A tirania da memória
Pois é, o próximo jogo aviva a memória. É um dos clássicos mais antigos e carregados de história. Da história recente logo surgem memórias de certas arbitragens, de certos lances, de certas vitórias. No entanto e para corrigir certo artigo de jornal, o Belenenses é o 3º Clube com mais vitórias obtidas na casa do próximo adversário (e o 4º com maior número de empates).
No entanto vou resistir à tirania da memória, que neste caso apela a outras tiranias, com múltiplas faces. É caso para dizer, não vale a pena recordar, a maior parte dos Belenenses conhecem de cor.
Lembraria apenas um episódio que talvez muitos não conheçam, relacionado com a fundação do nosso Clube e o adversário de hoje, bem como outro rival da cidade. Quando Artur José Pereira (então de saída do Sporting) se reuniu com outros futebolistas de Belém para fundar o Belenenses (no célebre banco de jardim), todos apoiaram a idéia. Entre eles os que ainda jogavam no Sport Lisboa e Benfica, desagradados com um injusto castigo aplicado a um deles e enfim, também eles propensos a abandonar um clube que abandonava Belém cada vez mais.
Um deles, porém, ainda pôs algumas reservas. Pelo seu carácter e lisura, não achava por bem tal "rebeldia" sem pelo menos ser consultado o Benfica, onde também jogava. Por uma questão de educação.
Decidiu então condicionar a sua decisão (de se juntar ao Belenenses) à resposta que o Benfica lhe desse ao derradeiro pedido de perdão do jogador castigado. No entanto a resposta foi reveladora. Por palavras de outro Belenense, "não lhe fizeram caso". Perante tal desdém, aquele jogador abraçou de corpo e alma a idéia de Artur José Pereira, depois de satisfeita a condição da sua consciência. Estou a falar de Henrique Costa, posteriormente eleito como sócio nº1 do Clube (por proposta de Artur José Pereira, que recusou essa honra), primeiro treinador da equipa e um dos maiores Belenenses de sempre.
Não bastasse o sucedido e logo após a nossa fundação, alvitrou o homem-forte do Benfica, Cosme Damião, que o Belenenses não duraria muito. Ironia das ironias, seria o Belenenses e um outro recém-criado e legítimo herdeiro do Sport Lisboa, o Casa Pia, que iriam saltar rapidamente para a ribalta do futebol lisboeta e nacional, fazendo perigar a hegemonia de benfiquistas e sportinguistas. A coisa não lhes agradou, até que num ano conseguiram que fosse criada uma 2ª divisão do Campeonato de Lisboa (maior competição da altura) para onde foram "atirados" arbitrariamente o Belenenses e o Casa Pia, por serem... clubes mais recentes!
Desde então, é a história que sabemos, embora o Belenenses se tenha afirmado nas décadas seguintes como um dos "grandes", chegando ao tão desejado campeonato nacional mas não esquecendo as três vezes em que venceu o Campeonato de Portugal, a maior competição nacional enquanto existiu. Curiosa e habilmente esquecida nas contas de títulos.
E cá estamos, vivinhos da "silva", contrariamente ao desejo do outro senhor.
Mais não digo, até porque os dirigentes andam juntos para "regenerar" não sei o quê.
Passando agora para o presente, pairam agora na memória uns agradáveis 4-1 da 1ª volta, um pouco como o espectro do árduo empate da época passada no Jamor pairou sobre os benfiquistas durante muito tempo.
Agora parece que estão muitas coisas em jogo. Estas alturas são sempre más, tal a tendência de certas equipas para se reforçarem em campo com 1, 2 ou 3 jogadores extra (quando não 4, contando com o observador).
Não tem nada que saber, é mais uma vitória em jogo, mais 3 pontos, a ver se fechamos a época um pouco mais em beleza. Se outros factores aparecerem, vamos à luta. As outras contas fazem-se depois. Incluindo com a memória.
No entanto vou resistir à tirania da memória, que neste caso apela a outras tiranias, com múltiplas faces. É caso para dizer, não vale a pena recordar, a maior parte dos Belenenses conhecem de cor.
Lembraria apenas um episódio que talvez muitos não conheçam, relacionado com a fundação do nosso Clube e o adversário de hoje, bem como outro rival da cidade. Quando Artur José Pereira (então de saída do Sporting) se reuniu com outros futebolistas de Belém para fundar o Belenenses (no célebre banco de jardim), todos apoiaram a idéia. Entre eles os que ainda jogavam no Sport Lisboa e Benfica, desagradados com um injusto castigo aplicado a um deles e enfim, também eles propensos a abandonar um clube que abandonava Belém cada vez mais.
Um deles, porém, ainda pôs algumas reservas. Pelo seu carácter e lisura, não achava por bem tal "rebeldia" sem pelo menos ser consultado o Benfica, onde também jogava. Por uma questão de educação.
Decidiu então condicionar a sua decisão (de se juntar ao Belenenses) à resposta que o Benfica lhe desse ao derradeiro pedido de perdão do jogador castigado. No entanto a resposta foi reveladora. Por palavras de outro Belenense, "não lhe fizeram caso". Perante tal desdém, aquele jogador abraçou de corpo e alma a idéia de Artur José Pereira, depois de satisfeita a condição da sua consciência. Estou a falar de Henrique Costa, posteriormente eleito como sócio nº1 do Clube (por proposta de Artur José Pereira, que recusou essa honra), primeiro treinador da equipa e um dos maiores Belenenses de sempre.
Não bastasse o sucedido e logo após a nossa fundação, alvitrou o homem-forte do Benfica, Cosme Damião, que o Belenenses não duraria muito. Ironia das ironias, seria o Belenenses e um outro recém-criado e legítimo herdeiro do Sport Lisboa, o Casa Pia, que iriam saltar rapidamente para a ribalta do futebol lisboeta e nacional, fazendo perigar a hegemonia de benfiquistas e sportinguistas. A coisa não lhes agradou, até que num ano conseguiram que fosse criada uma 2ª divisão do Campeonato de Lisboa (maior competição da altura) para onde foram "atirados" arbitrariamente o Belenenses e o Casa Pia, por serem... clubes mais recentes!
Desde então, é a história que sabemos, embora o Belenenses se tenha afirmado nas décadas seguintes como um dos "grandes", chegando ao tão desejado campeonato nacional mas não esquecendo as três vezes em que venceu o Campeonato de Portugal, a maior competição nacional enquanto existiu. Curiosa e habilmente esquecida nas contas de títulos.
E cá estamos, vivinhos da "silva", contrariamente ao desejo do outro senhor.
Mais não digo, até porque os dirigentes andam juntos para "regenerar" não sei o quê.
Passando agora para o presente, pairam agora na memória uns agradáveis 4-1 da 1ª volta, um pouco como o espectro do árduo empate da época passada no Jamor pairou sobre os benfiquistas durante muito tempo.
Agora parece que estão muitas coisas em jogo. Estas alturas são sempre más, tal a tendência de certas equipas para se reforçarem em campo com 1, 2 ou 3 jogadores extra (quando não 4, contando com o observador).
Não tem nada que saber, é mais uma vitória em jogo, mais 3 pontos, a ver se fechamos a época um pouco mais em beleza. Se outros factores aparecerem, vamos à luta. As outras contas fazem-se depois. Incluindo com a memória.


9:20 a.m.


































