Excerto de uma entrevista de Jaime Pacheco
Ficam aqui apenas as perguntas e respostas que directa ou indirectamente têm a ver com o Belenenses, edixando de lado a palha com que se revestiu boa parte das pergunbtas, obviamente seleccionadas pela malha fina da redacção do paquim-mor cá do sítio.Depois de tantos anos no Norte, como se sente a treinar um clube de Lisboa?
David Silva, Vila Franca de Xira
Muito bem. Vir para o Sul não é novidade para mim porque joguei 2 anos no V. Setúbal, 2 no Sporting e muitos outros na Selecção. Portanto, sou um treinador do País e não de uma região. Não sou regionalista, mas nacionalista! Tudo gira em função do nosso bem-estar, o que depende da forma como nos recebem. E garanto que fui muito bem recebido em Setúbal, em Alvalade e agora no Belenenses. Ao contrário do que dizem, no Sul sabem receber tão bem como no Norte. As coisas estão a funcionar melhor do que pensava porque consegui criar empatia com toda a gente num curto espaço de tempo. Sinto-me muito bem em Lisboa!
Pensa vir a ser sócio do Belenenses?
Carlos Faísca, Lisboa
Já sou.
O que acha que faltou ao Zé Pedro para, há uns anos, não vingar no Boavista?
Carlos Rodrigues, Barreiro
É tão fácil quanto isto: o Deco não brilhou logo no Benfica, há um percurso. Por exemplo, jogava no Rebordosa e fui para o Aliados de Lordelo, na 3.ª Divisão. Era considerado um dos melhores jogadores da equipa, fui treinar à experiência no FC Porto e fiquei, passando a ser um jogador secundário. Eram tantos e tão bons que fiz um caminho progressivo. O Zé Pedro vinha de uma 2.ª Divisão B e, se calhar, o DVD dele correu os treinadores todos e só eu é que o contratei. Na altura, o Boavista estava em alta e ele precisava de um período de adaptação. Por uma questão de evolução mais rápida, entendi que era melhor para ele competir. A partir daí, foi jogando e evoluiu naturalmente. Depois, pediu para ser cedido ao V. Setúbal e no final da época suplicou-me para sair do Boavista por motivos familiares. Tentei demovê-lo, mas, contra a minha própria vontade pois contava com ele, decidi deixá-lo sair por uma questão humana, com o Boavista a conseguir ganhar algum dinheiro.
Espera levar este Belenenses até onde?
Nuno Sousa, Sines
Tenho muitas ambições, mas têm algum limite que passa sempre por ganhar o jogo que se segue e conseguir a melhor classificação possível este ano. Vou procurar que o clube crie a estabilidade necessária para poder fazer uma 2.ª volta melhor. Há que criar uma solidez que permita aos adeptos confiarem em nós e já está a existir uma enorme empatia. Queremos fazer uma classificação honrosa que no final nos permita dizer que chegámos ao máximo das nossas capacidades e que não era possível ter ido mais longe.
Gostou da maneira como foi recebido no Restelo? Sente que os adeptos estão consigo e com a equipa?
Frederico Tavares, Lisboa
Entendo que aqueles confrontos directos com o Boavista tenha criado alguma antipatia em relação a mim porque ganhava muitas vezes e ficava quase sempre à frente do Belenenses. Basta ver que nunca perdi aqui no Restelo com o Boavista e isso criou alguns anti-corpos. Depois, um diário desportivo também criou aquele episódio com o Zé Pedro que nunca existiu. Às vezes, podia ter havido uma má recepção, mas não foi o caso. Lembro-me que trouxe o cachecol do Belenenses na apresentação porque as pessoas têm de perceber uma coisa: estive muitos anos no Boavista, mas a lealdade, empenho, garra e vontade de ganhar que tive lá, tenho aqui! Aquilo que fui no Boavista serei aqui no Belenenses.
Acompanha os resultados e os jogos de outras modalidades onde o Belenenses é forte, como o andebol, o râguebi e o futsal? Ficou a conhecer melhor o ecletismo do clube?
José Ferreira, Aveiro
O ecletismo é-nos dado a conhecer logo nos painéis publicitários do Restelo. É verdade que um dia destes fui ver um jogo de futsal porque é uma das minhas grandes paixões. Se calhar, estou a padecer de um joelho ao qual fui operado porque jogava futsal todos os dias e entrava em torneios com jogadores com idade para serem meus filhos. Gosto de hóquei em patins e de ciclismo, não gosto muito de jogos com a mão. Prefiro jogos com o pé e acompanho as modalidades. A propósito, não tem cabimento o castigo ao meu colega Alípio Matos por declarações. Que democracia é esta?
Sente necessidade de ir ao mercado de Inverno ou acha que o plantel é adequado às exigências?
Luís Sampaio, Lisboa
Não é justo nem correcto dizer se posso ir buscar jogadores nessa altura. Se tiver essa ideia tenho de a guardar para mim. Não posso, nem devo, pôr em causa ou questionar o valor destes jogadores, que têm sido excepcionais. Como em tudo na vida, há uns melhores do que outros, uns mais avançados do que outros em termos dos princípios que preconizamos, mas têm sido todos excepcionais.
vida do treinador.
Tem vontade de ficar no Belenenses para além deste ano, formando uma equipa à sua imagem e projectando o clube ao patamar que merece?
Tiago Soares, Lisboa
Já disse que o meu objectivo principal é fazer um bom trabalho este ano para poder dar continuidade à minha estadia aqui. Estou a gostar do clube e, como profissional, quero retribuir a confiança que depositaram em mim
Como pensa que deveria ser tratada a situação dos salários em atraso e os problemas financeiros nos clubes?
João Paulo Ferreira, São João da Madeira
Às vezes, as Direcções dos clubes têm culpa na planificação das coisas. Se não há receitas programadas, têm de ser mais comedidas nos orçamentos. Se não puderem ter um plantel de 25 jogadores, então tenham só 18 e acrescentam-se mais 4 ex-juniores. Até porque agora há a oportunidade de dar uns retoques em Janeiro. Depois, penso que devia haver uma intervenção da Liga, Federação e do próprio sindicato dos jogadores no sentido de, quando houvesse incumprimento, parar os campeonatos. Assim, estou certo de que os dirigentes iam movimentar-se mais porque sentiriam os prejuízos. Por fim, o Estado devia baixar os impostos porque não há nenhum país do Mundo que nos dê tão pouco e nos tire tanto.
Etiquetas: SAD, Treinadores


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