O meu Belenenses... e o futebol - um vício impróprio para cardíacos
Nada melhor que escrever sobre futebol, nesta época festiva que todos vivemos no Portugal dos Pequeninos (mas que, afinal, parece que não somos tão “ pequeninos” assim!). E para se escrever sobre futebol, não é preciso perceber nem saber muito de futebol. De futebol, ou se gosta ou não se gosta. É uma verdade de La Palice, sim senhora. Da mesma forma, que, para se gostar de quadro X ou de pintor Y não é preciso ter- Graças a Deus!- um mestrado em história de Arte. E com o futebol é assim, porque, o futebol é uma arte. Chocados?
O futebol, tal como qualquer tipo de arte, gera emoção, muita, mas muita adrenalina, ódios, paixões, atitudes irracionais e ... negócio. Chocados? Pois, se um quadro de Gaughin vale milhões, qual é o problema de um passe do Rui Costa ou de um Figo custar milhões?! Ambos não são produto de talento? Ambos não tocaram gerações e gerações? Ambos não são intemporais? Ambos não fazem , fizeram e farão História? Então, qual é o problema e a diferença, pergunto eu?
Mas... passando ao vício em si, o futebol é um dos melhores exercícios de irracionalidade que a Humanidade tem ao serviço ( ou que tem colocado a Humanidade ao serviço dele...). Ora então vejamos: Como explicar que o facto de estarem 22 “ monos” atrás de uma bola num campo cheio de relva, durante uma eternidade de tempo, feito tolinhos a tentar meter a bola na baliza adversária, mexe com tanta gente e de forma tão intensa? I have no clue! Só sei que, quando vejo um jogo, sinto que tenho direito a tudo: a dizer palavrões, a cantar músicas de claques, hinos e afins, dou pulos que nem uma desvairada, bato palmas, grito que nem uma histérica, quase arranco os cabelos ( as unhas, essas ficam porque são de gel) e quando as coisas correm bem , dou por mim a dar beijinhos e abraços a pessoas que estão ao meu lado e que nunca vi na minha vida. Tal e qual como no fim de uma missa.
E os protagonistas? Esses sim, são viciantes. Ou a arte e o negócio do futebol não fossem um vicio: O Nuno dos Big Mac’s, o Rui da Pepsi, o David da Adidas, o Pauleta do queijinho, Killer Loop’s, Nike, Lotto, todos giros, todos “ cool”, todos ricos meninos e meninos ricos, alguns mais velhos que outros- e sim, assumo publicamente a minha preferência obsessiva pelo Fernando Couto!- mas todos uns grandes heróis!
Mas, o cerne do meu vicio por esta arte está num clube com o estádio com a vista mais bonita do mundo: O Estádio do Restelo e meu “ Belém”! Pois sim, está velhinho e depois? Pois sim, o meu Belenenses é um clube de poucos recursos e depois? Pois sim, de vez em quando quase que vamos parar à 2ª divisão e depois?!! O que interessa, não é o tamanho ou estado do estádio ( mas como ele é bonito!), se podemos ou não comprar um guarda redes de 10 milhões ( para quê, quando se tem o Marco Aurélio?), ou se de vez em quando temos uns “deslizezitos”? O que interessa mesmo é sentir um “ frisson” quando vemos a cruz de Cristo que tanto nos orgulha, o estarmo-nos nas tintas se somos pequeninos-mas bons, ( mas de vez em quando surpreendemos e bem!!!!!!), o azul dos cachecóis ( incomparavelmente mais bonitos que os “ outros”), a Fúria Azul- a melhor claque do mundo- e , sobretudo, todos os “companheiros de guerra” ( figuras públicas ou não) que partilham a minha paixão, o meu vicio pelo ( meu) Belenenses. E para que saibam, aviso desde já, que a minha intenção é ser, um dia Presidente do Belenenses e trazer de volta o Marinho Peres! Nem que esse dia chegue quando estiver a cair da tripeça!
PS:Esta crónica é dedicada, a todos os “ sofredores-pastéis-de-Belém”. Aos que já partiram- Champalimaud, Bulhosa- e aos que todos os dias enchem o peito de orgulho quando dizem “ sou do Belenenses!”. Obrigada Pedro G, Pai, Augusto, António, Carlos do Carmo, Represas e tantos outros. Obrigada “ Pastéis de Belém”!
* Artigo publicado no semanário "O Independente", suplemento 100%, no passado Verão.
O futebol, tal como qualquer tipo de arte, gera emoção, muita, mas muita adrenalina, ódios, paixões, atitudes irracionais e ... negócio. Chocados? Pois, se um quadro de Gaughin vale milhões, qual é o problema de um passe do Rui Costa ou de um Figo custar milhões?! Ambos não são produto de talento? Ambos não tocaram gerações e gerações? Ambos não são intemporais? Ambos não fazem , fizeram e farão História? Então, qual é o problema e a diferença, pergunto eu?
Mas... passando ao vício em si, o futebol é um dos melhores exercícios de irracionalidade que a Humanidade tem ao serviço ( ou que tem colocado a Humanidade ao serviço dele...). Ora então vejamos: Como explicar que o facto de estarem 22 “ monos” atrás de uma bola num campo cheio de relva, durante uma eternidade de tempo, feito tolinhos a tentar meter a bola na baliza adversária, mexe com tanta gente e de forma tão intensa? I have no clue! Só sei que, quando vejo um jogo, sinto que tenho direito a tudo: a dizer palavrões, a cantar músicas de claques, hinos e afins, dou pulos que nem uma desvairada, bato palmas, grito que nem uma histérica, quase arranco os cabelos ( as unhas, essas ficam porque são de gel) e quando as coisas correm bem , dou por mim a dar beijinhos e abraços a pessoas que estão ao meu lado e que nunca vi na minha vida. Tal e qual como no fim de uma missa.
E os protagonistas? Esses sim, são viciantes. Ou a arte e o negócio do futebol não fossem um vicio: O Nuno dos Big Mac’s, o Rui da Pepsi, o David da Adidas, o Pauleta do queijinho, Killer Loop’s, Nike, Lotto, todos giros, todos “ cool”, todos ricos meninos e meninos ricos, alguns mais velhos que outros- e sim, assumo publicamente a minha preferência obsessiva pelo Fernando Couto!- mas todos uns grandes heróis!
Mas, o cerne do meu vicio por esta arte está num clube com o estádio com a vista mais bonita do mundo: O Estádio do Restelo e meu “ Belém”! Pois sim, está velhinho e depois? Pois sim, o meu Belenenses é um clube de poucos recursos e depois? Pois sim, de vez em quando quase que vamos parar à 2ª divisão e depois?!! O que interessa, não é o tamanho ou estado do estádio ( mas como ele é bonito!), se podemos ou não comprar um guarda redes de 10 milhões ( para quê, quando se tem o Marco Aurélio?), ou se de vez em quando temos uns “deslizezitos”? O que interessa mesmo é sentir um “ frisson” quando vemos a cruz de Cristo que tanto nos orgulha, o estarmo-nos nas tintas se somos pequeninos-mas bons, ( mas de vez em quando surpreendemos e bem!!!!!!), o azul dos cachecóis ( incomparavelmente mais bonitos que os “ outros”), a Fúria Azul- a melhor claque do mundo- e , sobretudo, todos os “companheiros de guerra” ( figuras públicas ou não) que partilham a minha paixão, o meu vicio pelo ( meu) Belenenses. E para que saibam, aviso desde já, que a minha intenção é ser, um dia Presidente do Belenenses e trazer de volta o Marinho Peres! Nem que esse dia chegue quando estiver a cair da tripeça!
PS:Esta crónica é dedicada, a todos os “ sofredores-pastéis-de-Belém”. Aos que já partiram- Champalimaud, Bulhosa- e aos que todos os dias enchem o peito de orgulho quando dizem “ sou do Belenenses!”. Obrigada Pedro G, Pai, Augusto, António, Carlos do Carmo, Represas e tantos outros. Obrigada “ Pastéis de Belém”!
* Artigo publicado no semanário "O Independente", suplemento 100%, no passado Verão.


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