Há petróleo no Restelo?
Pena é não haver petróleo, porque se houvesse ninguém nos segurava
Sob a assinatura de João Cartaxana, na revista "Dez" em suplemento ao "Record" do passado Sábado, o jornalista tenta decifrar com os argumentos extraídos de Barros Rodrigues a razão pela qual o Belenenses surgiu desta feita tão agressivo no mercado de transferências ou aquisições a contrastar com idênticos períodos de anos transactos, sendo certo que, em substância, houve pouca mudança de pessoas.
A meu ver, o jornalista parte de pressupostos falaciosos baseados em suposições de valores remunertórios, dado que tendo assente o seu "estudo" numa entrevista a Barros Rodrigues, em nenhum lado se descortina a divulgação de valores salariais, nem isso é prática dos clubes.
Omite-se, ainda, em nada falar sobre o rigor orçamental dos últimos anos que, a meu ver, tem permitido este avanço no mercado de jogadores.
Deixo, no entato, para o final a minha interpretação desta grossa e exaustiva notícia na revista atás mencionada, a qual, no entanto, e a meu ver, não é deslustrosa para o Clube.
Vejamos então o que foi escrito:
"Numa altura em que a maioria dos clubes da SuperLiga atravessa uma crise financeira - 80 por cento dos inscritos têm salários em atraso - e até os grandes se viram preferencialmente para o mercado interno para contratar jogadores em fim de contrato, o Belenenses fez incidir sobre ele as atenções pela surpreendente capacidade aquisitiva que revelou. Num curto período, assegurou o concurso de dois internacionais portugueses, Silas e Romeu, e de um dos avançados mais cobiçados no mercado, o camaronês Meyong.
Em relação ao primeiro, ainda contratualmente ligado ao Wolverhampton, de Inglaterra, o Belenenses irá suportar na totalidade o salário elevado do jogador, que ronda os 30 mil euros mensais (6 mil contos), conforme condições de empréstimo negociadas entre os dois clubes. Quanto a Romeu, o V. Guimarães não estava disposto a continuar a pagar-lhe um salário a rondar os 30 mil euros (6 mil contos) e não pôde competir com o Belenenses, que se dispôs a ofrecer-lhe cerca de 20 mil euros mensais (4 mil contos). Finalmente o caso de Meyong: auferia um salário mensal de 20 mil euros (4 mil contos) no V. Setúbal, a SAD tentou que ele baixasse os valores para renovar, mas o jogador recusou liminarmente. Mudou-se para o Belenenses com um contrato que lhe assegura um salário mensal de 25 mil euros (5 mil contos).
Além destas três trutas, o clube do Restelo adquiriu mais cinco jogadores: Ahamada e Sandro Gaúcho ao Beira-Mar, Djurdjevic ao V. Guimarães, Fábio Januário ao Gil Vicente e Ricardo Araújo ao grémio Inhumense, do Brasil, cujos salários se enquadram num patamar semelhante ao de outros jogadores que abandonaram o clube no final da época. Se se tiver em linha de conta que o orçamento do futebol para a época de 2005/06 é idêntico ao da época passada que rondou os 3,5 milhões de euros (700 mil contos), como se explica tanta pujança e agressividade com que o Belenenses se moveu no mercado? Como não é crível que tenha sido descoberto um poço de petróleo no Restelo, de onde veio o dinheiro que permitiu reforçar a equipa com jogadores de craveira dos acima mencionados?
O presidente da SAD, Barros Rodrigues, garante que os custos salariais e outros associados ás contratações dos jogadores, como os chamados prémios de assinaturas e comissões pagas a empresários, "até são ligeiramente inferiores aos da época passada". É ele próprio a assumir: "Não há sobre-orçamentação, a bitola orçamental é a mesma do ano passado. O Belenenses tem um bom nome na praça, paga a tempo e horas e quer preservar essa imagem. Não nos deixamos embarcar numa lógica despesista".
O manda-chuva do futebol azul considera que este interesse inusitado dos media pelas últimas aquisições do Belenenses decorrer de um aspecto inovador na política de aquisições: "O que fizemos foi contactar e fechar contrato com os jogadores antes destes entrarem de férias. E isso teve outro impacto. Ora, como agimos mais cedo, a oferta é, naturalmente, mais ampla e foi possível assegurar as primeiras escolhas.Ao contrário da época passada, em que os jogadores foram chegando tarde e a conta-gotas...."
O orçamento para o futebol na época passada, segundo Barros Rodrigues, rondou os 3,6 milhões de euros (720 mil contos). E qual o previsto para esta época? "Anda à volta dos 3,9 milhões de euros (780 mil contos)..."-revela. Uma diferença irrisória de 300 mil euros (60 mil contos). Qual a "engenharia financeira" ( e o termo vem a propósito , sendo Barros Rodrigues engenheiro) que permitiu investir tão fortemente no mercado sem onerar o orçamento de forma significativa? Antes de responder directamente à questão, o responsável pelo futebol fez saber que "se há um ligeiro agravamento do orçamento ele não decorre dos encargos com o plantel profissional, mas com um conjunto de unidades funcionais, como os gabinetes de prospecção e de observação, para os quais foram requisitados profissionais, e com o incremento da inflacção".
Vejamos então o que foi escrito:
"Numa altura em que a maioria dos clubes da SuperLiga atravessa uma crise financeira - 80 por cento dos inscritos têm salários em atraso - e até os grandes se viram preferencialmente para o mercado interno para contratar jogadores em fim de contrato, o Belenenses fez incidir sobre ele as atenções pela surpreendente capacidade aquisitiva que revelou. Num curto período, assegurou o concurso de dois internacionais portugueses, Silas e Romeu, e de um dos avançados mais cobiçados no mercado, o camaronês Meyong.
Em relação ao primeiro, ainda contratualmente ligado ao Wolverhampton, de Inglaterra, o Belenenses irá suportar na totalidade o salário elevado do jogador, que ronda os 30 mil euros mensais (6 mil contos), conforme condições de empréstimo negociadas entre os dois clubes. Quanto a Romeu, o V. Guimarães não estava disposto a continuar a pagar-lhe um salário a rondar os 30 mil euros (6 mil contos) e não pôde competir com o Belenenses, que se dispôs a ofrecer-lhe cerca de 20 mil euros mensais (4 mil contos). Finalmente o caso de Meyong: auferia um salário mensal de 20 mil euros (4 mil contos) no V. Setúbal, a SAD tentou que ele baixasse os valores para renovar, mas o jogador recusou liminarmente. Mudou-se para o Belenenses com um contrato que lhe assegura um salário mensal de 25 mil euros (5 mil contos).
Além destas três trutas, o clube do Restelo adquiriu mais cinco jogadores: Ahamada e Sandro Gaúcho ao Beira-Mar, Djurdjevic ao V. Guimarães, Fábio Januário ao Gil Vicente e Ricardo Araújo ao grémio Inhumense, do Brasil, cujos salários se enquadram num patamar semelhante ao de outros jogadores que abandonaram o clube no final da época. Se se tiver em linha de conta que o orçamento do futebol para a época de 2005/06 é idêntico ao da época passada que rondou os 3,5 milhões de euros (700 mil contos), como se explica tanta pujança e agressividade com que o Belenenses se moveu no mercado? Como não é crível que tenha sido descoberto um poço de petróleo no Restelo, de onde veio o dinheiro que permitiu reforçar a equipa com jogadores de craveira dos acima mencionados?
O presidente da SAD, Barros Rodrigues, garante que os custos salariais e outros associados ás contratações dos jogadores, como os chamados prémios de assinaturas e comissões pagas a empresários, "até são ligeiramente inferiores aos da época passada". É ele próprio a assumir: "Não há sobre-orçamentação, a bitola orçamental é a mesma do ano passado. O Belenenses tem um bom nome na praça, paga a tempo e horas e quer preservar essa imagem. Não nos deixamos embarcar numa lógica despesista".
O manda-chuva do futebol azul considera que este interesse inusitado dos media pelas últimas aquisições do Belenenses decorrer de um aspecto inovador na política de aquisições: "O que fizemos foi contactar e fechar contrato com os jogadores antes destes entrarem de férias. E isso teve outro impacto. Ora, como agimos mais cedo, a oferta é, naturalmente, mais ampla e foi possível assegurar as primeiras escolhas.Ao contrário da época passada, em que os jogadores foram chegando tarde e a conta-gotas...."
O orçamento para o futebol na época passada, segundo Barros Rodrigues, rondou os 3,6 milhões de euros (720 mil contos). E qual o previsto para esta época? "Anda à volta dos 3,9 milhões de euros (780 mil contos)..."-revela. Uma diferença irrisória de 300 mil euros (60 mil contos). Qual a "engenharia financeira" ( e o termo vem a propósito , sendo Barros Rodrigues engenheiro) que permitiu investir tão fortemente no mercado sem onerar o orçamento de forma significativa? Antes de responder directamente à questão, o responsável pelo futebol fez saber que "se há um ligeiro agravamento do orçamento ele não decorre dos encargos com o plantel profissional, mas com um conjunto de unidades funcionais, como os gabinetes de prospecção e de observação, para os quais foram requisitados profissionais, e com o incremento da inflacção".
Barros Rodrigues realça dois aspectos que considera importantes: "Por um lado, os jogadores contratados não assinaram contratos acima do que é "plafond" salarial do clube e, por outro lado, o plantel vai ser reduzido para 18/19 jogadores campo, mais três guarda-redes"
Se é um facto que os custos salariais/mês dos contratos (a rondar os 75 mil euros, 15 mil contos como atrás referimos) de Silas, Romeu e Meyong têm um peso importante no orçamento, também não é menos verdade que saíram jogadores que rivalizavam com aqueles a nível salarial.
Os casos mais flagrantes são os de Catanha, que auferia cerca de 25 mil euros mensais (5 mil contos) e de Juninho Petrolina, com 17 mil euros (3400 contos).
Mas o clube deixou, também, de ter outros encargos salarias com muitos outros jogadores que saíram no final da época. A começar pelos dois jogadores emprestados pelo Benfica, Cristiano e Rodolfo Lima, e com outro do Sporting, o avançado Lourenço, sobretudo este, que tinha um dos salários mais elevados do plantel, e que eram suportados integralmente pelo Belenenses.
Mas há mais: Wilson e Marco Paulo, não sendo dos jogadores mais caros, não renovaram e o clube poupou na massa salarial.
A mesma tese se aplica no caso de Neca, que se transferiu para o V. Guimarães. O contrato de Tuck, válido por mais um ano, foi anulado e redigido outro na condição de responsável pelo gabiente de prospecção, por valores inferiores. Cabral também tem contrato por mais uma ano, mas vai ser dispensado - procura-se clube para o colocar.
A saída de Antchouet, apesar do gabonês não ter dos contratos mais altos, é um dado adquirido. E há ainda o caso do sueco Andersson, esse sim detentor de um dos ordenados mais pesados do plantel, cuja continuidade ainda é uma incógnita.
Numa avaliação e cálculo com base nos valores salariais que pudemos apurar, verifica-se que os custos com os salários esta época não excedem os da época passada. O que se eleva é a fasquia em relação aos objectivos no plano desportivo. Barros Rodrigues assume-o: "Queremos incutir mais ambição e não nos resignarmos com uma posição confortável na tabela. Esta época, a meta é o apuramento para uma prova europeia, o que significa ficarn num dos cinco ou seis primeiros lugares da SuperLiga".
Face a esta entrevista, é-me permitido extrair as seguintes CONCLUSÕES:
1. Há uma nova postura da SAD no mercado de jogadores e empresários, bem mais agressiva e menos de perna cruzada (enraçado que Barros Rodrigues era responsável da SAD em menor grau o ano transacto, cujo presidente foi Sequeira Nunes...);
2. Há uma progressiva profissionalização dos órgãos de staff da SAD por forma a dotá-la das melhores opções no momento adequado, como sejam a criação de unidades funcionais e a "transferência" do Tuck para uma dessas unidades;
3. Permito-me duvidar dos valores mensais a auferir pelos 3 jogadores citados inicialmente face ao facto de Barros Rodrigues ter afirmado que não execederão a bitola dos praticados no Clube;
4. Numa outra notícia, é de louvar a atitude da SAD relatiavemente ao caso criado pelo Antchouet: ou paga ou negoceia-se, mas pelo que se lê, já pouco ou nada há a negociar;
5. Há anos, quando Fernando Couto foi para a Juventus, disse que o FC Porto tinha não sei quantas dezenas de jogadores, ao que foi gozado pelo rídiculo da situação. Pois é, o Belenenses emgreceu o plantel ao nível de núemro de jogadores praticados na Europa, mas melhorou qualitativamente;
6. Não faz sentido ter "n" jogadores, quando a qualidade de uns não supera a de outros, ou seja;
7. A não sobre-orçamentação saíu à custa da redução do plantel;
8. O ano transacto os jogadores emprestados pela 2ª Circular, cujo rendimento é de todos conhecido, aliado aos jogadores Andersson, Catanha, Neca e Juninho permitiram no seu cinjunto a tal enhenheria financeira que fala o repórter, porque aqui estamos a aplicar a lei da toalha ao orçamento. A toalha não estica, pode é ser mais curta ou comprida num dos lados. Simples.
Esperemos que a política este ano seguida seja para continuar, e é bom dizer-se que as aquisições, em termos públicos não estão todas feitas, embora algo me diga que todos os jogadores para os lugares em falta já estão, de facto, contratados ou apalavrados.
Saudações Azuis.


12:00 da manhã


































