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O escândalo da transferência de propriedade do centro de estágios do Olival da CM Gaia para o FC Porto



Li aqui e depis fui confirmar noutros locais ou sítios da internet e lá está, o FC Porto passou a ser o dono do Centro de Estágios do Olival, através da posse de 51% de acções de uma FUndação à qual o Dr. Luís Filipe Menezes vendeu a custo zero tal centro de estágios construíndo com dinheiro público.

Isto é demais!

É um caso chocante de concorrência desleal: enquanto os seus rivais de Lisboa, Benfica e Sporting, e outros clubes tiveram de investir entre 25 e 30 milhões de euros nos seus centros de estágios, o FC Porto viu o vizinho município de Vila Nova de Gaia dar-lhe de mão beijada um centro de estágios pronto a funcionar.

Com vários campos relvados (um até com bancada para duas mil pessoas, o ‘Estádio Dr. Luís F. Menezes’), instalações várias, construções hoteleiras para 150 atletas, tudo feito em terrenos comprados (mais de dois milhões) ou expropriados à pressa. Para tudo isso, a câmara de Menezes iria endividar-se em mais um empréstimo junto da banca.

Mas a situação envolveu vários ilícitos e irregularidades, o que desencadeou então queixas de pessoas e entidades lesadas aos grupos parlamentares da AR, à PGR, à IGAT (Inspecção-Geral da Administração do Território), ao provedor de Justiça, ao Ministério da Administração Interna e Gabinete do primeiro-ministro.

O mais espantoso é que, seis anos depois, não aconteceu nada nem ninguém mexeu uma palha.

E o inicialmente baptizado Centro de Estágios de Olival/Crestuma, propriedade da Câmara Municipal de Gaia, passou à má-fila para a posse do FC Porto, ao qual pertence hoje através de uma chamada Fundação Porto-Gaia, de que fazem parte a Câmara de Gaia e outros sócios, para disfarçar, mas é dominada (51%) pelo FC Porto, que nomeia o presidente (Pinto da Costa) e dois vogais, contra dois da Câmara.

Não por acaso, tal fundação tem a sede social, endereços postais e telefónicos no… Estádio do Dragão. E a propriedade foi-lhe dada através de uma habilidade legal, um direito de superfície por 50 anos outorgado pelo doutor Menezes em nome do município ao sr. Pinto da Costa, em nome do FC Porto.

Tudo em nome de uma ‘grande amizade’ que se desfez, vá-se lá saber porquê. Entre vários atropelos cometidos com as obras do Centro, desapareceram uma via pública (a Travessa do Alto da Estrada, freguesia de Crestuma, que o dr. Menezes prometeu reconstruir alhures mas não cumpriu), uma fábrica de madeiras com 17 operários, cujos donos e trabalhadores andam pelos tribunais, por onde andam também donos de terrenos ilegalmente expropriados, etc.

A questão da rua desaparecida sob as obras ainda há dias foi levantada na Câmara da Gaia, a da fábrica, os donos continuavam a rejeitar a ‘réplica’ que o doutor Menezes lhes oferecia noutro local, e os trabalhadores foram juntar-se a todos os sem-emprego que por aí andam.

Enfim, um escândalo em qualquer parte, menos neste país de opereta…

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