Futebol: A Juventude do Belém
A apresentação do plantel principal aproxima-se e os azulões ansiosos ainda esperam mais novidades, depois de alguns frenéticos dias em que o nosso Belém mais pareceu um máquina (poço de petróleo para outros). Centrais, defesas-esquerdos, são as nossas incógnitas.
A "novela" Gaspar continua, pergunto-me eu se virá mesmo para o Belenenses, dada a cobertura tão extensa de que tem sido alvo na imprensa, ao contrário de todos os restantes processos de contratação. Por outro lado Jaime Monteiro, segundo os jornais, já terá descartado o Rui Jorge. Afinal quem vem?!?!?
Se calhar e precisamente porque falta não muito para a apresentação, só saberemos nesse dia, à laia de surpresa. Também na imprensa já falaram em pelo menos uma. É possível. Assim sendo talvez seja recomendável esperar serenamente pelo dia 4 e aproveitar essa ocasião para fazer a primeira grande demonstração de apoio, nivelando este pelo nível que a maioria diz ter a nossa equipa. Eu, infelizmente, estarei a bastantes quilómetros do Restelo. Não, reconheço, não é assim que um pastel devia marcar férias... mea culpa!
Passando já ao verdadeiro assunto de hoje, ainda ontem no seu artigo o Alexandre Trindade referiu aspectos importantes na prospecção e formação de jogadores. De acordo ainda com alguns dos comentários que obteve, resolvi antecipar um artigo que tinha preparado para daqui a uns tempos, cuja temática orbita à volta das equipas B. Vejamos quais as alternativas e um pouco das experiências que já se fizeram em Portugal.
Filiais
As filiais foram das primeiras equipas com fortes ligações aos principais clubes. No entanto só em casos pontuais se tornaram em "viveiros" preferenciais de jogadores para a casa-mãe. A sua maioria deve ter - e tem - aspirações próprias, em muitos casos servindo de bandeira às respectivas vilas, cidades e regiões de origem, pelo que uma completa subalternidade face à casa-mãe raramente é frutuosa ou persistente. Aliás em algumas ocasiões certas filiais chegaram a disputar o próprio Campeonato da 1ª Divisão, em directa concorrência com os clubes-mãe.
No Belenenses tivémos alguns casos de jogadores vindos das filiais, dos quais se destaca o exemplo de um dos melhores jogadores de sempre - Matateu - que chegou a Belém oriundo da filial em Moçambique (1º de Maio), onde um olheiro azul (o antigo jogador João Belo) já marcava presença forte.
Outros casos existiram, senão com filiais, com clubes que praticamente assumiram esa condição. Estou-me a lembrar de um Lourinhanense para o Sporting aqui há uns anos, ou um Estoril e um Alverca para o Benfica mais recentemente.
De resto também já se sucederam casos menos felizes para as casas-mãe, em que jogadores das filiais vieram a tornar-se grandes noutros emblemas. Do Belenenses ocorre-me logo o Paulo Sousa (Sporting, Benfica, Juventus, Dortmund, etc.), que se iniciou nos Repesenses.
Faz sentido manter relações estreitas com as filiais para a prospecção de novos valores, sem dúvida. Já para "rodar" jovens jogadores o caso é um pouco diferente, pois depende do escalão em que se encontrem as ditas filais, isto é, depende do nível de competitividade e qualidade que possam proporcionar.
Em certo clubes estrangeiros começa a ser frequente um outro tipo de filiações. Por exemplo neste momento alguns clubes italianos, ingleses, holandeses ou alemães já pensam em adquirir - ou já efectivaram a aquisição - de clubes no Brasil, precisamente para que sirvam de "viveiro" e filtro para tão amplo mercado - às vezes arriscado. Dessa forma é-lhes possível pegar em tantos talentos de tenra idade que por lá aparecem e tratar da sua preparação ainda no país de origem, evitando uma emigração precoce, possivelmente culminada numa inadaptação ao futebol europeu.
Para o efeito alguns desses clubes recorrem aos serviços de emigrantes com origem no respectivo país e/ou ex-jogadores. Neste caso assemelha-se em muito à presença no passado de clubes portugueses nas antigas colónias, depois severamente afectada com as respectivas independências (excepto o Brasil, que já o era há muito mais tempo).
Ora tendo os portugueses e o Belenenses tão estreitas relações com o país-irmão (nomeadamente em matéria de ex-jogadores), para além de efectivamente recorrermos ao mercado brasileiro com frequência, seria de pensar não na compra de um clube satélite (parece-me bem além das nossas capacidades) mas no alargamento efectivo da rede de olheiros (empresários à parte).
Concluindo a parte das filiais, há algo que se pode fazer. No entanto dificilmente se pode conseguir o equivalente a equipas B.
Clubes-Satélite
Desconheço alguma definição formal para "Clube-Satélite", no entanto faço a distinção entre estes e as filais "puras". Por Clube Satélite entendo um clube que é efectivamente filial mas cuja existência está totalmente associada à casa-mãe, na maior parte das vezes partilhando instalações e estrutura dirigente, e cujos plantéis são formados por jogadores que esperam chegar ao clube principal.
Ao que sei já algum tempo que este género de clubes deixou de estar "na moda" (em detrimento do formato "Equipa B").
No Belenenses, no entanto, tivémos um caso bem interessante. Foi o Juventude de Belém, cuja efémera existência é resumida laconicamente nos livros da nossa história como uma experiência que teve de acabar devido aos elevados custos. Justificação que é válida e que serve também para as equipas B, como veremos adiante. No entanto creio que é redutor resumir assim a existência do Juventude. Contava no seu plantel com jovens jogadores bem razoáveis, alguns dos quais se vieram a destacar posteriormente na equipa principal (como o Pedro Espinha). E a sua carreira desportiva também foi prometedora. Disputou a série F da 3ª Divisão em 1990/91 e, para nossa alegria e receio de outros, aprestava-se a ser campeão. Lembro-me que eu, ainda era algo jovenzinho, até sonhava com as duas equipas do Belenenses na 1ª (era mesmo jovenzinho). No entanto tal coisa ou até próxima (como o Juventude disputar a 2ª Divisão) era impensável para o nosso futebol. E se uma eventual subida à 1ª estivesse impedida por regulamentos (creio que era), a vitória na 3ª divisão infelizmente também foi desde logo impedida.
Estávamos (o Juventude) isolados no 1º lugar quando o Conselho de Disciplina resolveu punir o Belenenses com 6 derrotas administrativas por 3-0, nos jogos anteriormente efectuados (e salvo erro todos ganhos em campo) com Beja, Almansilense, Almada, Piense, Alvorense e Aljustrelense. Tudo porque nesses jogos teríamos utilizado irregularmente o Rui Gregório, por estar inscrito pelo Belenenses e não pelo Juventude. Como resultado caímos para o 12º lugar, dizendo adeus ao título.
Insolitamente o CD da FPF também resolveu punir o Juventude (também com derrota por 3-0) no jogo que havia ganho ao Montemor para a Taça de Portugal (depois de ter eliminado o Estrela de Vendas Novas por 3-0). Problema: o Juventude já havia jogado e ganho a eliminatória seguinte, frente ao Tabuense (2-1). No final o Juventude participou mesmo nos 1/32 avos, sendo então eliminado pelo Gil Vicente (3-1). Curiosamente a carreira do Belenenses na Taça também não foi muito melhor, sendo eliminado também nos 1/32 avos pelo Farense (3-2).
Concluindo, o formato "Clube Satélite" acaba por servir de exemplo agora assimilável ao formato equipa B, de que falaremos a seguir. No entanto, ficam desde já duas linhas-mestras: resultados e custos. Obviamente!
Equipas B
Abandonado o formato dos Clubes-Satélite, há poucos anos começaram a vingar as equipas B. Vale a pena ter equipas B? Em primeiro lugar, olhemos para os casos existentes.
Porto, Benfica, Sporting, Académica, Braga e Marítimo têm ou já tiveram equipas B. No caso dos "grandes" podemos falar em dois tipos de equipa B. Um pelos vistos funciona, o outro não. O tipo de equipa B que comprovadamente se tem revelado como pouco útil é o da "equipa prateleira". Em bom rigor, o fracasso reside não na própria equipa B mas em primeiro lugar na má gestão - e más contratações - da equipa principal.
Quando Porto, Sporting e Benfica encheram as suas equipas B com dezenas de jogadores "emprateleirados", os resultados só poderiam ser maus. Desportivamente, porque tratavam-se de jogadores desmotivados, castigados ou até em trânsito. Financeiramente, porque eram jogadores que deviam ter ficado na equipa principal, auferindo salários de equipa principal. Assim sendo, ter equipas B para este efeito de facto não vale a pena. São desde logo sinónimo que algo está mal... com a equipa "A".
Mais tarde esses mesmos clubes optaram por outro género de equipa B, mais à imagem dos Clubes-Satélite de outrora. Isto é, equipas essencialmente formadas por jovens da formação. Os resultados das equipas não se pode dizer que fossem particularmente brilhantes, mas de qualquer forma eram mais interessantes do que com as "equipas-prateleira". Mas sobretudo - e isto é o que mais importa - serviram para formar e dar ritmo competitivo "adulto" a uns quantos jogadores. Como João Pereira (SLB), Moutinho (SCP) e alguns jogadores do FCP também.
Assim faz sentido, canalizar jovens do futebol "jovem" para o mais aguerrido campeonato da 2ª B, por exemplo. Já não fará tanto sentido manter uma equipa B em escalões inferiores, pois aí o Campeonato Nacional de Juniores acaba por ser tão ou mais competitivo. No caso do Benfica, apesar de a equipa B ter descido à 3ª Divisão, decidiram manter a aposta, tendo agora conseguido o regresso à 2ª B. Terão razão? Já o Sporting decidiu acabar com a equipa B quando esta também arriscou a despromoção para a 3ª divisão... e mesmo tendo ido buscar uns quantos jogadores para a equipa principal na mesmíssima altura. No Porto também já se falou na hipótese de acabar com a equipa B, pelos mesmos motivos. Porque os custos existem na mesma (mesmo não sendo "prateleira de ouro") e o nível de competitividade e até mesmo de sucesso aparentemente não é satisfatório.
Se Sporting e Porto acabam com as suas equipas B, fará sentido o Belenenses constituir a sua? Deixo a questão em aberto! No entanto é inegável que para esses clubes as experiências não têm sido totalmente inúteis...
Falando dos restantes, Marítimo e Braga têm aguentado as suas equipas B na 2ª Divisão B, mais ou menos no meio da tabela. Quanto ao Marítimo B não sei tão bem, mas quanto ao Braga creio que têm tido algum aproveitamento de jogadores.
No caso da Académica e apesar de também terem aproveitado alguns jogadores da equipa B, creio que também já acabaram com a dita equipa, que também se viu relegada para a 3ª Divisão.
Assim sendo e ainda que fique a questão em aberto, podemos concluir que as equipas B, mesmo tendo aliciantes, não são um "mar de rosas". No entanto a função de "rodar" jogadores jovens tem sido um desses aliciantes, com casos de sucesso. Não tenho dúvidas que deve ser assegurada. Se uma equipa B não fôr opção (se fôr, o Belenenses terá de fazer melhor que os outros têm feito), existem alternativas.
Outras Parcerias ou Política de Empréstimos
Para a "rodagem" de jogadores jovens em competições mais "a sério" também é possível o estabelecimento de acordos/parcerias com outros clubes, ainda que não sejam filiais e ainda que o vínculo mútuo se resuma ao empréstimo de jogadores.
Acho muito bem que se emprestem certos jogadores, tal como se diz em relação a alguns dos nossos. No entanto há que acautelar também que os jogadores irão para clubes e competições verdadeiramente interessantes. Como 2ª de Honra, 2ª B e Primeiras Divisões ou Segundas de bons campeonatos europeus.
Mas há duas formas de o fazer. Pode-se ter uma política de empréstimos sem "clientes" fixos ou através de parcerias (com "clientes" fixos) ou um misto das duas. Neste momento parece que o Belenenses adoptou a primeira, o que não me parece descabido. No entanto poderá ser interessante um esquema "misto", concentrando a "rodagem" de um certo número de jogadores num ou dois clubes. Nesse caso sim, poderia ser uma espécie de equipa B, de preferência uma com a qual os adeptos do Belenenses também possam ter alguma simpatia. Uma filial? Como disse acima, só se alguma delas disputasse uma competição "maior". Ao que sei, não são muitas, ou nenhuma. E que jogadores? Não os jovens que estão por vingar na equipa principal mas já lá chegaram (aí sou pelos empréstimos "um-a-um", a clubes diferentes), mas os que estando nos júniores precisem da tal "rodagem", para que uma vez regresados possam integrar-se com mais facilidade no plantel sénior.
Quais são as vantagens dos empréstimos em relação a uma equipa B? Acima de tudo pelos custos, que serão comportados solidariamente ou até exclusivamente pelo clube que recebe os jogadores. Desvantagens? Por um lado o acompanhamento e a formação em si são muito mais eficazes numa equipa B, em que os técnicos do próprio Clube podem seguir à risca - como para os escalões de formação - a "política própria", incutindo também os seus valores e princípios.
Conclusão? È difícil concluir categoricamente. Repito, a "rodagem" por outros clubes/equipas "séniores" (B, filiais, satélites ou parceiros) pode ser importante e necessária. Teoricamente haveria um outro argumento a favor da equipa B, que é a existência de mais uma equipa para os adeptos seguirem. No entanto e recordando os exemplos do Juventude de Belém, das equipas B dos outros Clubes e considerando ainda as tão fracas assistências aos jogos da equipa principal, estou em crer que muito dificilmente uma equipa B do Belenenses seria um sucesso de assistências, melhor ainda, um sucesso de bilheteira (mais uma receita). Se há gente disposta a acompanhar uma "B"? Sim, há os que já vão ver tudo o que é jogo em qualquer modalidade do Belém. Também há os estritamente futeboleiros que repetiriam a "dose" ou até aproveitariam para ir aos jogos da "B" enquanto a equipa principal joga fora de casa (um aliciante oportunamente referido no blog Belém Integral). Confesso, até eu gostaria. No entanto basta olhar para os jogos das camadas jovens bem como para os jogos de outras modalidades, mesmo as mais bem sucedidas. As assistências, quanto a mim, não são de todo satisfatórias. E mesmo para os "futeboleiros" talvez sejam tão ou mais importantes os incentivos às assistências no Futsal do que para uma equipa B, por exemplo.
Ainda no seguimento do argumento anterior, também se poderia encarar a equipa B como mais uma possibilidade de ganhar títulos. No entanto esse aspecto quanto a mim desvirtua seriamente aquele que eu entendo ser o objectivo não só de equipas B mas também de quaisquer equipas das camadas jovens. Aliás referi-me a isso mesmo aquando das discusões "eleitorais". Para mim o principal objectivo dessas equipas deve ser o suporte efectivo à equipa principal. Isto é, ser campeões em iniciados, juvenis ou juniores não pode ser um objectivo encerrado em si sem que possibilite um futuro e efectivo aproveitamento real de jogadores. E por isso é que entendo que a nossa política de formação das últimas décadas tem falhado, ainda que apareçam jogadores internacionais e classificações interessantes nessas camadas. Não chegam ou vingam na equipa principal! E por isso também é que a reestruturação do futebol juvenil sob a alçada de um mesmo responsável, o mesmo do futebol sénior, é importantíssima. Não quer dizer forçosamente que Carvalhal e as suas tácticas assolem as criancinhas mal chegam ao Clube (faz lembrar o Ajax), mas é preciso um "fio condutor". Senão temos a "modalidação" do futebol jovem, ou seja, este fica no mesmo que pé que outras modalidades, sendo avaliado pelo número de títulos que conquista ou não... e não como "fornecedor" essencial da mais importante modalidade do Clube. Em conformidade o nível de investimento terá de ser bem superior, pois os valores que conheço parecem-me irrisórios - abaixo do que se investe noutras modalidades. Demonstrando como é algo erróneo pensar que o dinheiro do Bingo só pode ser aplicado nas "amadoras" ou "amadoras-profissionais". Aqui está um exemplo em como o futebol tem ficado a perder. Não é mais um ataque ao ecletismo, as coisas têm de ser vistas como são. Mais, mesmo sem beliscar as outras modalidades, não faz sentido que o futebol jovem seja mais uma delas, e das pobres... ou menos "ricas". Se mais investimento no futebol jovem implica desinvestimento em outras modalidades? Se não existirem alternativas, sim. Se existirem, ainda que seja para aliviar parcialmente (como receitas de publicidade, do merchandising, etc.), melhor. Mas ainda estamos longe do bom, quanto mais do melhor.
E as "B" nas camadas jovens
Se até aqui referi as equipas "B" da equipa principal, é ainda oportuno falar de outras "B", onde alguns clubes portugueses também têm inovado: as das camadas jovens, constituídas por jovens no seu 1º ano de escalão. Uma vez mais, a função destas equipas é muito importante, pelo que uma decisão de acabar com elas não me parece admissível sem uma alternativa. No caso do Porto e do Boavista as alternativas dão pelo nome de Pasteleira e Padroense, clubes da zona que asseguram o papel de equipas B das camadas jovens. E com bastante sucesso, sendo vários os convocados para as selecções (com a de Sub-16).
No entanto aqui também deve haver a salvaguarda aplicável às equipas B séniores, pois também é importante manter um acompanhamento próximo dos jogadores e a formação dos mesmos dentro das filosofias e políticas do Clube. No caso do FCP e BFC creio que o poderão conseguir, uma vez que as ligações com aqueles clubes são mesmo muitos estreitas, não passando apenas pelo "parqueamento" de jogadores mas também na colaboração activa na captação.
Onde estamos agora
Agora mesmo temos assistido a mudanças importantes, algumas delas básicas, demonstrando o colossal atraso do Belenenses nestas matérias. E precisamente por se estar a tentar recuperar um atraso tão grande e essas mudanças serem tão recentes, creio que algumas soluções mais "avançadas" ainda tenham de esperar. Como poderia ser a criação de uma equipa B.
Em matéria de estrutura organizativa, investimento e infraestruturas ainda há muito para fazer, ainda que no seguimento de algumas coisas que já se fizeram, ainda que a orientação já seja assumidamente essa. Também não se podem esquecer outros aspectos que são transversais, como a prospecção de novos jogadores, que não se pode resumir ao "recrutamento" de jogadores "feitos". Já existem alguns exemplos nas camadas jovens (como foi com o Rolando), mas não podemos ficar por experiências isoladas. Captação, Prospecção e Formação integrais, com políticas homogéneas, coerentes. Sempre com o objectivo de fazer crescer a equipa principal, mas também fazer crescer o orçamento através de "vendas" chorudas de jogadores feitos em "casa" (tal como referiu o Alexandre), com o "timing" certo, isto é, conseguindo o equilíbrio entre o que é necessário para um rendimento desportivo crescente e sustentado e o que são boas oportunidades. Sem vender ao desbarato jogadores que se podem valorizar mais, que podem dar mais à equipa, que eventualmente até sintam a camisola mais que outros, mas sem perder as tais boas oportunidades, que a troco de uma boa maquia permitam pegar em 2, 3, 4 jogadores com margem de progressão, contra a saída de jogadores com valor mas cuja margem de progressão no Belenenses já não seja satisfatória, nem para o Clube nem para o jogador.
Não ser como equipas que raramente "produzem" jogadores, recorrendo com persistência a contratações de curto prazo e sujeitas a saídas contínuas a custo zero, mas também não ser como certos outros clubes, que mais parecem empresários, rodando jogadores de tal forma e a cada momento mal conseguem uma equipa verdadeiramente competitiva.
Numa situação de "cruzeiro" teríamos em cada época 2, 3, 4 ou mais jovens a conseguir chegar com sucesso à equipa principal enquanto outros, ainda jovens mas já com 2 ou 3 épocas na equipa principal, vão sendo adquiridos por esses Manchesters, Chelseas, Inters, Barças, etc...
Isto até ao dia em que sejamos como eles, claro!
Filiais
As filiais foram das primeiras equipas com fortes ligações aos principais clubes. No entanto só em casos pontuais se tornaram em "viveiros" preferenciais de jogadores para a casa-mãe. A sua maioria deve ter - e tem - aspirações próprias, em muitos casos servindo de bandeira às respectivas vilas, cidades e regiões de origem, pelo que uma completa subalternidade face à casa-mãe raramente é frutuosa ou persistente. Aliás em algumas ocasiões certas filiais chegaram a disputar o próprio Campeonato da 1ª Divisão, em directa concorrência com os clubes-mãe.
No Belenenses tivémos alguns casos de jogadores vindos das filiais, dos quais se destaca o exemplo de um dos melhores jogadores de sempre - Matateu - que chegou a Belém oriundo da filial em Moçambique (1º de Maio), onde um olheiro azul (o antigo jogador João Belo) já marcava presença forte.
Outros casos existiram, senão com filiais, com clubes que praticamente assumiram esa condição. Estou-me a lembrar de um Lourinhanense para o Sporting aqui há uns anos, ou um Estoril e um Alverca para o Benfica mais recentemente.
De resto também já se sucederam casos menos felizes para as casas-mãe, em que jogadores das filiais vieram a tornar-se grandes noutros emblemas. Do Belenenses ocorre-me logo o Paulo Sousa (Sporting, Benfica, Juventus, Dortmund, etc.), que se iniciou nos Repesenses.
Faz sentido manter relações estreitas com as filiais para a prospecção de novos valores, sem dúvida. Já para "rodar" jovens jogadores o caso é um pouco diferente, pois depende do escalão em que se encontrem as ditas filais, isto é, depende do nível de competitividade e qualidade que possam proporcionar.
Em certo clubes estrangeiros começa a ser frequente um outro tipo de filiações. Por exemplo neste momento alguns clubes italianos, ingleses, holandeses ou alemães já pensam em adquirir - ou já efectivaram a aquisição - de clubes no Brasil, precisamente para que sirvam de "viveiro" e filtro para tão amplo mercado - às vezes arriscado. Dessa forma é-lhes possível pegar em tantos talentos de tenra idade que por lá aparecem e tratar da sua preparação ainda no país de origem, evitando uma emigração precoce, possivelmente culminada numa inadaptação ao futebol europeu.
Para o efeito alguns desses clubes recorrem aos serviços de emigrantes com origem no respectivo país e/ou ex-jogadores. Neste caso assemelha-se em muito à presença no passado de clubes portugueses nas antigas colónias, depois severamente afectada com as respectivas independências (excepto o Brasil, que já o era há muito mais tempo).
Ora tendo os portugueses e o Belenenses tão estreitas relações com o país-irmão (nomeadamente em matéria de ex-jogadores), para além de efectivamente recorrermos ao mercado brasileiro com frequência, seria de pensar não na compra de um clube satélite (parece-me bem além das nossas capacidades) mas no alargamento efectivo da rede de olheiros (empresários à parte).
Concluindo a parte das filiais, há algo que se pode fazer. No entanto dificilmente se pode conseguir o equivalente a equipas B.
Clubes-Satélite
Desconheço alguma definição formal para "Clube-Satélite", no entanto faço a distinção entre estes e as filais "puras". Por Clube Satélite entendo um clube que é efectivamente filial mas cuja existência está totalmente associada à casa-mãe, na maior parte das vezes partilhando instalações e estrutura dirigente, e cujos plantéis são formados por jogadores que esperam chegar ao clube principal.
Ao que sei já algum tempo que este género de clubes deixou de estar "na moda" (em detrimento do formato "Equipa B").
No Belenenses, no entanto, tivémos um caso bem interessante. Foi o Juventude de Belém, cuja efémera existência é resumida laconicamente nos livros da nossa história como uma experiência que teve de acabar devido aos elevados custos. Justificação que é válida e que serve também para as equipas B, como veremos adiante. No entanto creio que é redutor resumir assim a existência do Juventude. Contava no seu plantel com jovens jogadores bem razoáveis, alguns dos quais se vieram a destacar posteriormente na equipa principal (como o Pedro Espinha). E a sua carreira desportiva também foi prometedora. Disputou a série F da 3ª Divisão em 1990/91 e, para nossa alegria e receio de outros, aprestava-se a ser campeão. Lembro-me que eu, ainda era algo jovenzinho, até sonhava com as duas equipas do Belenenses na 1ª (era mesmo jovenzinho). No entanto tal coisa ou até próxima (como o Juventude disputar a 2ª Divisão) era impensável para o nosso futebol. E se uma eventual subida à 1ª estivesse impedida por regulamentos (creio que era), a vitória na 3ª divisão infelizmente também foi desde logo impedida.
Estávamos (o Juventude) isolados no 1º lugar quando o Conselho de Disciplina resolveu punir o Belenenses com 6 derrotas administrativas por 3-0, nos jogos anteriormente efectuados (e salvo erro todos ganhos em campo) com Beja, Almansilense, Almada, Piense, Alvorense e Aljustrelense. Tudo porque nesses jogos teríamos utilizado irregularmente o Rui Gregório, por estar inscrito pelo Belenenses e não pelo Juventude. Como resultado caímos para o 12º lugar, dizendo adeus ao título.
Insolitamente o CD da FPF também resolveu punir o Juventude (também com derrota por 3-0) no jogo que havia ganho ao Montemor para a Taça de Portugal (depois de ter eliminado o Estrela de Vendas Novas por 3-0). Problema: o Juventude já havia jogado e ganho a eliminatória seguinte, frente ao Tabuense (2-1). No final o Juventude participou mesmo nos 1/32 avos, sendo então eliminado pelo Gil Vicente (3-1). Curiosamente a carreira do Belenenses na Taça também não foi muito melhor, sendo eliminado também nos 1/32 avos pelo Farense (3-2).
Concluindo, o formato "Clube Satélite" acaba por servir de exemplo agora assimilável ao formato equipa B, de que falaremos a seguir. No entanto, ficam desde já duas linhas-mestras: resultados e custos. Obviamente!
Equipas B
Abandonado o formato dos Clubes-Satélite, há poucos anos começaram a vingar as equipas B. Vale a pena ter equipas B? Em primeiro lugar, olhemos para os casos existentes.
Porto, Benfica, Sporting, Académica, Braga e Marítimo têm ou já tiveram equipas B. No caso dos "grandes" podemos falar em dois tipos de equipa B. Um pelos vistos funciona, o outro não. O tipo de equipa B que comprovadamente se tem revelado como pouco útil é o da "equipa prateleira". Em bom rigor, o fracasso reside não na própria equipa B mas em primeiro lugar na má gestão - e más contratações - da equipa principal.
Quando Porto, Sporting e Benfica encheram as suas equipas B com dezenas de jogadores "emprateleirados", os resultados só poderiam ser maus. Desportivamente, porque tratavam-se de jogadores desmotivados, castigados ou até em trânsito. Financeiramente, porque eram jogadores que deviam ter ficado na equipa principal, auferindo salários de equipa principal. Assim sendo, ter equipas B para este efeito de facto não vale a pena. São desde logo sinónimo que algo está mal... com a equipa "A".
Mais tarde esses mesmos clubes optaram por outro género de equipa B, mais à imagem dos Clubes-Satélite de outrora. Isto é, equipas essencialmente formadas por jovens da formação. Os resultados das equipas não se pode dizer que fossem particularmente brilhantes, mas de qualquer forma eram mais interessantes do que com as "equipas-prateleira". Mas sobretudo - e isto é o que mais importa - serviram para formar e dar ritmo competitivo "adulto" a uns quantos jogadores. Como João Pereira (SLB), Moutinho (SCP) e alguns jogadores do FCP também.
Assim faz sentido, canalizar jovens do futebol "jovem" para o mais aguerrido campeonato da 2ª B, por exemplo. Já não fará tanto sentido manter uma equipa B em escalões inferiores, pois aí o Campeonato Nacional de Juniores acaba por ser tão ou mais competitivo. No caso do Benfica, apesar de a equipa B ter descido à 3ª Divisão, decidiram manter a aposta, tendo agora conseguido o regresso à 2ª B. Terão razão? Já o Sporting decidiu acabar com a equipa B quando esta também arriscou a despromoção para a 3ª divisão... e mesmo tendo ido buscar uns quantos jogadores para a equipa principal na mesmíssima altura. No Porto também já se falou na hipótese de acabar com a equipa B, pelos mesmos motivos. Porque os custos existem na mesma (mesmo não sendo "prateleira de ouro") e o nível de competitividade e até mesmo de sucesso aparentemente não é satisfatório.
Se Sporting e Porto acabam com as suas equipas B, fará sentido o Belenenses constituir a sua? Deixo a questão em aberto! No entanto é inegável que para esses clubes as experiências não têm sido totalmente inúteis...
Falando dos restantes, Marítimo e Braga têm aguentado as suas equipas B na 2ª Divisão B, mais ou menos no meio da tabela. Quanto ao Marítimo B não sei tão bem, mas quanto ao Braga creio que têm tido algum aproveitamento de jogadores.
No caso da Académica e apesar de também terem aproveitado alguns jogadores da equipa B, creio que também já acabaram com a dita equipa, que também se viu relegada para a 3ª Divisão.
Assim sendo e ainda que fique a questão em aberto, podemos concluir que as equipas B, mesmo tendo aliciantes, não são um "mar de rosas". No entanto a função de "rodar" jogadores jovens tem sido um desses aliciantes, com casos de sucesso. Não tenho dúvidas que deve ser assegurada. Se uma equipa B não fôr opção (se fôr, o Belenenses terá de fazer melhor que os outros têm feito), existem alternativas.
Outras Parcerias ou Política de Empréstimos
Para a "rodagem" de jogadores jovens em competições mais "a sério" também é possível o estabelecimento de acordos/parcerias com outros clubes, ainda que não sejam filiais e ainda que o vínculo mútuo se resuma ao empréstimo de jogadores.
Acho muito bem que se emprestem certos jogadores, tal como se diz em relação a alguns dos nossos. No entanto há que acautelar também que os jogadores irão para clubes e competições verdadeiramente interessantes. Como 2ª de Honra, 2ª B e Primeiras Divisões ou Segundas de bons campeonatos europeus.
Mas há duas formas de o fazer. Pode-se ter uma política de empréstimos sem "clientes" fixos ou através de parcerias (com "clientes" fixos) ou um misto das duas. Neste momento parece que o Belenenses adoptou a primeira, o que não me parece descabido. No entanto poderá ser interessante um esquema "misto", concentrando a "rodagem" de um certo número de jogadores num ou dois clubes. Nesse caso sim, poderia ser uma espécie de equipa B, de preferência uma com a qual os adeptos do Belenenses também possam ter alguma simpatia. Uma filial? Como disse acima, só se alguma delas disputasse uma competição "maior". Ao que sei, não são muitas, ou nenhuma. E que jogadores? Não os jovens que estão por vingar na equipa principal mas já lá chegaram (aí sou pelos empréstimos "um-a-um", a clubes diferentes), mas os que estando nos júniores precisem da tal "rodagem", para que uma vez regresados possam integrar-se com mais facilidade no plantel sénior.
Quais são as vantagens dos empréstimos em relação a uma equipa B? Acima de tudo pelos custos, que serão comportados solidariamente ou até exclusivamente pelo clube que recebe os jogadores. Desvantagens? Por um lado o acompanhamento e a formação em si são muito mais eficazes numa equipa B, em que os técnicos do próprio Clube podem seguir à risca - como para os escalões de formação - a "política própria", incutindo também os seus valores e princípios.
Conclusão? È difícil concluir categoricamente. Repito, a "rodagem" por outros clubes/equipas "séniores" (B, filiais, satélites ou parceiros) pode ser importante e necessária. Teoricamente haveria um outro argumento a favor da equipa B, que é a existência de mais uma equipa para os adeptos seguirem. No entanto e recordando os exemplos do Juventude de Belém, das equipas B dos outros Clubes e considerando ainda as tão fracas assistências aos jogos da equipa principal, estou em crer que muito dificilmente uma equipa B do Belenenses seria um sucesso de assistências, melhor ainda, um sucesso de bilheteira (mais uma receita). Se há gente disposta a acompanhar uma "B"? Sim, há os que já vão ver tudo o que é jogo em qualquer modalidade do Belém. Também há os estritamente futeboleiros que repetiriam a "dose" ou até aproveitariam para ir aos jogos da "B" enquanto a equipa principal joga fora de casa (um aliciante oportunamente referido no blog Belém Integral). Confesso, até eu gostaria. No entanto basta olhar para os jogos das camadas jovens bem como para os jogos de outras modalidades, mesmo as mais bem sucedidas. As assistências, quanto a mim, não são de todo satisfatórias. E mesmo para os "futeboleiros" talvez sejam tão ou mais importantes os incentivos às assistências no Futsal do que para uma equipa B, por exemplo.
Ainda no seguimento do argumento anterior, também se poderia encarar a equipa B como mais uma possibilidade de ganhar títulos. No entanto esse aspecto quanto a mim desvirtua seriamente aquele que eu entendo ser o objectivo não só de equipas B mas também de quaisquer equipas das camadas jovens. Aliás referi-me a isso mesmo aquando das discusões "eleitorais". Para mim o principal objectivo dessas equipas deve ser o suporte efectivo à equipa principal. Isto é, ser campeões em iniciados, juvenis ou juniores não pode ser um objectivo encerrado em si sem que possibilite um futuro e efectivo aproveitamento real de jogadores. E por isso é que entendo que a nossa política de formação das últimas décadas tem falhado, ainda que apareçam jogadores internacionais e classificações interessantes nessas camadas. Não chegam ou vingam na equipa principal! E por isso também é que a reestruturação do futebol juvenil sob a alçada de um mesmo responsável, o mesmo do futebol sénior, é importantíssima. Não quer dizer forçosamente que Carvalhal e as suas tácticas assolem as criancinhas mal chegam ao Clube (faz lembrar o Ajax), mas é preciso um "fio condutor". Senão temos a "modalidação" do futebol jovem, ou seja, este fica no mesmo que pé que outras modalidades, sendo avaliado pelo número de títulos que conquista ou não... e não como "fornecedor" essencial da mais importante modalidade do Clube. Em conformidade o nível de investimento terá de ser bem superior, pois os valores que conheço parecem-me irrisórios - abaixo do que se investe noutras modalidades. Demonstrando como é algo erróneo pensar que o dinheiro do Bingo só pode ser aplicado nas "amadoras" ou "amadoras-profissionais". Aqui está um exemplo em como o futebol tem ficado a perder. Não é mais um ataque ao ecletismo, as coisas têm de ser vistas como são. Mais, mesmo sem beliscar as outras modalidades, não faz sentido que o futebol jovem seja mais uma delas, e das pobres... ou menos "ricas". Se mais investimento no futebol jovem implica desinvestimento em outras modalidades? Se não existirem alternativas, sim. Se existirem, ainda que seja para aliviar parcialmente (como receitas de publicidade, do merchandising, etc.), melhor. Mas ainda estamos longe do bom, quanto mais do melhor.
E as "B" nas camadas jovens
Se até aqui referi as equipas "B" da equipa principal, é ainda oportuno falar de outras "B", onde alguns clubes portugueses também têm inovado: as das camadas jovens, constituídas por jovens no seu 1º ano de escalão. Uma vez mais, a função destas equipas é muito importante, pelo que uma decisão de acabar com elas não me parece admissível sem uma alternativa. No caso do Porto e do Boavista as alternativas dão pelo nome de Pasteleira e Padroense, clubes da zona que asseguram o papel de equipas B das camadas jovens. E com bastante sucesso, sendo vários os convocados para as selecções (com a de Sub-16).
No entanto aqui também deve haver a salvaguarda aplicável às equipas B séniores, pois também é importante manter um acompanhamento próximo dos jogadores e a formação dos mesmos dentro das filosofias e políticas do Clube. No caso do FCP e BFC creio que o poderão conseguir, uma vez que as ligações com aqueles clubes são mesmo muitos estreitas, não passando apenas pelo "parqueamento" de jogadores mas também na colaboração activa na captação.
Onde estamos agora
Agora mesmo temos assistido a mudanças importantes, algumas delas básicas, demonstrando o colossal atraso do Belenenses nestas matérias. E precisamente por se estar a tentar recuperar um atraso tão grande e essas mudanças serem tão recentes, creio que algumas soluções mais "avançadas" ainda tenham de esperar. Como poderia ser a criação de uma equipa B.
Em matéria de estrutura organizativa, investimento e infraestruturas ainda há muito para fazer, ainda que no seguimento de algumas coisas que já se fizeram, ainda que a orientação já seja assumidamente essa. Também não se podem esquecer outros aspectos que são transversais, como a prospecção de novos jogadores, que não se pode resumir ao "recrutamento" de jogadores "feitos". Já existem alguns exemplos nas camadas jovens (como foi com o Rolando), mas não podemos ficar por experiências isoladas. Captação, Prospecção e Formação integrais, com políticas homogéneas, coerentes. Sempre com o objectivo de fazer crescer a equipa principal, mas também fazer crescer o orçamento através de "vendas" chorudas de jogadores feitos em "casa" (tal como referiu o Alexandre), com o "timing" certo, isto é, conseguindo o equilíbrio entre o que é necessário para um rendimento desportivo crescente e sustentado e o que são boas oportunidades. Sem vender ao desbarato jogadores que se podem valorizar mais, que podem dar mais à equipa, que eventualmente até sintam a camisola mais que outros, mas sem perder as tais boas oportunidades, que a troco de uma boa maquia permitam pegar em 2, 3, 4 jogadores com margem de progressão, contra a saída de jogadores com valor mas cuja margem de progressão no Belenenses já não seja satisfatória, nem para o Clube nem para o jogador.
Não ser como equipas que raramente "produzem" jogadores, recorrendo com persistência a contratações de curto prazo e sujeitas a saídas contínuas a custo zero, mas também não ser como certos outros clubes, que mais parecem empresários, rodando jogadores de tal forma e a cada momento mal conseguem uma equipa verdadeiramente competitiva.
Numa situação de "cruzeiro" teríamos em cada época 2, 3, 4 ou mais jovens a conseguir chegar com sucesso à equipa principal enquanto outros, ainda jovens mas já com 2 ou 3 épocas na equipa principal, vão sendo adquiridos por esses Manchesters, Chelseas, Inters, Barças, etc...
Isto até ao dia em que sejamos como eles, claro!
Como reflexões finais...
Reparem como os resultados das equipas B não têm grande influência quando não são bons - porque o que vale é formar, está certo - mas decidem o seu fim quando são piores do que o esperado - porque competir na 3ª Divisão não parece aliciar os Clubes, o que também se compreende. Assim sendo a manutenção de uma equipa B dependerá da sua estabilização na 2ª Divisão B, nem acima (porque é muito difícil ou até nem é permitido), nem abaixo.
Para concluir, faça-se o exercício de olhar para os últimos 20 anos do Belenenses, fazendo as contas aos número de jovens que nesse período passaram pela nossa formação. E agora pensem: quantos se afirmaram verdadeiramente? E quantos dos da nossa "cantera" é que conseguimos vender a um bom clube europeu? Pior, quantos é que conseguimos vender de todo? Tudo muito, muito pouco. Dando a sensação que se passaram anos e anos em que a nossa formação... não funcionou. Que seja agora!
Para concluir, faça-se o exercício de olhar para os últimos 20 anos do Belenenses, fazendo as contas aos número de jovens que nesse período passaram pela nossa formação. E agora pensem: quantos se afirmaram verdadeiramente? E quantos dos da nossa "cantera" é que conseguimos vender a um bom clube europeu? Pior, quantos é que conseguimos vender de todo? Tudo muito, muito pouco. Dando a sensação que se passaram anos e anos em que a nossa formação... não funcionou. Que seja agora!


12:00 da manhã


































