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Funcionários do Estrela da Amadora com salários em atraso



2009-05-30

Os funcionários da formação do Estrela da Amadora mantém o empenho e dedicação para garantir que as centenas de jovens futebolistas continuem a treinar, apesar de terem vários meses de salários em atraso.

Roupeiros, massagistas, fisioterapeutas ou treinadores das camadas jovens disseram à Agência Lusa ter ordenados em atraso há já vários meses, e adiantaram que foram notificados a semana passada pela Segurança Social de que vão ter direito ao Fundo de Garantia Salarial.

José Manuel Fernandes, roupeiro, tem sete salários em atraso e, embora tenha tido que arranjar um segundo emprego, continua a ter esperança de que, "ao menos se fecharem o futebol profissional deixem continuar a formação".

"Tive que arranjar um segundo emprego como padeiro. Trabalho de madrugada na padaria e à tarde venho para o Estrela", disse à Lusa, este funcionário que recebeu recentemente uma carta da Segurança Social a informar que o Fundo de Garantia Salarial foi activado e que vai receber parte dos salários que tem em atraso.

O massagista Amadeu Alves está no clube há mais de 15 anos. Apesar de não receber ordenados há longos meses continua a acreditar na salvação do Estrela da Amadora, tudo "pelos miúdos".

"Há muitos miúdos aqui que nós tiramos das ruas. Espero que a formação não feche porque se fechar é uma pena para os miúdos", disse o massagista, que ao longo dos anos já viu nascer aqui alguns "craques", como Jorge Andrade, Miguel, ou Abel Xavier.

Reformado de outro ofício, Amadeu Alves trabalha no Estrela da Amadora a tempo parcial. A reforma "curta" e os ordenados em atraso obrigaram a sua esposa "a ter que voltar a trabalhar".

"Aguentamos isto tudo porque sentimos que há vontade das pessoas do Estrela da Amadora em resolver isto. Esperemos é que nos deixem salvar o clube", referiu.

Um treinador das camadas jovens, que optou por não ser identificado, disse ter vários ordenados em atraso, situação que tem combatido com muitas "dificuldades".

"Vou-me desenrascando como posso. Estamos preocupados com a possibilidade do Estrela da Amadora fechar, mas tenho esperança de que o futebol de formação possa continuar", disse.

Agora com a certeza de que vão dispor do Fundo de Garantia Salarial, a maior preocupação destes funcionários vai para com "os miúdos" que diariamente ali treinam.

"É uma pena se o Estrela fechar. Jogam aqui muitos miúdos e se não fosse o clube muitos deles andavam ai pelas ruas sem nada para fazer", adiantou um dos treinadores das escolinhas A.

A preocupação quanto ao futuro do Estrela da Amadora estende-se também aos pais dos jovens futebolistas. Alguns destes pais adiantaram estarem preocupados com o futuro incerto do clube.

"Estamos a falar de 400 jovens que podem ficar sem clube. No entanto, em futebol tudo muda e vai acabar por se arranjar uma solução", disse Manuel Freitas, pai do jovem Miguel que, sexta-feira às 18:00, se encontrava a treinar nas escolinhas A, ostentando a camisola do Sporting.

O Estrela da Amadora tem as receitas penhoradas deste Agosto do ano passado e entregou há mais de um ano ao IAPMEI o pedido para um Plano Extra-judicial de Conciliação, destinado a regularizar as dívidas ao fisco e à Segurança Social.

Sem ter pago salários à equipa de futebol durante toda a época, o Estrela da Amadora corre o riso de não poder inscrever-se nas competições da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.

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