Voltar à Página Inicial

Júlio César: novo imperador no Restelo?



O Belenenses foi um dos clubes portugueses que aproveitou a reabertura do mercado para reforçar e corrigir lacunas em vários sectores do seu plantel, da baliza ao ataque, passando pela defesa e pelo meio-campo para o qual já tinha garantido há algum tempo Marco Ferreira. Ao Restelo chegaram, por estes dias, Edson, defesa central brasileiro de 20 anos que jogou pelo Brasil o último Campeonato do Mundo de sub-20, cedido pelo FC Porto, que garantiu o seu passe junto do Figueirense, onde nasceu e cresceu como jogador, Edgaras Jankauskas, internacional lituano de 32 anos, que estava em final de contrato com o AEK Larnaca, do Chipre, e que em Portugal, já representou o Benfica e o FC Porto, pelo qual venceu a Taça Uefa em 2003 e se sagrou campeão europeu em 2004, e Júlio César, guarda-redes que jogou o último campeonato brasileiro pelo Botafogo, que vem preencher uma vaga aberta pela saída, por empréstimo, para o Duque de Caxias, do seu compatriota Thiago Schmit, que, apesar de ter chegado com boas referências, oriundo do Avaí, não se conseguiu impor entre os eleitos de Jorge Jesus na primeira metade do ano. O Salésias, porque segue a evolução de Júlio César há algum tempo, tendo visionado vários dos jogos em que o jogador foi interveniente em 2007, traça, a partir daqui, um perfil do novo guarda-redes do Belenenses.
Júlio César Jacobi, guarda-redes brasileiro de 21 anos (02/09/1986) nasceu em Guaramirim, município litorâneo do estado de Santa Catarina, e começou a carreira nas categorias inferiores do J. Malucelli, clube empresa, que hoje em dia tem um protocolo com o Vitória de Guimarães, ao qual fez chegar recentemente dois jogadores para Manuel Cajuda avaliar. Depois, transitou para o Paraná Clube, onde completou a sua formação, dando nas vistas na Copa São Paulo de Futebol Júnior, em 2005, quando ajudou o tricolor paranaense a subir ao último lugar do pódio, atraindo a atenção de Acácio, treinador de guarda-redes do Botafogo e antigo guarda-redes do Beira-Mar e Tirsense, levando o alvinegro carioca, que entretanto perdia o talentoso Jefferson, para o Trabzonspor, da Turquia, a investir na sua contratação.

Clicar para ampliar


A estreia de Júlio César no Botafogo aconteceu só na parte final do campeonato brasileiro de 2006, na penúltima jornada, contra o Corinthians, que terminou com uma igualdade a zero, tendo ainda alinhado no último jogo dessa prova, frente ao Cruzeiro, que o Botafogo perdeu por 3×1, antes de ir para férias, com a certeza de que, embora partindo de trás, como terceiro guarda-redes, entraria numa disputa sadia pela baliza, em 2007. E assim foi. Chamado à responsabilidade com apenas 20 anos na Taça Rio, segunda parte do Campeonato Estadual Carioca de 2007, depois de Max, que foi o titular durante a Taça Guanabara – primeira fase do Cariocão – ter comprometido no derradeiro jogo da fase de grupos frente ao Boa Vista, que o Botafogo perdeu por 3×2, falhando dessa forma, uma presença nas meias-finais, Júlio César deslumbrou, não só pelos bons jogos efectuados, sobretudo frente aos rivais Fluminense e Vasco da Gama, mas porque transmitia alguma maturidade invulgar para a idade e segurança ao sector mais recuado do Botafogo, algo em que a equipa era carenciada, sofrendo só 5 golos em 6 jogos e ajudando o Bota, além de vencer o seu grupo, a chegar à meia-final onde encarou o Vasco da Gama, num dos melhores jogos que o Brasil teve oportunidade de presenciar no último ano, que terminou empatado a quatro bolas, decidido nos penaltis, onde Júlio César foi, de novo, decisivo, para a passagem da equipa à final, que venceu frente ao Cabofriense. Na final do Estadual, que coloca frente a frente, os vencedores da Taça Guanabara e da Taça Rio, Júlio César teve o seu primeiro momento verdadeiramente negativo, comprometendo, quando foi expulso frente ao Flamengo, no primeiro dos dois jogos da decisão, numa altura que o Botafogo vencia por 2×0 (o jogo acabaria empatado a dois), acabando desse modo por falhar o segundo encontro que o Botafogo perderia com o rival, por penaltis, depois de nova igualdade. Todavia, Júlio César, considerado muito promissor e acarinhado pela ‘torcida’, começaria o Brasileirão como titular, ajudando o Botafogo, apesar dos episódios caricatos que protagonizou entre os postes, como os golos que sofreu diante do Figueirense, para a Copa do Brasil, que ajudaria à eliminação da equipa nas meias-finais, e do Náutico, em pleno Maracanã, à 6ª jornada, ou o penálti que travou a Amoroso, mesmo confuso, depois de ter desmaiado no lance que o originou, num jogo contra o Grêmio, à 4ª jornada – acabaria substituído –, a chegar à liderança da prova, onde o clube alvinegro esteve algum tempo, bem destacado da concorrência, mas Júlio César seria afastado à 15ª jornada, depois de uma derrota frente ao Cruzeiro por 3×2, em que voltou a não se sair bem, falhando em momentos decisivos. Curiosamente o afastamento de Júlio César, que já era por essa altura alvo da ira dos adeptos, que lhe apontavam saídas nocturnas - junto com o seu colega Diguinho eram alegadamente conhecidos na noite carioca, como Batman e Robin - como motivo para menor rendimento, da baliza botafoguense coincidiu com a quebra da equipa no Brasileirão, que perdia por essa altura a liderança para o São Paulo, e a seu tempo haveria de cair para fora da zona de acesso à Copa Libertadores. O regresso de Júlio César à baliza do Botafogo, depois de vários meses afastado, deu-se na 29ª jornada, pois nem Max, nem Marcos Leandro – contratado ao Paraná Clube com a época em curso – nem o experiente Roger, ex-Santos, que entretanto se lesionara, conseguiam evitar a soma de golos com que o Botafogo era presenteado semana após semana, mas não correu muito bem. O Botafogo perdeu três jogos consecutivos, todos com dois golos averbados, e mesmo depois de um quarto, vencido na recepção ao Sport Recife, por 3×1, Júlio César perdia novamente o posto para Roger, entretanto refeito da lesão, que não mais recuperaria até final do ano. Insatisfeito pela escassa utilização e aproveitamento, Júlio César, acabou o ano em litigio com o Botafogo, na justiça, alegando salários em atraso e incumprimento do clube no pagamento do seu Fundo de Garantia, acabando por rescindir amigavelmente, antes de acertar com o Belenenses para os próximos três anos e meio.

Júlio César é um guarda-redes promissor e que tem uma margem de progressão elevada, já com cartel dentro do Brasil – chegou a ser apontado como alvo para reforçar o Corinthians –, pese a irregularidade que marcou a sua época de 2007, mas algo inexperiente. Dono de uma compleição física assinalável (85kg distribuídos por 1,90m), com muita presença na baliza, destaca-se pela agilidade e elasticidade com que defende entre postes, onde se posiciona bem. Já fora deles, o seu jogo é um pouco débil, e embora arrisque pouco nesse capítulo, nomeadamente em lances de bola parada – cantos e livres laterais –, parecendo muitas vezes indeciso em qual a melhor opção a tomar, sempre que o faz, mesmo em jogo corrido, revela-se algo precipitado, com algumas saídas extemporâneas – mais no tempo que na intercepção (embora também esteja longe da perfeição na segunda) – quer por alto, quer por baixo, que lhe tem rendido algumas falhas clamorosas, sendo esse um dos itens em que mais necessita de trabalhar e, naturalmente, evoluir. Outro aspecto importante que carece de algum trabalho é a nível da concentração, pois Júlio César, além de revelar excesso de confiança em algumas abordagens que faz aos lances, mostra-se por vezes desatento, o que lhe tem valido dissabores, ao longo da ainda curta carreira. É, no entanto, um guarda-redes com enormes qualidades, que, como referido, arrisca pouco a sair da baliza, porque é debaixo dela, seu habitat preferido, que consegue efectuar as defesas mais incríveis, algumas verdadeiramente instintivas, tirando partido de reflexos apurados. Bom na reposição da bola em jogo - tem jogo de mãos e de pés -, comandando de um modo geral, bem a defesa à sua frente, Júlio César revela-se ainda fortíssimo a defender penaltis, uma das suas especialidades, que, tal como ao seu ídolo Taffarel, o tornaram conhecido no Brasil.

sob deferência das Salésias

Etiquetas:




Enviar link por e-mail

Imprimir artigo

Voltar à Página Inicial


Weblog Commenting and 
Trackback by HaloScan.com eXTReMe Tracker