O frete do costume
Mais logo vamos jogar contra os andrades, em relação aos quais os nossos dirigentes muito tradicionalmente estendem as passadeiras todas e mais algumas ao Mausoléu do Pepe e até a vitórias simplificadas no Restelo por parte dos ditos. Talvez que nos últimos anos o único treinador que pisou os pés aos andrades foi o Marinho Peres, inclusivé fora de casa, numa vitória de 2-1, em que Marinho tinha sob ele, nesse dia, uma ameaça de despedimento, coisa que se veio a confirmar algumas jornadas depois, através do golo de Marinescu a segundos do fim do jogo de Coimbra, num empate a 1-1.
Estamos, no entanto, a falar de um jogo cujos máximos dirigentes da SAD foram inauditamente pronunciados pelo Tribunal de Intsrrução Criminal do Porto por exrecício de corrupção activa sobre o árbitro Augusto Duarte, o qual a troco de uns alegados € 2.500 facilitou a vitória portista em Aveiro.
Desta vez, não vem o Augusto Duarte, mas o seu colega, igualmente indiciado no Apito Dourado, Lucílio Batista.
Digamos que a caldeirada está montada.
O Mausoléu deve estar pronto para receber a cínica coroa de flores dos homens que contra nós lutaram no caso Mateus e agora nem se sabe a sua opinião no caso Meyong, sendo certo que ainda sobre eles não recaíu a penalidade que a nós foi imposta pela CD da Liga, sendo certo que o ilícito de Leandro Lima se prende com falsas declarações prestadas pelo FC Porto.
Sobre estas e outras coisas à volta destes escândalos no futebol indígena, vem Pedro Mourão manifestar uma vez mais o seu repúdio pelo estado actual da justiça desportiva e já agora que venha o livro que ele anda a escrever.
Pedro Mourão não tem dúvidas.
Ex-presidente da Comissão Disciplinar da Liga, ainda no tempo de Valentim Loureiro, o magistrado critica de forma aberta os organismos que regulam o futebol português.
"É o descrédito da justiça desportiva", assegura, lembrando que o actual presidente da Liga de Clubes fez promessas que ainda não cumpriu.
"Disse que ia resolver estas questões em tempo útil e eu pergunto. Pretende manter o silêncio até ao fim e deixar as coisas no mesmo estado quando abandonar o cargo?", interroga o juiz-desembargador, que recorda o dia em que 'abriu uma gaveta e encontrou os processos parados'.
"Fui presidente apenas em substituição. Fiz o que podia, desencadeei os processos disciplinares."
Pedro Mourão realça ainda que não faz sentido a justiça desportiva "colar-se" à justiça penal.
"É uma situação confortável mas não é legítima. Até porque todos sabemos que qualquer bom advogado consegue eternizar um processo-crime. Devíamos olhar para o exemplo italiano e perceber que podia ser de forma diferente", conclui.
Pinto da Costa sem Respostas
Pinto da Costa foi inconsistente. Não explicou por que motivo um árbitro foi a sua casa dois dias antes de um jogo onde ainda se disputava o título da I Liga. Não justificou os encontros marcados com o empresário António Araújo na sua vivenda na Madalena, em Vila Nova de Gaia, nem tão-pouco deu qualquer justificação plausível para os ‘lamentos’ audíveis numa conversa telefónica com Pinto de Sousa, após o jogo Beira-Mar-FC Porto a contar para a 31.ª jornada da época 2003/2004. "Só nos deixou passar uns livres, o gajo...", disse então o dirigente. Ontem, a juíza de instrução não teve dúvidas: há indícios suficientes de que Pinto da Costa e António Araújo cometeram um crime de corrupção desportiva activa e que o árbitro Augusto Duarte o cometeu na forma passiva.
Os três vão ser julgados no Tribunal de São João Novo, num processo que deve começar antes do Verão.Carolina Salgado voltou a ser figura central no primeiro processo que leva o presidente dos azuis-e--brancos ao banco dos réus. 'É aceitável que qualquer espírito esclarecido se questione: não será o seu depoimento uma forma de a testemunha se vingar e de humilhar o ex-companheiro?', perguntou a juíza na decisão ontem proferida, onde disse depois ser irrelevante tal questão. Porque vendetta ou não, o que é importante é saber se Carolina falava a verdade e se Pinto da Costa deu mesmo 2500 euros ao árbitro, pedindo-lhe que ajudasse o FC Porto no encontro com os aveirenses.
Para a magistrada os elementos conjugados mostram que a versão apresentada pela testemunha é muito mais consistente do que a revelada por Pinto da Costa, Araújo ou Augusto Duarte. A ex-mulher do líder portista diz mesmo ter visto o dirigente a tirar o dinheiro de uma cómoda e reconhece ter sido ela a receber Duarte na sua residência.
A juíza fala depois das regras da experiência, do bom senso e da lógica para garantir que este processo não oferece dúvidas ao legislador. 'Conclui-se muito facilmente que há indícios para o tribunal pronunciar os arguidos pelos crimes que lhes são imputados na Acusação', termina a magistrada, numa decisão que não é passível de recurso.
Pinto da Costa incorre agora numa pena até quatros anos de cadeia, o mesmo acontecendo com o empresário António Araújo. Por seu lado, o árbitro Augusto Duarte poderá ser condenado numa sanção até dois anos – pena essa que será sempre suspensa.
Estamos, no entanto, a falar de um jogo cujos máximos dirigentes da SAD foram inauditamente pronunciados pelo Tribunal de Intsrrução Criminal do Porto por exrecício de corrupção activa sobre o árbitro Augusto Duarte, o qual a troco de uns alegados € 2.500 facilitou a vitória portista em Aveiro.
Desta vez, não vem o Augusto Duarte, mas o seu colega, igualmente indiciado no Apito Dourado, Lucílio Batista.
Digamos que a caldeirada está montada.
O Mausoléu deve estar pronto para receber a cínica coroa de flores dos homens que contra nós lutaram no caso Mateus e agora nem se sabe a sua opinião no caso Meyong, sendo certo que ainda sobre eles não recaíu a penalidade que a nós foi imposta pela CD da Liga, sendo certo que o ilícito de Leandro Lima se prende com falsas declarações prestadas pelo FC Porto.
Sobre estas e outras coisas à volta destes escândalos no futebol indígena, vem Pedro Mourão manifestar uma vez mais o seu repúdio pelo estado actual da justiça desportiva e já agora que venha o livro que ele anda a escrever.
Pedro Mourão não tem dúvidas.
Ex-presidente da Comissão Disciplinar da Liga, ainda no tempo de Valentim Loureiro, o magistrado critica de forma aberta os organismos que regulam o futebol português.
"É o descrédito da justiça desportiva", assegura, lembrando que o actual presidente da Liga de Clubes fez promessas que ainda não cumpriu.
"Disse que ia resolver estas questões em tempo útil e eu pergunto. Pretende manter o silêncio até ao fim e deixar as coisas no mesmo estado quando abandonar o cargo?", interroga o juiz-desembargador, que recorda o dia em que 'abriu uma gaveta e encontrou os processos parados'.
"Fui presidente apenas em substituição. Fiz o que podia, desencadeei os processos disciplinares."
Pedro Mourão realça ainda que não faz sentido a justiça desportiva "colar-se" à justiça penal.
"É uma situação confortável mas não é legítima. Até porque todos sabemos que qualquer bom advogado consegue eternizar um processo-crime. Devíamos olhar para o exemplo italiano e perceber que podia ser de forma diferente", conclui.
Pinto da Costa sem Respostas
Pinto da Costa foi inconsistente. Não explicou por que motivo um árbitro foi a sua casa dois dias antes de um jogo onde ainda se disputava o título da I Liga. Não justificou os encontros marcados com o empresário António Araújo na sua vivenda na Madalena, em Vila Nova de Gaia, nem tão-pouco deu qualquer justificação plausível para os ‘lamentos’ audíveis numa conversa telefónica com Pinto de Sousa, após o jogo Beira-Mar-FC Porto a contar para a 31.ª jornada da época 2003/2004. "Só nos deixou passar uns livres, o gajo...", disse então o dirigente. Ontem, a juíza de instrução não teve dúvidas: há indícios suficientes de que Pinto da Costa e António Araújo cometeram um crime de corrupção desportiva activa e que o árbitro Augusto Duarte o cometeu na forma passiva.
Os três vão ser julgados no Tribunal de São João Novo, num processo que deve começar antes do Verão.Carolina Salgado voltou a ser figura central no primeiro processo que leva o presidente dos azuis-e--brancos ao banco dos réus. 'É aceitável que qualquer espírito esclarecido se questione: não será o seu depoimento uma forma de a testemunha se vingar e de humilhar o ex-companheiro?', perguntou a juíza na decisão ontem proferida, onde disse depois ser irrelevante tal questão. Porque vendetta ou não, o que é importante é saber se Carolina falava a verdade e se Pinto da Costa deu mesmo 2500 euros ao árbitro, pedindo-lhe que ajudasse o FC Porto no encontro com os aveirenses.
Para a magistrada os elementos conjugados mostram que a versão apresentada pela testemunha é muito mais consistente do que a revelada por Pinto da Costa, Araújo ou Augusto Duarte. A ex-mulher do líder portista diz mesmo ter visto o dirigente a tirar o dinheiro de uma cómoda e reconhece ter sido ela a receber Duarte na sua residência.
A juíza fala depois das regras da experiência, do bom senso e da lógica para garantir que este processo não oferece dúvidas ao legislador. 'Conclui-se muito facilmente que há indícios para o tribunal pronunciar os arguidos pelos crimes que lhes são imputados na Acusação', termina a magistrada, numa decisão que não é passível de recurso.
Pinto da Costa incorre agora numa pena até quatros anos de cadeia, o mesmo acontecendo com o empresário António Araújo. Por seu lado, o árbitro Augusto Duarte poderá ser condenado numa sanção até dois anos – pena essa que será sempre suspensa.
Etiquetas: Apito Dourado, Corrupção, Equipa 2007/2008;SAD


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