Ninguém vai sair bem desta bronca
Carlos Janela aponta o dedo a Cabral FerreiraCarlos Janela mostra-se indignado com a posição do Belenenses no «caso Meyong», acusando o presidente do clube do Restelo, Cabral Ferreira, de estar a demitir-se das suas responsabilidades na contratação do jogador. «Não admito que escondam factos e verdades para me responsabilizar», atira.
«A verdade será sempre superior a qualquer embuste. Tratou-se de um aproveitamento da minha dignidade profissional, visto que coloquei o meu lugar à disposição desde o primeiro momento, logo na segunda-feira de manhã, caso viéssemos a ser punidos», disse Carlos Janela, em conferência de imprensa realizada esta tarde.
O ex-director desportivo do Belenenses, demitido na passada terça-feira, atribui a Cabral Ferreira a responsabilidade pela contratação de Meyong, penalizando-se pelo facto de não ter acompanhado o decurso do processo.
«Cometi um erro grave. Sempre acreditei em todos os presidentes com quem trabalhei. Sou um homem de lealdade extrema, profissional e moral. Eu próprio acreditei que o meu presidente seria incapaz de estar num processo destes sem ter salvaguardado todas as situações. Nunca me ocorreu questionar o processo e ir a seu montante. Com a minha experiência, assumo que deveria tê-lo feito e penalizo-me por isso», referiu, atirando: «Não admito que estejam a ocultar factos e verdades única a exclusivamente para atribuir a Carlos Janela a responsabilidade neste processo. Tenho parte da responsabilidade, mas não na dimensão que quiseram fazer ver».
Órgãos sociais do Belenenses reunidos
A Direcção do Belenenses vai reunir-se hoje com os elementos eleitos para a Assembleia Geral e para o Conselho Fiscal para analisar o caso Meyong.
O camaronês terá sido utilizado irregularmente frente à Naval em virtude de, ao entrar em campo, ter passado a representar três clubes em jogos oficiais numa só época, quando os regulamentos da FIFA estabelecem que os jogadores só possam alinhar apenas por dois.
Em causa está a perda dos três pontos conquistados em campo e de mais três, como punição pela utilização do futebolista.
Durante o encontro, os responsáveis pela gestão do Belenenses deverão decidir as medidas a tomar para fazer face ao problema e, simultaneamente, informar todos os órgãos do que tem sido feito nos últimos dias.
Neste momento está em aberto o cenário de convocação de eleições antecipadas, como A BOLA noticiou na edição de hoje, mas se vingar a tese - defendida por alguns dos dirigentes - de que chegou a hora de a Direcção abandonar os cargos para os quais foi eleita, poderá o presidente da AG (José Manuel Anes) nomear uma comissão de gestão que assegure uma transição tranquila entre a actual direcção e a que vier a suceder-lhe.


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