Fernando Sequeira: uma entrevista globalmente positiva
Atentemos na circunstância de serem raras as ocasiões em que temos a oportunidade de conhecer publicamente as opiniões do Presidente do Belenenses, sendo certo que falo aqui em termos lato de todos os presidentes do Clube que muito raramente têm a possibilidade de chegar aos jornais, e se é um facto que a entrevista que aqui pode ser vista e ouvida foi publicitada em dia menos adequado para o efeito, por causa da data previamente marcada para a eleição do Conselho Fiscal e Disciplinar, não é menos verdade que se tratou de uma entrevista transversal à actual realidade do Clube e à forma como se está actuar para resolver os problemas do Clube.Houveram matérias que não foram afloradas, é certo, como são os casos, por exemplo, de como se pensa aumentar a massa associativa ou de aumentar a assistência média por jogo ou, ainda, de como pensa aumentar as receitas adicionais à quotização e bingo, convencendo-me a mim e a muitos outros a largar o sofá e passar a ir com mais regularidade ao Restelo.
São matérias bastante importantes que não foram sequer abordadas. Não sei se por omisssão do entrevistador, se por negociação dos temas a abordar na entrevista, tal como eventualmente a data da sua publicitação terá, na certa, sido negociada.
Encontrei na entrevista, ouvida, vista e lida, um homem perfeitamente determinado a levar a cabo uma parte significativa das suas idéias e valeu mais por aquilo que ficou por dizer que aquilo que foi dito, nomeadamente sobre:
1. Modalidades
Não resta a mínima dúvida que para Fernando Sequeira as modalidades estão a ser um problema para o Clube de Futebol "Os Belenenses", sendo certo que foi colocado o acento tónico na falta de sponsorização significativa que acautel as modalidades, além do facto de estarmos inseridos num mundo de economia global com os problemas de natureza económico-financeira perfeitamente identificados e bastante voláteis.
É um perigo para o nosso Clube o actual nível de profissionalização das modalidades.
O aviso fica lançado e ficámos todos a saber que nem sequer um Presidente do Clube consegue dar a volta àquele estado de estúpido ecletismo a que chegámos.
Estamos a ser asfixidaos por via disso e consegue-se ler na entrevista que as modalidadse constituem um poder paralelo ao de qualquer Direcção.
Aqui coloca-se a questão: a quem interessam as modalidades no estado actual em que as mesmas vêm desenvolvendo as actividades?
Ao Clube ou a alguns indíviduos que nelas investem o seu tempo?
Não seria mais lógico que cada secção do Clube coloca-se à disposição da Direcção da continuidade ou não de cada modalidade, atentas as dificuldades do momento?
Atentemos na afirmação de Fernando Sequeira sobre o grau de profissionalização do Andebol do Futsal e do Rugby: "Não há que ter dúvidas, as pessoas dessas modalidades fazem disso o seu modo de vida". Mais palavra menos palvra foi esta a idéia que ficou.

Fica dito para que disso não restem mais dúvidas.
2. Projecto Imobiliário
O que não foi dito deixa-me esperançado que sem o espectáculo público de Ramos Lopes, vamos ter com a calma e a serenidade que estas coisas exigem, um projecto de reabilitação global dos 131.200 m2 do Complexo Desportivo do Restelo, tendo sido referido, em especia,l a reaqualificação do Pavilhão, Piscinas e terrenos não utilizados.
É bom que tenhamos o acompanhamento da CML e que de tais reuniões possa nascer um projecto que passe sem qualquer limitação no executivo camarário.
Como notas finais de uma entrevista que gostei destaco, ainda, os seguintes temas:
1. A saída do ex-treinador:
De facto, terão sido atribuídos poderes de carácter circunstancial e excepcional ao ex-treinador, situação que na perspectiva da minha mulher, poderá residir na doença que assolou o Cabral Ferreira, e eventualmente este ter delegado alguns dos seus poderes por A, B e C.
JJ não terá gostado na diminuição da sua importãncia na SAD e saíu. Estamos conversados e mais que conversados.
2. Roteiro Turístico
Na requalificação do Restelo, é intenção dotar o Restelo de vida própria por forma a incorporar o futuro Restelo no roteiro turístico, que para mal dos nosso pecados, morre ali nos Jerónimos, sem que os turistas encontrem nos nossos terrenos um esepaço para prosseguir a visita turística a Belém.
3. Futebol como acento tónico
Anotei em Fernando Sequeira uma forte propensão em falar do Clube de Futebol "Os Belenenses" mais na óptica de um Clube vocacionado para o Futebol que disposto a falar nos problemas gerados nas Modalidades.
4. Recandidatura
Recusou, por ora, falar no tema atendendo a que os resultados em futebol são muito voláteis.
Por mim, se for para dotar o Clube de uma limpeza orgânico-funcional e financeira, mantendo o Clube uma equipa competitiva no futebol em nome da riqueza do património histórico nessa área ao longo do seu passado, esteja perfeitamente à vontade que não serei eu que o vou atrapalhar, mantendo a minha posição de vigilância em tudo quanto da acção discordar.
5. Censurável
O que não aceito, nem a bem, nem a mal, é que haja um qualquer presidente do Belenenses que me fale na extinção do Clube a manter-se determinados circunstancialismos.
Enquanto houver capital humano, sócios e adeptos, com a alma belenense espalhda um pouco por todo o lado, no país e no estrangeiro, é impossível e um pecado falar-se nessa eventualidade, a qual devia ter ficado no tinteiro.
Já à data censurei o seu antecessor e agora censuro Fernando Sequeira pelo mesmo motivo.
Por fim, não me pareceu nada ético que o Presidente da Direcção tenha escolhido a data da eleição do Conselho Fiscal para a presente entrevista, nomeadamente quando assume o partido de uma lista contra outra lista a concurso, mas isso é outra questão a que todos os poderes investidos na Sociedade actual não querem deixar de usar para fazer vingar as suas teses. Uma anormaladidade normal ou usual e, por norma, esperada.
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12:00 a.m.


































