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"Eu, Carolina" - Parte II ( A entrada no mundo da bola)



Cada vez mais ligada ao meio futebolístico, comecei por ser olhada por todos com desdém que, com o passar do tempo, se transformou em simpatia e em cordialidade. A minha relação com todos os funcionários da SAD do Futebol Clube do Porto, desde o roupeiro às pessoas do catering, que serviam os jantares, foi sempre óptima. Houve, logo, desde o início, uma grande ligação com todas essas pessoas, mais modestas, que me faziam sentir parte da família das Antas.
Comecei a privar, também, com o doutor Lourenço Pinto, advogado do Jorge Nuno, por quem tinha uma elevada estima, consideração e respeito e em quem confiava plenamente. Tratava-me sempre, carinhosamente, por «filha» e era tao afectuoso que o meu carinho por ele era muito especial.
Fui convidada, certa noite, para um jantar com os Super Dragões, ao qual compareci, no início um pouco acanhada, mas onde acabei por me sentir completamente à vontade, depois de ter reconhecido um dos chefes da claque, o Paulo Trilho, como um ex-colega da escola. Conheci, também, nessa noite, os restantes membros dos Super, que me receberam com muito carinho e me confessaram, mais tarde, que o tinham feito porque se tinham apercebido durante uma viagem de avião, onde também estavam, do quanto eu gostava do Jorge Nuno e da atenção que lhe dedicava.
Chegou o Natal de 2001, o primeiro que passámos juntos, e logo a seguir, no dia 28 de Dezembro, o Jorge fazia anos. Resolvi fazer-lhe uma festa-surpresa de aniversário e organizei um jantar para o qual convidei os meus pais e alguns amigos mais íntimos como o senhor Joaquim Oliveira, o doutor Fernando Gomes, o doutor Adelino Caldeira e o padre Jorge, que me conhecia de gaiata.Precisamente nesse dia e sem o meu conhecimento, o Jorge tinha combinado um encontro lá em casa, à noite, com o José Mourinho, que também tinha sido contactado pelo Benfica. A ideia do Jorge era, sem ninguém saber, nem os seus mais próximos colaboradores, estabelecer com o Mourinho um pré-acordo para a sua contratação como novo treinador do FCP. Quando percebeu que ia ter uma festa em casa, com convidados, ficou aflito, contou-me dos seus propósitos em relação ao Mourinho e pediu toda a minha colaboração para apressar a saída das visitas de modo a que o jovem treinador pudesse entrar lá em casa sem ter o incómodo de se cruzar com quem quer que fosse. Como sempre, dei-lhe toda a ajuda nesta missão.
O Mourinho só entrou por volta das duas da manhã, acompanhado pelos empresários Jorge Baydec e Luzia Palma. Fiquei na sala com o Baydec a comer uma fatia de bolo e a beber champanhe, o Jorge e o Mourinho reuniram-se e chegaram a acordo Foi a melhor prenda de aniversário que o Jorge podia ter tido: a celebração do pré-acordo com o José Mourinho como o novo mister do FCP.
A 24 de Janeiro de 2002, o José Mourinho compareceria na sala de imprensa do FCP para ser apresentado aos jornalistas declarando: «Este ano não, mas para o ano seremos campeões», o que, efectivamente, aconteceu.
Quando falo em realidade do futebol, não me refiro àquela que está à vista da população em geral e do adepto de futebol, mas à outra, a oculta, à qual quase ninguém tem acesso. Por exemplo, sempre que, durante um jogo, o Jorge Nuno achava que o árbitro tinha prejudicado o FCP, ligava ao senhor José António Pinto de Sousa, presidente do Conselho de Arbitragem, que lhe atendia o telefone, começando por manifestar a sua indignação perante a incompetência do árbitro, mas acabando sempre por marcar um jantar para «fazer as pazes».

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