De Yashin a frangueiro
A propósito de algo que se passou no jogo Belenenses - Académica, veio-me à memória recordações passadas e que muito marcaram o signatário.Desculpem o mau jeito.
Não sei bem porquê ou a razão, nunca o soube, mas o meu pai nunca me autorizou a jogar futebol pelo clube da minha terra, pelo que quando atingi a maioridade parcial, por efeitos de ter começado bem cedo a dar aulas na antiga Escola Industrial e Comercial de Évora, foi necessária a emancipação parcial para poder tomar posse.
Daí a começar a jogar futebol foi um passo.
Ou seja, passei a jogar pelo Juventude Sport Clube de Évora e ainda ontem, a caminho do Hospital de Évora, passei pelo Campo Sancho de Miranda.
Foi com alguma surpresa que os adeptos do Estrela de Vendas de Vendas Novas me viram chegar à minha terra no autocarro do rival Juventude.
Pois é. Pior foi quando me viram entrar em campo para defender a baliza do Juventude.
As piadas de mau gosto e outras coisas aconteceram, mas nada que me preocupasse e não esperasse.
Eu queria era jogar.
Poucos miutos depois do jogo começar ganhávamos por 2-0 e as coisas corriam-me bem.
Os cruzamentos eram canja, remates fora da área quase não haviam, situações difíceis aos pés também não.
Na 2ª parte tudo se alterou e um dos jogadores do Estrela conhecia bem o meu lado mais fraco...defender para o lado esquerdo no solo.
E foi para aí que tentou algumas vezes, sem sucesso.
Numa das situações, antevi que não chegaria à bola, bem apertada ao poste que naquele tempo era de madeira e com arestas lixadas. Mas defendi a bola in extremis e ouvi dos meus conterrâneos algo assim "Temos Yashin!". A bola foi para canto.
Canto marcado, falhei a intercepção e um meu amigo e patrício limitou-se a encostar para dentro da baliza, fazendo o 2-2.
Senti que foi um autêntico frango, embora ninguém me responsabilizasse, atentas as defesas anteriores.Pedi descupa ao pessoal pelo empate, mas nada de grave. Ninguém se sentia magoado pelo falhanço na intercepção da bola.
O problema foi que os mesmos que me chamaram Yashin, quando eu lá ia fora de jogos, me chamavam frangueiro.
Vem isto a propósito do que vi ontem acontecer ao Costinha.
A confiança era muita, porque ele safou as redes do Belenenses de alguns golos quase feitos.
Mas o que contou e deu títulos aos jornais foi justamente o frango para o Carnaval de Coimbra.
Depois, quer ontem, a ter de aturar sempre o meu pai e irmão, os quais embora do Belenenses, não desculpam uma, ainda tenho de aturar, desculpem a expressão os saudosistas do Marco Aurélio, tal como o meu pai.
Interroguemo-nos quantos pontos perdemos o ano transacto ás mãos de alguns falhanços do Marco Aurélio.
Será que os saudasosistas do Marco Aurélio não serão algo incoerentes em matéria de guarda-redes? Será que o Marco Aurélio, ele próprio, não quereá o êxito do seu colega, a bem da equipa?
Porque para mim, e sei por experiência, os melhores quarda-redes vividos com as nossas cores foram José Pereira (o pássaro azul, lembram-se? Aquele que fez render o Manuel da Luz Afonso ás evidências duma concorrência movida por Carvalho e o guarda-redes do fcp), Félix Mourinho (aquele a quem se fez justiça na internecionalização no mundialito na América do Sul) e Jorge Martins ( que tantas legrias recentes nos deu, entre as quais a fabulosa exibição no Jamor em 1989).


12:00 a.m.


































