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Jaime Pacheco: «Quero que o Belenenses deixe de ser simpático»



Notas Prévias:
Esta entrevista de Jaime Pacheco foi concedidad há alguns dias em simultâneo ao jornal Recoord e à Antena 1.

Para quem acredita em tudo quanto ele aqui diz, pois que sejam felizes.

Pessoalmnete, o facto de inicialmente sempre ter duvidado da sua real capacidade de treinador e ao facto de ter causado alguns estragos a símbolos azuis a que se juntam agora péssimos resultados e más exibições da equipa de futebol, bem como as fatasiosas tácticas que não lembram o diabo, deixei, muito sinceramente, de acreditar quer no treinador, quer na salvação da descida de divisão.

O Jaime Pacheco está a comportar-se no Restelo como um miúdo a quem deram um brinquedo novo. E tdos nós sabemos a atitude dos miúdos quando lhe dão um brinquedo novo: enquanto não dão cabo dele, não descansam. Eu que o diga na minha condição de avô...

Aliás, a vontade dele treinar o Belenenses era tanta - pudera, estava desempregado, que quase parecia a Manuela Ferreira Leite quando foi a 14ª escolha para ministra das finanças do governo do fugitivo de então. Fosse qual fosse a posição ela aceitaria sempre.

Esta de se estar no Belenenses para ajudar os árbitros, depois de longos anos a sofrermos na pele arbitragens encomendadas, servindo o Belenenses como balão de ensaio para os chamados "erros" de arbitragem, alguns contra a a ex-equipa do ora treinador do Belenenses, não lembraria o diabo.

Mas, neste aspecto a SAD está queda e muda, quase inexistindo... Acho que esta SAD e o treinador estão bem um para o outro, mas não estarão bem para o Clube.

Enfim, foi nestas condições que entregaram a equipa de futebol.

Mas atenção, o mal não está só nele, mas também para quem contribuíu para que ele esteja no Belenenses.

RECORD - Quando chegou ao Restelo, ficou assustado?
JAIME PACHECO – Não. Cheguei num bom dia de sol e as pessoas foram excecionais na forma como me receberam. Naturalmente, por aquele vínculo tão longo que tive ao Boavista, poderia estar apreensivo, pois quando fui para o V. Guimarães passei por isso. Felizmente, não foi assim. Foi um dia fantástico. Senti que era importante para mim não só recomeçar a trabalhar mas porque vi na instituição uma grandeza que se confirmou.

R – Os sócios do Belenenses, nesse mesmo dia, lembraram-se daquela sua célebre frase: o quarto grande é o Boavista.
JP – Nunca disse isso. Fui confrontado com outro tipo de declarações que também nunca expressei. Para não criar um clima negativo, nem sequer me preocupei em desculpar ou repor a verdade. Estive num clube rival não apenas do Belenenses mas também do V. Guimarães, do Sp. Braga, do Marítimo, e despoletei um clima de rivalidade acrescentado. Na altura, o Boavista passou tudo e todos e como é óbvio os seus naturais adversários não gostaram. Tive, porém, sempre o cuidado de evitar a questão do quarto grande. Sempre disse que a história se encarregava de responder.

R- O assustado tinha a ver com a situação complicada, a todos os níveis, do Belenenses. Quando mergulhou na situação ficou ainda mais preocupado?
JP – Quando uma equipa, no início da temporada, começa o campeonato de forma tão negativa temos uma perceção das coisas que não é boa. Mas isso acontece devido a vários fatores: direção, treinador mas também jogadores. Analisei isso friamente a ponto de perceber que o defeito não era só do treinador, da direção ou dos adeptos. Teria estar também no grupo de trabalho.

R – Havia um grande défice de qualidade no plantel?
JP – Tinha a noção de que também havia qualidade, pois conhecia sobejamente os jogadores que transitaram de épocas anteriores. É verdade que é preciso dar tempo de adaptação aos novos, o que em Portugal não se faz com grande paciência. Senti-me com capacidade e força para alterar o rumo dos acontecimentos, mas também me confrontei com uma realidade mais complicada do que esperava. Havia bons profissionais mas outros de valor muito duvidoso. E eram 30!

R – Como se pode aceitar um plantel assim na primeira Liga?
JP – Como calcula, por respeito a quem fez esse trabalho e até como o fizeram, não vou comentar. Muitas vezes os treinadores são culpados por coisas de que não têm responsabilidade. Desde 2002 até hoje nunca fiz um plantel, nunca tive participação ativa da construção de 80 por cento de um plantel.

R – Nem nos anos de ouro do Boavista?
JP – Nem aí. E jamais algum treinador terá essa possibilidade.

R – Porquê?
JP – Porque vêm sempre jogadores de épocas anteriores. Depois há os ativos e as questões da sad, e depois há os jovens. E até as apostas dos presidentes! Têm sempre uma... E a componente financeira, claro. Naturalmente, tudo isso se reflete na equipa que idealizamos.

R - E também há os empresários. Alguma vez teve de lidar com essas influências?
JP – Como devem calcular, como nesta pergunta e noutras que eventualmente se seguirão, tenho de ser politicamente correto e ser inteligente a ponto de não entrar por esse caminho. Sabemos que na nossa atividade, as coisas deambulam para um lado ou outro por razões que desconhecemos. Tenho boa relação com todos os empresários, mas sempre dentro da ética do que é profissional e no interesse da própria instituição.

R – Numa entrevista ao Record já disse que não tinha negócios escuros com empresários... Há quem faça esses negócios?
JP – O que me faz perplexidade é o seguinte. Imagine que compro um jogador por 20 ou 25 milhões de euros; ele vem e não joga. Então, das duas uma: ou sou mau treinador ou o jogador não presta. Garanto-lhe: se contratasse um jogador por esse valor, ele jogava e bem! Eu também me interrogo: alguma coisa não bate certo.

R – O que foi preciso atacar primeiro no Belenenses?
JP – Analisar corretamente o que estava ao meu dispor para ter em cada jogo os melhores e mais disponíveis. Era fundamental criar equilíbrio, sustentado em bases e valores que permitissem adquirir confiança. Depois, logo se veria que ajustes era preciso fazer de acordo com as possibilidades.

R – E fez tantos que foi a equipa que mais mexidas operou no mercado de Inverno. Era a prova de um plantel fraco.
JP – Fazia questão de ir ao encontro do que era possível, acrescentando qualidade com jogadores que tivessem experiência do nosso futebol. O Belenenses tem cumprido religiosamente tudo o que são as suas obrigações. Senti que teria de diminuir o plantel e procurar jogadores a preços compatíveis com a realidade do clube. Se tirei 5 no valor de 100, teria de meter 5 no valor de 50. Felizmente, conseguimo-lo, melhorando a qualidade da equipa e equilibrando-a.

R – Agora a equipa já está equilibrada?
JP- Está. Procurámos outras soluções, mas em função do que achei mais correto estas escolhas foram minhas e foram as melhores. A equipa necessitava de jogadores com características como o Ávalos, o Diakité e o Saulo. O Belenenses jogava bem, mas que conquistava pouco.

R – Como assim, era macia?
JP – Não, mas era uma equipa que só recuperava a bola se o adversário a perdesse... Não era um grupo de guerreiros capazes de conquistar terras, só se houvesse o abandono das mesmas.

R – A propósito. A imagem de marca do Boavista campeão era a agressividade. Nos últimos jogos do Belenenses, por exemplo, a equipa fez menos faltas do que o Benfica (18/19) e praticamente as mesmas do que o FC Porto (17/15). O Boavistão chegou a fazer mais de 30 faltas por jogo. O que mudou?
JP – Nada! Desde miúdo que temos as nossas simpatias e os nossos gostos. Depois temos apreço por clubes que classificamos de simpáticos. Há muitos anos, os simpáticos era o Boavista, o Belenenses e a Académica. Agora simpáticos só o Belenenses e a Académica. Só me apelidaram de ser um treinador de equipas agressivas quando o Boavista foi campeão. Antes fui treinador P. Ferreira e do V. Guimarães e nesses anos do Vitória -- que deixou de oscilar entre época boa-e-época má, indo inclusivamente à Europa -- jogávamos um futebol brilhante.

R – Então é mais fama que proveito?
JP – Não, foi é depois de ser campeão.

R – Quer então tornar o Belenenses numa equipa pouco simpática?
JP – Quero ganhar, como é óbvio. O Belenenses só deixará de ser simpático quando ganhar.

R – Quanto tempo então precisa para levar o Belenenses a ser campeão?
JP – Não posso prometer nada. Já passei por isso e no Boavista fizemos uma história bonita. Basta ler as declarações dos treinadores das equipas principais do nosso futebol que estão sempre a reclamar tempo. É preciso ter conhecimento da equipa e desta dela própria. Os processos que tem de assimilar, tudo isso. Nós, agora, estamos a fazer isso em competição. Até tenho dificuldades em realizar mudanças de ordem tática, pois estaria a correr riscos e a pôr em causa resultados que é aquilo que mais nos interessa. Há uma coisa fundamental e que me permite falar com muita confiança: a administração do Belenenses. Se nós tivemos coragem em vir treinar o Belenenses, eles tiveram coragem muito maior em assumir as suas responsabilidades. Têm sido pessoas excecionais, inexcedíveis na forma como nos apoiam no dia a dia. Respondendo em concreto: para voltar a ser campeão teria de continuar e os dirigentes liderados pelo dr. João Barbosa pudessem continuar. Dão-nos a esperança de que isso possa vir a acontecer no futuro. Tenho a noção de que o Belenenses necessita de estabilidade que esta direção lhe pode dar.

R – José Pedro disse que a época vai ser de sofrimento até ao fim. Concorda?
JP – Concordo. É uma época que se começa em défice. A todos os níveis. Não é de um dia para o outro que se faz uma equipa. A integração de Diakité melhorou alguns aspetos defensivos. Levávamos muitos golos... Nestes últimos tempos, exceção feita ao FC Porto, não vi equipa que nos tenha sido superior. Sinto que se ganharmos 2 ou 3 jogos seguidos, voltamos à normalidade. No início deste meu ciclo procurei dar muita confiança aos jogadores e nunca deixei entrar desânimo na nossa casa. Foi das lutas maiores.

R – Silas já demonstrou desconforto pelo fato de ainda não ter renovado. Quando é que Pacheco toma decisões nesta matéria?
JP – O Silas é um otimo jogador e profissional. Respeito a sua opinião. Mas o que importa, chegados a este momento pós-reestruturação, é melhorar a classificação do Belenenses. A prioridade é a estabilidade do clube. Conseguido isso, a direção poderá virar-se para outras questões. Nalgumas conversas que tenho com atual direção não posso aprofundar o futuro, pois eu próprio não sei se continuo.

R – Nem a direção...
JP – Pois é. Há outras prioridades, como disse.

R – Então como se pode trabalhar bem com todas essas dúvidas?
JP – Quero ser solução, não quero ser problema. Vim para ajudar e dar o melhor de mim. É o que vou fazer. Trabalhar para que as pessoas se sintam satisfeitas.

R – Acha que estão?
JP – Eu estou! Estou muito satisfeito por estar no Belenenses, com esta direção e com o grupo de trabalho. Os jogadores, mesmo com dificuldades para trabalhar, nunca os ouvi queixarem-se de nada. Aceitam tudo e aplicam-se como grandes profissionais que são. Por isso acredito que o futuro será melhor. O que me preocupa é que o Belenenses tenha mais vitórias e mais pontos, pois merece estar noutro lugar. Às vezes digo: nós jogamos bem de mais para o lugar que ocupamos. Mas temos de ser mais práticos e realistas.

R – Quando fala em dificuldades para trabalhar, refere-se a quê?
JP – As condições são difíceis, mas isso é um problema que tenho de resolver. Não posso passar para a opinião pública qualquer problema. Porque senão não tínhamos ido a Angola... Não nos vamos escudar em nada. Se calhar, era o que deveria fazer, mas eu nunca fui de arranjar desculpas. A minha missão é arranjar soluções. Havemos de encontrá-las.

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