatuto de Instituição de Utilidade Pública.

Em resumo, o que eu gostava mesmo (e estou certo de que todos os belenenses concordarão comigo neste aspecto) era que o Belenenses fosse campeão de tudo, incluindo, obviamente, o futebol. Se não for campeão de tudo, que seja campeão de alguma coisa. Nem que seja ao berlinde...

Saudações azuis.



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