Restelo em 1957



No final do Século XIX e até meados do Século XX
de Alcãntara a Belém fervilhavam as rotas mercantis



É impressionante como os tempos passam e e pomo-nos a olhar para a obra do Estádio do Restelo e aquando da década da sua inauguração, assim como dos terrenos envolventes, e sinto uma espécie de traição continuada que fizeram e continuam a fazer ao Belenenses.

De facto, como se não tivesse bastado terem-nos expulso do Campo Pau de Fio, o que, aliás, até era compreensível, porque postes só na baliza, também tiverama aousadia de nos expulsarem das nosass Salésias, dando aqui origem ao sonho sempre ambicionado do lampião anti-belenense Cosme Damião, o qual na época só não rebentou connosco porque não conseguiu.

Na foto em cima, olho para todos aqueles terrenos, onde situam muitas moradias e as Torres dop Restelo e verifico que cada transição desde o Pau de Fio para o Restelo foi sempre a perder mais-valias de patrimoniais.

E, sinceramente, não entendo a razão pela qual o Belenenses não cria um lobby político-partidário no sentido de apresentar a conta dos prejuízos causados pelos diversos podeerse, autárquico e central, ao Belenenses, tendo em vista sermos definitivamente compensados com:
1. a devolução das Salésias e
2. com a entrega de terrenos urbanizáveis, taal e qual 1qualquer autarquia procede com os demais clubes a nível local, sendo um perfeito exagero aquilo que se observa na Madeira.

Teremos de superar ancestrais dificuldade de índole não desportiva e que estão a asfixiar o Belenenses.

A vizinhança de um monumento nacional e de interesse público acaba por acarretar maiores entraves às pretensões dos azuis. É que esta realidade implica a entrada em cena do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), o que aumenta ainda mais a morosidade na concretização do projecto. Isto porque o Estádio do Restelo fica inserido na Zona Especial de Protecção (ZEP) dos Jerónimos instituída pela Portaria 46/96 de 30 de Maio -- a qual inclui também as Capelas de S. Jerónimo e Santo Cristo e dois edifícios na Rua de Pedrouços -- facto que obriga qualquer alteração de arquitectura a ser submetida à administração central.

O Instituto Português do Património Arquitectónico destina-se a zelar pela manutenção dos imóveis considerados de interesse cultural. Foi neste âmbito que o projecto de reconversão do Estádio do Restelo foi enviada à apreciação do IPPAR.
No caso do Estádio do Restelo, este enquadra-se numa zona especial de protecção (ZEP), dada a proximidade do recinto com o Mosteiro dos Jerónimos. O processo já foi analisado e despachado negativamente pelo vice-presidente do IPPAR, dr. Paulo Pereira.

Não entendo como conseguimos estar tantos anos a fio parados atrás das secretárias do Restelo, sem levantar o traseiro e solicitar audiências peruiódicas com os grupos parlamentares, entregando o dossier do prejuízo financeiro e patrimonial causado ao Belenenses pelos diversos poderes.

Não entendo a razão pela qual tenham passado tantos juristas pela área do poder da cadeira presidencial do Belenenses, nenhum deles se tenha lembrado de accionar judicialmente a Câmara Municipal de Lisboa pela acção de esbulho das Salésias.

A zona de Belém e da Ajuda é linda, sempre o foi e já teve mais vida, apesar de ser mais desertificada que o é agora.

Belém é local de eleição no roteiro turístico da cidade de Lisboa e aí é inconcebível que qualquer direcção ao olongo dos anos não tenha colocado o Restelo na Roteiro Turístico da Cidade.
Se os Jerónimos cairam parcialmente no terramoto de 1755, isto não cai?

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Fundação e Fundador



Fundação

Terminará - enfim! - a Grande Guerra.

Há muito que a juventude de Belém sonhava com a formação de um grande clube desportivo que representasse o populoso bairro. A existência de vários jogadores belenenses espalhados por diversos clubes da Capital, mais arreigou a certeza de ser fácil concretizar a aspiração.

Finda a época de 1918/19, Artur José Pereira deixou o Sporting Clube de Portugal no propósito firme de fundar um clube com o nome da sua terra: Belém. A ideia alastrou rapidamente e quis então o acaso que alguns jogadores do Benfica, ali moradores, tendo sido castigados, se transformassem também em acérrimos entusiastas pela formação da nova colectividade. A decisão destes elementos e de tantos mais assentou então alicerces abertos sob a inspiração do espírito bairrista profundamente vivido.

Estava dado o passo que não pararia mais!

Numa noite de fins de Agosto de 1919, num banco de jardim da Praça Afonso de Albuquerque, Artur José Pereira, ser irmão Francisco Pereira, Henrique Costa, Carlos Sobral, Joaquim Dias, Júlio Teixeira Gomes, Manuel Veloso e Romualdo Bogalho, encetaram as primeiras démarches para a formação do "Belenenses". O Dr. Virgílio Paula e o Engº Reis Gonçalves foram as primeiras individualidades a serem consultadas a tal respeito e a darem o seu caloroso e valioso apoio à iniciativa. Outras reuniões de fizeram, mais adeptos surgiram, a ideia tomou corpo, e, em 23 de Setembro de 1919, sob o "apadrinhamento" de Afonso de Albuquerque, se resolveu em definitivo a fundação de um clube que agrupasse sob uma só bandeira todos os rapazes do bairro de Belém, amantes e praticantes de futebol e de outras modalidades, ao qual foi dado um nome que não deixa dúvidas quanto à razão da sua existência: Clube de Futebol "Os Belenenses".

Fundador

ARTUR JOSÉ PEREIRA: O FUNDADOR DO BELENENSES

Foi o verdadeiro fundador do Belenenses. (...) Cândido de Oliveira, o mestre sempre recordado como treinador da Académica e como jornalista, escreveu no Jornal "A Bola" que Artur José Pereira foi o jogador que mais o impressionou, pelo talento criador que o ligou profundamente ao progresso do nosso futebol. (...) Artur José Pereira, escreveu, ainda, Cândido de Oliveira, suplantou Artur Sousa e foi, sem dúvida, o melhor jogador português de todos os tempos. (...) No seu livro "Números e Nomes do Futebol Português", o saudoso jornalista Ricardo Ornelas publicou a fotografia da equipa da Associação de Foot-Ball de Lisboa que jogou no Brasil em 1913, e, ao referir os nomes dos jogadores, quando chegou ao de Artur José Pereira teve o cuidado de acrescentar "considerando-o o melhor futebolista português de todos os tempos". (...)
Foi ainda o século XIX que viu nascer Artur José Pereira, considerado o primeiro grande jogador do futebol português. Pouco antes do Regicídio, no qual pereceram o rei D. Carlos e o príncipe D. Luís, estreou-se no Benfica, três anos após a fundação do clube. Grupo Sport Lisboa era. Para o jornalista e seleccionador nacional, Tavares da Silva, “ele que nunca estudou o jogo pelos livros ou pelo ensino do treinador, conhecia o futebol como ninguém. Foi o percursor do futebol moderno, adivinhando por intuição e instinto tudo o que dizia respeito à táctica e sua execução”.

Artur José Pereira viveu na Idade da Pedra do futebol nacional. É suposto que a prática da modalidade tenha sido iniciada no ano de 1888. De acordo com Ricardo Ornelas, “em Portugal metropolitano tomou-se o ano de 1888 como o da inauguração do jogo. Guilherme e Eduardo Pinto Basto, irmãos de família ilustre, idos a educar em Inglaterra, voltaram, então, ao país e trouxeram na sua bagagem uma bola para um jogo que lá se estava a praticar muito”. Era o jogo de futebol.

Quando Artur José Pereira entrou na competição, os defesas só defendiam, os avançados só atacavam e os médios, esses, quase só corriam. Emergiu, sublinhando as diferenças, segundo o grande Cândido de Oliveira: “Possuía em que nenhum outro jogador o igualou, a maior de todas definida pela atitude artística (…). Era completíssimo, perfeitamente ambidextro e com potente remate com os dois pés; jogava primorosamente de cabeça, era um driblador estupendo e tudo isto valorizado por uma combatividade e uma coragem sem limites”.

Jogou sete temporadas no Benfica (de 07/08 a 13/14), arrebatando quatro Campeonatos de Lisboa. Em termos oficiais, realizou 41 partidas e apontou seis golos. “Foi um autêntico revolucionário do jogo, imaginando soluções, criando conceitos e sistemas que mais tarde haviam de chegar até nós trazidos pelos técnicos e livros estrangeiros”, garantiu ainda Cândido de Oliveira, na retrospectiva da carreira do jogador.

Em 1913, com as cores da Associação de Futebol Lisboa, integrou uma digressão por terras brasileira. Dizem os jornais da época que houve quem lhe pedisse para não regressar a Portugal. À selecção não chegaria, pediu escusa, a todos contristando, com excepção daqueles, seguramente poucos, que haviam verberado a sua chamada, ao que parece por se ter estabelecido em Belém.

Artur José Pereira foi, no mínimo, um jogador indicioso. Actuou no Benfica, representou o Sporting e fundou o Belenenses.

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Belém: o eixo de desenvolvimento de Lisboa via Exposição do Mundo Português



Vamos lá a continuar a conhecer alguma da história de Belém.


Vista aérea da Exposição do Mundo Português de 1940



Portas de entrada da Exposição



A Exposição do Mundo Português foi a maior exposição realizada em Portugal até à Expo 98, destinando-se a comemorar simultaneamente as centenárias datas da Fundação do Estado Português em 1140 e da Restauração da Independência em 1640.

A exposição foi inaugurada em 23 de Junho de 1940 pelo Chefe de Estado Marechal Carmona, acompanhado pelo Presidente do Conselho Oliveira Salazar e pelo Ministro das Obras Públicas Duarte Pacheco.

Os responsáveis da exposição foram: Augusto de Castro (Comissário-Geral), Sá e Melo (Comissário-Geral-Adjunto), José Leitão de Barros (Secretário-Geral) e Cottinelli Telmo (Arquitecto-Chefe).

A Exposição do Mundo Português incluía pavilhões temáticos relacionados com a história, actividades económicas, cultura, regiões e territórios ultramarinos de Portugal. Incluía também um Pavilhão do Brasil, único país estrangeiro convidado.

A Exposição do Mundo Português levou à completa renovação urbana da zona ocidental de Lisboa.

A sua praça central deu origem à Praça do Império, uma das maiores da Europa.

A maioria das edificações da exposição foi demolida no final, restando apenas algumas como o actual Museu de Arte Popular e o Monumento aos Descobrimentos (reconstrução com base no original de madeira). A exposição levou também à construção de outras infraestruturas de apoio, tal como o Aeroporto da Portela.

Sendo Lisboa a capital mais ocidental da Europa, a cidade era o terminal ideal do lado europeu dessas ligações transatlânticas.

Por essa razão, o Governo Português entendeu transformar Lisboa numa grande plataforma aérea para voos internacionais. Para isso foram projectados dois aeroportos para Lisboa: um marítimo, para hidroaviões e outro terrestre para aviões convencionais. Outra razão para a construção destas infraestruturas era o facto de ir ser realizada em 1940 a grande Exposição do Mundo Português que se previa ir atrair a Lisboa muitos voos com turistas estrangeiros (isso acabou por não acontecer devido ao início da 2ª Guerra Mundial).




Em 1938 iniciaram-se as obras dos dois aeroportos, que foram concluídas em 1940.

Como aeroporto terrestre construiu-se o Aeroporto da Portela e como aeroporto marítimo, construiu-se o Aeroporto de Cabo Ruivo, à beira do Rio Tejo e a cerca de 3km do primeiro.

Para uma ligação rápida por automóvel entre os dois aeroportos construiu-se uma via rodoviária denominada Avenida Entre-Aeroportos (actual Avenida de Berlim).

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Vicente, o homem que não foi vencido




«No mundo dos ídolos desportivos, Vicente Lucas tem um lugar à parte. Um prestígio todo feito de correcção, de enaltecimento das melhores virtudes de lealdade que devem ser apanágio de um atleta.

Para além desse valor moral, pontifica, também, o mérito de ordem técnica. Que não é de somenos. Vicente faz parte do escol dos futebolistas portugueses. Um dos melhores «médios», várias vezes «internacional» - o escolhido para «tapar» o «Rei» Pelé. Foi na lutavantajosa com o célebre «crack» brasileiro que o nome de Vicente soou mais forte além-fronteiras.

E é curioso: Pelé, vencido tantas vezes por Vicente, ficou a ser o seu mais leal admirador. Porque ninguém levou a melhor com o «Rei»
empregando tanta classe. e correcção.

Vicente Lucas é, pois, um exemplo. Um modelo.

Infelizmente, um golpe traiçoeiro do destino comprometeu a carreira do valoroso jogador belenense. Está cego de uma vista e as probabilidades de se curar são as contingentes neste género de lesões. A esperança mora, ainda, em Vicente, e naqueles que tão desveladamente o tratam. Mas a Ciência é, por vezes, impotente para corresponder aos mais ardentes votos e crenças.

O desastre que marcou tão cruelmente o «bom» Vicente emocionou o país inteiro, e não só na esfera desportiva.

Quem subscreve estas linhas era, em 1954, repórter do jornal «Record».

Foi nessa qualidade que, na manhã de 30 de Julho desse ano, nos deslocámos ao cais da Rocha, para entrevistar um jovem futebolista que viajava no Pátria, com destino ao Belenenses, e com a interessante particularidade de ser irmão do popularíssimo Matateu.

Recorda-nos de ver Vicente desembarcar e do trabalho que tivemos para furar a muralha humana que o cercou, de curiosos e belenenses expectantes, pela ideia de um segundo Matateu no seu clube. Resolvemos, então, seguir o carro do Lucas mais velho, que levava o irmão para sua casa, perto da Alameda D. Afonso Henriques.

Recorda-nos, também, que quando Matateu nos franqueou a porta, o mano Vicente estava sentado numa cadeira, tão quieto como um menino bem comportado. O seu rosto exprimia a bondade que ainda hoje se lhe nota como traço essencial do seu carácter. Um leve sorriso permanentemente nos lábios, de serena satisfação, de encanto, talvez. A mulher deMatateu tratava-o com a solicitude de irmã, procurando que ele não se sentisse um estranho em sua casa. E Vicente, exprimindo-se por monossílabos, continuava quieto na cadeira, respondendo ora ao desvelo da cunhada, ora às chalaças do irmão, ora às perguntas do jornalista.

Foi assim que conhecemos o «bom Vicente». Depois, ao longo de mais uns bons pares de anos, muitas vezes o entrevistámos. Sempre a mesma dificuldade em lhe arrancar extensas declarações - e sempre, também, o bondoso sorriso, a clareza do trato a compensar as entrevistas «insuficientes». A clareza e correcção que fizeram dele, dentro dos campos de futebol, um desportista impar.

Doze anos se passaram desde o nosso primeiro encontro com Vicente.

Voltamos agora a entrevistá-lo, na sua casa de Carcavelos, para elaboração da presente edição que lhe é inteiramente dedicada. Devemos confessar que sentimos uma certa emoção ao encarar, de novo, Vicente.

Ele a Mário Coluna, hoje «capitão» do Benfica e da selecção nacional, eram vizinhos, companheiros de escola. e de clube. Não um clube a sério. Mas um clube de garotos que denominaram «Acrobático». Pagaram quotas para a compra de material - camisola, calções e bola. Não botas, porque jogavam descalços. Curioso, a camisola era à Sporting - mas nem Vicente nem Coluna seguiriam, mais tarde, as cores verde e branca. Um preferiu o azul, o outro o encarnado.

Os meses rodaram velozes. Matateu brilhava nas Salésias e noutros campos europeus. Era uma tentação.

Vicente sonhava como «futebol de cá», mas não ousava confiar a ninguém o que sentia. Era tímido de mais para alardear a sua discreta ambição.

Quando subiu à 1ª categoria do 1º de Maio - tinha então 17 anos - Severiano Correia convocou-o para a selecção de Lourenço Marques. Mas não chegou a jogar.

A sua vida dera uma volta como uma bola de futebol que entra na baliza.

Um adepto belenense - barbeiro de profissão e entendido nos «futebois» como todo o barbeiro que se preza - avisou «para cá» o seu clube, de que o irmão de Matateu era muito jeitoso. Foi então que o mano Matateu «se dignou» a escrever para casa, a pedir à mãe para deixar o «Mandjombo» vir para o Belenenses. E, mais uma vez, D. Margarida disse «Não!»

Mas o capitão Soares da Cunha - que mais tarde viria a ser presidente dos azuis - estava em Lourenço Marques, intercedeu junto da mãe dos dois grandes futebolistas. Vinte contos pagou, imediatamente, e a promessa formal de que Vicente seria cuidadosamente tratado e com o futuro assegurado demoveu D. Margarida.

Quando Vicente chegou a Lisboa, os treinos ainda não tinham começado. E foi Serafim das Neves, o «internacional» - no impedimento do mano Matateu - quem, dois dias depois, o levou pela primeira vez às Salésias.

Riera era, então, o treinador do Belenenses. Vicente e Serafim treinara-se ligeiramente. Que emoção, treinar-se naquele estádio histórico, enorme, gigantesco, comparado com os «pelados» da sua terra.

Texto de Vasco Santos para uma edição de homenagem
publicada pela Agência Portuguesa de Revistas
(s/d - c. 1967)

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Belenenses quebrou hegemonia em 1946



O Benfica resistiu durante décadas à entrada de jogadores estrangeiros, até à célebre assembleia geral de 1 de Julho de 1979, celebrada para a discussão da inclusão de futebolistas não portugueses nos quadros do clube. Aí ficou dada a permissão para a contratação do brasileiro Jorge Gomes ao Boavista. O jogador estreou-se com a camisola encarnada em Agosto desse ano.

Mas se as "águias" se orgulhavam de ser a equipa mais portuguesa - apesar dos muitos jogadores provenientes das colónias ultramarinas -, no banco de treinadores a história é bem diferente: o primeiro técnico a conquistar um título nacional para o clube foi Mário Wilson, apenas em 1976. O FC Porto, com José Maria Pedroto, só veria um treinador luso campeão em 1978, ao contrário do Sporting, que em 1954 venceu com Tavares da Silva, o técnico do primeiro "tetra" do futebol nacional. Mas isto foram excepções à regra.

As primeiras onze temporadas foram dominadas por treinadores húngaros: onze títulos desde a época 1934-35 até 1944-45. Tudo começou com Joseph Szabo, no FC Porto, passou pelo tricampeonato benfiquista de Lipo Herczka (1935-1938), o "bi" dos portistas com Mihaly Siska e novamente Szabo (agora no Sporting) a intrometer-se nos três títulos do Benfica de Janos Biri.

Seria o Belenenses a quebrar a hegemonia dos técnicos estrangeiros e, também, dos três grandes clubes. Augusto Silva foi o homem que levou os "azuis" do Restelo ao título em 1946 - até hoje o único do clube -, tornando-se o primeiro treinador português a sagrar-se campeão.

Só mais 25 títulos seriam conquistados por treinadores portugueses: o último foi de Jesualdo Ferreira, encabeçando o tetracampeoanto dos portistas. A balança é altamente favorável aos técnicos além-fronteiras: em 75 edições do campeonato nacional, 49 venceram o ceptro, contra apenas 26 técnicos portugueses. Quase o dobro, portanto.

Mas se olharmos para a lista dos técnicos vencedores, reparamos que apenas quatro portugueses venceram nas 30 primeiras edições. Um contraste enorme com os últimos 32 anos da Liga, onde por 18 vezes o título ficou nas mãos de técnicos portugueses. Coincidência ou não, o FC Porto, o último dos três grandes a ter um técnico luso como campeão, viu 13 dos últimos 18 lusos a festejar.

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Relembrando Mladenov



Fonte: Glórias do Passado

Considerado unanimemente - durante a sua permanência em Portugal - como um dos melhores estrangeiros a jogar no nosso país, Stoycho Mladenov era um jogador internacional búlgaro, um avançado de inegável qualidade que representou o CF Belenenses, o Vitoria de Setúbal, o GD Estoril – Praia e o SC Olhanense entre meados da década de 80 e os primeiros anos da década de 90.

Stoycho Dimitrov Mladenov nasceu em Sofia na Bulgária no dia 24 de Abril de 1957. A sua carreira de futebolista começou por pequenos clubes búlgaros, subindo gradualmente na carreira até atingir o CSKA de Sofia, talvez o principal clube do seu país.

Em 1974/75 e 1975/76 representou o FC Dimitrovgrad e nas 3 temporadas seguintes, entre 1976/77 e 1978/79 a formação do FC Beroe Stara Zagora. Na temporada de 1977/78, ao serviço do FC Beroe Stara Zagora, conquistou o troféu de melhor marcador do Campeonato Nacional da Bulgária com 21 tentos.

Depois de um ano em que esteve impedido de jogar pela Federação Búlgara de Futebol, Mladenov chegou finalmente a equipa do CSKA de Sofia na época de 1980/81, clube no qual permaneceu durante 6 temporadas até transferir-se para o futebol português.

Pelo popular clube da capital da Bulgária, Mladenov atingiu grande notoriedade no futebol do seu país atingindo a Selecção Nacional. Pela equipa nacional da Bulgária, Mladenov contabilizou 59 internacionalizações, tendo participado numa grande competição mundial como foi o Campeonato do Mundo disputado no México em 1986, onde chegou mesmo a apontar um golo da selecção do seu país naquela competição.

No CSKA de Sofia conquistou por quatro ocasiões Campeão Nacional na Bulgária, nomeadamente nos anos de 1980, 1981, 1982, 1983, sagrando-se assim tetra-campeão. Aos quatro Campeonatos Nacionais da Bulgária juntou-lhe ainda 2 Taças daquele país, conquistadas nos anos de 1985 e 1986.

Às conquistas a nível colectivo, o búlgaro Mladenov foi também individualmente distinguido no seu país com o prémio de Jogador do Ano em 1983. Também a nível individual é destacado frequentemente pelos fervorosos adeptos do CSKA de Sofia como o “Liverpool´s Executor”, quando se recordam a sua exibição e os golos apontados numa celebre eliminatória da Taça dos Campeões Europeus na temporada de 1981/82, quando aquele clube búlgaro eliminou o poderoso Liverpool nos quartos de final.
Depois da participação ao serviço da Selecção da Bulgária no México 86, Mladenov foi contratado pelo CF Belenenses no início da época de 1986/87. Quando chegou a Portugal era considerado um dos jogadores mais prestigiados no seu país, já com 29 anos de idade e uma enorme experiência futebolística. Assinou com o clube da cruz de Cristo um contrato valido por três temporadas.

Naturalmente, pela sua imensa valia, facilmente se impôs no futebol português, conquistando um lugar cativo na equipa principal do CF Belenenses da época de 1986/87comandada pelo belga Henry Depireux. O perfume do seu futebol cedo encantou não só os adeptos do clube do Restelo como os aficionados do futebol em Portugal.
Mladenov era de facto um jogador de qualidade, com uma capacidade técnica apuradíssima e de uma classe futebolística evidenciada essencialmente pela precisão dos seus passes, pela sua inteligência na leitura de jogo, pelo seu posicionamento no terreno e também pela veia goleadora, pois tratava-se de um jogador exímio na finalização, quer com os pés ou de cabeça.

Logo na primeira época em Belém formou com Mapuata um dupla de ataque demolidora. Fez 26 jogos no Campeonato Nacional da 1ª Divisão, tendo apontado 13 golos na prova em que o CF Belenenses foi o 6º classificado.
Ao longo da sua carreira em Portugal, Mladenov defrontou varias vezes o Vitoria SC. Recordemos, porém, a sua primeira passagem pela cidade Guimarães, aquando do encontro da penúltima jornada do Campeonato Nacional da 1ª Divisão na temporada de 1986/87, numa partida em que apontou um dos golos do CF Belenenses na vitoria sobre os vimaranenses por 2-3.

O Vitoria SC já tinha, naquela altura, a 3ª posição na tabela classificativa definitivamente assegurada, pelo que naquele jogo apenas estava em jogo o objectivo do brasileiro Paulinho Cascavel conquistar a denominada “Bola de Prata” troféu que distinguia o melhor marcador do Campeonato Nacional.

A equipa da cidade berço lançou-se então numa toada atacante desenfreada e disso aproveitou-se o CF Belenenses para em contra ataque vencer o encontro por 2-3. Pelo Vitoria SC foi conseguido o objectivo, com Paulinho Cascavel a apontar os dois tentos, enquanto o CF Belenenses conseguia uma boa vitória forasteira, frente a uma das melhores equipas na competição.

Nesse jogo destacou-se, naturalmente, a mestria de Mladenov, não só no lançamento dos perigosos contra ataques azuis, bem como no golo que apontou. Recorde-se as equipas que alinharam daquele desafio, disputado numa tarde de Domingo do mês de Maio de 1987 sob arbitragem de Carlos Valente de Setúbal.

O Vitoria SC apresentou: Jesus; Costeado, Toze, Miguel e Carvalho; Nascimento e Adão; Roldão, Paulinho Cascavel, Ademir e N´Kama. No banco de suplentes, o técnico brasileiro Marinho Peres tinha Vítor Pontes, Basílio, Dinis, Basaula e Nivaldo, sendo que apenas o médio zairense entrou na partida, aos 70 minutos, para o lugar de Roldão.

O CF Belenenses alinhou com Jorge; Galo, José António, Sobrinho e Artur; Jaime, Hilário, Joaquim Murça e Guina; Mladenov e Djão. Paulo Monteiro e Silvério entraram para os lugares, respectivamente, de Galo e Jaime.

O resultado cifrou-se numa vitória azul em Guimarães por 2-3. Os tentos do Vitoria SC, como dissemos, foram apontados por Paulinho Cascavel, enquanto que pelo CF Belenenses os golos foram marcados por Djão, Mladenov e Paulo Monteiro.

Na temporada de 1987/88, o CF Belenenses passou a ser treinador pelo brasileiro Marinho Peres, precisamente o anterior treinador do Vitoria SC. Nesta época o búlgaro Mladenov notabilizou-se no ataque azul junto de Chico Faria.

Nesta época de ouro da equipa do Restelo, fruto essencialmente do 3º lugar na tabela classificativa do Campeonato Nacional da 1ª Divisão, Mladenov foi naturalmente um elemento de destaque, apontado 11 golos nas 34 partidas disputadas na principal competição.

No último ano em que esteve ao serviço do CF Belenenses, o internacional búlgaro Mladenov haveria de conquistar o seu único troféu em Portugal. Numa época em que o clube do Restelo não começou nada bem, terminou a temporada em beleza conquistando a Taça de Portugal na edição de 1988/89 e onde um dos momentos altos foi a presença na Taça Uefa.

Alias, nesta competição internacional, destaca-se entre os adeptos azuis a majestosa jogada de Mladenov que fabricou o golo de Mapuata no desafio frente ao FC Barcelona no Estádio do Restelo.
CF Belenenses começou a temporada a ser treinado pelo inglês John Mortimore, mais tarde substituído pelo regressado Marinho Peres, atingindo um 7º lugar na classificação final do Campeonato Nacional da 1ª Divisão, onde Mladenov anotou 7 golos nas 28 partidas que disputou.
Mladenov não jogou na partida da final do Jamor, em que o CF Belenenses venceu o SL Benfica por 2-1, mas foi decisivo no encontro das meias-finais em que o clube da cruz de Cristo eliminou o Sporting CP, vencendo no Estádio do Restelo por 3-1, sendo um dos tentos apontados pelo búlgaro, e diga-se de passagem, um fantástico golo.
Finalizado o seu contrato com o CF Belenenses, Mladenov, perfeitamente integrado no nosso país, continuou a sua carreira no Vitoria de Setúbal, clube que representou nos dois anos seguintes.

Se na época de 1989/90, em que o Vitoria de Setúbal foi o 7º classificado do Campeonato Nacional da 1ª Divisão, tendo realizado com Manuel Fernandes e mais tarde Conhé no comando técnico, um brilhante campanha, já na época seguinte o clube sadino não conseguiu evitar a despromoção à 2ª Divisão de Honra.

Na época seguinte formou com o nigeriano Yekini dupla no ataque do Vitoria de Setúbal. Alinhou em 31 jogos e marcou 9 golos no Campeonato Nacional da 1ª Divisão da temporada de 1990/91, marcas naturalmente de registo para um atleta em final de carreira.

Mas a equipa do Vitoria de Setúbal que inicialmente foi treinada por José Romão e mais tarde pelo mágico Quinito não conseguiu ir alem do 17º lugar no Campeonato e dessa forma foi relegado ao segundo escalão do futebol português.
Mladenov não seguiu com turma de Setúbal para a 2ª Divisão de Honra e ingressou ma época de 1991/92 no GD Estoril – Praia a militar na 1ª Divisão Nacional. Na surpreendente equipa estorilista comandada por Fernando Santos, que se classificou na 10ª posição da prova, Mladenov foi figura importante, participando em 28 encontros e apontando 4 golos.
sua última época na 1ª Divisão Nacional foi a temporada de 1992/93, ao serviço do GD Estoril – Praia, o 13º posicionado na tabela final da competição. Mladenov, com 36 anos de idade, obviamente já não era o jogador fulcral que tinha sido anteriormente.

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Matateu. Ele é que foi o D. Sebastião



Por Artigo de Rui Tovar
Publicado em ionline.pt

A importância do homem que morreu há exactamente dez anos mede-se pela alcunha: "a oitava maravilha do mundo"

Maputo, capital de Moçambique e antigamente conhecida como Lourenço Marques, é a terceira cidade com mais internacionais na selecção portuguesa, depois de Lisboa e Porto. Ao todo, são 16 e há de quase tudo, menos guarda-redes (Costa Pereira nasceu lá perto, em Nacala). Nomes clássicos como Eusébio, Coluna, Hilário, Juca, Vicente, Matine, os gémeos Pedro e Carlos Xavier saltam à vista mas só um foi apelidado pelos ingleses de oitava maravilha do mundo: Sebastião Lucas da Fonseca, ou Matateu. O i faz-lhe aqui a homenagem, precisamente no dia em que se celebra o 10.o aniversário da sua morte. Artur Quaresma, tio-avô de Ricardo (o do Inter), hoje com 93 anos, que treinou o avançado no Belenenses confirma-nos: "Matateu era uma maravilha."

Para já, a pergunta sacramental: quem foi Matateu? "Isso agora, pfff. Bem, vou tentar ser prático. Era um fenómeno que, infelizmente, nunca foi campeão, embora andasse lá perto [em 1954-55, o Sporting empatou 2-2 nas Salésias, na última jornada, com um golo aos 86', e roubou o título ao Belenenses, a favor do Benfica]. Era grande, musculoso e encorpado. Impunha-se facilmente pelo físico e destacava-se pelo arranque, pelas passadas com a bola controlada, pelo remate forte ou em jeito, pelo drible. Era uma força da natureza."

E que fez Matateu? "Além de marcar golos a torto e a direito [218 em 289 jogos na 1.a divisão], muitos deles impossíveis, outros banais, que lhe garantiram o título de melhor marcador da 1.ª divisão [29 golos em 26 jogos na época 1952-53 e 32 em 26 na de 1954-55], era um autêntico quebra--cabeças. Equipas como Sporting, FC Porto e Benfica marcavam-no homem a homem, num tempo em que nem se pensava nessas modernices. Ele chegou a Portugal [4 de Setembro de 1951] com um contrato de fazer rir e ao mesmo tempo de fazer corar de vergonha os actuais jogadores [30 contos de luvas e 1600 escudos de salário por mês], três meses depois de eu abandonar o futebol. Não nos cruzámos por pouco, mas fiquei feliz por ver a estreia ao vivo, num Belenenses-Sporting numa 1.ª jornada. Ganhámos 4-3, com dois golos dele, o último dos quais aos 88 minutos, e ele foi carregado em ombros pelos adeptos até aos balneários. Logo aí ficou conhecido como astro pela imprensa portuguesa."

A alcunha da oitava maravilha do mundo veio mais tarde. Em Maio de 1955, a Inglaterra perdeu pela primeira vez com Portugal (3-1 no Jamor) e os jornalistas britânicos, sobretudo o enviado do "Daily Sketch", um tablóide nascido em Manchester nos anos 20 e que foi sugado na década de 70 pelo "Daily Mail", descreveu Matateu da seguinte forma: "Um negro sempre sorridente, de Moçambique, é, esta noite, o rei do futebol português. Lá foi-lhe dado o nome de Lucas, mas há muito tempo que já ninguém se preocupa com isso. Passaram-lhe a chamar Matateu - um cognome que significa oitava maravilha do mundo - desde que começou a driblar como um mago e a chutar como um canhão. Fomos derrotados por essa oitava maravilha que rebaixou e humilhou uma Inglaterra destroçada e inebriada. E não há justificação porque, com excepção do maravilhoso Matateu, o grupo português é uma equipa de passeantes, com apenas uma vitória nos últimos 19 jogos."

A coisa não se fica por aqui. Nesse mesmo ano, Matateu foi eleito pela imprensa como o melhor jogador da Taça Latina-55, precursora da Taça dos Campeões, à frente de Di Stéfano e Puskas, ambos do Real Madrid. Como titulava a revista "Miroir Sprint", "Di Stéfano perdeu o sorriso frente a Matateu". Em 1957, o Belenenses fez uma digressão pelo Brasil e jogou no Maracanã, onde Matateu atirou três à barra antes de Pelé marcar os primeiros golos internacionais no misto Vasco/Santos. Só para acabar, em 1959, num RDA-Portugal de qualificação para o Europeu, em Berlim, o nome de Matateu é entoado por militares alemães que o rodeiam no final do jogo, ao ponto de ele perguntar ao jornalista Aurélio Márcio: "Vistes os russos a chamar pelo meu nome?" Tudo em nome do futebol. E sempre com uma cervejinha ao intervalo, a sua imagem de marca.

E lá voltamos ao Artur Quaresma. "Comigo a treiná-lo, nunca bebeu. Pedi-lhe com bons modos e ele acatou. Ficava no balneário a ouvir-me e a motivar os mais novos. Naquela altura a gente entendia-se mais facilmente que agora, em que um futebolista ganha mais que um treinador, o manda passear, faz o que lhe apetece."

Depois do Belenenses, onde ganha a Taça de Portugal-60 ao Sporting, Matateu ainda joga no Atlético, que ajuda a subir à 1.a divisão em 1966. No posterior pingue-pongue entre Américas (First Portugueses e Sagres da Vitória) e Portugal (Gouveia, Amora e Chaves), só acaba a carreira aos 55 anos.

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O nosso Pepe



José Manuel Soares Louro. Pepe.
Simplesmente Pepe. Para a fama, para a tragédia, para a história. Nado e criado nas
Terras do Desembargador, ainda garoto de rua apresentou-se num dia de 1926 a jogar,
nas Amoreiras, peloBelenenses, contra o Benfica - numa equipa em que militavam astros como Augusto Silva, César de Matos, Almeida... Fora Augusto Silva quem insistira em pôr o miúdo a interior-direito. A 15 minutos do fim o Benfica ganhava por 4-1.
Acabou por perder por 4-5, o golo da vitória dos homens da cruz de Cristo foi apontado, já ao lavar dos cestos, por Pepe, na transformação de um penalty. Ninguém
queria assumir a responsabilidade de o bater, olhavam todos uns para os outros, Pepe, em jeito de puto reguila, disse para Augusto Silva: «Deixem estar que eu chuto!»
Naquele pontapé nasceu uma nova estrela.
Nesse mesmo ano estreou-se pela Selecção Nacional, contra a França, marcando dois
dos quatro golos de Portugal.

Severiano Correia passa duas pinceladas sobre o seu génio: «Era de facto um jogador extraordinário! Irrequieto e franzino, dentro do rectângulo era um elemento que chamava as atenções do público. Chutador por excelência, de uma combatividade
extraordinária, constituía perigo para qualquer defesa, por muito valiosa que fosse. Era o menino mimado das gentes de Belém, de tal modo que nem com uma rosa se lhe poderia bater - expressão do seu mestre Artur José Pereira.»

Em apenas cinco anos contribuiu para o crescimento fulgurante do Belenenses, que viu passar do Campo do Pau do Fio para as Salésias, ajudou à conquista de três campeonatos de Lisboa, em 1926, 1929 e 1930, num jogo contra o Progresso marcou 10 dos 11 golos do seu clube - um record nunca mais batido em competições oficiais... Na época de 1931/32 o Belenenses voltou a sagrar-se campeão da AFL.
A fotografia comemorativa do título mostra todos os heróis de fumo negro. Por Pepe.
Fora assim que jogaram o ano inteiro.

Num dia sujo de Outubro de 1931 a morte ceifou o génio e abriu um mistério que o tempo nunca mais desfez, adensou, transformou em lenda. Em lendas. Pepe estava a caminho dos 23 anos, nascera a 29 de Janeiro de 1908. Comprovado está que morreu ao comer um chouriço.

Versões sobre o envenenamento há várias. Uma que foi a namorada que deixara que se infiltrou à sorrelfa pela casa, deitando na cozedura deletério qualquer. Outra que foi a irmã Ana, casada com o também futebolista Rodolfo Faroleiro, que por inveja o quisera matar - no que, em Belém, ninguém acreditou, por ser Pepe quem mais a ajudava em momentos de aflição e penúria. Outra ainda que fora uma osga que caíra do tecto e na fervura espalhara peçonha.

No entanto, a partir de trabalho publicado por Homero Serpa, em A BOLA magazine, se desvenda a versão mais credível. Muitos anos depois da tragédia um agente da PJ haveria de contar que fora a potassa que a mãe confundira com sal que matara Pepe, que a versão oficial se guardou em silêncio para não destroçar ainda mais quem tão tragicamente perdera o filho destinado a herói.

O veneno segregara-se no chouriço, o pai e a irmã, que apenas comeram o caldo, salvaram-se com simples lavagens de estômago no Hospital de São José.

Pepe, quando agonizava no Hospital da Marinha, já só teve força para lançar meia-dúzia de dramáticas últimas palavras: «Cortem-me as pernas mas salvem-me a vida.» Nada se conseguiu. E foi, então, um país inteiro em pesadume, o mito em voo largo para a eternidade - e todos os anos a imagem, que não deixa de comover, das flores que os jogadores do F. C. Porto depositam no monumento que se transferiu das Salésias para o Restelo, o mausoléu construído para perpetuar o ídolo grande, apesar da vida pequena.

O pai de Pepe mercanciava hortaliça de porta em porta numa carrocinha, a mãe vendia fruta no velho mercado de Belém, destruído em holocausto à Exposição do Mundo Português - a família vivia assim numa pobreza cortante, só atenuada quando o filho começou a ganhar algum (secreto) dinheiro no futebol e o ordenado de operário no Arsenal da Marinha. Para almoço de gente em paupérie, numa altura em que o País continuava mergulhado em crise profunda, sopa havia e pouco mais. Luxo era juntar-lhe um enchido.

Foi o que se fez naquele dia trágico. À mesa comeram-se os legumes apenas na malga, o chouriço foi posto carinhosamente, pela mãe, na lancheira de Pepe para que merendasse no trabalho.Ele faleceria algumas horas depois. Em O Século, Tomé Vieira conta assim os primeiros sinais da tragédia: «Às 10.30 Pepe sai do torno e vai buscar a bucha. Meia hora depois sentiu-se mal. Ainda ironizou - purgante e só agora é que está fazendo efeito.>»

Flamínio Azevedo, no Diário da Manhã, desvenda as horas amargas, a angústia do morbo, a vida a desfazer-se, no entardecer do dia triste - as palavras de Mendes Belo, médico do Hospital da Marinha:
«Impressionou-me com a sua modéstia, vinha de fato de ganga e boina e quando lhe perguntei do que sofria queixou-se de violentas dores de barriga. Daí por duas horas apareceram sintomas de mais gravidade, aquilo foi vertiginoso: algidez, hemorragias, colapsos, reacções deficientes às excitações exteriores, Pepe a queixar-se de que tinha vontade de vomitar e não podia... O pulso desaparecera e duas transfusões de sangue não deram qualquer resultado...»


Texto de «A Bola» -«O Século XX do Desporto»

Algumas lacunas e erros.

1. Pepe morreria apenas ao segundo dia do internamento no hospital.

2. O pai nunca chegou a ser internado. As duas irmãs (Ana e Suzana) estiveram bastante mal, tal como o mãe e os irmãos mais novos.
3. O jogo dos dez golos foi contra o Bom Sucesso, não o Progresso.
4. O apelido «Louro» não consta de qualquer registo.
5. O pai chamava-se Julião Soares Gomes, mas Pepe não herdou o segundo apelido.


Nota: A 2ª foto foi retirada daqui.

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Só o Belenenses perdeu o título na última jornada



Notas Prévias:

Tenho tido este texto aqui em memória e suponho ser altura de o dar á estampa, já que os sócios e adeptos andam a precisar de uma cura para fazer ressuscitar a alma belenense ou, melhor dizendo, a chamada mística azul que anda perdida em jogos de poder, de corredor, em diz-se diz-se, enfim, em lutas e guerrinahs que nos vão tornando mais fracos internamente e, por via, disso, a capacidade de lidar com a Nau Azul fica ainda mais pesada.

De tal sorte, que outro dia fiquei pasmado ao ler um mail na Mailing List do Belenenses assinado por um ex-responsável do Clube o qual solicitava aos demais participantes naquele fórum basicamente algo como isto.

Que é que é preferível:
1. Fazer o Belenenses campeão e de seguida correr o risco de ir para os distritais ou
2. Manter-se o status actual com esporádicas idas à UEFA

Pessoalmente, já deixei há muito de lá opinar atento o estado moribundo daquele fórum e, sobretudo, atento o facto de por lá se terem tentado assacar sistematizadamente responsabilidades pelas vendas e não vendas de jogadores a quem já cá não está, além de os assuntos serem demasiado redutores para já não falar de que aquilo por lá anda a funcionar em compartimentos estanques (A ou B só responde a C e D e vice-versa, tendo deixado de haver a discussão aberta e, por vezes, até acalorada que antes havia entre todos).

Mas quando vejo esta espécie de inquérito, sendo que numa das alternativas era irmos parar aos distritais e reduzir-se a possiblidade de não haver outra alternativa para o Clube de que andar neste chove, mas não molha, fiquei devastadao, vindo de quem veio.

Se a nível do Belenenses a nossa capacidade é assim tão redutora, ás tantas mais valia entregar as chaves do Clube à CML.

Depois, claro, tenho de me socorrer destes pequenos trechos de índole histórica, onde se recorda que um jogo em que perdemos o 2º campeonato com outra trafulhice arbitral, já que metemos o nosso 3º golo por intermédio de Matateu, antes do Martins nos ter empatado o jogo e dado o título aos lampiões.

E socorro-me destes trechos históricos para, ao menos, lavar a alma, já que não é possível alguém vir-me dizer, quanto mais escrever, que se encara a possiblidade de meter o Clube nos distritais, mas de papo cheio, isto é, à Boavista.

Como se fosse possível fazer-se campeão o Belenenses assim de um pé para a mão.

Mas olhando para a redução do Clube aos distritais, não foi nada que o Carlos do Carmo deixou de dizer outro dia e que aqui dei estampa, ou seja, circunscrever o Clube na sua actividade à área da Grande Lisboa.


Livra, que esta é a semana dos lampiões.

Qualquer dia ainda me dizem aqui que eu serei mais lampião que azul.



Se o Porto não conquistar este domingo o título de campeão Nacional igualará o “feito” do Belenenses na temporada 1954/55. Com efeito, esse foi o único caso em que uma equipa entrou para a derradeira jornada na condição de líder e dela não saiu com o troféu nas mãos. Os azuis do Restelo, na ocasião, partiam para o último jogo com um ponto de vantagem sobre o Benfica (a vitória valia apenas 2 pontos), e estavam obrigados a vencer o Sporting, uma vez que tinham desvantagem em caso de igualdade com os encarnados. O Sporting impôs um empate ao Belém (2-2) e ofereceu o título de bandeja ao Benfica, que cumpriu o seu papel, batendo o Atlético (3-0). Esta será a 24ª ocasião em que o título só será entregue na derradeira jornada. E o Porto há mais de 20 anos que não ganha desta forma.

24 de Abril de 1955. Com um golo de Martins a 4 minutos do fim, o Sporting negou ao Belenenses a hipótese de o clube da Cruz de Cristo se sagrar campeão nacional pela segunda vez. O título ficou nas mãos do Benfica. Os azuis partiam para a última jornada extremamente confiantes, depois de uma vitória muito suada em Braga. Um ponto de vantagem para o Benfica e dois para o Sporting e a consequente possibilidade de festejar o campeonato originaram uma enchente azul nas Falésias. Dizia-se na altura que os leões iriam “facilitar”, para que o Benfica não ficasse com o título. Viria a comprovar-se o contrário. O Belenenses começou bem a partida, chegando em vantagem ao intervalo (2-1). Já na segunda metade, um lance que marcou o jogo e o campeonato (foto ao lado). Matateu terá introduzido a bola na baliza, seria o 3-1 na altura, mas o juiz não validou o golo. A 4 minutos do fim, golpe de teatro. Jogada confusa, a bola bateu nas costas de Figueiredo após remate de Martins, enganando o guardião José Pereira. Um final dramático, que terminou em lágrimas para os jogadores do Belém, sem dúvida um dos grandes do nosso futebol naquela altura. Matateu nunca mais teve outra oportunidade para se sagrar campeão nacional. Resta saber como será desta vez. O Porto parte em vantagem, Sporting e Benfica estão à espreita...

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A minha convicção sobre as Salésias




Esta semana, os associados e adeptos azuis foram gratamente surpreendidos com a notícia do Fernando Guerra sobre a transferência das Salésias para a posse do Belenenses.

Pesssoalmente, estou convicto que tal vai ser uma realidade e Viana de Carvalho tem ainda bastante tempo para ir moendo no sentido de que tal seja uma relaidade.

A questão das Salésias que aqui venho acompanhando qual luta quixotesca pressionando os nossos responsáveis no sentido de não se esquecerem de resolverem esta questão, parece que vai ser desta que terá um final feliz.

Digo-o aqui, depois de ter falado pessoalmente com alguém que se mostra tão entusiasmado quanto o signatário quanto ao final desta história.

Que argumentos terá a Casa Pia? Nenhuns, já que em 60 anos não conseguiram fazer lá nada e o Belenenses na hora que pegar naquilo é para fazer.

Acresce o facto de ter abadonado o terrenos de uma forma negligente, deixano-o passível à construção de barracas, coisa que a Câmara de Lisboa pretende irradicar.

Falta, segundo parece, o ok formal da Casa Pia, mas também não é nada que faça dormir mal o Presidente Camarário.

Lamento bastante a atitude muito pouco belenense daquilo que se vai lendo em alguns blogues, quando se devia aplaudir.

Outra questão: sabem que as Salésias tem sido regularmente limpa de lixo por lá acumulado. E quem o limpa: óbvio, todo aquele do Belenenses que pretende um campo para jogar à bola.

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Salésias voltam ao Belenenses



Esta manhã, acordo e ainda meio estremunhado, tal e qual na manhã do 25 de Abril.

Nessa manhã, a música do meu rádio estava esqusita, mas quando toca as 8H00 e oiço "Aqui Posto de Comando das Forças Armadas" dei pulos de contente em cima do pobre colchão que não merecia tal tratamento.

Hoje, ao ler em Título o jornal A Bola "Salésias Voltam ao Belenem" e mais assinado por um insuspeito jornalista daquela casa que se dá pelo nome de Fernando Guerra, e como todos os que aqui me lêem sabem do meu cavalho de batalha pela recuperação das Salésias, é caso para se dizer que se há guerras onde vale a pena uma pessoa meter-se, a guerra pela recuperação das Salésias, a confirmar-se, valeu a pena.

E, aparentemente, outros quadrantes desportivos reconhecem que as Salésias só podem ter um dono que é o Clube de Futebol "Os Belenenses" e só assim se interpreta a forma como Fernando Guerra, que não é do Belenenses, começa o seu artigo: "Finalmente!O antigo campo das Salésias, que o Belenenses há tantos anos reclama, está a um passo de voltar a ser utilizado pelo clube do Restelo".

As Salésias, para além do incalculável valor patrimonial, já lá vamos, tem um incalculável valor histórico, tem, no entanto, uma valor sentimental e desportivo que nos é muito nosso e apenas nosso.

No meio destas negociações, só se me levantam as seguintes interrogações, dado que não leio na peça nada que refira a essa a entidade.

O terreno é da Casa Pia e aqui interrrogo-me como pode a CML em nome da Casa Pia, substituir-se no acto de conferir a posse pela utilização desportiva daquele terreno.

E já agora esclareçam-me que tipo de posse nos é conferida: posse plena, em direito de superfície posse pela utlização desportiva, e neste último caso, qual o prazo da utilização.

O signatário e muitos como eu, principalmente aqueles que estiveram presentes nas Salésias no dia 23 de Setembro de de 2003, quando se deslocaram àquele campo para receberem a posse plena dos terrenos, perante a Catalina Pestana, como provedora da Casa Pia, representanters da CML, em espceila o vereador Pedro Feist, o qual na ocasião nos prometeu um relvado a custas da CML.

Depois disso, sucedeu a nega do Santana Lopes ao nosso projecto imobiliário, inviabilizando-se, assim, financeiriramente o Belenenses.

Para os mais novos, tal nega consistiu em não aprovar tal projecto, ficando a CML e a EPUL de nos entregar lotes de terreno que nos compensasse de tal negação. Até hoje...

E o que é que isto tem a ver com o possível retorno das Salésias? Eu direi que tendo eu assistido a tanta negação da parte da CML, e não vendo nesta notícia o acordo com a provedoria da Casa Pia, direi que tem tudo a ver, dado que os actores são os mesmos e falta um: o dono do terreno, que é a Casa Pia.

E o que sucedeu?

Simples, como todos estavam à espera do ministro Bagão Félix e este não compareceu, não houve entrega de coisa nenhuma.

As Salésias corporizaram um estado de alma de se ser belenenese, como muiros de nós, e eu também, nem podem imaginar, uma vez que foi lá que fomos campeões e foi lá que podíamos por mais vezes tê-lo sido, com o pássaro na mão. Enfim, histórias que oiço do meu pai, nos tempos em que ele abalava de combóio para ver o Belém nas Salésias.

Era por lá que se mandava os tais foguetes a assinalar o começo dos últimos 15 minutos de jogo, de onde uma aparente derrota se trasnformva em vitória, como por exemplo um resultado de 1-4 em 5-4 contra os lampiões.

Em pleno dia de aniversário dos nossos 85 anos foi esta a prenda que nós recebemos daquelas almas todas.

O Estádio José Manuel Soares, como era conhecido o então Campo das Salésias, foi o primeiro estádio relvado de Portugal, era o Estádio onde jogava a Sel~ecção Nacional e fomos ojecto do esbulho de uma preciosidades daquelas.

E porqe é que chamo àquele acto um esbulho. Simples, ordenou-se a expropriação do terreno para ali serem construídos bairros sociais, coisa que até hoje não se veio a verificar, pelo que a CML é-nos credora não só daqueles terrenos, mas de incallcáveis prejuíjos de ordem desportiva e financeira.

Acredito que as coisas possam estar bem encaminhadas e acredito que Viana de Carvalho se ande a torcer para dar esta alegria aos sócios do Belenenses, tanto mais se houve um local para onde ele teve de ir na sequência à sua visita ao IPO, foi justamente à CML, numa acto aparentemente que nada tinha a ver connosco, mas lá diz o ditado: "Quem não aparece esquece" e foi nessa condição que ele lá foi aos Paços do Concelho nesse dia.

E já agora, direi a muitos que apenas gostam que eu critique os Corpos Sociais e em especial a Direcção, mais me parecendo que apenas gostam de ver sangue.

Estão enganados, porquanto se critico é porque sinto razões para tal, se disser bem e caso as Salésias vierem, como parecem que vêm, para utilização exclusiamente desportiva para o nosso regaço, serei eu o primeiro a bater palmas, além do que não vejo alternativas a este tipo de gestão, porque regressar a um passado que nos deixa 4,7 milhões de prejuízo, não muito obrigado.

Salésias voltam ao Belém

Relação de confiança entre a CML e a direcção de Viana de Carvalho na base da solução Cinquenta anos depois o clube do Restelo vai poder tomar conta do seu 'tesouro'...
Finalmente! O antigo campo das Salésias, que o Belenenses há tantos anos reclama, está a um passo de voltar a ser utilizado pelo clube do Restelo, na sequência de acordo em vias de concretização com a Càmara Municipal de Lisboa.
A família belenense nunca aceitou a forma como lhe foi retirado aquele espaço emblemático, que chegou a acolher a Selecção Nacionalantes da construção do complexo do Jamor. Por razões que a razão, cinco décadas depois, continua sem ser capaz de explicar, o campo das Salésias mantém-se lá, escondido, triste e abandonado, sem que se vislumbre o mais leve indício de revitalização. Não fosse a teimosa placa a recordar ao transeunte que ali funcionou, entre 1928 e 1956, o primeiro campo relvado de Portugal e seguramente a voracidade do tempo já teria atirado para a vala do esquecimento com as memórias de um local que reuniu multidões entusiasmadas pelo virtuosismo das glórias da época.

Há muito que sucessivas direcções do clube tentavam recuperar a posse daquele autêntico tesouro para o Belenenses, embora sem sucesso, por motivos que escapam. Agora, porém, o passo foi dado, depois de demorados contactos entre as duas parte, os quais foram muito facilitados dado o ambiente de cordialidade e, principalmente, de confiança, que tem balizado o relacionamento entre a direcção de Viana de Carvalho e o executivo da CML.

A notícia foi recebida no Restelo com entusiasmo mas também com muito sentido de responsabilidade, na medida em que é ponto de honra do actuais órgãos sociais romperem com procedimentos menos próprios do passado e transmitirem para o exterior a imagem que uma instituição com a riqueza histórica do Belenenses merece. Talvez a mola impulsionadora que permitiu desbloquear uma situação que há muito se arrastava tenha residido, precisamente, nesta nova forma de abordar os problemas por parte da casa da Cruz de Cristo. Falta acertar detalhes, antes da celebração do contrato, mas parece já não haver dúvidas que a responsabilidade pela utilização desportiva das Salésias vai ser atribuída ao Belenenses.

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A zona Estádio do Restelo no início do Século XX



A foto é dos primeiros anos do séc. XX. O autor foi o famoso Joshua Benoliel. Que local é este?

Pois é, não era fácil! A foto é do famoso Hipódromo de Belém, nos terrenos perto do santuário do nosso "Belenenses" e descrito assim nos Maias: "Diante deles, o hipódromo elevava-se suavemente em colina, parecendo, depois da poeirada quente da calçada e das cruas reverberações da cal, mais fresco, mais vasto com a sua relva já um pouco crestada pelo sol de junho, e uma ou outra papoula vermelhejando aqui e além. [...] Para além, dos dois lados da tribuna real forrada de um baetão vermelho de mesa de Repartição, erguiam-se as duas tribunas públicas, com o feitio de traves mal pregadas, como palanques de arraial."

Esta situação de o Belenensess ter sido obrigado a construir o Estádio do Restelo na pedreira que o município de Lisboa fez o favor de nos ceder para "compensar" aquilo que eu considero ser o esbulho das Salésias, vem demonstrar pela foto supra da mais valia que o nosso Clube deu àqueqal região de Lisboa.

De facto, ali quase não havia nada, sendo que as construções mais perto datam de alguns séculos e são monumentos nacionais, como seja o Mosteiro dos Jerónimos e umas fábricas que por ali haviam.

Hoje em dia, é uma das zonas mais nobres de Lisboa, aquela onde, talvez, o m2 de terreno assume valores assombrosos e onde a todos é permitido beneficiar da mais-valia gerada pelo Clube de Futebol "Os Belenenses", com execepção do motor daquela zona urbana de Lisboa que fomos precisamente nós.

Na hora em que celebramos os 90 anos de História do Clube estranho bastante a não citação deste tipo de questões que têm muito a ver não só com os sentimentos históricos,mas com os valores imobiliários que outros que não nós se preparam para num projecto imobiliário ficarem de vez com os terrenos que eram nossos e deviam ser nossos e há que lutar para serem nossos.

Há que fazer realçar o que era Belém antes de haver o Estádio do Restelo e o que é Belém depois de lá ter sido construído a expensas nossas o nosso actual Estádio,bem como as mais valias geradas para os terrenos adjacentes ao Restelo dos quais recebemos $ € 0X0 cuja construção, ainda assim teve de se subjugar aos ditâmes ou canônes municipais em nos obrigarem a trabalhar a pedra extraída da pedreira nas oficinas municipais, mediante pagamento, e com a qual fizems as bancadas.

Como não pagámos, expropriararm-nos o que antes no deram e ainda continuam em dívida na compensação em lotes de terrenos pelo chumbo do projecto imobiliário, o qual, diga-se, se já tivesse sido implementado acredito mais que em vez de 500 modalidades, teríamos 1.500 modalidades ditas amadoras.

E, tal como o Bingo, lá se ía o dinheiro como uma mão cheia de areia e outra de coisa nenhuma.

Foto de cima: extraída do: Blog da Rua

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Outra história, nova história, os 90 anos em livro



Notas Prévias:

Finalmente, após vário tipo de iniciativas entre portas, sempre mal sucedidas, lá surge mais um livro sobre o Belenenses, o qual vem reportar a realidade azul ao longo dos seus 90 anos de História.

Não conheço o autor, mas seja ele quem for, a mim só me resta agradecer o facto de se ter iniciado uma série de livros dedicados ao Desporto com início em Belém.

Talvez, aqui não seja mennor o papel de Viana de Carvalho e de Victor Serpa no lançamento de tal livo, o qual irei certamente adquirir se estiver disponível via internet ou via encomenda postal à cobrança.

Isto, apesar de considerar que só mesmo em livro ou numa visita ao Museu é que podemos ser considerados qualquer coisa próxima de um dos grandes do Desporto Nacional, isto porque em matéria factual do que actualmente ocorre, o Belenenses tem mais razões para andar triste que feliz, com a inevitável repercussão nos respectivos sócios e adeptos.

Mas, como há gente que prefer o hara-kiri do Clube, siga a dança.

Um dado que resulta do que atrás escrevi é a sensação de impotência interna para se dar condições de trablho a potenciais historiadores de azul vestido e aqui, no meu espírito, assalta-me sempre um nome que podia dar continuidade a um trabalho já iniociado, mas a inveja de alguns fez parar.

Falo, como é óbvio, do que foi passado no site oficial sob o nome de PDA.

E já agora, a presença de Victor Serpa, também ele belenense, resolveu dar cor à foto, desanuviando alguns espítios mesquinhos sobre as tendênvias clubistas do jornalista.


É um livro sobre a história de um clube, não há volta a dar.

O próprio nome o indica: Clube de Futebol Os Belenenses, 90 anos de história. Mas é muito mais que isso. É um livro sobre pessoas, que têm ou tiveram em comum a paixão pelo emblema da Cruz de Cristo, fundado a 23 de Setembro de 1919.

Na passada terça-feira foi apresentado na sala VIP do Estádio do Restelo, com a presença de várias dezenas de adeptos azuis – uns famosos outros anónimos –, que não quiseram perder o lançamento de uma obra que promete dar que falar entre aqueles que fazem do amor ao Belenenses uma forma («diferente», como ontem foi repetido ao longo da cerimónia) de estar na vida.

O autor da obra é José Ceitil e o livro sobre os 90 anos de história do emblema azul é o primeiro de uma série que a editora Âncora dedicará ao desporto, sob a coordenação de Afonso de Melo. O prefácio do livro dedicado ao Belenenses esteve a cargo de Vítor Serpa, director de A BOLA, a quem coube também a honra de apresentá-lo ontem. Sentimentalmente ligado a Belém, falou com conhecimento de causa sobre a história de um clube que conheceu «quando ainda andava de calções», pela mão do pai, Homero Serpa, também ele grande referência de A BOLA e do Belenenses.

Algumas das páginas de Clube de Futebol Os Belenenses, 90 anos de história são, de resto, dedicadas a Homero Serpa. E a muitos outros. «Este não é apenas um livro sobre os números, as vitórias, as festas. É um livro de gente do Belenenses. A grandeza de um clube mede-se também pela sua história, a história de um clube é a riqueza das suas gentes», disse Vítor Serpa durante a apresentação da obra.

O livro ontem lançado fala do passado, mas ontem também se falou muito sobre presente e futuro. O primeiro foi o próprio presidente, Viana de Carvalho. «Que possa servir de inspiração para o nosso sucesso futuro, que possamos ter a glória que os nossos antepassados tiveram», afirmou o líder da Direcção, que não escapou a um recado do autor da obra.

«Gostava que contribuísse um pouco para a união, para que quem está no clube se olhe nos olhos e ponham de lado o que os divide, porque por vezes se dão tiros nos pés. Seria para mim muito gratificante se pudesse contribuir para minorar estas disputas notórias no Belenenses», disse a concluir José Ceitil.

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Dirigentes com História



Reis Gonçalves Presidiu à Junta Directiva logo aquando da fundação do clube, e foi Presidente entre 1920 e 1922. Foi Presidente da Assembleia-Geral entre 1934 e 1948 e entre 1950 e 1955.

José Luís Moura - Presidente entre 1925 e 1931. Durante os seus mandatos, obtiveram-se os terrenos e começou-se e inaugurou-se o Estádio das Salésias. Conquistou-se 2 Campeonatos de Portugal (mais uma vez Vice-Campeão) e 3 Campeonatos de Lisboa.

José Rosa - Presidente entre 1932 e 1934, esteve ligado à conquista de 1 Campeonato de Portugal (sendo Vice-Campeão no ano anterior) e de 1 Campeonato de Lisboa e ao início de expansão das Salésias, que se viriam a tornar no maior e melhor complexo desportivo Português.
Francisco Mega - Foi o dirigente que foi mais anos Presidente: entre 1935 e 1938; entre 1939 e 1941 e entre 1950 e 1954. Nos seus dois primeiros mandatos, arrelvaram-se as Saléias, e cobriu-se a bancada dos sócios, bem como construiu-se um Campo de treinos, tudo coisas então únicas em Portugal. Esteve-se presente em 2 finais da Taça de Portugal e numa final do Campeonato de Portugal. no último mandato, lutou duramente pela construção do Restelo, e viu chegar jogadores como Matateu e Di Pace.

Coelho da Fonseca - Presidente em 1938, permitiu a continuação dos trabalhos de expansão das Salésias. Entre 1967 e 1969, integrou uma Junta Directiva, que fez trabalho de grande relevo num momento difícil do clube, juntamente com Acácio Rosa e Fernando Olavo Gouveia da Veiga.

Em 1956 foi o Presidente da Comissão de cativação de lugares para o Estádio do Restelo, medida original e "futurista" na época, que mais tarde viria a ser imitada por todos os outros clubes.

Salvador do Carmo - Na sua Presidência conquistou-se a Taça de Portugal de 1942. Veio a ser Selecionador Nacional.

Constantino Fernandes - Presidente entre 1942 e 1944, ficando ligado à conquista do Campeonato de Lisboa de 43/44 e em 1946, ano em que o Belenenses foi Campeão Nacional.

Octávio de Brito- Presidente da época de 45/46, em que se conquistou o Campeonato de Lisboa e, embora já depois da sua saída, o Campeonato Nacional. Voltou em 47/48, e continuando a prestigiar o clube, e na sequência das ligações que no anterior mandato encetara com o Real Madrid, o Belenenses foi convidado para inaugurar o Estádio dos madrilenos.

Acácio Rosa - Foi eleito Presidente do Belenenses aos 36 anos. Mas, antes disso, já tinha já tinha recebido a Cruz de Cristo de Ouro, a mais alta distinção do Clube. Foi uma distinção bem merecida, pois, entre outros trabalhos: introduziu no clube o Andebol e o Voleibol; esteve, como Vice-Presidente, com a nossa equipa que inaugurou o Estádio do Real Madrid e participou na escolha do local para a construção do Estádio do Restelo; pagou do seu bolso a iluminação do Campo de Basquetebol nas Salésias e, durante anos, as despesas de 5 modalidades amadoras. Incondicionalmente apaixonado do Belenenses, esteve sempre presente nas horas dramáticas e para tributar gratidão a quem a merecia. Escreveu vários livros, alguns deles muito volumosos, com a história do Belenenses desde 1919 a 1994, ano anterior ao da sua morte. Foi o 1º selecionador Nacional de Andebol. Foi galardoado pelos governos Português e Francês. Actualmente é perpetuado entre os azuis dando o nome ao Pavilão Gimnodesportivo.

Pascoal Rodrigues - O Presidente aquando da Inauguração do Estádio do Restelo. Vice-Campeão Nacional em 1955.

Francisco Soares da Cunha - - Presidente em 1957. O grande dinamizador da construção e acabamento do Estádio do Restelo.Esteve ligado à vinda para o clube de jogadores como Matateu, Vicente e Yaúca.

Vale de Guimarães- Presidente em 1960, aquando da conquista da 2ª Taça de Portugal e em 1964 (corte de relações com o Sporting, por causa do caso Carlitos).

Baptista da Silva - Longa dedicação ao clube, no qual tem ocupado vários cargos em órgãos sociais, foi Presidente entre 1972-74, num período de ressurgimento do Belenenses, que foi Vice-Campeão em Futebol e Campeão em Andebol e Rugby, além de se estrear em provas europeias de Ténis e Andebol.

Mário Rosa Freire - Presidente de 1982 a 1990, o maior número de anos seguidos. Nos seus mandatos, conquistou-se uma Taça de Portugal, esteve-se em outra final e obteve-se um 3º lugar, além de participações na Taça das Taças e Taça Uefa. Venceu-se ainda 1 Campeonato e 2 Taças de Portugal em Andebol.

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Treinadores com História



I- Nacionais

•Artur José Pereira - o grande mestre, fundador do Belenenses, o 1º cultor de tácticas Português.

•Augusto Silva - Primeiro treinador Português a ganhar o Campeonato Nacional.

•Cândido de Oliveira - um dos "pais" da selecção nacional e do desenvolvimento do futebol Português.

•José Maria Pedroto - Esteve no Belenenses nos anos 50, não como treinador, mas como jogador. Necessitado de dinheiro para construir o Restelo (visto ter sido despojado das Salésias), e num tempo em que as transferências internacionais eram raras, o Belenenses viu-se obrigado a vendê-lo ao F.C.Porto, por uma verba record. Em 1974, esteve quase a vir como treinador para o Belenenses, que nesse mesmo ano também tentou contratar Rinus Michels, Campeão Holandês e Europeu pelo Ajax, Campeão Espanhol pelo Barcelona e Vice-Campeão Mundial e Campeão Europeu pela Holanda, vencedor da Taça Uefa pelo Bayer Leverkusen (curiosamente, sendo na edição seguinte eliminado pelo Belenenses).

•Fernando Vaz - Treinou o Belenenses em 58/59 (3º lugar) e em 63/64.

•Mário Wilson - Treinador do Belenenses no fim dos anos 60.

•Artur Jorge - Acabando a sua carreira em Portugal, como jogador, no Belenenses, voltou ao clube como treinador em 81/82 mas não completando a época. O Clube viveu então momentos terríveis, com falta de dinheiro, tendo algumas atitudes de Artur Jorge sido muito questionadas.

•Carlos Queirós - O actual Seleccionador Nacional, que foi 2 vezes Campeão Mundial Juniores, bem como técnico do Real Madrid e adjunto de Sir Alex Ferguson no Manchester United iniciou-se como treinador no Belenenses, em 1982, com a equipa de Juniores.

•José Mourinho - o "Special One", vencedor da Taça UEFA em 2003, da Liga dos Campeões em 2004 e treinador (2 vezes Campeão Inglês) ao serviço do Chelsea, jogou no Belenenses, sendo, aliás, filho do guarda-redes Félix Mourinho.


II - Estrangeiros

•Fernando Riera - Vice-Campeão Nacional em 54/55 (o tal título perdido a 4 minutos do fim), ficou em 3º lugar no Campeonato Mundial de 1962, no comando do Chile.

•Helénio Herrera - Esteve no Belenenses em 57/58. Cognominado "o Mago". Tinha já treinado a selecção de França, conquistado 2 campeonatos de Espanha pelo Atlético de Madrid e sido Vice-Campeão pelo Sevilha. Depois do Belenenses, treinou o Barcelona (2 Taças Uefa e 2 Campeonatos e 1 Taça de Espanha); o Inter (2 Taças dos Campeões, 1 Taça Intercontinental, 3 Campeonatos e 1 Taça de Itália); a Roma (1 Taça de Itália); as selecções de Espanha e de Itália.

•Henry Depireux - Em 1986 e 1987, fez o Belenenses regressar à final da Taça de Portugal e às competições europeias. Foi o 1º, no final de 1985, a falar na existência de "um sistema" em Portugal. Entre outros, treinou o Metz, o FAR de Rabat (onde foi finalista da Taça Africana dos clubes Campeões) )e as selecções de Camarões (ao serviço da qual foi vice-Campeão africano) e do Congo.

•Alejandro Scopelli - 3º lugar em 47/48; 2º lugar em 72/73; 5º lugar em 73/74.

•Otto Glória - Ganhou a Taça de Portugal de 59/60 (ano em que o clube foi 3º no Campeonato) e as Taças de Honra de 59/60 e 60/61. Conduziu a Selecção de Portugal ao 3º lugar no Mundial de 66.

•Marinho Peres - Ganhou a Taça de Portugal de 1989. 3º lugar em 88.

•Abel Braga - Treinou o Belenenses na 2ª metade da época de 91/92, em 92/93 e começo de 93/94. Esteve 23 jogos sem perder. Recentemente, foi vencedor da Taça dos Liberdadores da América (equivalente à liga dos Campeões na Europa) e do Mundial Inter-Clubes pelo Internacional de Porto-Alegre. Treinou equipas como o Flamengo (tendo sido Campeão Carioca), Atlético Paranaense, Coritiba, Atlético Mineiro e Ponte Preta, Vasco da Gama e Marselha.

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90º Aniversário do Clube de Futebol "Os Belenenses"



I - Introdução

A primeira formação depois da fundação do Belenenses em 1919 foi de atletas vindos de Lisboa, que adoravam os valores do bairro de Belém. Os Azuis como são conhecidos é considerado a tradicional a quarta potência Portuguesa. Fundado da união de pessoas oriundas do Sporting e Benfica interessadas em criar um novo clube que representasse o bairro de Belém no futebol nacional. Antes de sua fundação existiam outros clubes da zona, tal como o Ajudense e o Sport União Belenenses, que mais tarde viriam a falência.

Após uma reunião entre membros fundadores do clube, foi aprovado o novo uniforme, com a camisa azul e os calções pretos. As primeiras conquistas aconteceram na década de 20 e 30, quando venceu por três vezes o Campeonato de Lisboa e o Campeonato de Portugal, competição que antecedeu o Campeonato Nacional da primeira divisão. Nas temporadas de 1925/26, 1928/29 e 1931/1932, venceu o Campeonato de Lisboa e conquistou igualmente o Campeonato de Portugal em 1927, 1929 e 1933.

O último grande triunfo da formação do Restelo no Campeonato Nacional da Primeira Divisão, aconteceu em 1946. No ano seguinte, com o status de Campeão Nacional, o clube com a Cruz de Cristo, foi convidado pelo Real Madrid para o jogo de inauguração do Estádio Santiago Barnabéu, ocorrida a 14 de Dezembro de 1947.

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Da Esquerda para direita: Joaquim Rio, Carlos Sobral, Francisco Pereira, Aníbal dos Santos, Manoel Veloso, Mário Duarte, Amaldo Cruz, Alberto Rio, Edmundo Campos, Romualdo Bogalho e Artur José Pereira.


Além disso, o Belenenses tem uma boa tradição de participações na Taça de Portugal, tendo conquistado a competição por três vezes, nas temporadas de 1941/42, 1959/60 e 1988/89 e esteve por quatro vezes na final da mesma competição, tendo sido sempre campeão quando chegava a finalissima.

II - História Síntese das Conquistas no Futebol

Entre outras conquistas, para além de 3 Campeonatos de Portugal, 3 Taças de Portugal, e 6 Campeonatos de Lisboa, a vitória no Campeonato Nacional, em 1945/1946, foi o momento mais significativo da sua história. Durante décadas fez parte do quarteto dos "Grandes", juntamente com o Porto, Benfica e o Sporting. Até 82/83, estes foram os clubes que estiveram sempre na 1ª Divisão. Em 1933, o Belenenses era o mais poderoso clube de futebol em Portugal: tinha 3 Campeonatos de Portugal, tal como o F.C. Porto, contra 2 do Benfica, 1 do Sporting, 1 do Olhanense e 1 do Marítimo, e era também o clube com mais jogadores presentes na Selecção Nacional desde o início da actividade desta. Manteve esta posição até 1935, e a 2ª posição até 1951. Ainda hoje é o 4º clube com mais internacionalizações, com cerca do dobro dos 5º e 6º (Boavista e Vitória de Setúbal).

III - Dados Históricos e Relevantes
Apesar da sua massa associativa envelhecida, tem alguns simpatizantes noutros países (ex colónias portuguesas e comuniddades emigrantes no estrangeiro). Prova disso são as suas casas e núcleos fora do país: Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, Timor, Bélgica, Estados Unidos da América e Canadá. O Belenenses tem ainda cerca de 50 filiais e núcleos em Portugal continental e ilhas.

Por exemplo, na final da Taça de Portugal de 2007, havia faixas a assinalar presenças de adeptos de: Suíça, Canadá, Minho, Bragança, Vila Real, Porto, Ermesinde, Vila do Conde, Espinho, Estarreja, Viseu, Repeses, Covilhã, Coimbra, Tomar, Óbidos, Peniche, Elvas, Laranjeiro, Costa da Caparica/Trafaria, Litoral Alentejano, Santiago do Cacém, Faro… além dos núcleos da Fúria Azul, não só da grande Lisboa e Margem Sul, como ainda do Alentejo e de Ovar…

Ao final da Temporada 2006/2007 o Belenenses havia conquistado 2.197 pontos em 1900 partidas, com 811 vitórias, 445 empates, 634 derrotas, 3.109 golos a favor, 2.391 contra em 68 participações na primeira divisão do Campeonato Português, sendo este o quarto melhor retrospecto entre as equipas portuguesas, com larga distância do 5ª (Vitória de Guimarães).

«Digamos que o Belenenses, parecendo uma inevitabilidade, nasceu de um impulso. Mas, mais do que ter vindo ao mundo numa maternidade ao ar livre, surpreendeu pela robustez e, sobretudo, pela determinação dos seus fundadores que enfrentaram o dédalo formado por más vontades, intrigas e ausência total de desportivismo de várias forças. Chegou ao desporto português à revelia dos interesses bizantinos de muitas e boas almas. ( Homero Serpa )»

Ao longo da sua história, o Belenenses defrontou e venceu algumas das mais poderosas e conhecidas equipas do mundo: o Barcelona, o Valência, o Borussia Dortmund (na Alemanha), o Bayer Leverkusen, o Monaco, o Olympique Lyonnais, o Vasco, o Cruzeiro de Belo Horizonte, o Newcastle, o Deportivo de La Coruña, o Sevilha, o Stade de Reims, o Dínamo de Zagreb e... o Real Madrid (uma das vezes por 3-0!). Com o Real Madrid, o mais bem sucedido clube mundial do século XX, o Belenenses teve fortes ligações: foi especialmente convidado para inaugurar o Estádio daquele clube, e voltou a sê-lo quando o estádio fez as bodas de prata e houve a festa de homenagem ao hexacampeão europeu, Gento.

O Belenenses foi o primeiro clube português a participar na Taça UEFA, estreando-se com um empate 3-3 em casa dos escoceses do Hibernian.

Registo ainda para o facto de o Belenenses ter sido a equipa a marcar mais golos num só jogo de todos os campeonatos nacionais: 15-2 à Académica. Aliás, no espaço de uma semana ganhou também por 14-1 ao Salgueiros, ou seja, marcou 29 golos em duas jornadas. Na Taça de Portugal tem a segunda maior goleada de sempre com 17-0 ao GD Vila Franca. Entre os clubes que foram goleados pelo Belenenses, contam-se o Sporting (9-0, 6-0 e 5-0), o Benfica (8-3 em casa e 5-0 em campo neutro), o Futebol Clube do Porto (7-3 em casa e 6-2 e 4-0 fora) e o Sporting Clube de Braga (9-3), ou ainda o Vitória de Guimarães (12-1), o Boavista (10-0) e o Vitória de Setúbal (9-0), para referir alguns dos mais cotados.

O Belenenses de já foi, também, Vice-Campeão do Campeonato Nacional de futebol por três vezes, tal facto aconteceu nas épocas de 1936/1937, 1954/1955 e 1972/1973 e posicionou-se por 13 vezes no 3.º lugar, sendo que a última vez ocorreu em 1988.

Na década de 50, passou pelo clube a maior estrela da nossa história, o avançado Matateu, que foi o jogador com mais golos marcados nos campeonatos de 1953 e 1955, com 29 e 32 tentos respectivamente. Matateu conquistou também, no ano de 1953, a primeira edição da "Bola de Prata", troféu atribuído ao goleador do Campeonato de futebol.

Apesar do seu passado de vitórias, o Belenenses já esteve na segunda divisão por três vezes, tendo a primeira descida de escalão acontecido em 1982, e a segunda e terceira vez na década de 90.

O Estádio do Restelo, foi construído em 1956 com uma capacidade inicial de cerca de 40 000 espectadores, sendo certo que as recentes obras de remodelação rteduziram esse número para cerca de 25.000 espectadores, embora, oficialmente sejam contabilizados 22.000, por efeitos da sutracção dos lugares das primeiras filas do anel inferior das bancadas.

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