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Caso Meyong leva à demissão do presidente e a eleições antecipadas no Belenenses O presidente do Belenenses, Armando Cabral Ferreira, vai demitir-se e haverá eleições antecipadas no clube do Restelo. A decisão foi anunciada hoje à noite depois de uma reunião dos órgãos sociais, em que Cabral Ferreira alegou razões de saúde para não continuar, mas terá de ser associada ao caso Meyong. As novas eleições não devem acontecer antes de Março, avançou ao PÚBLICO José Manuel Anes, presidente da Assembleia Geral do Belenenses.
A direcção do Belenenses anunciou hoje que o dirigente informou os colegas do “contínuo agravamento do seu estado de saúde” e comunicou “que, face aos acontecimentos recentes e à acção directiva reforçada que os mesmos impõem, a sua situação clínica não lhe permite acompanhar a evolução dos mesmos como tem vindo a fazer até à presente data”. O vice-presidente Carlos Rui Viana de Carvalho substituirá Cabral Ferreira como presidente.
Os restantes membros da direcção mantêm-se em funções até à realização de novas eleições, garantiu o vice-presidente Miguel Ferreira, que é também administrador da Sociedade Anónima Desportiva (SAD). Cabral Ferreira entregará a carta de demissão nos próximos dias e só depois José Manuel Anes convocará as eleições: “Antes de Março não é razoável, porque é preciso que as candidaturas sejam apresentadas até um mês antes do acto eleitoral”, explicou o presidente da AG, que quarta-feira ouvirá o Conselho Geral.

A saída de Cabral Ferreira responde aos vários pedidos de demissão e surge no dia em que Carlos Janela, demitido esta semana do cargo de director desportivo, reconheceu a sua quota parte de responsabilidade no “caso” Meyong, mas disse que o presidente do Belenenses foi o principal responsável pela contratação do avançado camaronês. Hoje já circulava um abaixo-assinado promovido José Duarte Ferreira, um dos adversários de Cabral Ferreira na última corrida eleitoral, com o objectivo de convocar uma assembleia geral. Fernando Gouveia Veiga, outros dos candidatos derrotados, pedia mesmo a saída do líder do clube. “Se houve intervenção directa do presidente na contratação de Meyong, então tem de assumir as suas responsabilidades e demitir-se.”
O ambiente no Restelo já não era bom, porque o orçamento para 2008 foi chumbado pelos sócios, e agravou-se com o caso Meyong. O Belenenses arrisca-se a perder seis pontos, depois de ter utilizado o jogador no encontro de domingo passado, frente à Naval (2-1). Segundo o regulamento de transferências da FIFA, um jogador pode ser inscrito em três clubes numa época, mas apenas pode jogar por dois. Meyong já tinha alinhado pelo Levante e pelo Albacete.
Uma situação que motivou críticas de “amadorismo” e que Carlos Janela explicou hoje, admitindo que errou, mas essencialmente “por não ter desconfiado” de Cabral Ferreira e não ter ido verificar se o jogador estava em condições de ser utilizado. Janela garantiu conhecer os regulamentos, mas não o facto de Meyong ter jogado 11 minutos pelo Levante.
Reconhecendo que sai com “a imagem beliscada”, o ex-director desportivo acusou Cabral Ferreira de o ter usado como “bode expiatório” para “se safar a si próprio” e admitiu a possibilidade de processar os administradores da SAD do Belenenses, por atentarem à sua “honra” e “bom nome”.
O ex-dirigente criticou ainda a forma como foi gerida a reacção ao episódio e não deu por garantido que o clube venha a ser castigado. “Não vai ser fácil a Liga arranjar motivos para levantar um processo disciplinar ao Belenenses”, porque “o Meyong foi licenciado pela federação e qualificado pela Liga”. O PÚBLICO sabe que o processo já foi aberto, mas o clube ainda não recebeu a acusação.
Federação contesta tese de que inscrição autoriza a jogar
Anuncia-se mais uma batalha jurídica no “caso” Meyong. Cunha Leal, antigo director-executivo da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, considera que a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) errou no processo do avançado camaronês contratado este mês pelo Belenenses, alegando que a “emissão de uma licença é a qualificação para participar numa competição oficial”. “O erro é de quem emitiu a licença. A FPF devia e podia ter averiguado a situação, porque tem meios para tal e tem o passaporte do jogador”, disse à Lusa Cunha Leal.
O entendimento de Cunha Leal já foi contestado pelo director do departamento jurídico da FPF. “Quando registo um jogador, não estou automaticamente a qualificá-lo para jogar”, referiu João Leal, dizendo que irregular seria não aceitar o registo. João Leal salientou ainda que o passaporte do jogador só tem o registo dos clubes em que o futebolista esteve inscrito e não a sua utilização.
A mesma opinião tem o jurista José Manuel Meirim, para quem o regulamento da FIFA distingue claramente entre o acto de inscrição e de utilização, autorizando um jogador a ser inscrito por três clubes mas a jogar em apenas dois. Meirim defende ainda que a Liga e a federação não têm o dever de “avisar os clubes”. “Essa lógica que vê a federação como pai da competição pertence ao passado”, argumenta o jurista, para quem cabe aos clubes certificarem-se que o jogador pode alinhar.
Carlos Janela culpa Cabral FerreiraCarlos Janela apontou ontem o presidente do Belenenses, Cabral Ferreira, como o principal culpado pelo caso do jogador Meyong, que pode custar seis pontos à equipa do Restelo, por utilização irregular diante da Naval. “O presidente do Belenenses nunca me disse o que estava a fazer. O processo foi-me escondido. Jamais pensaria que nesse processo não estivessem salvaguardadas todas as condições. A contratação ao Levante foi tratada de forma unipessoal pelo presidente”, disse o ex-director desportivo do clube do Restelo.

Contudo, Carlos Janela assumiu também parte da responsabilidade: “Penalizo-me pela minha falta. Devia ter desconfiado do processo e não desconfiei.” O ex-director assumiu que colocou “o lugar à disposição na segunda- -feira”, em caso de castigo ao Belenenses. O sigilo de Cabral Ferreira em todo o processo de transferência de Meyong – que começou a ser negociado em Agosto – terá ainda implícita uma quebra de confiança do líder da SAD azul no ex-director. “Limitei-me a enviar dois faxes”, afirmou, acrescentando que o gabinete jurídico “não foi consultado”.
No entanto, foi sobre Cabral Ferreira que incidiram as acusações mais contundentes. “Não sirvo de cortina de fumo para a mediocridade. O Belenenses tem de ter gente com outra dignidade. Fui usado e abusado pelo presidente.” As agressões à saída do estádio do Restelo, na terça-feira, foram desvalorizadas. “Não acho que tenha sido agredido, mas fui bastante molestado.” Acusou ainda Cabral Ferreira: “Sei que ele acicatou os ânimos.”
Carlos Janela estuda já uma acção contra o líder dos azuis, mas ainda não estão definidos os seus moldes.
O CM tentou falar com Cabral Ferreira, mas o presidente do Belenenses esteve incontactável até ao fecho desta edição.
Presidente do Belenenses conduziu processo Meyong Carlos Janela responsabilizou o presidente do Belenenses, Cabral Ferreira, por todo o processo de contratação que levou à inscrição e utilização irregular do jogador camaronês Meyong pelo clube do Restelo frente à Naval 1.º de Maio na 16.ª jornada (2-1).
Numa conferência de imprensa, realizada ontem, o ex-director desportivo do clube da Cruz de Cristo assumiu o "grave erro" na contratação do jogador africano e fez um levantamento exaustivo de todo o processo desde o início (a contratação) até ao final (a inscrição). "Assumo a minha responsabilidade em não ter averiguado desde o montante todo o processo de contratação, pois cometi um grave erro em ter confiado no presidente Cabral Ferreira", começou por afirmar.
"O presidente do Belenenses assumiu desde a primeira hora a contratação do jogador. O treinador Jorge Jesus, assim como eu, nunca falámos com o futebolista, o seu empresário ou o presidente do Levante", clube pelo qual o jogador camaronês jogou durante 12 minutos, o que inviabilizava a possibilidade de representar o Belenenses tendo em conta que, segundo os regulamentos internacionais, o atleta pode inscrever-se por três clubes numa época, mas só pode jogar por duas formações como já tinha feito - Levante e Albacete de Espanha.
"Jamais pensei que o presidente não soubesse que estava a negociar um jogador incontratável", atirou, para acrescentar que "esse é que foi o meu erro, entrar no processo apenas na inscrição do atleta. Deveria ter desconfiado, mas escapou-me os 12 minutos que Meyong jogou pelo Levante como escapou ao clube espanhol, ao Belensenses, à Federação portuguesa e espanhola e à Liga... mas não deixo de me penalizar por essa falha".
Carlos Janela, visivelmente emocionado, considerou todavia que o comunicado da direcção do clube, onde é responsabilizado pelo erro processual que poderá custar ao Belenenses a perda de seis pontos, é "miserável" por o considerar a única pessoa com a responsabilidade de ter o conhecimento de tudo. "Fui usado e abusado para o presidente do Belenenses se safar. Não sirvo de cortina de fumo para a mediocridade que existe no Restelo", acrescentou. O antigo dirigente considerou que o caso ainda irá provocar muitas surpresas: "Ainda poderá haver muitas surpresas neste caso. Acredito que não vai ser fácil à Liga levantar um processo disciplinar ao Belenenses."
Cabral Ferreira demite-se por razões de saúdeOpresidente do Belenenses, Cabral Ferreira, demitiu-se do cargo, ontem à noite, alegando razões de saúde. A decisão foi divulgada no final de uma reunião de emergência dos órgãos sociais, que durou cerca de 2.30 horas, através de um comunicado lido pelo administrador Miguel Ferreira, no qual é explicado que a situação clínica de Cabral Ferreira não "lhe permite o acompanhamento do caso (Meyong) como tem feito até agora".
Cabral Ferreira será substituído por Viana de Carvalho, até agora vice-presidente do clube, sem que haja eleições antecipadas. Resta saber quem irá liderar a SAD a partir de agora.
Ontem, um grupo de associados iniciou a recolha de assinaturas, com vista a solicitar ao presidente da Mesa da Assembleia Geral, José Manuel Enes, a convocação de uma assembleia-geral extraordinária.
Tudo isto aconteceu no dia em que o antigo director desportivo, Carlos Janela, acusou o agora ex-presidente do Belenenses de ter "usado e abusado" dele para "se safar a si próprio" neste caso, na sequência do qual foi demitido na terça-feira.
Assumindo parte das culpas no processo de transferência de Meyong do espanhol Levante para o Belenenses, Janela afirmou que o seu maior erro foi não ter duvidado de Cabral Ferreira. "Eu devia ter desconfiado quando o processo me chegou às mãos e não desconfiei. Mas jamais pensava que neste processo nem todas as condições estivessem salvaguardadas".
De acordo com o ex-dirigente, o caso foi tratado com "demasiado segredo", com Cabral Ferreira a pedir-lhe, em Dezembro (quando lhe revelou que estava em conversações com o Levante e Meyong) que não comentasse o assunto com nenhum dos outros administradores.
Carlos Janela não exclui a possibilidade de intentar uma acção judicial contra "algumas individualidades" do Belenenses, acrecentando que instruiu já os seus advogados para recolherem todos os dados referentes ao caso.
Acrescentou que "não vai ser fácil à Liga obter factos para levantar um processo".


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