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"Quites", "kitsch" ou "kits"



Hoje, para variar, vou falar da concorrência. Gostaria de fazer uns breves comentários relacionados com a recente campanha do Benfica, a do “Kit Novo Sócio”. Não numa perspectiva do dito Clube, claro está, para isso existirão por certo outros espaços para discussão. Este é do Belenenses. No entanto convém estarmos atentos a tudo o que os outros fazem, quanto mais não seja para imitar aquilo que seja bom.

A campanha em causa visa essencialmente captar novos associados em massa, sendo o principal aliciante uma série de descontos para os sócios numa série de médias e grandes empresas.
Uma campanha semelhante não serve para o Belenenses por várias ordens de razões. Em primeiro lugar, eles foram campeões e nós não. Mais do que no ano passado, em que “apenas” ganharam a Taça de Portugal, um campeonato ganho é de facto uma boa altura para estas iniciativas. Em segundo lugar esta campanha visa, repito, a captação de novos sócios em massa, não sendo directamente complementada com uma política relativa a bilheteira/assistência efectiva aos jogos. Ora, não fazendo crítica ao Benfica (uma vez mais, porque não é essa a intenção), para o Belenenses não concordaria com uma medida avulsa como esta, dissociada de medidas para incrementar assistências, para ter mais praticantes, no fundo, chamar mais gente ao complexo, o que é sempre bom, salvo particularíssimas situações (como ter 500 alunos numa mesma aula de natação, por exemplo). É certo que o horizonte dos benfiquistas, o de captar 300.000 sócios, produzirá uma receita interessante se se vier a concretizar. No entanto poderá ter um carácter algo extraordinário, se findos os 4 meses de quotas que estão incluídos no “Kit” - para sócios efectivos - os mesmos deixarem de pagar as seguintes e afinal o número de sócios acabar por a curto prazo voltar aos níveis iniciais. Não seria novidade, incluindo no nosso Belenenses! Para que isso não aconteça também em “massa”, convém que os resultados e sobretudo as expectativas não se nivelem de novo por baixo. E por outro lado a venda de um bom jogador poderá render muito mais…
Outro aspecto em que o Belenenses fica atrás é relativo à quantidade e qualidade de parceiros que concedem descontos aos sócios. Considerando o que o Belenenses é hoje e sem menosprezar os actuais parceiros, os encarnados conseguem sem dúvidas reunir uma lista bem mais interessante. Aliás é isso que tentam vender, uma vez que o preço do “Kit” supera em 7 Euros o valor equivalente de quotas de sócio efectivo (55 contra 48 Euros, ainda que se pague o custo do cartão – no nosso caso é 5 Euros. De qualquer forma não fazem descontos por pagar à cabeça).

Ora bem, vistos os inconvenientes ou pechas de tal campanha se aplicada ao Belenenses (e não são os únicos, há mais), quais os aspectos interessantes, não só da campanha mas pelo vistos de certas práticas que já são comuns noutros Clubes?

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Este era o Kitt, para quem se lembra da algo foleirosa série de TV

Domiciliação do pagamento de quotas / débito directo: pois é, é aposta forte desta campanha do Benfica o conseguir que mais e mais sócios autorizem o débito directo para o pagamento das suas quotas. Facilita a tarefa dos sócios que as querem pagar, pois nunca mais se terão de preocupar com idas ao estádio para pagar quotas (sobretudo como se vê no Restelo, pois um bom número de sócios vai pagar em dias de jogos). Para o Clube é bom porque assegura uma maior regularidade nos pagamentos, sobretudo daqueles que se atrasam mais, enquanto alivia e bastante as cargas administrativas e, porque não, o trabalho dos cobradores – que poderão gastar mais tempo em tantas outras coisas que há por fazer. Olhando para a quantidade de clubes e associações que já recorrem a este serviço, torna-se difícil acreditar porque é que ainda não temos o mesmo. E se olharmos para a sua dimensão, ainda pior, já que associações que concerteza contam com uma centena de membros recorrem ao serviço. Em seguida e perante tal cenário tão “positivo” há que questionar o seguinte: quais os custos? Não deviam ser consideráveis, por um lado, mas podem ser por outro. Da parte do banco que presta o serviço (basta um) os preços são interessantes. Andam à volta de 50 cêntimos por registo, isto é, por cada ordem de débito. O que poderá não corresponder exactamente ao número de sócios, uma vez que muitos pagam as quotas de cônjuges, filhos, netos, etc. Fazendo reflectir este custo nas quotas, passaríamos de 8.5 para 9 Euros, por exemplo. As quotas encarnadas são de 12 Euros.
O pior é que da parte do Clube teríamos de ter um adequado suporte informático, pois o banco que presta o serviço necessita - pelo menos todos os meses - de ficheiros com a informação necessária para fazer os débitos: N.º de Sócio, montante a debitar, Número de Identificação Bancária… Será que conseguimos?
Por outro lado permanece uma questão... de logística! Ok, facilitámos o pagamento das quotas, falta entregá-las aos sócios. Pedir para levantá-las no estádio parece um pouco “kafkiano”. Enviá-las por correio, isso sim parece mais oneroso (mas seria possível). Creio que a solução mais eficaz e arrojada para esta questão – e para uma infinidade de outras, mas por agora fico por aqui – seria a de finalmente aproveitar aquela "tirinha preta" (a banda magnética) que está no cartão! Com mecanismos electrónicos de acesso - com leitores ligados ao sistema – bastaria passar o cartão, sem serem necessários os autocolantes das quotas… Esta questão dos acessos já é “velha” (lembro inúmeros contributos na ML já com anos), sobretudo para ajudar a ter um número certo das assistências. Mas como diz o meu amigo Miguel, a coisa tem de dar para muito mais, tal como a que eu referi (e é relativamente óbvia).
Em paralelo com aquele serviço obviamente também seria muito interessante o poder pagar as quotas através do Multibanco (pagamento de serviços). No entanto desconheço os custos de beneficiar de tal serviço. A lógica mandaria que fosse mais oneroso, porque ainda é mais flexível e tecnicamente mais "pesado" (penso eu). Mas se chegarmos lá, óptimo.
Em primeiro plano ainda, o que se pensaria ainda mais básico, que é a possibilidade de usar "Multibanco" nas bilheteiras. Contudo os "POS" por estes dias não andam de facto baratos. Temos um nas piscinas, infelizmente poderá ter de chegar (e já não é nada mau - quem dera poder dizer o mesmo da Loja Azul!).

“Casas” a venderem “kits”: Pois é, os benfiquistas puseram as suas casas a vender o “kit”. Nós em relação às nossas filiais - atenção que não são “casas”, que temos poucas - poderíamos ao menos mandar uns quantos impressos com RSF, para que em qualquer altura hajam mais portas abertas a novos consócios. Básico!

Parcerias com as “Casas”: Uma vez mais, chamo a atenção, são “casas” e não “filiais” (e eles têm 200). Reconheça-se, as “casas” expressam com maior significância o clubismo do que as filiais. Aliás, são agrupamentos de sócios, nada mais, nada menos, enquanto as “filiais” começam por serem outros clubes. Sem menosprezar o Belenensismo de quem fundou e mantém as nossas, com raras excepções. Mas neste ponto destaco outro aspecto da campanha encarnada, que é o de alargar o âmbito das parcerias (para descontos aos sócios) aos “universos” locais de cada casa. Por exemplo, um sócio em Bragança poderá vir a ter descontos num supermercado local se a “casa” conseguir um acordo com este em nome da casa-mãe. No Belenenses isto poderá ser mais difícil, mas não deixa de ser interessante.

Para finalizar – mas não esgotar, pois haveria muito mais a comentar – há a questão dos grandes parceiros. Já aqui o referi, ao “kit” encarnado juntam-se uma série de médias e grandes empresas, a maioria com grande notoriedade, proporcionando descontos ou condições especiais aos sócios benfiquistas. No Belenenses este género de parceria não é novidade, nem com os principais patrocinadores nem sequer com estabelecimentos comerciais (de escala bem menor). No entanto seria preciso mais.
Por um lado somos 19.000... sem menosprezar os actuais parceiros acredito que o Belenenses poderia e deveria alargar o seu universo de parcerias. Não é fácil, sabendo-se que não há no Clube – até hoje - quem se dedique exclusivamente a questões destas, questões “comerciais”. Requerem muitas apresentações (boas, claro), negociações, e muito, muito tempo.
Por outro lado e mesmo para os descontos e condições especiais que já estão ao alcance dos sócios do Belenenses - que existem, caso não saibam – a informação é escassíssima. Que tal voltar a publicar no site ou com certa regularidade no Jornal a lista de parceiros e condições especiais para os sócios? Senão ficam todos a perder, incluindo os parceiros.
Já nem falo da possibilidade – prevista pelos lampiões no “kit” – de angariar sócios por via dos próprios parceiros, isto é, fazer sócios através de balcões dos bancos, bombas de gasolina, supermercados, etc. A título de curiosidade saibam que um dos parceiros do Benfica é a gasolineira que tem um posto no Restelo. Isto é, lá ao nosso lado vão vender “kits” do Benfica (tal como pelo menos um dos nossos bares do estádio vendia até há pouco tempo as cervejas dos “três”!!!!). Se forem ao site do próprio Benfica e consultarem os postos do parceiro, está lá: ES Repsol Belenenses. Chiça, desta vez emprestamos o nosso nome para se venderem “kits” alheios!

Como última nota, já fora da questão do “kit” mas também respeitante a sócios, alerto novamente para uma questão que foi oportunamente levantada pelo candidato Mendes Palitos (mesmo tendo eu apoiado a outra lista): o facto de termos praticantes/atletas que não são sócios. Bem sei, bem sei, há atletas que já muito pagam do próprio bolso porque o Clube não consegue dar-lhes certas condições (espaços para treinar, títulos de transporte, etc.). No entanto este problema faz parte do outro. Acho perfeitamente legítimo que o Clube, caso queira manter esses atletas/modalidades, dê um apoio nalguns casos bem superior ao que dá hoje. Contrapartida? O pagamento de quotas.
É que esta questão nem sequer é nova. Numa das épocas de crise que tivemos no passado, ainda Acácio Rosa era vivo, uma das medidas de “emergência” era precisamente a obrigatoriedade de serem sócios. Como é que mais de 20 anos depois ainda se verificam excepções? Está bem, não seria a única coisa em que estamos como há 20 anos… Eu a ser mauzinho.

Outros casos estranhos são os dos “conviteiros”. Pois é, isso de permitir entrada em todos ou quase todos os jogos por convite não ajuda lá muito a captar sócios… Não entram esses e saem os que sentem que mais vale ser “convidado”. Isto é verdade não só para os convites mas para qualquer medida de incentivo às assistências que possa provocar - legítimas - dúvidas nos associados em continuar como tal. Porque o ideal, ideal… não seria ter o estádio cheio. Seria ter o estádio cheio de sócios do Belenenses! Já agora…
Vá lá, agora que a rapaziada da bola está de férias (e a maior parte de nós não), é uma boa altura para tratar destas coisas. Temos de ser grandes em tudo, até nas coisas que parecem pequenas.



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