Voltar à Página Inicial

Leões: é levar o jipe (ou autocarro), caçadeira (meio-campo) e munições (ataque)



Começa hoje a Liga B&W ("Betandwin.com", não aquela marca jeitosa de colunas) e começo também eu mais uma época de antevisões. Curiosamente fiz a minha estréia... com um Sporting-Belenenses, a 23 de Outubro de 2004 (então na sétima jornada).
Desse artigo naturalmente aproveitarei alguns trechos, nomeadamente aqueles que dizem respeito à história do desafio. Aqui vai:

Historial
O primeiro Sporting-Belenenses (e 1º jogo entre si) foi a 18 de Abril de 1920 no Campo Grande, a contar para o Campeonato de Lisboa (então a principal competição). O Belenenses ganhou por 1-0 com um golo do seu fundador e um dos melhores jogadores portugueses de todos os tempos: Artur José Pereira. Curiosamente Artur José Pereira havia saído do Sporting (onde foi figura determinante) para fundar o Belenenses, com a “autorização” do seu amigo Francisco Stromp: “Ó Jorge [Jorge Vieira, capitão do Sporting”], diz ao Artur que vá à merda e que funde o tal clube em Belém!”. Por ser parte da história do próprio Belenenses, trataremos este e outros episódios noutra ocasião (poderão ler alguns na minha página pessoal).
Ainda nos primeiros tempos, um outro jogo com o Sporting (no Lumiar) marcou a história “azul”. Foi em 26 de Março de 1922, disputando-se a final do Campeonato de Lisboa. Embora a atmosfera fosse extremamente cordial (antes de se iniciar o jogo, Artur José Pereira e Francisco Stromp, seu velho amigo, abraçaram-se) o jogo em si foi extremamente violento de parte a parte. O árbitro contudo punia muito mais os Belenenses. Na 1ª parte expulsou Alberto Rio de forma tão incompreensível que os próprios adeptos do Sporting mostraram a sua desaprovação. E no intervalo o próprio Francisco Stromp ajudou a insistir com o árbitro para que corrigisse o erro, algo que veio a fazer. O Sporting acabou por vencer (2-0), mas os azuis saíram indignados, mesmo considerando os gestos de simpatia do adversário em campo. E este triste jogo acabou por ser... o último jogo oficial de Artur José Pereira.

Passando agora a uma análise dos números: sendo o Belenenses o 4º clube com maior número de presenças no primeiro escalão (1ª Liga/1ª Divisão/Superliga, só “falhou” por 4 vezes) o Sporting-Belenenses é obviamente um dos jogos mais repetidos da história do nosso fubteol. No reduto dos “leões” (onde centramos a nossa análise) jogaram-se 67 jogos, com um saldo altamente desfavorável para os nossos: 52 derrotas, 10 empates e 5 vitórias... O resultado mais frequente (por 10 vezes) é a vitória do Sporting por 1-0 (seguem-se 9 vezes com 2-1, 8 vezes com 2-0 e 6 vezes com 3-0). De resto, por 21 vezes o Sporting venceu com 1 golo de diferença (é também a diferença de golos mais frequente). Os jogos em que o Belenenses marcou maior número de golos foram em 1941/42 (vitória por 1-4) e 1947/48 (empate 4-4), sendo o primeiro destes a vitória mais expressiva conseguida em casa do Sporting. No total o Belenenses marcou já por 57 vezes no reduto lagarto, tendo concedido 154 golos.
Aqui fica a lista completa dos jogos:

1934/35: 1 - 3 (V)
1935/36: 4 - 1 (D)
1936/37: 2 - 3 (V)
1937/38: 2 - 1 (D)
1938/39: 2 - 0 (D)
1939/40: 4 - 1 (D)
1940/41: 3 - 1 (D)
1941/42: 1 - 4 (V)
1942/43: 2 - 1 (D)
1943/44: 6 - 1 (D)
1944/45: 2 - 1 (D)
1945/46: 1 - 1 (E)
1946/47: 3 - 0 (D)
1947/48: 4 - 4 (E)
1948/49: 5 - 1 (D)
1949/50: 0 - 1 (V)
1950/51: 6 - 2 (D)
1951/52: 1 - 1 (E)
1952/53: 1 - 1 (E)
1953/54: 4 - 0 (D)
1954/55: 1 - 2 (V)
1955/56: 1 - 0 (D)
1956/57: 2 - 2 (E)
1957/58: 3 - 2 (D)
1958/59: 1 - 1 (E)
1959/60: 2 - 0 (D)
1960/61: 2 - 1 (D)
1961/62: 3 - 1 (D)
1962/63: 3 - 0 (D)
1963/64: 2 - 1 (D)
1964/65: 1 - 0 (D)
1965/66: 3 - 0 (D)
1966/67: 1 - 0 (D)
1967/68: 3 - 0 (D)
1968/69: 3 - 2 (D)
1969/70: 2 - 1 (D)
1970/71: 2 - 0 (D)
1971/72: 2 - 1 (D)
1972/73: 1 - 0 (D)
1973/74: 4 - 1 (D)
1974/75: 1 - 0 (D)
1975/76: 1 - 0 (D)
1976/77: 4 - 0 (D)
1977/78: 3 - 1 (D)
1978/79: 5 - 1 (D)
1979/80: 2 - 0 (D)
1980/81: 3 - 0 (D)
1981/82: 2 - 2 (E)
1984/85: 2 - 0 (D)
1985/86: 0 - 0 (E)
1986/87: 4 - 2 (D)
1987/88: 1 - 1 (E)
1988/89: 0 - 0 (E)
1989/90: 1 - 0 (D)
1990/91: 1 - 0 (D)
1992/93: 3 - 0 (D)
1993/94: 3 - 1 (D)
1994/95: 2 - 1 (D)
1995/96: 3 - 1 (D)
1996/97: 3 - 1 (D)
1997/98: 1 - 0 (D)
1999/00: 1 - 0 (D)
2000/01: 2 - 1 (D)
2001/02: 2 - 0 (D)
2002/03: 2 - 0 (D)
2003/04: 4 - 2 (D)
2004/05: 2 - 0 (D)

Repare-se que foi na longínqua época de 1954/55 a nossa última vitória (ironicamente na visita seguinte do Sporting às Salésias estes ofereceriam o título ao Benfica)... Nunca ganhámos no antigo estádio de Alvalade, nem agora no Alvalade XXI ou lá o que é. Como se isto não bastasse, desde 1988/89 que não conseguimos sequer um empate. Por agora contam-se 14 derrotas consecutivas, felizmente ainda longe do record negativo, entre 1959 e 1981, com 22 derrotas consecutivas... Urge acabar com esta malapata...

Jogos recentes
Em seguida avançamos no tempo, para analisar encontros mais recentes (mais "relacionáveis" com o de hoje).
O mais polémico dos últimos Sporting-Belenenses foi decerto o da época de 2000/01, arbitrado por Paulo Paraty (ui!, dirão alguns). Esse jogo, que até poderemos dizer que o Sporting mereceu ganhar pelo melhor futebol, foi porém marcado por decisões duvidosas. No 1º golo do Sporting (por Delfim), havia razões para marcar fora-de-jogo. Depois Filgueira foi expulso por acumulação de amarelos sendo que o segundo foi causado por um hábil e evidente "mergulho" do adversário (E quem mergulhou? Quem? Quem? Isso mesmo!). O mesmo "mergulhador", já livre do incómodo marcador, fez o 2-0 para o Sporting. Revoltante...
Para o final do jogo o Belenenses pressionou e conseguiu reduzir por intermédio do Marcão. Antes desse lance, já Wilson tinha ameaçado a baliza adversária com um excelente remate. Talvez por essa razão foi expulso depois do 2-1, de uma forma no mínimo estranha. Num lance junto à linha e junto ao banco do Sporting, Wilson dirigiu uma curtas palavras de desabafo (sim, asneiras) ao auxiliar, sem grande alarido, porém. O árbitro auxiliar, como não foi nem a primeira nem a última vez que ouvira tais coisas (sobretudo de jogadores dos "3 grandes" e até naquele jogo), esteve para deixar passar, se é que percebeu as palavras. Quem tratou da questão foi o Sr. Luís Duque, que já durante todo o jogo se tinha ocupado a pressionar a equipa de arbitragem e estava mais perto de Wilson. Desta vez dirigiu-se ao auxiliar e praticamente exigiu a expulsão do jogador. Como o Sr. Luís Duque não era do Belenenses, a equipa de arbitragem fez-lhe a vontade e ajudou a segurar o resultado. Desde então, cada vez que via (e vejo) outros jogadores a fazerem o mesmo e a passarem impunes (como o "mergulhador" – que até já socou um árbitro num Mundial)... penso: isto só a nós.

Em 2001/02 o Belenenses chegou a Alvalade bastante moralizado. Na 1ª volta tinha humilhado o Sporting na estreia de Boloni, vencendo por 3-0! Desta vez porém o Sporting foi superior e o Belenenses perdeu só por culpa própria. César Peixoto, que até fez uma grande exibição, fez-se expulsar por acumulação de amarelos. Primeiro, um penalti desastradamente simulado. Depois, uma "gravata" ao "verdadeiro artista" (ele de novo). Justa e infantil expulsão, quiçá a boa exibição propiciou outros tiques de vedetismo...
Os dois golos, por sua vez, foram "pecados mortais" para a época: deixar o Jardel cabeçear sozinho por 2 vezes... (embora os empurrõezinhos ao Filgueira ajudassem).

Em 2002/03 e apesar da arbitragem estar a cargo de Bruno Paixão (Jesus!) o Belenenses perdeu novamente por 2-0 sem grandes argumentos. Neca fez uma excelente exibição, pouco tempo depois das suas internacionalizações pela Selecção. Do outro lado deu-se o regresso do "artista", depois da suspensão pelo soco ao árbitro na Coreia.
Apesar do valoroso empate nas Antas (2-2), o Belenenses esteve apagado em Alvalade (foi o último SCP-CFB no antigo estádio).

Seguiu-se 2003/04 (a 23/8/2003, também uma 1ª jornada), quando pelo calendário calhou ao Belenenses "inaugurar" o novo estádio Alvalade XXI e aquela "magnífica" relva, a do fungo (que prejudicou o próprio jogo). De novo o padrinho Paraty (estranho), apesar de não ter tido tanta má-influência desta vez. De qualquer forma houve "mãozinha" prévia, pois Antchouet estava castigado por um jogo da época anterior... castigo esse que era para ser cumprido na 1ª jornada contra o Estrela. Mas como a incerteza quanto à subida do Estrela "arrastou-se", esse jogo da 1ª jornada foi finalmente confirmado e marcado já só 3 dias depois da dita (por atraso da Liga!) e o castigo passou a ser válido para... Alvalade.
Desta vez foi Manuel José a estrear-se com um amargo de boca no banco do Belenenses. Um pouco ao estilo que quis implantar, o Belenenses tentou jogar de igual para igual e em técnica (ao contrário das cautelas – excessivas? - de Marinho Peres). O Belenenses perdeu, como tem perdido nos últimos anos, mas agora por uns "pesados" 4-2. Após o Sporting chegar ao 2-0 (o 1-0 foi de penalti, falta de Hélder Rosário sobre Toñito - creio que não houve nada a dizer) o Belenenses até conseguiu reagir, sobretudo após o GOLAÇO do Sousa. De fora da área e sobre a direita (ainda bem distante) Sousa desferiu um potente remate que colocou a bola no canto superior esquerdo da baliza sem hipóteses para o surpreso guarda-redes leonino. Logo Leonardo conseguiu o 2-2, "atordoando" os lagartos. Infelizmente o empate durou pouco tempo... um rapazinho que não sei se conheceram alguma vez – Lourenço! – fez o 3-2 para o Sporting numa jogada em que talvez tenha havido fora-de-jogo (pelo menos fiquei com essa impressão). De qualquer forma o Belenenses "baixou" os braços e já em desorientação sofreu o golo de Toñito, fechando assim a noite.
Destaque neste jogo para a estreia do Gonçalo Brandão (16 anos!), lançado a 25 minutos do fim para render Rui Borges.

Em 2004/05 foi já a vez de Carvalhal conduzir a visita aos lagartos. Numa altura em que o adversário atravessava uma crise "existencial", fruto de resultados medíocres (destacava-se a vitória do Marítimo em Alvalade), o Belenenses deu a imagem de uma equipa tímida... e à procura do empate. Depois de uma primeira parte de equilíbrio morno e contenção mútua, a segunda revelou uma equipa azul que, renovada no sector atacante, cada vez mais se remetia ao seu último reduto (cedendo cantos atrás de cantos, por exemplo). Alinhando com Marco Aurélio, Amaral, Pelé, Rolando e Cristiano; Andersson, Marco Paulo, Neca e José Pedro; Rodolfo Lima e Antchouet, nunca conseguimos evitar que o Sporting controlasse o jogo a maior parte do tempo. As substituições de Zé Pedro e Neca por Juninho e Brasília deixaram as coisas na mesma. Quando Tuck entrou para nitidamente segurar o empate (saindo Rodolfo Lima) foi precisamente quando surgiu o primeiro golo do Sporting. Não sem que antes Antchouet tivesse uma oportunidade clamorosa, a nossa única digna de registo, mal desperdiçada. E sem esquecer que o canto que deu origem a esse golo... não existiu! Há sempre uma mãozinha!
No fim Carvalhal argumentou que não tinha ido a Alvalade fazer jogo de "contenção"... mas que o posterior domínio do adversário a isso obrigou. Está bem, foi dar ao mesmo.

Hoje
Quanto às equipas e em relação ao jogo do ano passado, o Belenenses já não vai contar com Cristiano, Andersson, Marco Paulo, Neca, Rodolfo Lima, Antchouet (todos estes titulares nesse jogo), mais Juninho Petrolina e Brasília. Uma vez mais (já havia sido assim na época passada), o Belenenses irá entrar com meia equipa nova...
Para hoje foram convocados: Marco Aurélio, Pedro Alves, Sousa, Amaral, Gaspar, Rolando, Pelé, Vasco Faísca, Rui Ferreira, Sandro Gaúcho, Pinheiro, José Pedro, Fábio Januário, Ivan Djurdjevic, Paulo Sérgio, Ahamada, Meyong e Romeu.
De fora ficaram Silas (castigo), Rúben Amorim (recupera de lesão), Carlos Alves (jovem), Ricardo Araújo (ainda não estará em forma depois de lesão?) e Marco Pinto (3º GR).
Imagino que não vou acertar, mas para mim uma equipa robusta e perigosa (para os lagartos) seria esta: Marco Aurélio, Amaral, Pelé, Rolando, Djurdjevic; Rui Ferreira, Pinheiro, Zé Pedro, Fábio Januário, Romeu e Ahamada. Com opção de Gaspar em vez de Rolando (ou Faísca), mais Meyong (sobretudo este) e Paulo Sérgio (veio com uma mazela dos sub-21) como primeiros na fila para entrar em caso de ser preciso golo; Sandro e Faísca (adiantando Ivan) se fôr ao contrário (confio em Amaral para manter a direita em sentido, como fez há menos de um ano).

O que há a recear? NADA! Sim... é o que se pede... mas algo haverá. Em primeiro lugar que, à semelhança do que se passou em 2004/05... Carvalhal tenha medo. O discurso de elogios ao adversário não me anima muito, a menos que seja para provocar excesso de confiança aos lagartos. No entanto gostei de ler as declarações dos jogadores, confiantes (quando não certos) na vitória. Creio que desta vez temos mesmo mais equipa. Chega?
Continuam a melindrar as dificuldades em marcar. Sem Antchouet, alguém tem que começar a assumir as despesas... mas para isso o "sistema de jogo" será fundamental. Não podemos chegar ao fim com 2 ocasiões de golo, a menos que a pontaria (e a sorte) esteja invulgarmente em alta. Resta também esperar que os dois "misters" não se enlevem numa disputa de futebol "académico", entediante e por regra desfavorável aos nossos.
Por fim, Pedro Proença, árbitro que sinceramente não me inspira preocupações de maior. Esperemos que não seja hoje que borra a pintura. Até porque Dias da Cunha não pára de falar (mesmo com as dificuldades que se conhecem).

Estou confiante que vamos fazer melhor. Esperemos que seja uma entrada com o pé direito... e em grande! Vamos Belenenses, vamos rapazes, mostrem que somos os maiores!



Enviar link por e-mail

Imprimir artigo

Voltar à Página Inicial


Weblog Commenting and 
Trackback by HaloScan.com eXTReMe Tracker