Boa Páscoa para o Meyong
Caro amigo Luís Oliveira,
A maioria das pessoas admite ter medos, receios e aversões, por outras palavras, terrores, temores e alergias.

Não lhe escondo que o meu maior terror são os dentistas e as dores de dentes.
Por meu azar, o estado febril e congestionado que julgava uma gripe, resumiu-se a um ovo de páscoa na bochecha direita quando acordei e a dentadura a ecoar no cérebro ao mínimo movimento com uma dor acutilante.
Lá fui eu ao mal menor, tentando enganar tudo e todos, qual corajoso que enfrenta o dragão de S. Jorge.
Pasquim debaixo do braço e preparado o que desse e viesse, inclusivé, espera a perder de vista.
Na sala de espera 4 cadeirões, aquela mesa baixa das Holas e 3 quadros de má qualidade, o nosso “déjá vue”.
No pasquim procuro a página do Belenenses, depois a dos resultados, segue-se a contra-capa e jornal para a mesa das Holas. No cadeirão ao lado, um septuagenário mete conversa comigo.
-Como é que está o nosso problema?
Olho para ele e reflito interiormente se estava a questionar o mal que padeço ou a questionar o meu raciocínio silencioso do caso Meyong. Pois, o nosso personagem percebeu que eu só lera os assuntos do Belenenses e sentiu-se em casa.
É evidente que todas as entidades negligenciaram o assunto e lavaram as mãos como Pilatos (fica bem a analogia em tempos pascais).
O Belenenses pela mão do meu ídolo, Nelson Soares, não assistiu à jogada e “cortou a vaza”, o CJ ficou com o menino nos braços e para não ficar mal perante o PC, mandou distribuir a papelada toda, por todos os clubes, como quem pede ajuda para o caldinho feito a 4 mãos.
O resultado esperado, não é mais que Meyong não jogue contra o Porto, tanto mais que o JJ já percebeu o Jesualdo e lhe tirou dois pontos nas Antas.É certo que PC quer ter o controlo da situação e preferencialmente fazer a festa com o “Orelhas” a servir de bombo, logo, até nem se importava muito com um empate no Restelo, mas para isso era preciso que os “Lamps” colaborassem e perseguissem uma senda de vitória até lá.
Por outro lado a derrota dos lampiões e a vitória do Porto coloca a festa nos Mouros e isso não tem muita piada, se bem que seja tranquilizador.
O resultado desta confusão é o provável arquivamento, salvo manobras evasivas que remetam a contenda para o plano Constitucional ou Internacional, mas será sempre muito duvidoso que o Belenenses sofra a decisão da CD.
Enfim, reflexões feitas e o meu interlocutor, lá foi dizendo que é sócio com cativo sem ligar muito ao futebol, nunca votou e ia aos jogos com o padrinho de casamento que o inscreveu, mais por companhia e diversão de domingo à tarde.
Na conversa de hora e meia, creio que fiz um amigo com quem tive o prazer de conversar e esquecer do local tenebroso onde estava, mas fiquei com mais dúvidas que certezas.
Não percebo porque é alguém que é sócio e pede para deixar de ser, lhe apresentam a conta e se sinta intimidado a continuar por “ficar a dever” quando pediu para sair, tal como não entendo que continuem a apresentar a conta de cativo a quem não vai aos jogos à mais de 10 anos.
É claro que o idoso, perante as questões me disse que acabou sempre por fazer amizade com os cobradores e até lhe levam umas notícias do clube e vale os dois dedos de conversa.
Pergunto-me da legítimidade do aproveitamento da solidão, para cobrar quotas anual ou semestralmente a troco de 15 minutos de conversa.
Fiquei a pensar e muito seriamente.
Outro assunto que me veiculou e tem servido de argumento à sua condição é que o Belenenses não tem 5000 sócios pagantes, mas sobre isto vou tirar a limpo.
Bem, esta Páscoa é anti-biótico e nada de amêndoas para o meu lado.
Para si e toda a família, com especial destaque às novas membras, uma Santa Páscoa.
Para o Meyong em particular pela dedicação e saber estar connosco, uma feliz Páscoa e que tudo se resolva em breve.
Para os Belenenses de boa vontade que possam vir a ler estas linhas, para além da Santa Páscoa, votos de uma direcção firme, séria e competente que leve a nau a bom porto.
Um abraço,
Zé dos Cucos
Para os Belenenses de boa vontade que possam vir a ler estas linhas, para além da Santa Páscoa, votos de uma direcção firme, séria e competente que leve a nau a bom porto.
Um abraço,
Zé dos Cucos
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